Silêncio
11 Capítulo 10 - Faminto
A noite cai, observando as estrelas na varanda, Francine não para de pensar na ideia maluca que teve. E se eu me entregar? Talvez ele pare. Infelizmente, o que ela mais temia era esse talvez, mas no fundo ela sabia, ele não ia parar, nem se conseguisse o que queria, porque ele é um louco, um assassino por diversão, afinal aquilo não era vingança, era algo fora dos limites. Daniel estava em um estado de total loucura.
- Chocolate? – Todd pergunta, trazendo uma xícara de chocolate quente nas mãos.
- Obrigada – Ela pega a xícara e começa a beber o líquido fervente lentamente.
- Eu sinto muito pelo que está acontecendo – Ele começa – Mas eu quero que saiba, que eu estarei aqui do seu lado tá?
Ela sorri e deita no ombro dele, os dois permanecem em silêncio, sentados ali juntos, observando o céu estrelado da noite, enquanto na sala, há alguns metros dali, o celular dela vibrava avisando uma mensagem de texto, o nome que piscava na tela do aparelho deixaria Francine em desespero se ela tivesse visto. Desconhecido.
Frank e Layla estão sentados no sofá assistindo a um filme, felizes por achar que tudo acabou.
- Finalmente essa história toda acabou né? – Layla diz, enquanto pega algumas pipocas.
- É, finalmente – Frank responde – Agora nós vamos voltar viver em paz.
As luzes de repente se apagam, tudo se apaga, a casa fica sem energia.
- Que droga – Frank diz.
- Era só o que nos faltava – Layla resmunga.
- Essa companhia de eletricidade é uma droga!
Um ruído agudo interrompe a conversa dos dois, um toque.
- É o meu celular – Layla diz e depois caminha até uma estante e pega o aparelho e vê o nome piscando na tela. Francine.
- Oi Fran! – Ela diz. Ao atender.
- Olá Layla – A voz do outro lado não parece a de Francine.
- Francine é você?
- Digamos que não – A voz extremamente gélida continua, em um tom baixo.
- Quem é? – Frank pergunta.
- Eu não sei, mas é do celular de Francine – Layla tira o celular do ouvido e responde.
- Quem está falando? – Ela coloca de volta.
- A pergunta não é quem está falando e sim de onde estou falando.
- Olha aqui, você tá me assustando – Ela aumenta o tom de voz.
- Na verdade, esse é o meu objetivo.
Frank faz um sinal para ela passar o telefone para ele e é o que ela faz.
- Alô? – Frank diz.
- Ah, você deve ser o Frank.
- Não tem mais o que fazer não é?
- Eu tenho, e logo você descobrirá.
- Onde você achou esse celular?
- Isso não vem ao caso agora – Ele dá uma risadinha sinistra – Agora coloque no noticiário.
- Por quê?
- Coloque e verá.
Frank pega o controle e muda de canal até chegar ao noticiário da noite, está falando sobre mais um assassinato, o de Brenda.
- E então? Ainda acha que tudo finalmente acabou?
- Desgraçado! Onde é que você está?
O homem solta uma risadinha perversa.
- Você descobrirá logo.
Layla pega o celular da mão dele rapidamente.
- O que você quer da gente?! – Ela grita – O que você quer?!
- Na hora certa você saberá, meu doce.
O sujeito desliga o telefone.
- Ai meu deus – Layla diz.
- Que merda! – Frank grita, e vai até a porta trancá-la, depois fecha as cortinas e então tem uma ideia.
- Já sei!
- O que?
- Vamos rastrear o celular.
- Como?
- Ele está ligando do celular da Francine, e eu ativei o localizador dela no dia que o assassino supostamente tinha morrido da explosão, então é só digitar o número de telefone aqui – Ele rapidamente abre o site da empresa telefônica e digita o número do celular de Francine – E nós saberemos onde esse desgraçado está.
Enquanto o site carrega as coordenadas daquela ligação, Frank e Layla ficam nervosos. Ele pode estar perto daqui, pronto para nos matar, ele pensa. Quando o local onde o assassino se encontra finalmente aparece na tela, eles ficam perplexos. Layla, que segurava o celular na mão, derruba o aparelho no chão e leva uma das mãos trêmulas a boca.
- Está vindo daqui, está vindo de dentro da casa. – Frank diz, olhando para os lados, para verificar se ele não está os observando naquele momento.
- Oh meu deus.
- Impossível.
- Vamos embora! – Layla diz, chorando de desespero.
Os dois correm até a porta, mas Frank para quando ao tocar o trinco.
- Ele pode estar aqui na frente, esperando para nos pegar – Ele diz, olhando pela janela o movimento da rua. Não há ninguém, é muito tarde, mas o assassino pode estar escondido dentro da pequena floresta que há na frente da casa deles.
- Que droga! – Layla diz, esfregando o rosto – O que fazemos agora?
- Você vai chamar a policia e eu fico aqui – Frank responde.
- Não, eu não vou te deixar aqui sozinho.
- Você precisa, é a nossa única chance de pegar ele de uma vez por todas.
- Não posso – Ela passa a mão no rosto dele.
- Você pode – Frank retribui o carinho, dando um beijo na testa dela – Eu sei que você vai conseguir.
- Tá bom.
- Você vai pegar o carro e ir até a delegacia, venha o mais rápido que puder.
- Tá.
Os dois se dirigem até a garagem, não há ninguém, e enquanto o portão abre, eles se abraçam.
- Se acontecer algo comigo – Frank começa – Eu quero que saiba...
- Nem pense nisso – Ela o interrompe – Não vai acontecer nada com você.
Frank sorri.
- Está na hora.
Layla entra no carro e vai embora rapidamente. Frank volta para a sala de estar, agora, com uma faca na mão, após alguns minutos esperando uma ligação ou a volta de Layla, ele pega o celular disca o número do celular de Francine.
- A que devo a honra da sua ligação? – A voz irônica do outro lado diz.
- Onde você está? – A voz de Frank, por outro lado, exala fúria.
- Acho que você já sabe não é?
- Eu vou te matar!
- Eu sinto muito em estragar seus planos, mas isso não será possível.
- Desgraçado!
- Mas não se preocupe, eu vou matar primeiro a sua garota.
- Infelizmente isso não vai acontecer – Frank sorri – Neste momento, ela deve estar muito longe daqui.
- Eu sei, e sabia que vocês teriam essa ideia, é por isso que tratei de preparar o carro dela.
- O que? – Frank fica surpreso e nervoso.
- Você não ouviu? Eu deixei o carro dela pronto para a viagem, o motor é ligado e alguns minutos depois, boom!
O homem dá uma gargalhada e Frank fica sem palavras, apenas derruba o celular no chão e corre para o seu carro, sai em disparada, precisa parar Layla.
Cruzando a avenida com uma velocidade imensa, ele mantém os olhos na pista e as mãos no volante, mas a sua cabeça está longe. Eu jurei protegê-la, isso não pode acontecer! Ela saiu há vinte minutos, já teria dado tempo da explosão.
Quando ele passa por uma das esquinas da rua, percebe um aglomerado de pessoas ao redor de algo em chamas, desesperado, ele desce do carro rapidamente e corre até o local, ao ver que é o carro de Layla, ele tenta correr até lá.
- Não!!! – Ele grita e chora ao mesmo tempo, não cumpriu sua missão. Layla está morta.
- Calma senhor! – Um dos bombeiros fala.
- É a minha esposa!!!
- Eu sinto muito.
Quando os bombeiros apagam o fogo, no local da explosão sobram apenas algumas pessoas e Frank, que está sentado no meio-fio, chorando desesperadamente, enquanto uma mulher e um homem ao seu lado tenta consolá-lo.
- Como eu pude deixar isso acontecer? – Ele pergunta, ainda chorando muito.
Um bombeiro se aproxima dos três sentados.
- Você é o marido? – O alto e forte homem pergunta.
Frank balança a cabeça baixa devagar.
- Não havia ninguém no carro – O bombeiro diz.
Frank levanta a cabeça e por um momento, cessa as lágrimas, seus olhos vermelhos e brilhantes imploram por uma boa notícia.
- O que?
- O carro estava vazio, não tinha nenhum corpo.
- Tem certeza? – Ele se levanta e olha para o carro, esperançoso.
- Sim – O bombeiro responde a pergunta, dando um leve sorriso.
- Oh meu deus, então ela está bem – Ele sorri – Mas onde ela está?
Está frio, Todd decide entrar, então acorda Francine, que havia dormido em seu ombro.
- Está frio – Ele diz – Vamos entrar?
- Vamos – Ela responde, sonolenta.
Eles caminham até a sala.
- Eu vou dormir – Todd diz – Você vem agora?
- Já vou – Francine responde – Só vou beber um copo d’água.
- Vou te esperar lá em cima.
Todd sobe as escadas e Francine vai tomar o copo d’água, mas quando volta, percebe o visor do seu celular aceso, quando pega, vê o nome na tela. Desconhecido. Ela olha a hora, já se passaram quase uma hora desde que recebeu a mensagem, o que significa que a próxima pessoa da lista do assassino já deve estar morta. Tremendo, ela abre a mensagem, não tem apenas um nome, e sim dois.
Frank e Layla.
- Não pode ser! – Ela diz, discando o número de Frank.
- Oi Fran – Ele diz, com uma voz fraca.
- Que bom ouvir a sua voz – Ela suspira – Eu recebi outra mensagem com o nome de vocês. O que aconteceu?
- Pois é – Ele continua com a voz fraca – Você pode vir aqui agora?
- Frank, por favor me diga, o que aconteceu? – Ela começa a ficar preocupada.
- Não dá pra falar por telefone, preciso que você venha.
- Já estou indo.
Francine sobe até o quarto. Todd já está dormindo, então pega a chave do carro e vai embora. Temendo o pior. Será que aconteceu algo com a Layla?
Ao chegar à casa de Frank e Layla, encontra algumas viaturas na porta, então ela é recebida por Vanessa.
- O que aconteceu? – Francine pergunta, temendo o que sairia da boca dela naquele instante.
- Layla sumiu.
- Como assim?
- Entre, acho que o Frank explicaria melhor.
As duas entram e ela vai abraçar Frank.
- O que houve?
- Ele não morreu Fran, ele voltou, denovo!
- Infelizmente eu já estou sabendo.
- Ele nos ligou do seu celular – Frank começa – E começou a nos ameaçar, então eu resolvi rastrear a ligação, já que o localizador do seu celular estava ligado, e descobri que estavam vindo daqui de dentro, então eu disse para a Layla ir até a delegacia, enquanto eu ficava aqui, para não deixa-lo sair, mas ele já tinha planejado tudo e havia colocado uma bomba no carro dela – Seus olhos começam a lacrimejar.
- Oh meu deus – Francine sente as lágrimas chegando.
- Mas ela não morreu – Frank continua – Não havia ninguém no carro, e desde então, ela ainda não apareceu.
- E onde vocês acham que ela pode estar? – Ela pergunta ao policial que estava com eles.
- Nós ainda não sabemos, mas estamos fazendo uma busca e já espalhamos cartazes, se alguém encontrá-la, nós vamos saber.
- Agora, por favor, descansem um pouco, amanhã nós continuamos a busca, com certeza ela está bem – O policial aconselha e eles aceitam.
Francine vai pra casa, Vanessa faz o mesmo, e Frank sobe para o quarto, na tentativa de dormir um pouco, mas é impossível, ele não conseguirá dormir até que Layla esteja salva, até que ele tenha a certeza de que ela está bem.
No dia seguinte, depois de acordar, Francine permanece sentada na cama, sem vontade alguma de sair, apenas pensando sobre o paradeiro de Layla, até que Todd entra no quarto com uma bandeja na mão, nela, ela pode ver um copo de um suco que ela jurava ser de laranja, algumas torradas, frutas e queijo.
- Bom dia! – Ele diz.
- Bom dia – Ela retribui a gentileza.
- Trouxe torradas e queijo.
- Hmm – Ela sorri, há quanto tempo não comia mesmo? – Obrigada.
Francine senta-se e ele coloca a bandeja na sua frente, enquanto os dois se deliciam com o simples café da manhã, Todd começa a perguntar:
- O que aconteceu ontem? – Ele pergunta.
- Nada – Ela abaixa a cabeça para responder.
- Não adianta esconder, eu acordei ontem à noite e você não estava na cama.
- Frank me ligou – Ela começa – Disse que precisava falar comigo.
- E o que ele queria?
- Layla desapareceu.
- Como assim?
- Ela sumiu – Francine luta para não chorar – O assassino quase a matou ontem.
- Ah meu deus.
- Mas eu poderia ter evitado.
- Como?
- O assassino me mandou mensagens com o nome da pessoa que iria matar, mas quando ele mandou as mensagens com os nomes do Frank e da Layla, eu não estava vendo. Se eu tivesse visto logo...
- Ei ei ei – Ele levanta o rosto dela – A culpa não foi sua, em hipótese alguma.
- De qualquer jeito, eu poderia ter impedido.
Neste momento, a porta do quarto se abre e nela, surge um pequeno garoto com os olhos semiabertos.
- Pai, mãe, tô com fome – Caleb diz, esfregando os olhos.
- Oh, filho, não vi que você tinha acordado, vamos, eu vou fazer algo pra gente comer tá legal?
Ele balança a cabeça.
- Vou fazer o café da manhã dele, já volto – Todd diz para Francine e logo em seguida sai do quarto junto com o filho.
Francine volta a se deitar na cama e então pega seu celular, a fim de ligar para Frank e ser informada sobre Layla, mas quando está discando o número, é interrompida por um sms. Desconhecido. Droga! É ele denovo! Ela pensa e então abre a mensagem, descobrindo então, quem será o próximo. Aidan.
- Oh meu deus – Ela diz, e então, desesperada, disca o número dele, após alguns segundos, alguém atende.
- Alô? – O homem pergunta.
- Aidan?
- Ah, oi Francine, número novo é?
- Sim, eu perdi o outro celular – Ela responde – Enfim, olha, por favor, me escute com atenção.
- Estou escutando.
- Onde você está?
- Em casa.
- Tranque todas as portas agora.
- Por quê?
- Não dá pra explicar agora, eu estou indo para ai, não saia de casa e tenha cuidado.
- Eu não tô entendendo nada, mas tá, tá bom – Ele sorri.
- Tchau – Francine se despede.
- Tchau.
Francine desce as escadas correndo, já havia tirado o pijama e colocado uma roupa.
- Aonde você vai? – Todd pergunta, confuso.
- Aidan é o próximo! – Ela responde.
- Como assim? – Ele segura no braço dela – O que foi?
Ela saca o celular de bolso e mostra a mensagem a ele. Aidan.
- Ah meu deus – Ele fica surpreso – Você disse que o assassino estava mandando mensagens com o nome da pessoa que iria matar né?
- Sim, e está agindo novamente.
- Mas você não pode ir sozinha.
- Eu não vou sozinha, vou chamar a policia, afinal, tenho uma pista, fique com o Caleb, e tome cuidado.
- Tá.
Ela sai apressada entra no carro e vai embora, a fim de tentar salvar pelo menos uma vida.
Aidan caminha pela sala de estar, confuso sobre o que acabou de ouvir de Francine. Sua mulher ainda dorme.
- Por que ela me mandou ter cuidado? – Ele pergunta para si mesmo.
Neste momento, ouve seu cachorro latir lá fora. Deve ser um gato, ele vai parar logo, Aidan pensa, afinal, seu cachorro latia para qualquer coisa, mas ao contrário do que ele pensava, o cachorro não parava de latir, então Aidan decide ver o que aconteceu, mas ao chegar ao quintal da casa, não encontra nada, apenas seu cachorro ainda latindo para o vento.
- Ah, seu malandro – Ele faz carinho no cachorro – O que aconteceu por aqui?
O cachorro para de latir, mas continua com seu olhar fixado em uma das janelas da casa, que está aberta. Aidan também percebe.
- Podia jurar que fechei essa janela – Ele diz para si mesmo, desconfiado de algo – Ah que besteira Aidan, acho que a Francine me deixou mesmo perturbado – Ele sorri e entra na casa.
De repente, ouve um barulho vindo do fim do corredor e percebe a luz do banheiro acesa.
- Amor? – Ele pergunta, esperando a esposa responder, mas ela não responde nada. – Estou te esperando no quarto tá?
Ele sobe as escadas e caminha pelo corredor e ao chegar ao quarto, se surpreende. Sua esposa está ali, deitada, ainda dormindo.
- Droga! – Ele diz e então desce as escadas novamente.
Com um pedaço de ferro na mão, ele caminha pelo corredor até o banheiro, que ainda está com a luz acesa. Quem porra está ai? Ele pensa, mas deixa apenas em pensamentos, pois, se era mesmo algum malfeitor, não iria responder nada. Idiota. Ao chegar à porta, ele ouve um som. O chuveiro está ligado. Então segura o trinco gelado e começa a girar lentamente, a porta se abre e ele começa a empurrar devagar, chegando à metade do percurso, seu coração começa a bater mais rápido, então abre mais um pouco e quando percebe por um momento, algo preto, como uma roupa. Como um terno. Ele empurra de vez a porta para pegar o bandido, mas não encontra nada. Não era um terno, era uma toalha preta. E no chuveiro, não havia ninguém, mas realmente estava ligado, e ele não deixara assim.
- Molly quer me sacanear né? Então eu também vou brincar – Ele sorri, achando que foi sua mulher.
Vou dar um susto nela também, Ele pensa, porém, quando se vira, dá de cara com alguém, mas não é sua mulher, e sim um homem, de terno preto e máscara de pano.
- Droga! Quem é você? – Ele pergunta, mas o homem não responde, apenas empurra Aidan para dentro do banheiro e fecha a porta.
Francine chega à delegacia desesperada.
- Preciso falar com o delegado! – Ela diz para um policial.
- Vou chama-lo – O jovem homem diz.
- Não precisa, já estou aqui, o que aconteceu? – Ele pergunta.
- Você precisa mandar viaturas à Rua Canon agora, o assassino vai fazer mais uma vítima.
- Como você sabe?
- Ele me mandou mais uma mensagem.
Aidan lutava com o assassino, tentando dar golpes com a perna, mas ele não reagia, parece que não sentia dor, então o homem pressionou seu pescoço contra a parede e sacou uma faca do bolso.
- Não! Por favor! – Aidan implorou ao ver a faca, mas o sujeito não disse nada, apenas tapou a boca dele com uma das mãos, e com a outra começou a esfaqueá-lo por toda a barriga várias vezes.
Aidan já estava fraco, tossindo sangue, e não aguentava a dor, então o assassino o joga contra o boxe de vidro, quebrando em vários pedaços, deixando apenas alguns em pé. Ele puxa Aidan pelos cabelos e o coloca de cara para um caco de vidro que restara do boxe.
- Por favor, não – Com uma voz fraca, é tudo o que ele consegue dizer, antes de o assassino empurrar seu pescoço contra o caco de vidro.
Molly, a esposa dele, desce as escadas.
- O que você quebrou dessa vez? – Ela pergunta sorrindo e vai até a cozinha, não há nada lá, nenhum copo ou prato quebrado. – Aidan? – Ela fica preocupada.
Neste momento, a campainha toca. Quando ela abre a porta, fica surpresa ao ver a Francine com a policia.
- Oi Francine, o que houve? – Ela pergunta assustada. – Ah, entrem por favor.
Francine e o delegado, junto com dois policias, entram na casa.
- Onde está o Aidan? – Ela pergunta.
- Não sei, estava procurando ele agora mesmo.
- Droga! – Ela diz, olhando para os lados – Eu o mandei ficar em casa.
- O que está acontecendo? – Molly pergunta – Estou ficando preocupada.
- Vai ficar tudo bem, só precisamos achar Aidan – Francine diz.
- Espera, isso é o chuveiro? – Francine pergunta.
- É – Molly responde e finalmente percebe – Mas não fui eu quem ligou, deve ter sido ele.
Eles vão até a porta do banheiro e batem na porta uma vez.
- Aidan! – Molly grita.
Batem na porta mais uma vez.
- Aidan, é a Molly!
Ninguém responde, então eles se entreolham. Molly lentamente gira o trinco e abre a porta, e dá um grito desesperado ao ver a cena dentro do banheiro. Francine leva a mão à boca. Não pode ser. O corpo de Aidan está deitado na banheira, com a barriga violentamente cortada, deixando um pouco de alguns órgãos à mostra e o pescoço dilacerado, cheio de cacos de vidro dentro. Francine está em choque com o que vê, ela simplesmente não consegue aceitar, afinal, ela acha que poderia ter feito alguma coisa. Eu não pude impedir.
Fale com o autor