Silver Moon - Me Chame Cantando (tritão)
6 Capítulo 5 - Fim, um bom começo.
Notas iniciais
– Ai meu deus, meu pai. Esqueci completamente de voltar.
Tristan gargalhava de seu desespero.
Enquanto isso na Silver Moon dos humanos. Levi vagava embriagado na multidão, esbarrando entre as pessoas sendo jogado de um lado pra o outro. Estava preocupado com seu filho. Não sabia o que fazer a respeito dele e seu “melhor amigo”. Que para piorar a situação não parecia ser uma má pessoa. Se eles estivessem mesmo juntos, como aceitar isso? Finalmente afastou-se da euforia caindo sentado sobre a calçada, escorando a cabeça na parede de uma das casas mais afastadas, um pouco para dentro do bosque ficando sozinho ali.
– Ai minha cabeça... Se sua mãe estivesse aqui saberia o que fazer. Arg o que estou fazendo? Não posso deixar que me veja assim.
– Isso mesmo. Não vai querer estragar todo o caminho que trilharam até aqui não é?
O fantasma de sua mulher morta balançava as pernas, sentada num galho de árvore. O vento soprava entre as copas chacoalhando suavemente os fios cacheados.
– Lucile.
– Olá querido.
– O que está fazendo aqui, num lugar como esse?
Ela flutuou até o chão franzindo os olhos, cutucando o peito de seu ex-marido com o dedo fantasma.
– A pergunta é: O que está fazendo aqui? Seu lugar não é aqui. E nem o meu. Na verdade só me permitiram vir hoje.
Pensou estar tendo uma alucinação por conta da bebida. Então não se importou em continuar conversando com aquele “fruto de sua mente perturbada”.
– Então, onde é o meu lugar?
– Nesse momento... No cais. Vá ao píer Levi.
Sua forma espiritual começou a ser arrastada em direção ao céu estrelado largando o rosto do homem de pé. Tentava segura-la com as mãos que só atravessavam o corpo sem vida.
– Não... Não, por favor!
– Já disse. Esse também não é o meu lugar.
– Por favor, espere! Eu não sei o que fazer!
– Sim... Você sabe.
Depois que ela sumiu. Levi cambaleou um pouco até a mesa de bar mais próxima.
– Boa noite senhor o que vai querer?
– O seu maior copo de café sem açúcar... E por favor, rapaz, pra viagem. Tenho um lugar pra ir.
No cais, as centenas de pessoas entre moradores e visitantes se reuniam aguardando para assistir a queima de fogos que marcavam a comemoração do dia de são Marine. O píer estava lotado e sob ele onde a água batia podia-se ver aquele amontoado de pés.
– Noooosa!!! Quantos humanos!
O grupo imergia ali debaixo, pondo as cabeças fora d’agua.
– É verdade Marcel. Você nunca saiu do mar não é?
– Nem eu nem ninguém. Só você inventa de fazer isso. Mas eu gosto de olhar.
A saudação de fogos começou explodindo o céu noturno em cores e luzes, tirando suspiros de todos, tanto acima do píer quanto abaixo dele.
Como todos os outros, Lenny olhava para o céu vendo as explosões, mas Titã não estava nem ai para elas, sua visão estava inteiramente virada para ele.
– É lindo, não é?
– Sim... Muito. – Virou seu rosto lhe pedindo mais um beijo. – Vamos.
– Espera. Mas e os outros?
– Anda logo. Sabemos nos virar sozinhos. – A “gentileza” das palavras explicava a quem pertenciam. – Vai ser pior se você se encrencar com o seu líder e ele te prender em casa. Eu é que não vou ficar escutando Tristan choramingar mais uma semana.
Depois dessa, subiram o cais dando de cara com Levi.
– Vamos pra casa. – Ele fez um gesto o mandando entrar no carro. – Todos nós.
Tristan apontou para si próprio e ele confirmou com a cara seria. No caminho de volta, o silêncio era o que gritava mais alto dentro do veiculo. Com os garotos sentados no banco de trais tomando um a mão do outro num ato de confiança. O carro parou, e antes mesmo de estarem todos na sala de estar, a conversa começou.
– Pai eu... Quero te contar uma coisa. Eu sou...
– Não. Eu conto. A culpa é minha. Ele é o que é por minha causa.
– Ninguém precisa me contar nada... Eu sei de tudo.
– Sabe, como?
– Eu já desconfiava. Você é meu único filho Lenny. Não posso te perder pelo que você se torne. Mesmo que você seja um... Gay.
– Hã? Só isso que você sabe?
– E têm mais alguma coisa?
– Tem. Eu mexi com o corpo do seu filho, minha parte de baixo faz parte dele. Deixa eu mostrar.
– Não, não. – Ele tapou os olhos, achando que eles fariam “aquilo” ali mesmo. – Eu posso aceitar muito bem isso, sem ter que ver nada.
– Anda pai olha logo.
Levi espiou temeroso por entre as brechas dos dedos, dando de cara com a figura de seu filho se transformando na lendária criatura meio peixe. A metamorfose fez ambos caírem pra trais. Um pela surpresa e o outro pela falta de pernas.
– Tudo bem ai embaixo? – Titã estendeu as mãos levantando os dois, ajudando o mais velho a se sentar na poltrona.
– Essa eu não esperava. Sua mãe devia ter me preparado pra isso.
– O quê? – “Mamãe? será que bateu a cabeça quando caiu?”.
– Não, nada. Meu Deus meu filho se tornou uma sereia. – Acolheu a cabeça entre as mãos.
– Tritão, capitão. – Tristan o corrigiu.
– Então isso quer dizer, que, você também...
– É. Isso ai.
– Que ótimo, e meu genro é um peixe. Acho que minha dor de cabeça voltou.
Pela brincadeira, o homem mostrava que já estava tentando se acostumando com a ideia de que aquilo seria como tivesse de ser. Seu filho pegou sua mão e eles ficaram se olhando, na parceria pai e filho que esperavam conseguir quando foram morar juntos.
Tristan sentiu-se feliz, mas exilado da situação. Então o que lhe cabia era sair. Não havia espaço para ele ali. “melhor eu ir agora”. Foi se afastando em direção a porta e saiu. Do lado de fora, parou e ficou olhando um pouco de frente para a casa.
Algo surgiu atrás de si. Sem precisar se virar para ver quem era, ele abriu a boca.
– Não se preocupe. Não estou indo embora. Só estou dando um tempo pra eles... Afinal... O que é esperar até amanhã, pra quem esperou tantos anos. – Se virou. – Não é? Senhora Lucile?
O espectro mostrava-se feliz deixando a luz lunar transpassar sua inexistência.
– Obrigado.
– Vou cuidar deles eu prometo. E quando um tritão faz uma promessa ela é comprida.
Ela sorriu de canto e então deu-lhe um beijo no rosto o fazendo corar, antes de desaparecer pela ultima vez. Finalmente poderia ter seu descanso eterno.
– Ei marujo. – A porta se abria. – Já foi pescar alguma vez?
– Não na parte de cima do barco.
– Então entre. Acordamos cedo amanhã.
Ele sorria entrando ali de novo abraçou seu sogro.
– Posso te chamar de pai também?
– Não exagera.
✫¸.•°*”˜ Dez anos depois ˜”*°•.✫
– Pouco a pouco, dia após dia, ano após ano, as coisas foram melhorando naquele lugar, que se tornava cada vez mais um lar. Aísha e Risal se casaram um ano depois; Marcel finalmente encontrou o seu alguém, uma bibliotecária muito inteligente chamada Nai vitima de um naufrágio. E essa é a historia do tritão que se apaixonou por um humano.
– E o menino e o tritão vovô? O que aconteceu com eles?
Uma doce garotinha perguntava sentada em seu colo na cadeira de balanço, enquanto ele fechava o livro.
– Eles viveram felizes para sempre querida.
– Papai!
O homem de longos cabelos azuis abria a porta da varanda carregando um saco de peixes.
– Obrigado por cuidar dela por nós capitão. Lenny e eu mal temos tido tempo de ficar em casa.
A pequena passou correndo por entre suas pernas abraçando seu outro pai.
– Olá meu anjo.
– Você trousse? Você trousse? Hã? Hã? Você trousse?
– Claro que sim. Aqui está. Seu primeiro par de perolas.
Um assubiu alto ecoou pelo ar.
– Vem Tatah anda logo.
Um jovem tritão gritava acenando dentro do lago.
– Já vou Percy, espera. Meus pais chegaram não tá vendo!?
– Oi senhor L, oi senhor T!!! – Acenava para ambos. – Podemos ir agora sua chata? – O menino balançou a calda mostrando a língua. Enquanto Tatah corria atrás dele saltando na água para revelar sua outra forma.
– Do que você me chamou Percyal? Volte aqui se for homem!
– Eu não sou. – Ria fugindo.
– Tão diferente de nós não é Titã? Titã?
Tristan chegou devagar por trás do outro, o puxando de surpresa para dentro do carro, lhe dando mais um dos milhares de beijos quentes e roubados que aqueles anos de felicidade lhes dera.
– É exatamente como eu disse... E eles viveram felizes para sempre.
Notas finais
('.../')
(◕.◕) A historia acabou, mas pra quem gostou ou achou que eu
(,,)(,,) pulei a melhor parte "aquilo" Em vou lançar um , capitulo extra separado da historia dedicado a isso.
pra quem acha que tá bom assim e não precisa saber dos detalhes íntimos é só não ler garanto que não vai mudar em nada o final. Agradeço por terem vindo até aqui comigo.
✫¸.°*ARIGATOU*°.✫ volte logo. já estou com saudades.
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