Silver

1 Capítulo 1


–Então é o fim, não é? –Indagou Lydia para Arthur enquanto encarava sua própria perna.

A garota estava na ambulância, a caminho do hospital. Seu pai, Arthur, a encarava com certo tipo de medo. Medo de perder a filha? Talvez. Lydia era sua filha mais nova Era adotada, claro, mas não deixava de ser sua filha. Arthur segurou sua mão, gélida. A garota estava pálida. Os enfermeiros verificavam a perna dela. O ocorrido era simples: um acidente.

No começo, houve uma maçã, e então tudo aconteceu. Do outro lado da rua, havia uma banca de frutas, a qual Lydia observava. Uma maçã vermelha como sangue a chamou a atenção. Lydia atravessava a rua calmamente, o sinal estava fechado... Quando um caminhão passou correndo pela rua e bateu no corpo de Lydia, a atirando contra a banca de frutas. A perna de Lydia batera em uma parede, e quebrara, com fratura exposta. Lydia permanecera acordada, perdendo sangue. “Liguem para meus pais” choramingava. Lydia estava desesperada. Quando finalmente chamaram Arthur, seu pai, ele chegou em minutos, junto com a ambulância. Não tinha o que fazer. Apenas a levariam.

Lydia era muito bela. Tinha os cabelos negros como ébano, e a pele clara como a neve. As bochechas rosadas, os olhos levemente puxados. Era óbvio ser adotada. Parecia uma Japonesa. Já seu pai, Arthur, tinha cabelos negros também, e uma barba malfeita. Os olhos negros, e a pele levemente bronzeada. De qualquer forma, naquele momento eram uma família.

–Não é o fim. –Respondeu Arthur.

–Isso pode doer. –Falou um dos enfermeiros. –Teremos de colocar seu osso no lugar. No três!

A garota respirou fundo, e simplesmente fechou os olhos. Os enfermeiros contaram. “Um, dois, três”. E no três, ouviu-se um estalar do osso voltando ao seu lugar. Lydia gritou. Quem não gritaria? Arthur apenas apertou a mão da filha. Queria poder tirar o máximo de dor possível. Mas, ele era apenas um lobo. Um alfa, para ser exato. E sua filha, uma kitsune. O que era estranho, já que lobos e raposas não se dão bem. Dos olhos de Lydia, saíam lágrimas de dor. Era possível ver o desespero a cada suspiro.Logo, chegaram no hospital. Arthur, ao perceber, se levantou e esperou que tirassem a maca junto com Lydia. E assim que o fizeram, desceu da ambulância, dando de cara com Giselle Lawless, mãe de Lydia. Os dois se encararam por um bom tempo, mas, logo voltaram a atenção para a filha que estava sendo levada. Giselle tinha cabelos castanho-claros, a pele clara e os olhos castanho-avermelhados. Arthur acompanhou a maca, os enfermeiros e Lydia para dentro do hospital, e logo Giselle se juntou a eles.

–Vai mesmo ficar no mesmo ambiente que eu? –Indagou Giselle. –Você sabe que ela é MINHA filha.

–Vamos mesmo brigar agora? –Perguntou Arthur. –Ela está em estado grave. Não podemos deixar a briga de lado pelo menos uma vez?!

–Fiquem aqui. –O enfermeiro falou, logo entrando com a maca e Lydia dentro de uma sala.

Arthur e Giselle respiraram fundo. Se olharam.

–O que quer aqui? –Giselle perguntou.

–Caso não saiba ela me considera um pai. Então serei esse pai. –Respondeu Arthur. –E você? Não tinha que estar com seu namorado?Miguel?

–Não comece. Depois resolvemos isso. –Giselle resmungou. –Se deixassem eu ao menos entrar...

–Você não vai dar sangue a ela. Ela é uma kitsune, pode reagir mal. –Arthur respondeu. –Logo ela se regenera. Eu acho.

–A não ser que tenha veneno em seu sangue. –Falou Giselle. –Ótimo, vamos ficar sem saber.

–Quem sabe. –Resmungou Arthur.

Passou-se uma hora, e nenhum médico ou enfermeiro fora à procura dos pais de Lydia. Arthur andava de um lado para o outro enquanto Giselle batia o pé no chão, sentada na cadeira. Finalmente o médico chegou, com uma pasta nas mãos. Ele olhava aquilo cautelosamente, como se perdê-la fosse algo em caso de vida ou morte.

–Fizemos exame de sangue, mas sua filha perdeu muito sangue. Precisaremos de alguém com sangue compatível a tipo A. Algum de vocês? –Indagou o médico.

–O meu é O-. –Falou Arthur.

–E o meu O+. –Olhou Giselle para Arthur. –Vamos ter que chamar...

–Não, não, não. Você sabe o que aconteceu da última vez que o chamamos. –Arthur resmungou.

–Não temos outra opção. –Giselle murmurou. –Lit é nossa última esperança.

Arthur respirou fundo. Da última vez que chamaram Lit Blake, tiveram uma conversa séria. Lit era a paixão de infância de Lydia. E, bem, ele tinha o mesmo tipo de sangue, e também era um Kitsune. De fato, ele não se dava bem com Arthur, já que Arthur era um alfa. Para Arthur, Lit se achava demais.Mas na verdade, o garoto só queria mostrar para Lydia que era um bom garoto.

–Chame-o então. –Arthur reclamou.

Lydia lembrava-se de Lit em sua cama. Aquele omento único que a garota passou aos 14 anos com o rapaz. Suas vestes estavam jogadas para os lados enquanto Lit explorava a boca de Lydia com um beijo. Sua mão levava-se á cintura da mesma, e tudo aquilo, para Lydia, foi o máximo. Mas, não. Nada ocorreu.

Ao acordar de seu sonho, vira sua mãe ao seu lado. Lydia sorriu. Era a primeira vez que sorria desde o acidente. De qualquer modo, Lydia respirou fundo e voltou a fechar os olhos.

–Chamamos Lit para vir aqui. -Murmurou Giselle.

–Porque o chamaram? -Indagou Lydia. -Papai não gosta dele.

–Ele concordou. -Sorriu Giselle.

–O que?!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.