Silent Tears
9 Tudo o que eu precisava para deixar o dia perfeito
udo oque eu precisava para deixar o dia perfeito
Eu estava com a boca escancarada. Então eu a fechei, analisei a situação, e falei.
-Eu aqui achando que você ia falar algo realmente sério, e você ai, só tirando uma com a minha cara! Há-há-há para vocês, agora dá licença que eu tenho que ir para casa.
-Sophie, eu disse que era complicado! Você tem que acreditar em mim! Ou melhor, pergunte você mesma para a sua mãe, e ela irá te dizer o mesmo.
-Aham… Como eu disse você deve estar tão bêbado quanto eu. Então, eu vou indo.
Eu saí em direção da minha casa, agora jurando para mim mesma que não seguiria mais nenhum estranho bonito, afinal, quantos poderiam ter ainda?
Cheguei em casa com os ouvidos bem atentos, procurando algum sinal de vida lá dentro.
Não encontrei. Não sei se isso era bom, mais entrei mesmo assim.
A casa estava vazia, mais uma completa bagunça. Respirei fundo e gritei o meu irmão. Eu não iria limpar aquilo tudo sozinha.
-Peter! Você estando desmaiado ou não, você vai me ajudar a arrumar essa bagunça!!
-Eu to aqui! – a voz dele veio da cozinha.
Ao chegar lá, eu vi o meu irmão catando algumas garrafas do chão e pondo no lixo.
-Ainda consegue ficar de pé?
-Não por muito tempo, então para de reclamar e vem logo me ajudar.
-Aaah, o senhor vou-fazer-amizades-e-foda-se-o-resto resolveu ajudar a comunidade?
-Cala a boca. Vai vim aqui me ajudar, ou quer fazer tudo sozinha?
-Ótimo! O seu mau humor era tudo que eu queria para deixar o meu dia perfeito.
-Parabéns! Você acabou de ganhar o direito de limpar o vomito no tapete!
-Vai nessa.
-Então para de falar e começa me ajudando a recolher as garrafas, e pondo nesse saco.
Eu vi que ele não estava brincando, então eu fiz o que ele mandou. Ao terminarmos de fazer isso, eu varri a casa enquanto ele colocava os móveis no lugar. Depois a gente foi junto tentar arrumar o quintal, fazíamos tudo em silencio. Quando finalmente terminamos tudo, já era 21:15 e a nossa mãe ainda não tinha chegado.
Entramos e eu fui tomar banho. Um banho quente era tudo que eu precisava. Tomei banho ouvindo ‘lonely day’. Saí do banho e me troquei. Decidi ir comer alguma coisa na cozinha.
Agora que eu não tinha nada para encher a mente, as imagens do Julian passavam repetidas vezes na minha cabeça. Será que era verdade?
Não. Lógico que não. Isso tudo de ouvir vozes, devem ser coisas da puberdade, sei lá. Afinal, eu estava muito estressada esses dias, depois de tudo que aconteceu na outra cidade, eu devo estar tão neurótica que isso esta me fazendo ouvir coisas e ficar tão nervosa. Pronto! Mistério resolvido. Aquele garoto não batia bem da cabeça, isso sim.
Ao chegar na cozinha, peguei um pedaço de pizza da geladeira e um copo de refrigerante. Fui para a sala e liguei a TV.
Eu podia ouvir o Peter no quarto dele, e então eu ouvi o carro da minha mãe lá fora.
Ela entrou e falou.
-Oi Sophie, eu fiquei presa no trânsito, tudo bem por aqui?
-Oi mãe, tudo sim.
-Como foi o seu dia.
Eu parei para pensar. Eu não iria falar da festa, mais eu sabia que se eu não perguntasse, eu não iria dormir a noite.
-Voce nem sabe mãe, eu encontrei um garoto da minha aula de história, e ele começou a falar um assunto doido de bruxas e tal.
Eu estava meio que rindo mais parei imediatamente quando vi que ela estava séria e paralisada. Isso não era uma coisa boa.
-Mãe?
-Sophie, a gente precisa conversar.
Fale com o autor