Silent Tears
18 Pesadelo inconveniente
Notas iniciais
Eu estava em uma pequena praça, deserta de tudo e todos. E era por isso que eu amava ir para lá.
Meu anti-socialismo interior nunca foi surpresa para ninguém, mais às vezes me incomodava. Como uma pessoa consegue preferir a solidão à companhia de alguém? Pois é, essa aí sou eu. Mais mesmo sendo toda estranha assim, eu não conseguia recusar quando John pedia para vir junto comigo ao meu pequeno esconderijo. Talvez seja pelo fato da gente se conhecer desde pequenos e sermos melhores amigos, ou de talvez por eu secretamente gostar dele mais do que deveria.
Mais hoje era diferente. Ele havia me pedido para encontrá-lo na praça, pois tinha uma surpresa para mim. Um sorriso me acompanhou por todo o caminho, mas foi se desfazendo ao chegar ao lugar combinado e não vê-lo. Mas otimista do jeito que eu era, eu aguardei.
Se passaram 5 minutos.
20 minutos.
30 minutos.
E eu enfim desisti.
Ao me virar para ir embora já sentindo as lagrimas caindo ao chão, vejo ele caminhando na minha direção, os cabelos castanhos tão claros que qualquer um poderia jurar que eram loiros, estavam recém cortados; e seus olhos cor de mel transbordavam ansiedade; seus lábios rosados formavam uma linha rígida em seu rosto delicado; e os braços bem definidos estavam cruzados em seu peito.
-Oque aconteceu, John? – eu perguntei.
Ele nada me respondeu, e depois de longos segundos, descruzou os braços e se aproximou ainda mais de mim, a linha rígida da sua boca se transformou em um sorriso.
-Sophie Roller...
E com um pulo eu acordei.
Eu estava suando e com o coração disparado, sentei no sofá, tentei respirar fundo e me acalmar.
Mas a lembrança foi tão intensa que todo aquele mês voltou na memória, todos os dias com John voltaram para me assombrar. Eu balancei a cabeça bruscamente; ter aqueles pensamentos era o que eu menos queria ainda mais depois do que havia acontecido ontem com Ian.
Lagrimas quentes transbordaram dos meus olhos, porque eu tinha que me lembrar daquilo justo agora? Eu odiava tanto John!
Nesse momento o som de uma porta se abrindo me trouxe para o presente com um susto. Ian ainda se espreguiçava, e só quando olhou para mim pode perceber que havia algo errado.
-Sophie? – ele quase correu para me abraçar, cheio de preocupação – oque houve?
Eu sequei os olhos com as costas das mãos.
-Oque? Isso? Não é nada. Eu tive um pesadelo idiota, só isso... — eu dei uma risada seca
Quando eu mentia eu ficava histérica e eu pude ver nos olhos de Ian que não era a única que percebia isso. Eu encarei minhas mãos, não queria mentir, mais também não queria falar de John.
-Ian, humm... Você é bom em química? – ele me olhou desnorteado com a mudança de assunto repentina
-Hum... Sou
-Porque meu professor parece saber tanto de química quanto eu. Você pode me ajudar?
-Claro – ele disse ainda desconfiado.
-Então tá, eu vou me arrumar para a escola — eu me levantei e fui em direção ao banheiro.
-Você sabe que a história do pesadelo não me enganou, não é?
Eu parei alguns passos diante da porta, respirei fundo e sem me virar para ele murmurei:
-Eu sei – disse já fechando a porta atrás de mim.
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