Silent Soul
2 Vulto
O que havia acontecido ali? Adrian conhecia David. Ninguém entendeu aquela reação, ninguém viu ele descendo as escadas. Jéssica olhava estranho para Adrian e David parecia um pouco assustado.
Decidimos conversar um pouco lá fora. Mas ninguém falou muito. Acharam melhor ir embora.
- David. – chamei.- sim?
- Aconteceu alguma coisa? Parece abatido com algo.
- Eu não sei, Su. Essa casa... sinto que algo de ruim aconteceu aqui. Não me sinto muito bem.
- Não me assuste, ta bom? Vamos passar boa parte do tempo aqui agora.
- sim, não se preocupe... deve ser impressão minha. Até mais.
Quando entrei em casa, Adrian ainda estava no mesmo lugar, imóvel. De repente ele virou para mim.
- Adrian, já está tarde, vamos.
Sem receio, ele veio. Comemos algo, tomamos banho e meu pai chegou quando eu secava o meu cabelo. Adrian já havia deitado.
- Oi meu amor. – Falou e me deu um beijo na testa.
- Oi pai. Seu jantar está no microondas.
- Tudo bem, vou arrumar minha coisas e depois comer.
- Eu já vou dormir, boa noite.
- Boa noite, meu anjo.
Deitei na cama e liguei a TV. Comecei a mudar de canal até que cheguei em um que falava sobre evocar espíritos. Eu sempre achei interessante, então fiquei assistindo.
De repente começou a passar sobre possessão, cenas fortes de pessoas que foram possuídas por espíritos estavam sendo mostradas. Me assustei e mudei de canal, botei em algum desenho qualquer, liguei o sleep e deixei o controle de lado. Assistiria até pegar no sono.Mas, alguns segundos depois o canal mudou sozinho. Achei estranho. Subitamente, os canais foram mudando, cada vez mais rápido até chegar no mesmo programa de espíritos.
Todos os meus pelos se arrepiaram, meu pai estava no quarto ao lado mas não queria chamá-lo por uma besteira dessas. Nunca o importunei quando tive pesadelos, não seria agora que eu daria uma de medrosa.
Desliguei a TV e adormeci rapidamente.
De repente, estava num lugar escuro. Não escutava e não via nada. Estava assustada, e sentia as lágrimas descendo pelo meu rosto.
Foi aí que o vi. Um monstro, ele era bem maior que eu e tinha um rosto horrível! Dentes assustadoramente afiados e olhos vermelhos, vindo em minha direção. Acordei gritando e suando muito. Já era de manhã.
Meu pai já estava no trabalho.
Não entendi aquele sonho. Eu nunca tive medo de monstros.
Novamente o som das panelas. Será que meu pai estava em casa? Tenho certeza que também ouvi alguns passos no quarto de Adrian.
Fui até lá, Adrian estava sentado na cama olhando para o canto.
- Adrian? – ele não olhou. – Adrian? Adrian, você está me ouvindo?
Ele se virou vagarosamente.
O que está acontecendo?
Fui para perto de Adrian e me sentei ao seu lado na cama.
- Adrian, a Bala está aqui?
Sim, ele fez com a cabeça. E então, apontou para o canto do quarto.
Quem é você?
- Jéssica!!
- Oi, sou eu! Aconteceu alguma coisa? – falou a voz do outro lado do telefone.
- Talvez seja cedo para dizer, mas tem alguma coisa estranha aqui.
- Fique calma! O que houve?
Eu estava sentada no chão do corredor que dava para as quatro portas com o telefone nas mãos.
- E-eu não sei bem. A TV ontem a noite, um sonho estranho, som das panelas... porque as panelas??? – parecia besteira, mas já estava um pouco desesperada.
Neste exato momento, posso te jurar. Olhei para a porta que dava para a sala de jantar, e um vulto escuro passou. Como se descendo das escadas.
- AAAAAHH!!!
- SUZIE?! O QUE ACONTECEU???
- J-jessica... eu... – comecei a chorar, nunca havia visto algo assim. – u-um vulto... eu... to com medo!
- Eu vou pra aí! –
O que foi aquilo?
Fui até a sala de jantar. Claro que não tinha nada. Adrian ainda estava em seu quarto. Eu precisava de água. Entrei na cozinha e ainda estava tremendo. Peguei um copo e abri a geladeira, quando me virei para a cozinha novamente,
todos os armários estavam abertos.
Abri a boca involuntariamente com o susto, mas nenhum som saiu. Soltei o copo e corri para o andar de cima.
Chorando abracei o Adrian com força, que ainda estava sentado em sua cama.
“O que está acontecendo? O que está acontecendo” pensava comigo mesma repetidamente enquanto chorava e abraçava o meu irmãozinho.
Definitivamente, David tinha razão. Tinha algo bem errado com aquela casa.
Fale com o autor