Notas iniciais
Espero que gostem! Suzie começa a surtar a partir de agora!
Todos ficaram em silêncio com aquela revelação. Soltei Adrian rapidamente e andei de um lado para o outro da sala sem conseguir parar de chorar.

Senti a mão tremula de David no meu ombro.

- Calma, Su... vai ficar tudo bem. – e me abraçou.

Eu não sei o que foi aquilo, mas repentinamente senti medo do meu melhor amigo. Saí de perto dele e chorei ainda mais. Sentada no sofá, coloquei as duas mãos na cabeça, que desespero era aquele??

- Por favor..... – eu disse.

- O ... o que foi Su?

- Por favor... vai embora, vai embora, vai embora, vai embora, vai embora, vai embora, vai embora........

- Su, o que foi? Ta tudo bem?? SUZIE! FALA COMIGO – Jéssica parecia tão desesperada quanto eu e também vi brotarem lágrimas em seus olhos. – é tudo culpa minha...

- ...vai embora, vai embora, vai embora, vai embora...

Jéssica me abraçou.

-... tudo culpa minha, não devia ter trazido esse jogo estúpido!

- ... vai embora, vai embora...

David só olhava a cena. Ele próprio limpou os cacos de vidro no chão e foi embora sem dizer nada. E então, eu parei.

- Jéssica... – olhei pra ela. – o que está acontecendo??

- e-eu não sei.

Ficamos mais um tempo abraçadas e então ela teve de ir embora.

Subi e tomei um banho demorado, tentando me esquecer de tudo que havia acontecido. Ignorei o fato de me sentir observada.

Meu pai chegou do trabalho.

O observei sentando em sua cama, parecia cansado.

-... Pai...

- Oi, filha.

Eu não sabia o que fazer. Não podia dizer o sobre o jogo, ele brigaria comigo. E com certeza não acreditaria no resto.

- eu... eu não preparei jantar hoje.

- Tudo bem, só quero um copo de leite quente, por favor.

- c-certo...

- Onde está o Adrian?

- Dormindo.

- ta tudo bem?

- sim, papai. Vou pegar o seu leite.

Porque eu não tive coragem de contar pra ele? E se tudo aquilo continuasse?

Vou esperar mais uns dias, pensei. Talvez pare.

Pensava assim, com a caneca do meu pai em mãos. Já voltava para o quarto, mas quando coloquei o pé no primeiro degrau, eu a vi.

Uma garotinha estava sentada no meu sofá.

Estava escuro na sala, meu eu a vi nitidamente. Ela usava um vestido preto e olhava para mim.

Recuei o pé com o susto e tropecei no velocípede do Adrian que estava a toa perto da escada, ao olhar pra baixo, levei um susto ainda maior.

Aquela garotinha estava sentada no velocípede, e olhava para mim.

Então pude vê-la melhor. Parte do seu cabelo estava preso para trás, e sua franja quase escondia seus olhos, que na verdade eram órbitas completamente pretas.

Senti a espinha congelar por completo, como se tivessem aberto uma porta para o pólo-norte bem atrás de mim. Sem olhar para trás, subi as escadas o mais rápido que pude.

- p-pai... O seu leite... – falei me segurando para não chorar de novo.

- filha! O que houve? Você está pálida! Ta doente?

Eu podia dizer pra ele o que estava sentindo... o que eu havia visto... mas porque eu não fazia isso logo?

- Eu... – fala, Suzie, você consegue... ele vai te ajudar! – Eu estou bem, é que eu vi uma barata lá embaixo. Estou cansada, vou dormir.

- Boa noite.

- Boa noite, pai...

Eu espero.