Notas iniciais
Eu não terminei de assistir Supernatural, estou no capítulo oitavo da quinta temporada. Eu sei de muitos spoilers, mas não quis me aprofundar neles. Deve haver algo de errado nessa fanfiction? Sim, mas eu queria experimentar fazer algo mais tristonho hoje. :cRelembrando: eu não sei muito dos fatos e não quero que vocês me julguem. Tentem aproveitar a fanfiction como aproveitariam um yaoi qualquer.Isso está nas notas da fanfiction, mas eu quis colocá-las aqui para relembrá-los.Espero que gostem. Boa leitura. ^^

Dean observava concentradamente as gotas de chuva caindo, sentindo-se impotente. Castiel ainda estava no banho, e o que mais preocupava no homem eram seus ferimentos.

Ele não estava lá na hora. Castiel ainda não sabia como essas coisas de humano funcionavam, merda! Dean sentia que tinha o dever de cuidar do anjo depois que o mesmo perdeu a Graça. Era para ser uma missão simples, Castiel devia ficar dentro do Impala, Sam, Bobby e Dean resolveriam o caso e todos voltariam para a casa de Bobby e comemorar com cerveja e pizza.

Obviamente, eles não pensaram que talvez Castiel quisesse mijar a qualquer momento – por que anjos não mijavam, certo?

Anjos sem Graça mijavam.

Oh, entendeu? Dá pra fazer um trocadilho, Sammy, o Winchester mais velho pensou, tentando guardar a piada de forma que conseguisse contar para o irmão mais tarde. Quando Bobby e Cass estiverem inteiros.

Um trovão fez o chão tremer, e logo a porta do banheiro fora destrancada. Castiel estava com os ombros enrolados em uma toalha azul que realçava a cor de um dos seus olhos – o não inchado, que podia ser visto – repletos de algo que pareciam lágrimas.

– Cass? – o caçador se levantou abruptamente da cama de massagem que estava fazendo maravilhas em suas costas e se dirigiu ao anjo, que parecia amedrontado, vulnerável.

– D-dean, eu... – Castiel parecia não achar palavras. Sua voz tremia e ele parecia estar apreensivo, talvez com medo.

– Onde estão suas roupas, achei que você tinha dito que se trocaria no banheiro, Sr. Sou Envergonhado Demais – Dean tentou aliviar a tensão dos ombros do anjo.

Algo que não conseguiu fazer – ou achou que não conseguiu -, uma vez que as luzes se apagaram. Um soluço pôde ser ouvido no quarto e Dean tateava as paredes em busca de apoio para chegar até o anjo.

– Hey, Cass. Por favor, não seja uma menininha – o Winchester olhou pela janela do outro lado do quarto, tendo ela como o único ponto de referência e luz do local – Não há nada de errado. Não há espíritos ou fantasmas. Foi só um apagão causado por um raio.

O homem de olhos verdes falava, conseguindo ouvir a respiração suave de Castiel aliviada – ainda que um pouco tensa – e logo achando sua mão, que estava escondida por debaixo da toalha azul: — Vamos procurar uma lanterna.

Dean levou Castiel até a cama de massagem e o sentou ali, não soltando sua mão e dando o seu máximo para achar sua lanterna dentro de sua mochila. Quando a encontrou, apertou a mão do anjo.

– Eu vou colocar a lanterna ali – apontou com a luz para o armário no canto do quarto – Vai iluminar aqui e eu poderei cuidar dos seus ferimentos, tudo bem Cass?

O de olhos azuis tinha os olhos brilhantes em puro pavor de poder perder Dean em meio a escuridão, e os mesmos olhos que observavam os de Dean se encheram de lágrimas de frustração, enquanto ele assentia.

O próprio puxou a mão e a levou na direção das costelas, o local onde mais lhe doía. Mais precisamente do lado esquerdo.

Dean suspirou, cansado e preocupado com Castiel. Tentou ser o mais rápido possível em colocar a lanterna sobre o armário baixo e pegar as roupas de Cass que continuavam no banheiro. Quando entrou no mesmo, inspirou o cheiro de shampoo de motel, sangue e suor de Castiel.

De tudo, o cheiro não lhe era desagradável. Sequer chegava perto disso.

Não que fosse admitir o fato para alguém.

Seguiu para o quarto, tirando a mão de Castiel de suas costelas.

– Já está vestindo sua cueca?

Enrubescido, o de cabelos escuros assentiu e deixou o tecido macio da toalha acariciar seus machucados até que caísse por completo ao redor do corpo. Com a ajuda do caçador, levantou-se da cama para que o mesmo o ajudasse a cuidar dos ferimentos.

Dean fitou desde o dedinho do pé até o último fio de cabelo do homem à sua frente, suspirando cheio de culpa.

– Não... foi culpa sua, Dean – conseguiu soltar as palavras, pigarreando no final da frase. O silêncio havia sido quebrado pela primeira vez por ele, finalmente.

O loiro levantou os olhos verdes para que os mesmos encarassem o azul de Castiel.

– Sem sentimento de pena de mim, Cass – disse grosso – Sejamos francos, nós não pensamos em você quando te deixamos sozinho lá...

–... pra me proteger do que eu temo? Do que eu não consigo lutar? – o segundo soluço escapou da garganta do moreno – Antes, eu obviamente não teria medo de lutar contra demônios, fantasmas, espíritos e até mesmo os meus próprios irmãos. Por antes eu tinha poder, eu me sentia protegido. Você e Sam não podem continuar me protegendo assim pra sempre. Se a culpa é de alguém, é minha.

– Cale a boca, Castiel!

O anjo odiava aquilo. Odiava quando Dean gritava o seu nome daquela maneira, carregada de culpa e de raiva. Odiava saber que Dean estava bravo consigo.

Percebendo o que tinha feito, Dean bufou irritado, puxando alguns fios de cabelo ao jogá-los para trás e se agachando para pegar os medicamentos. Uísque, agulha e fio dental.

– Bebe – o Winchester empurrou a garrafa na direção do anjo.

– Não.

– Bebe! – ordenou Dean, praticamente jogando o líquido da garrafa recém-aberta pelo mesmo. Os olhos de Castiel estavam arregalados, assustados e acima de tudo, magoados. Percebendo isso o caçador suspirou, colocando a garrafa cuidadosamente na palma da mão do homem de olhos azuis – Olha, Cass, eu não quero você passando dor. Isso meio que vai te dopar. Você não tá acostumado, vai beber uns golinhos... – Dean simulou uma garrafa de bebida e sorriu de lado, vendo a expressão alheia se tornar suave.

Por via das dúvidas, voltou a sentá-lo sobre a cama e não pode evitar de olhar para os lábios secos entrando em contato com o álcool.

Qual seria o sabor deles, nesse momento?

Castiel sentia os dedos dos pés formigarem de uma maneira prazerosa, e logo estava completamente deitado na cama, sentindo os toques cuidadosos de Dean sobre suas coxas, logo sobre o seu peito, seu rosto.

– Anjo, eu preciso que você vire de costas pra mim – um pouco letárgico e perdido em seu quase sono, Castiel não percebeu do que o caçador o havia chamado. Sequer se lembraria daquilo pela manhã, mas no momento a única coisa que conseguia pensar é que deveria se sentar de costas para Dean.

Com esforço e ajuda, o mesmo conseguiu.

– O bebê parece estar com sono – o filho mais velho dos Winchesters riu roucamente perto da orelha do anjo, limpando suas feridas com o uísque.

As mãos do mais baixo procuravam algo em que pudesse sem apoiar, segurar. Segurou entre os dedos sem força o colchão, mas a dor era grande. Um gemido, quase urro de dor deixou seus lábios.

Dean estava preocupado com o anjo. Ele parecia estar com muita dor.

– Dean... D-dean, para, está doendo – Castiel falou baixinho, tentando afastar o mais alto de perto de si. Entretanto, o loiro teve de se estacar no lugar. Sua última opção não era tão ruim assim, então decidiu agir.

Sentou-se de frente para o moreno, circulando sua cintura com cuidado usando suas pernas e deixou que o anjo apoiasse a cabeça em seu ombro: — Anjo, só mais um pouquinho, está bem?

E o de olhos azuis deixou.

Entretanto, chorou como nunca havia chorado.

Odiava tanto o sentimento que estava entalhado em suas costelas, andando por suas entranhas, deixando-o tonto. Odiava o que o cheiro do Winchester mais velho podia fazer consigo, odiava ter medo e odiava sentir aquela dor.

Ser humano era mais difícil do que ele pensava.

Então chorou.

E quando o homem de olhos verdes acabou, alcançou uma das cobertas que estava amontoada do outro lado da cama – que parara de vibrar – e enrolou o corpo alheio. Depois, sem se mover muito, pegou a toalha que antes Castiel usava e secou os cabelos molhados do anjo. Os fios eram sedosos e tinham um cheiro único.

– Dean?

O de olhos verdes sabia que, apesar de cansado, o anjo estava em uma espécie de lucidez silenciosa. Naquele momento, se você perguntasse ao caçador o que ele sentia, ele com a total certeza conseguiria lhe dizer o que era.

Para Dean, loucura era o verdadeiro nome do amor. E lá estava ele, louco pelo anjo. Querendo tocar os lábios machucados, querendo beijar todos os machucados e querendo sugar toda aquela dor para si.

Enquanto, para o de olhos azuis e que mal sabia de amor, a vontade de dormir sentindo o cheiro de Dean era enorme.

– Cass?

O anjo engoliu o seco.

– Eu estou com medo.

Dean fechou os olhos e apertou o corpo contra si.

– Dos espíritos? Cass, eles não irão voltar...

O menor balançou a cabeça.

– Não, Dean. Eu estou com medo da chuva. Você... pode dormir comigo?

O coração do homem de olhos verdes bateu dois ritmos fora do normal. Um sorriso estampou-se em seu rosto de forma que quase o ocupava por inteiro. Seus olhos mal podiam ser vistos.

– É claro que eu posso, anjo. Vem aqui – Dean pegou Cass nos braços e o arrastou até a parede, onde ele se encostou – Pode dormir.

O menor levantou a cabeça, fitando o queixo marcante de Dean. O cheiro de colônia e suor lhe impregnava nas narinas: — Você... não vai sair daqui, não é mesmo?

– Durma, Cass. Bons sonhos.

A dor no peito passara. A vontade de beijar os lábios um do outro era grande. O medo tinha fugido pelas frestas minúsculas da janela. A chuva ficava cada vez mais forte. Naquele momento, não havia mais ninguém.

Apenas lágrimas secas de um anjo adormecido sob as asas invisíveis de um humano preso em uma lucidez silenciosa.

Notas finais
O que acharam? Está tão fora do padrão assim? Eu quis fazer também por que é um dos casais que eu mais shippo no mundo. Se eu tenho problemas? Talvez, mas eu me apaixonei por essa série e, cara, Destiel ♥ Por favor, reviews. *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!