Notas iniciais
"No mais, mesmo, da mesmice, sempre vem a novidade." - Guimarães Rosa

Era um manhã fria de outono em Jersey, no estado de New Jersey (Nordeste dos EUA). As ruas estavam úmidas por causa das chuvas que vinham preparando a cidade para o inverno, as folhas caiam no chão e aquelas que ainda se seguravam nos galhos tinham cor alaranjada, demostrando a todos que também não demorariam muito até cair. O sol, que se levantava entre os prédios, refletia sua luz nas poças e na água dos irrigadores dos hotéis daquela área da cidade, formando pequenos arco-íris em todo grande jardim, muitas vezes ignorados pelas pessoas, que andavam com seus guarda-chuvas e seus casacos apressadamente nas calçadas; era uma manhã agradável, gostosa, e até mesmo bonita para qualquer um se sentar em um banco aleatório de uma das várias praças e apenas apreciar o arredores, mas não para Emma Carter, para Emma, aquele era apenas mais um dia qualquer.

Emma era uma bela garota, de até então 19 anos, altura mediana, pele morena, olhos castanhos e cabelos negros ondulados, que apesar de sempre estarem amarrados em forma de rabo de cavalo (um tanto brega) só faziam complementar sua beleza, um fato é que Emma não era muito feminina, não gostava de maquiagens, astros pop ou passar horas escolhendo o que vestir, ela era simples e as roupas que vestia...não eram lá essas coisas. Porém isso tudo não era nada que pudesse privar Emma das coisas, como de um grupo de amigas ou até de um namorado, e nem mesmo serviria de justificativa para a vida vazia que Emma tinha. Bom...o problema era outro: Emma era uma garota solitária e fria, fria como aquela manhã, que há muito tempo parara de enxergar o lado bom da vida, para ela, nada mais fazia sentido, nada mais era tão divertido, nada mais era tão feliz como já havia sido um dia.

Emma sempre se mostrava reclusa, triste e afastada das pessoas e do convívio social, ela estudava sozinha, morava sozinha e até onde se sabia, estava sozinha, sem amigos, parentes ou uma família. Sua vida se resumia a sua faculdade, onde passava metade do dia, e ao seu emprego de meio-período como assistente de um professor, também da faculdade, de vez em quando fechava o seu dia em algum bar das redondezas, depois ia pra casa esperar sua rotina recomeçar, dia após dia. Porém, Emma não tinha nada contra manhãs de outono ou nem mesmo contra sua rotina repetitiva, mas para ela, por causa da grande tristeza que carregava dentro de si, qualquer dia era apenas mais um dia qualquer, esperando para morrer e dar à luz a um outro dia qualquer. E assim Emma havia se acostumado, não tinhas expectativas se não a de viver apenas outro dia, e continuar com sua vida normalmente até que sua hora chegasse, e ela estivesse livre da prisão que era sua vida e seus pensamentos.

Aquela manhã fria de outono era a manhã do aniversário de 20 anos de Emma, mas ela não via porque seria diferente, porque seria diferente dos outros aniversários que havia vivido, nada poderia mudar aquele dia, nada poderia torná-lo especial, nada! Como já dito, para ela era apenas mais um dia qualquer, e realmente foi, pelo menos até às 6h da noite, quando Emma saiu da faculdade e algo que raramente acontecia, aconteceu: ela recebeu um telefonema. Ela ainda não sabia, mas aquele simples telefonema mudaria tudo, seria o estopim da sua maior jornada, aquele seria um dia que decidiria e representaria bem mais do 24 horas, o telefonema era do Jersey Municipal Bank: o banco da cidade. Emma ficou curiosa:

“O banco, mas por quê? Não tenho nada lá, nem mesmo uma conta” – pensou Emma.

Sem ideia do que estava preste a ouvir naquela ligação, rapidamente ela atendeu o celular:

– Alô, Srta. Emma Carter. — disse a uma voz simpática de uma atendente do outro lado da linha.

– Sim, sou eu. E antes que pergunte já tenho uma conta em outro banco, não preciso de promoções.

– Oh! Não é isso, o New Jersey Municipal Bank gostaria de saber se poderia comparecer no banco hoje à noite.

– Mas por quê? – replicou Emma.

– Temos um pacote para a Srta., deixado aqui há 2 anos e meio e marcado para ser entregue para você, hoje e neste horário.

Notas finais
quEmma Carter leva uma vida triste, monótona e repetitiva devido a problemas que teve em seu passado. Com uma vida totalmente dirigida ao estudos e incrementada com o álcool em dias aleatórios, Emma vive vagamente sem objetivos. Porém em seu aniversário de 20 anos, ela recebe um telefonema do banco, falando de um pacote antigo que deveria ser entregue a ela naquela data.