Silent Hearts
1 Prólogo
Notas iniciais
Espero que gostem do que eu criei. Tenho de dizer que ela foi um pouco baseada em Dangan Ronpa (anime) e 999 (Visual Novel - Jogo para DS), pelo que irão encontrar várias semelhanças nisso.
Contudo, as diferenças também serão muitas (principalmente no enredo, como é claro!). Por favor, não sejam leitores anónimos - postem uma review!
Além disso, eu devo avisar que estava meio sonolenta quando escrevi isso então a última parte pode ter ficado menos boa. Caso necessário, eu reescrevê-la-ei mais tarde. :)
Espero que gostem!
A noite já caía na densa floresta à medida que o homem conduzia pelo extenso e incerto caminho. Já não sabia onde estava, se ia na direção certa ou errada, norte ou sul, a única coisa que este via naquele momento era um profundo e cada vez mais escuro verde. Apertou as mãos no volante, incomodado pela demora a encontrar a tal casa.
Mark trabalhava numa empresa de imobiliários. A sua função era, muitas vezes, se dirigir às casas e avaliá-las a fim de lhes dar um preço satisfatório para que, mais tarde, um cliente pudesse ficar agradado com a sua aquisição. Muitas vezes, era-lhe ordenado que inspecionasse gigantescos casarões a cair de velhos, e ainda desse um preço para estes – como se alguma vez algum louco fosse decidir comprar algo naquele estado. Só alguém muito rico que tivesse a capacidade de remodelá-las por completo é que faria tal coisa.
Ao menos ele recebia pelo que fazia. Mas naquele caso, começava a sentir que não valia a pena ter-se dado ao trabalho. A suposta casa estava muito longe de qualquer população próxima, e para alcançá-la tinha de passar um profundo bosque num caminho que, se ele não fosse obrigado a por ele passar, nunca teria notado a sua existência.
Passadas umas longas duas horas, o denso arvoredo finalmente cedera e abrira para mostrar a tal moradia – que apesar de nos papéis oficiais estar apontada como “casa”, era muito maior que isso. Uma mansão, uma mansão gigante, com um jardim enorme e completamente afastada do mundo. Certamente, este seria o lugar ideal para alguém muito rico passar férias. Mark não pôde deixar de denotar que haviam mais alguns carros estacionados no que parecia um pequeno parque feito propositadamente para esse fim. Passando uma vista de olhos ligeira a estes, conseguiu chegar à conclusão que lá estavam, pelo menos, cinco viaturas. Talvez mais algumas. Não se demorou muito com este pormenor, pelo que logo se levantou e se dirigiu para o enorme portão de carvalho – daqueles que se vê em mansões de filmes, adornado com o que parecia ouro (ou pelo menos, algo dourado. Mark nunca dera muita atenção para essas coisas) e esculturas de madeira que estavam presas a este. Bateu duas vezes, o som ecoando pela entrada até ao momento vazia. Quem lhe abriu a porta foi uma mulher de cabelos loiros bastante longos, um vestido de mangas compridas, luvas, meias cinzentas que lhe cobriam as pernas na totalidade e um chapéu enorme que lhe escondia os olhos.
– Boa tarde. Senhor Rodder, suponho? – Disse numa voz angelical mas muito baixa, sorrindo enquanto esticava a mão para indicar ao homem de vinte e cinco anos que entrasse. – Me siga. Por favor, não faça barulho, temos crianças dormindo.
Mark acenou. Perguntou-se como é que ela via para onde estava andando, mas sempre que tentava falar ela respondia levando o indicador aos lábios, sussurrando docemente “As crianças estão dormindo”.
Eventualmente ambos chegaram a uma outra porta de carvalho e igualmente majestosa, apesar de não tão grande quanto a da entrada. A mulher abriu-a com delicadeza e sem fazer o mínimo barulho, revelando a sala gigantesca que se erguia na frente dos dois.
Era uma sala bonita, mas estranha. O chão de madeira estava bastante brilhante, ao ponto de ser possível ver um reflexo frio das pessoas e mobílias neste. Supôs que havia janelas altas pelas cortinas de veludo em tons vermelho-escuro que se distribuíam ao longo do cómodo, o que confundiu um pouco Mark: O seu sentido de orientação não era dos melhores, mas tinha a certeza que estavam no meio da mansão. Será que eles teriam janelas interiores? O jovem adulto não compreendia.
O que ele também não compreendia era, com toda a certeza, a existência de mais dez cabeças sentadas numa mesa comprida ao longo da sala, todas elas observando-o com um olhar curioso. Estavam sérias, mas não pareciam intimidantes: na verdade, havia confusão no olhar de cada um dos presentes. Mark partilhava o sentimento. A mulher indicou-lhe o lugar onde ele deveria se sentar, uma cadeira de veludo vermelha (a mesma cor que as cortinas, por sinal) onde ele se sentiu, de certa forma, desconfortável. Ficou entre uma jovem que aparentava ser da sua idade, de belos cabelos negros, e um velho de aparência rabugenta. Ficaram em silêncio por algum tempo, até que um homem alto e belo entrou pelo quarto dentro, um sorriso amável aparecendo nos seus lábios ao ver toda a gente ali reunida.
– Boa tarde, senhoras e senhores. – Começou, com uma voz rouca. Havia algo no seu olhar que parecia… Desligado. Não havia brilho, como o olhar de uma pessoa já há muito morta. – É bom vê-los todos aqui. Eu, como um bom anfitrião, devo avisá-los a todos do que aconteceu quando decidiram entrar naquela porta em vez de darem meia volta e fugirem enquanto puderam.
Os presentes trocaram olhares confusos. Contudo, ninguém falou. Ninguém abriu a boca perante o que ouvia.
– Este lugar é um lugar especial. Uma espécie de “jogo” foi preparado para todos vocês. Seja lá qual for a razão que vos levou a acreditar que deveriam vir até aqui, devo desde já dizer que era uma mentira.
Sorriu de uma forma teatral, levando as mãos ao peito como se participasse de uma peça particularmente dramática. Mark sentiu arrepios, e as pessoas pareciam estar bastante convictas a sair dali antes que o homem continuasse com as besteiras. Por alguma razão, contudo, não o fizeram.
– O jogo é simples. – Começou, parecendo ficar um pouco mais sério. – Depois dessa reunião, cada um de vocês irá para o vosso quarto aqui na mansão. Nesse mesmo quarto, encontrarão o vosso “objetivo”, assim como as regras a seguir.
Ninguém falou ainda. Notava-se que ninguém queria saber do que é que ele dizia, alguns nem parecendo ouvir, ou se ouviam, não se importavam.
– Mas tem um pormenor interessante. Se desobedecerem as regras, ou falharem redondamente no vosso objetivo, serão mortos! – Ele bateu palmas, como se fosse algo grandioso e particularmente divertido. Quando notou que ninguém seguiu a sua deixa, tossiu secamente e continuou – Dentro de vocês, também haverá a missão de assassinar os outros convidados. Que fofo, não é?
– Você é louco. – Disse finalmente uma voz feminina. Quando Mark olhou, uma mulher ruiva (aparentemente, não natural) com um vestido azul-céu casual estava a falar, os braços cruzados sobre os peitos fartos e uma expressão de nojo – Eu já ouvi o suficiente. Vou sair.
Levantando-se para abandonar a sala, logo foi agarrada na mão pela loira que recebera Mark. Ela virou-se, irritada, querendo se soltar.
– Deixe-me em paz, sua…!
– O Anfitrião não acabou de falar, Ira. – Disse com um sorriso calmo – Por favor, volte ao seu lugar.
– E quem você pensa que é para mandar em mim assim? – Respondeu a outra, nem notando o nome pouco comum que lhe fora atribuído – Eu NÃO sou obrigada a assistir essa porcaria, com licença.
– Por favor, senhor Anfitrião. – Disse a loira, segurando o pulso da ruiva com firmeza, não permitindo que ela se escapasse – Continue.
Mark, tão confuso que ficara sem reação como maior parte dos presentes, simplesmente desviou o olhar para ver o dito anfitrião. Ele parecia ter também ficado um pouco surpreso, mas logo retornou à sua cantiga, ignorando os gritos de protesto da mulher que insistia em se soltar.
– Bom, o jogo não foi preparado por mim. – Admitiu finalmente, embora ninguém lhe desse real crédito – Eu sou apenas o participante que chegou primeiro, pelo que eles me deram o cognome de “O Anfitrião”. Oh, e mais uma coisa.
Ele sorriu, pegando num objeto que até ao momento estivera escondido dentro do seu casaco: Uma pequena navalha.
– Eu não desejo manter-me neste jogo.
E lançou a adaga ao seu coração, para horror dos presentes. As crianças e as mulheres em geral gritaram, os homens simplesmente estacaram. A mulher ruiva ficou branca como o cal, enquanto a loira do chapéu apenas sorria. Mark, por sua vez, sentiu o sangue gelar.
E uma fumaça tomou conta do local. O homem sentiu os seus sentidos abandonar o corpo, e caiu num sono profundo.
–x–
Quando acordou, ele estava num quarto em tons bege, deitado numa cama de dossel branca e bonita. Sentia a cabeça a rodar, pelo que se manteve naquela posição durante mais um pouco, fazendo proveito dos lençóis frescos de um aroma agradável. Eventualmente, deu por si a pensar no que se passara, e se tudo aquilo fora um mero sonho.
Não.
Aquilo não seria de todo um sonho. Mark estava num quarto que não era seu, e chegara lá por meios desconhecidos. Além disso, ele ainda usava as roupas do dia anterior. Levantou-se cambaleante, sentindo ligeiras picadas na zona da nuca. Fora drogado, com toda a certeza, para adormecer. Sim, agora tudo estava mais claro: Aquela fumaça era um potente sonífero. Coçando a cabeça ligeiramente, foi andando a passos curtos e devidamente calculados para chegar à porta, não fosse ele cair. Contudo, ao puxar a maçaneta, nada aconteceu. Esta nem sequer se mexera, e a porta recusava-se a abrir. Foi aí que notou uma pequena televisão no lado oposto do quarto. Tinha coisas escritas. O jovem adulto se dirigiu para a televisão, lendo o que estava escrito a letras garrafais brancas no fundo negro:
MARK RODDER:
A Fera
Encontrou um comando pousado perto do ecrã. Pegou-o e clicou nos botões, até que se apercebeu que só dois funcionavam: os botões “para cima” e “para baixo”. Ao clicar no segundo, mais frases iam aparecendo.
“A Fera deverá apresentar-se usando única e exclusivamente este cognome, não podendo usar o seu nome real (Mark Rodder). O seu ‘objetivo’ é descobrir todas as páginas de um diário. As suas regras são:
– Deve sempre jantar sozinho
– Não deve deixar os outros descobrir o seu objetivo.
– Qualquer desrespeito às regras ou ao seu objetivo são punidos com a morte.
Mais regras poderão ser acrescentadas com o tempo.”
E após acabar de ler, ouviu um clique. Agora já mais acordado, alcançou a porta do quarto e puxou a maçaneta, apenas para confirmar, como esperado, que a porta estava agora aberta.
Saiu para se reencontrar as pessoas que tinha visto mais cedo.
E entre uma delas, estaria o seu pior inimigo.
Notas finais
Algumas palavras podem estar diferentes. Eu normalmente não acredito que sejam erros ortográficos mas sim diferenças entre português de Portugal e português do Brasil, mas mesmo assim, agradecerei se apontarem quaisquer erros! :)
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