Silent Hearts
15 Mark
Notas iniciais
“Querida Mãe,
Está na hora. Já consigo ouvir pela porta aberta o som das máquinas funcionando. Nesse momento, estou sentado no corredor. Uma fumaça branca – vapor de água – quente sai de lá de dentro. A cobaia já parece estar pronta. Mirno – você – já me chamou, só que eu não tenho vontade de ir para lá dentro. Não ainda.
O nosso objetivo final está próximo. Inicialmente, 13 cientistas foram incluídos para essa investigação no projeto MIND. Contudo, maior parte deles desistiu. Alguns disseram que era um projeto sem futuro. Outros simplesmente não concordavam com os nossos métodos. Eventualmente, ficaram apenas três: Eu, Bernard e Varick. Com a ajuda da nossa assistente Mirno, nós conseguimos continuar com isso.
Eu estou ciente de que, secretamente, Bernard é meu pai. Ele é o dono dessa mansão. O anfitrião, podemos assim dizer.
Varick é um cara estranho. Ele é mudo e muitas vezes está fazendo coisas estranhas. Mas é um cara legal. Eu acho que ele se sente um pouco desconfortável com tudo o que está acontecendo ultimamente. Mas aceita. Ele mesmo foi quem levou a cobaia para o laboratório. Contudo, apenas tive a confiança de entregar a chave da programação de Mirno para Bernard. Assim sendo, se algo me acontecer – o que eu sei que vai – apenas ele poderá controlá-la para, eventualmente, prosseguir com o projeto. Será essa a escolha certa, mãe?
Está na hora. Os derradeiros momentos do projeto MIND, o ápice do conhecimento sobre a mente humana estão próximos. O nosso principal objetivo é conseguir efetuar uma troca de mentes com sucesso.
O que acontecerá aqui poderá alterar a minha vida completamente. Porque, além da outra cobaia, também eu estarei fazendo o papel de rato de laboratório. Tudo em nome da ciência, a única coisa que me resta.
A outra cobaia, contudo, é um cidadão comum. Mark Rodder. A pessoa que eu mais odeio nesse planeta, que me roubou a última esperança que eu tinha pela humanidade… Será ela com quem eu trocarei de mente.
Mas será que a troca ficará completa?
Com amor? Louis.”
Mark engoliu em seco. Sentou-se numa cama que estava ali perto, sabendo que todos os olhares estavam sobre si naquele preciso momento. Ele tremia. Tremia como uma criança, incapaz de assimilar as informações que tinha acabado de receber. Aquele quarto… O “escritório” era o quarto de Louis. E fora ali, no topo da mesa, que estava pousada a última página do diário.
– M-Mark… Você não… Se lembrava de nós porque…? – Murmurou Seth, um tanto distante. Na verdade, todos os outros três tinham se afastado de Mark, como se ele tivesse uma doença particularmente grave e contagiosa. Eles estavam com medo do homem. Medo daquela Fera que estivera no meio deles aquele tempo todo.
– Você é… O tio Louis? – Inquiriu Emilly com a sua voz trémula, agarrando-se ao adolescente com nervosismo.
– E-Eu… Eu não sei. – Mark abanou a cabeça negativamente, sentindo imensas dores tomarem conta de si. Estava tudo tão confuso. O que é que estava acontecendo com ele? Engoliu em seco. – Eu sou Mark. Mark Rodder. Trabalho numa empresa de imobiliários, e vim aqui analisar uma mansão. Eu sou Mark. Apenas Mark. Não sou outra pessoa. Não sou Louis. Não sou. Não sou. NÃO SOU! NÃO POSSO SER…
Mas o que ele dizia não era sentido nem pelo próprio. Inspirou fundo, tentando se recompor, mas logo se lembrava das imensas coisas estranhas que haviam acontecido naquela mansão. Como havia muita gente sabendo o seu nome. Como muitos o conheciam. Como, segundo o diário de Louis, ele namorava Bela. Como ele estava na mansão porque Mirno queria “fazê-lo lembrar”.
– Calma aí. – Soltou Desistente com segurança. – Nós não sabemos o que aconteceu ainda. Esse papel… Esse diário pode não estar certo.
– E-Exato, avô! – Murmurou Seth, coçando a cabeça. – S-Se Mark fosse Louis, ele se lembraria de mim… E de quase todos.
Fez-se silêncio. Ninguém ali estava realmente acreditando no que estavam dizendo. Desistente ajudou Mark a se levantar, que agradeceu.
– Pense em outra coisa, Mark. – Murmurou o idoso ao seu ouvido. – Nós VAMOS descobrir a verdade. Já agora, meu nome é Robbert.
– Mas isso me lembra… Aquela foto do Voz. – Comentou o adolescente, mudando de assunto e desviando a atenção dos outros dois – Nela estava ele, Louis e aquele cara que se matou no primeiro dia… Anfitrião, né? Então… Segundo esse diário, apenas três cientistas ficaram na mansão. Louis é um deles.
– O nome do Voz era Bernard. – Murmurou Mark. Ele não queria realmente saber de nada do que Joker estava dizendo, mas era melhor do que ficar paranoico com o que estava lhe acontecendo. Ainda tremia, contudo.
– Esse tal de Varick não pode ser o Anfitrião. – Declarou Desistente – Ele era mudo, segundo o Louis. O dessa mansão era o Voz.
– E-Ele não era… mudo… – Soltou Emilly nervosamente. Era impressionante como ela conseguia se manter atenta ao que todos estavam dizendo. – E-Eu s-sei porque… Porque sei.
A garota encarou os pés, mordendo os lábios e soluçando levemente. Seth sorriu para a garotinha, abraçando-lhe de leve e a reconfortando. Não durou muito tempo, porque segundos depois a luz voltou.
–x-
…O jogo acabou.
Percebo isso quando regresso aos meus “sentidos”. Tudo porque aquela peça existe.
O Joker do jogo estragou tudo. Pergunto-me porque é que Bernard programou tudo isso desse jeito. Talvez por arrogância? Com certeza por arrogância. Afinal, foi também ele quem nem se importou em criar imunidade contra o assassino para si mesmo. E, por causa disso, ele também perdeu a vida. Arrogância parece ser uma coisa comum nos humanos.
Mas eu não posso fazer nada quanto a isso. Tenho de continuar fazendo aquilo para o qual eu fui programada. O projeto MIND precisa de ser terminado, mesmo que não sobre cientista algum.
Levanto-me. Como é claro, sei onde eles estão. Todas as câmeras de filmar espalhadas pela mansão são meus olhos e ouvidos. Eles vão entrar no laboratório. Dirijo-me a uma parede específica, que se abre ligeiramente à minha chegada.
Todas as salas e corredores da mansão têm essa característica: Compartimentos secretos com tubos que podem transportar vários objetos para outro lugar da sala. Inicialmente, foi só utilizado por motivos de comunicação, mas após eu ter sido criada, passou a ser meu meio de transporte primário. É claro, um humano com certeza detestaria usar isso: é demasiado desconfortável para eles. Mas eu não sou humana.
Está na hora da última tentativa. O “verdadeiro Louis” tem de regressar. Mesmo que isso signifique destruir o “falso Louis”.
Lamento, Fera.
–x-
Era um laboratório maior do que eles esperavam. Um lugar quente, cheio de fios espalhados pelo chão, um enorme computador ao fundo, o ecrã mostrando várias imagens e cálculos que Mark não conseguia compreender. No seu centro, estavam duas camas, com uns dispositivos ligados ao lugar onde estaria a cabeça de onde quem se deitaria. Estavam ligados. Seria ali que teriam sido feitas as trocas de mentes? Mark sentiu a sua pele arrepiar-se com esse pensamento.
Ouviram um som atrás deles, virando-se imediatamente. Mirno estava ali, sorrindo-lhes desta vez sem chapéu. O seu olho humano revirava-se de uma forma grotesca na sua orbe enquanto que o outro limitava-se a focar cada um dos presentes mecanicamente.
– Bem-vindos, meus caros, ao ventre do projeto MIND. – Disse ela, com um sorriso maníaco. Não era diferente do normal, só que a ausência do chapéu mudava completamente a forma de interpretá-lo. – Como já devem saber através desse papel que aí têm, foi aqui que ocorreu a troca de mentes entre Louis Nord e Mark Rodder.
– QUE LOUCURA É ESSA!? – Gritou Robbert, batendo com o pé no chão – ESSE HOMEM AQUI NÃO TEM NADA A VER COM O DOENTE QUE QUASE MATOU O MEU NETO NA ESCOLA!
– Oh, mas ele tem TUDO a ver, Robbert Pauper. – Disse a ciborgue, rindo levemente – Eles são a mesma pessoa, afinal.
– I-Isso é… Impossível… – Murmurou Mark, recuando um passo em desespero. Não queria acreditar no que estava ouvindo, mesmo que já o esperasse – ISSO É IMPOSSÍVEL! EU NÃO SEI DE NADA SOBRE LOUIS NORD! SÓ ATRAVÉS DO DIÁRIO!
– É claro. – Mirno acenou afirmativamente, fazendo uma pequena reverência irónica – Você não sabe de nada porque não se lembra. Você sabe… O experimento correu mal. Louis manipulou todo o programa, incluindo eu mesma, para que este “sugasse” a sua mente para dentro da de Mark Rodder em vez de trocá-las. Ele havia desistido de viver. Talvez por causa do que fez à mãe. Talvez por ter descoberto que era só uma cobaia em todo o projeto. Isso foi meros momentos antes do experimento começar.
Ela deu uma meia-volta e dirigiu-se ao computador. Sequer tocou no equipamento, mas a tela logo começou a demonstrar alguns relatórios específicos.
PROJETO MIND
Resultado: FRACASSO
Louis Nord e Mark Rodder não trocaram de mentes com sucesso. Mente de Louis Nord perdida. Mente de Mark Rodder seriamente afetada. Possível manipulação de resultados por Louis Nord. Desconhecido se os resultados são reversíveis.
– Com isso, Mark Rodder perdeu todas as memórias às quais podiam remeter a Louis Nord. Acreditamos que isso tem a ver com a tentativa de anulação de mente do próprio Louis. – Explicou Mirno – Isso significa que ele esqueceu de Emma Hymers, sua namorada; Chad Drott, seu filho adotivo e Seth Pauper, seu amigo. Porque todos eles eram de alguma forma relacionados a Louis. Durante três meses tentámos trazer Louis de volta com os mais variados métodos. Mas nenhum deles resultou.
Mark lembrou-se do sonho que tivera numa das primeiras noites que estivera na mansão. De como alguém dizia que o experimento fora um redondo fracasso. Era disso que aquela voz estranha falara?
– Então decidimos criar esse jogo. Após uma análise detalhada das páginas do seu diário, o Dr. Bernard Coulter chegou à conclusão que reunir as personagens que tanto tormento trouxeram para Louis e levá-las a uma situação de profundo desespero poderia resultar em “despertá-lo”. Mas o Dr. Varick Osemen não concordou com isso. No dia em que íamos começar com o jogo, ele se revoltou e tentou salvar todos os hóspedes. O Dr. Bernard Coulter me comandou assassiná-lo e tivemos de recomeçar o jogo. Foi até bastante prático. Tínhamos uma vaga noção de que Mark Rodder havia escutado a voz do Dr. Bernard Coulter após o fim do experimento, então era mais seguro se ele e o Dr. Varick Osemen trocassem de papel.
– C-Como assim “recomeçar o jogo”? – Inquiriu Seth, levando a mão à cabeça como se esta lhe doesse com a enchente de informação que estava recebendo.
– Trocar… De papel…? – Acrescentou ainda Emilly, assustada.
– Oh, sim. Vocês não sabem. Para nós, que estudamos a mente humana vezes e vezes sem conta, apagar memórias específicas é muito fácil. – A sua voz era sem sentimentos, perdendo o seu habitual tom trocista. Mark perguntava-se se ela sempre falara assim por causa da forma como fora programada – Criar memórias é mais complicado, mas nós conseguimos criá-las, embora estas sejam muito curtas. Caso contrário, teríamos já reescrito a vida de Louis Nord na mente de Mark Rodder há muito tempo.
Mais uma vez, Mirno virou-se para o computador. Neste, uma imagem de uma floresta aparecia. Parecia estar no ponto de vista de alguém que o conduzia. Mark reconhecia aquele trilho. Era o mesmo pelo qual ele chegara. As mãos que conduziam o carro eram femininas, com um esmalte azulado.
– Estamos chegando? – Disse uma voz infantil muito familiar a Mark. A pessoa que conduzia desviou o olhar para a origem desta voz, dando uma visão de Sombra sentado no banco dos passageiros ao lado. Uma risada feminina fez-se ouvir.
– Estamos sim, Chad. – Disse Bela, afagando-lhe a cabeça e voltando o olhar de novo para o caminho incerto. – Mas você não devia ter vindo. Eu te mandei ficar em casa com a Emma.
– Mas eu estou com Emma! – Ripostou a criança – Como você mandou!
– Não ESTA Emma, seu chato! – Bela riu novamente – Eu queria dizer a namorada do Seth.
– Mas eu queria ver o Mark! Ele sumiu faz tanto tempo…
Um suspiro fez-se ouvir. Não deu para entender de quem vinha.
– É, eu também. Estou muito preocupada. Mas logo logo vamos vê-lo e descobrir o que aconteceu.
A imagem então mudou para a sala onde todos se reuniram. Dessa vez, não era no ponto de vista de Emma mas sim de Beatrice – ou seja, Ira. E logo apareceu outra no ponto de vista de Martha que levava seus filhos para a mansão. E logo outra nos olhos de Combatente. E depois Mark. Emilly. Robbert. Seth. Dave.
– As vossas memórias de vocês chegando à mansão foram todas implantadas por nós. Bom, de certa forma, foram vocês mesmo que as criaram, nós só vos induzimos a tal e mantivemos tudo ligado para manter coerência entre as memórias. Aquele trilho pela qual vocês se vêm chegando nunca existiu. A verdadeira forma de entrar na mansão é subterrânea, pelo jardim. E vocês chegaram a essa mansão todos da mesma forma: Raptados. A única diferença é que Mark Rodder foi raptado três meses antes de vocês todos. Como é claro, a memória do suicídio do Dr. Varick Osemen – ou Anfitrião, como vocês o conheceram – também é falsa. – Fez uma pausa, como se fosse uma professora esperando que os alunos tivessem alguma dúvida a perguntar. Como tal não aconteceu, continuou com sua explicação. – Então começámos os testes. Fizemos várias coisas, experimentámos vários cenários, mas nenhum deles foi capaz de trazer Louis Nord de volta. Isso deve ter durado umas duas semanas. Sempre que um cenário falhava, recomeçávamos o jogo. Mas a mente humana tem limites. Alguns de vocês começaram a demonstrar ligeiros sinais de loucura. Vocês podem ter notado isso especialmente com Beatrice e Emilly McFlower.
A criança encolheu-se atrás de Seth, escondendo a sua cara.
– Por isso criámos esse último jogo. A ideia seria jogar Mark Rodder num extremo estado de choque que possivelmente traria de volta Louis Nord. De certa forma, acredito que o Dr. Bernard Coulter também procurava um pouco de entretimento pessoal. Todas as regras e objetivos foram meticulosamente escolhidas de modo a quebrar todos os participantes da forma mais torturante possível, mas principalmente Mark Rodder.
– V-Você destruiu… Tantas vidas… Por causa dessa merda de programa? Sua LOUCA! – Robbert estava em choque. Os olhos quase saltavam as órbitas, saltando para todos os pontos da sala. Emilly deu um guincho aterrorizado e Seth meteu-se na frente dela, protegendo-a de uma forma paternal. Contudo, ao contrário dos outros, Mark não reagira. Ficara parado, encarando o chão sem qualquer expressão.
– Oh? – Mirno observou-o com interesse, ignorando os gritos enfurecidos de Robbert – Seria possível que o tratamento de choque esteja resultando?
Mark riu. O seu olhar estava diferente. Suas mãos tremiam, mas ele continuava rindo. Uma risada sem qualquer traço de emoção, vazia.
– M-MARK! – Chamou Seth, levando Emilly até Robbert e então correndo para o mais velho. – SE AGUENTA AÍ, CARA! NÓS VAMOS RESOLVER ISSO! NÓS…
Mas o adolescente levou um soco na barriga que o fez cair para trás, para junto dos outros dois, que logo o ajudaram a se levantar. Mas, depois disso, já não voltaram a correr para Mark. Ele riu ainda mais.
– Então vocês fizeram tudo isso por minha causa? Vocês torturaram toda essa gente por causa desse projeto? – Perguntou. Deu mais uma risada, completamente perdido na loucura – EMMA, MARTHA, BEATRICE, DAVE, CHAD... ESTÃO MORTOS? TODOS ELES?
– A sua vingança, como era seu desejo expresso no diário, foi cumprida, Louis Nord. – Admitiu Mirno, tocando no vestido com a ponta dos dedos e fazendo uma pequena reverência – Agora, o meu criador pode…
Ela não terminou a frase, porque um disparo fez-se ouvir. E depois outro. E outro. Atrás da ciborgue, o equipamento do laboratório tinha sido atingido com diversas balas vindas de uma arma que estava na mão de Mark. Em poucos momentos, começaram a fumegar com vários curtos de circuito, fazendo Mirno torcer-se de uma forma pouco natural e cair, quebrada.
– M-Mark… – Sussurrou Seth. O mais velho encarou-o numa expressão pesarosa.
– Mark não vai voltar, Seth. – Explicou ele, com seriedade. – O projeto MIND destruiu-o, como também destruiu muitos dos nossos amados. A culpa é minha, Seth. Eu não consegui aceitar o meu destino. Eu destruí minha vida com essa ilusão de que a mãe ia voltar.
Lágrimas caíram do rosto de Louis. O fumo tornava-se cada vez mais denso, até que finalmente chamas passaram a ser vistas ao longo do laboratório.
– Está na hora de fugir. A passagem subterrânea deve fazê-los passar por um rio aqui perto e levar-vos diretamente à civilização mais próxima. Está em baixo do arbusto com a forma de cupido. Vão, agora.
– Mas e você…?
– Vocês querem mesmo salvar aquele que criou tudo isso para começar? – Louis deu mais uma risada, soluçando enquanto mais lágrimas caíam do seu rosto. – Todos vocês perderam pessoas preciosas com tudo isso. Fujam enquanto têm hipótese. Fujam dessa Fera que sou eu. VÃO!
Os três pararam por momentos, mas as chamas começaram a se tornar fortes demais, obrigando-os a se afastar. Hesitantes, viraram as costas – Emilly no colo de Seth e Robbert logo atrás deles – e abandonaram o quarto.
Estava na hora.
Louis, no corpo de Mark Rodder, tinha de terminar tudo isso. Seria realmente aquilo que os deuses tinham planeado desde o início? Não, com certeza que essa tragédia chegou a um ponto que saiu do controlo de deuses e demónios. Ganhara vida própria, caminhando cada vez mais para a sua própria desgraça.
Louis encostou o cano da arma à sua têmpora. Aquela arma iria disparar contra Emilly mais cedo, mas Joker salvara-a desligando temporariamente toda a energia do edifício. E agora ia disparar contra ele. De qualquer forma, o revólver estaria matando o assassino.
Era um fim digno para ele. Apertou o gatilho.
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E então, finalmente, A Fera perdeu a vida.
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