Silene de Claire: O Apoteose
5 Capítulo 5 - O Aviso de Drake
Notas iniciais
O orfanato tinha um estilo antigo europeu era meio simples mas não tirava o charme de simplicidade que possuía,era arborizado e sua entrada era ampla,as paredes estavam manchadas pelo tempo ,dando um clima de casa abandonada. Se não fosse por uma criança que tinha acabado de sair do orfanato, poderia ser realmente confundido por uma casa abandonada. Na fachada do orfanato estava escrito ORFANATO DE SEATTLE.
– Aquela garota seria sua filha? – perguntei com a esperança que a deusa não tivesse feito essa besteira.
– Sim – respondeu a deusa
Mais duas garotas saíram do orfanato, pareciam ser amigas da filha de Hera, voltei para a deusa ao meu lado.
– Primeiro: Finalmente! Já estava na hora – disse, Hera ficou um pouco envergonhada, eu não no lugar dela não ficaria, ela finalmente deu o troco, agora o corno era Zeus! – Segundo: Você perdeu o juízo? Ela correra mais perigo do que qualquer outro semideus, fora que ela jamais poderá ir para o acampamento, ela estará em perigo constante!
– Eu sei, o que eu fiz foi loucura, se eu estivesse no meu estado normal jamais teria traído meu marido, você não imagina o arrependimento que eu estou sentindo – disse Hera tampando seu rosto com as suas mãos.
O que ela quis dizer com estado normal?
– Arrependimento? Eu meio que compreendo – disse cruzando os braços e dando um suspiro. Se Zeus souber da minha participação nisso, eu vou voltar para o submundo, e nenhum favor que eu faça,fará Hades me tirar de lá. Eu estou ferrada, que Thanatos tenha pena de minha alma.
– Eu fui até você não por um conselho — disse Hera se recompondo, lhe encarei – Preciso que me ajude a escondê-la e protegê-la.
– Eu ajudo os semideuses desde o momento que eu tive uma nova chance – eu vou me arrepender muito disso, futuramente – Não os abandonarei, mas a senhora sabe das consequências.
***
Quando voltei ao acampamento não podia estar mais irritada, os semideuses correm perigo desde o seu nascimento, os pais fazem o possível para manterem-nos fora de perigo, quando não conseguem mas, eles vem para o acampamento meio-sangue, são treinados para sobreviverem lá fora e para partir em missões. Mas a filha de Hera tem um destino completamente diferente, ela terá que ficar escondida o tempo todo, nunca poderá ser reclamada por sua mãe olimpiana, viverá nas sombras e se um dia Zeus descobrir a existência dela,ele moverá o céu e a Terra atrás dela. Ela nunca estará segura. Deuses! Será que eles nunca aprendem com seus erros?
Fui para o banheiro publico do acampamento já que o chalé de Hera não tinha tantas disponibilidades para uma pessoa viver sem problemas. Esperei umas filhas de Demeter terminar seus banhos, soube que reformaram o banheiro publico depois dos vários chalés terem que ser construídos e vários semideuses chegaram ao acampamento. Não demorou muito para que um chuveiro fica-se livre para mim, agradecia muito aos deuses pelo meu incrível anel e seu poder de armazenamento.
Faltava pouco para o por do sol, resolvi colocar uma roupa leve, ainda estava com uma temperatura quente no ar, coloquei um short jeans simples, uma blusa do acampamento, acompanhado com uma sandália gladiadora. Estava um pouco sem o que fazer, fui para a praia, olhar a vista do mar em quanto planejava a segurança da filha proibida de Hera. Mas meus planos foram mudados quando avistei um certo ceifeiro.
– O que um ceifador de Thanatos faz aqui? – perguntei, Drake olhou na minha direção, quando me reconheceu deu um sorriso. Reparei que ele usava roupas bem formais por debaixo da sua capa de ceifador.
– Eu vim aqui por dois motivos – disse esperando que eu me aproxima-se o bastante – Hoje a noite um semideus vai morrer – disse me encarando.
– Esta brincando, certo? – perguntei um pouco assustada, ele deu uma pequena risada, considerei isso como um sim – E qual é o segundo motivo? – perguntei me recompondo
– Meu pai quis que eu lhe entrega-se isso – disse estendendo um embrulho com o símbolo de Thanatos. Peguei o embrulho com certa curiosidade fiquei encarando-o por alguns segundos, acabei me lembrando do tempo que passei no mundo dos mortos, como eu tinha ficado feliz em poder conversar com alguém que estivesse vivo, acabei dando um suspiro.
– Obrigada – agradeci
– Que suspiro foi esse? – perguntou o ceifeiro com uma expressão surpresa, mas seu sorriso o entregava – Na minha opinião vocês deviam se declarar logo – disse colocando a mão no meu ombro e me lançando um ultimo olhar, antes de sair e me deixar na praia encarando o mar, completamente chocada. Seria possível?
– Thanatos gosta de mim? – perguntei em alto – Isso é impossível, ele nunca se apaixonou por um mortal antes, não será agora que ele vai, né? – respondi a mim mesma – Agora eu não sei, MALDITO DRAKE! – depois do meu surto fui até a área de arquearia.
Fiquei observando alguns filhos de Apolo treinar, precisava tirar as palavras de Drake da minha cabeça ou eu ficaria louca. Um semideus veio até a mim, ele cuidava do treinamento dos seus irmãos mais novos. Eu me lembrava dele de algum lugar, quando vi sua expressão cordial, minha ficha caiu, ele era Will Solace, ajudei ele uma vez na enfermaria.
– Olá Will.
Eu e Wil conversamos até a lua chegar, seus irmãos já tinham ido jantar, quando percebemos que estava tarde nos despedimos e fomos cada um para o seu canto, o vi caminhando para o seu chalé, em quanto eu ia até o refeitório, todos praticamente estavam reunidos ali, andei até a mesa principal e me sentei ao lado de Quiron como eu sempre faço.
– Boa noite Silene – cumprimentou Quiron
– Boa noite – cumprimentei
– Muito trabalho hoje? – perguntou, iniciando uma conversa
– Não, na verdade só um – respondi – Que vai me dar muito trabalho – disse pensativa, Quiron não insistiu, dando assunto como encerrado.
Depois do jantar os semideuses foram ao anfiteatro, eu resolvi ficar de fora, voltei para o meu chalé, em quanto andava fiquei pensando no que eu poderia fazer em relação à filha de Hera. Se eu fosse buscar a criança e cuidar dela normalmente, eu a deixaria exposta aos monstros, mas se eu conta-se a verdade, que ela era uma semideusa, estaria fazendo a mesma coisa. Será que existia um lugar seguro para ela?
Quando parei de pensar eu estava dentro do chalé de Hera, nem tinha percebido que tinha entrado. Estava longe de todo barulho do acampamento, o que era bom, eu podia pensar relaxada, sem qualquer problema, mas tinha um lado ruim, coisas que eu não queria pensar viam na minha mente me deixando confusa. Resolvi deixar tudo de lado e me sentar no divã e abrir o presente de Thanatos, já que eu não tinha o aberto ainda, tomei cuidado com o papel na hora de abrir, quando desfiz o embrulho tinha um pequeno bilhete.
Um pequeno presente, para a sua nova vida, divirta-se.
Thanatos
Peguei a capa e a vesti, era bem parecida com a que os ceifadores tinham, só tinha uma pequena diferença o símbolo do deus da morte estava em um local diferente e menor, e estava dois palmos abaixo do meu pescoço, achei bem bonitinho.
“Hoje a noite um semideus vai morrer”
Não sei por que aquela frase tinha voltado a minha cabeça, ouvi pequenos pingos de chuva caindo lá fora, era estranho, normalmente não chovia dentro do acampamento, o que fazia aquela frase voltar a minha mente.
“Hoje a noite um semideus vai morrer”
Drake estava brincando quando disse aquilo ou será que não? Mas ele riu, será que foi por brincadeira ou foi por outro motivo? Estava com um mau pressentimento, tinha que ver se era só uma coisa da minha cabeça ou não conseguira dormir.
Saí do chalé e fiquei em alerta, a chuva começou a apertar, o que me deixou mais tensa, corri em volta dos chalés, verificando se tinha algum semideus fora da cama, mas não tinha ninguém do lado de fora, só eu.
– Deve ser coisa da minha cabeça – disse, em um instante ouvi um grito, parecia de uma criança. Corri mais rápido que podia, quando cheguei ao local, estávamos próximo a floresta que realizavam a captura a bandeira. Tinha uma garotinha caída no chão perto de uma arvore, devia ter uns sete anos, seus cabelos castanhos estavam molhados com a chuva, meu cabelo deveria estar na mesma situação, como a minha suas roupas estavam molhadas. Uma criatura, que costumava servir e a produzir comida no acampamento ia atacar a garotinha.
– Semideusa fora da cama – dizia a criatura
Mesmo se eu corre-se eu não chegaria a tempo, ela iria matá-la, eu precisava fazer alguma coisa. Será que eu conseguiria fazer a mesma coisa que fiz no chalé de Afrodite? Eu teria que tentar.
A cena se passou em câmera lenta aos meus olhos, eu gritei para a garotinha fechar os seus olhos em quanto eu corria em sua direção, em um estalo eu a reconheci, ela era a Jena, filha de Ares, que andava junto com Clarisse, se algo acontecesse com ela eu não me perdoaria, eu tinha que ajuda-lá.
– FECHA OS OLHOS JENA! – gritei o mais alto que eu podia. Me concentrei e em um segundo eu apareci na frente da Jena com um brilho me envolvendo, rapidamente invoquei uma das minhas armas, ironicamente era uma foice e fiz um único movimento, e matei a criatura. Só quando a vi se transformar em cinzas foi quando eu me permiti a respirar novamente, estava sem fôlego. Apóie-me na foice e me virei para a Jena – Você esta bem? – perguntei, ela balançou a cabeça negando, já imaginava, foi um grande susto para nós duas – Venha, vou te acompanhar até o seu chalé – disse estendendo a minha mão.
No dia seguinte eu acordei cansada, tive vários pesadelos com Jena, na qual meu plano dava errado e havia morrendo na minha frente. Com os olhos cheios de olheiras caminhei até o refeitório. Estanquei no lugar depois de encarar aquela cena, eu estava em choque. Não podia, eu tinha salvado Jena, não era para aquilo acontecer. Drake tinha razão, um semideus realmente iria morrer aquela noite, mas não foi à pequena Jena.
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