Mercúrio

06h08 am Eu acordei e me sentia tão bem, tão serena. Eu olhei para ela dormindo, e dormia tão lindamente. Parecia um passarinho descansando as asas depois de um dia desgastoso. Uma noite desgastosa. Seus braços estavam enroscados na minha cintura e eu, adorava tudo aquilo, me sentia como se estivesse flutuado por cima do tapete mágico de Aladdin, a noite inteira. Mil e uma noites não chegava aos pés dessa. Eu simplesmente a amava e adorava ser tão recíproco, sentía-me transbordando de êxtase e minhas lombrigas cantavam com tanto açúcar que esse amor oferecia. Dei uma olhada ampla no quarto de hotel, e caiu sobre mim, a saudade e o terror que aquele ambiente me oferecia. Alabama foi o lugar em que cresci, e a partida de todo caos que a morte dos meus pais carregava. As memórias daquele lugar não era nada agradáveis. Precisava fazer o que fui fazer naquele recinto e partir de volta para o centro da cidade, não podia me distrair, aquela história já estava morta para mim.
Sem eu perceber, cai uma lágrima grossa e quente sobre o meu peito, que agora estava descoberto por conta da minha posição. Enxuguei todo aquele desespero e me levantei, ficando completamente nua. Olho para ela de volta. Ela me arranca sorrisos até quando dorme. Me ajeito em pé, visto a calcinha preta que está no chão, e uma blusa vermelha que Cass usava noite passada. Vou em direção ao banheiro, esquecendo completamente em como aquele lugar me frustra.

Após o banho quente e longo no hotel, visto uma calça moletom cinza que trouxe na mala, uma blusa branca surrupiada, jogo o cardigã verde que estava no meio e calço um crocs com meia para ir até a cafeteria da recepção, já que esse hotel é escondido no meio de um monte de árvores e um lago gelado. Se Cassie me visse agora, perguntaria onde deixei minha elegância.
Enquanto descia as escadas, uma adolescente subia, com os braços descobertos. Usava um vestido azul claro, seus cabelos castanhos permanecia intacta e volutil, diferente do resto de seu corpo e pose. Ela olha para mim tão friamente, parando os olhares em mim, e deixando seus músculos fixos ao vestido. Me sobe um calafrio que só consegui sentir uma única vez, na morte da Senhora Hastings.
— Ellen... — sussurro baixo com voz trêmula diante da menina.
Ela simplesmente ignora tal atitude, subindo o resto dos degraus sem desgrudar as pupilas de mim. Sentia seus olhos atravessando minhas costas, e de certa forma, ela me ligava direto ao assassinato. Meu semblante decaiu, meu corpo automaticamente encostou-se no chão do degrau, debruçando minha cabeça na parede que alicerçava o chão. O desespero de Clair naquela noite me fazia entrar em uma espécie de transe hipnótico, e tudo que caia naquele momento era lágrimas. Ellen morreu de uma forma tão bruta e horrível, assim como os meus pais. Minha mente só queria voltar naquela noite dos Hastings, e na noite dos meus pais para impedir todo o sofrimento.

— Senhorita? Porque está chorando?
Um rapaz alto, robusto e de beleza admirável se abaixa e oferece ajuda para mim. Ele me lembrava um urso carinhoso, grande e doce. Após eu erguer a minha cabeça fixando nos seus olhos, ele estende uma das mãos para me ajudar a levantar. Seus olhos são azuis.
— Não...não é nada. — respondo me levantando com sua ajuda.
Ele sorri e chega mais perto.
— Uma mulher tão bonita quanto você não deveria estar chorando, e sim sorrindo.
Eu desvio meu olhar para a recepção, e depois a confeitaria. A confeitaria!
— Obrigada, mas tenho que pegar algo, estou bem agora.
Finalizo descendo as escadas rapidamente e dando uma leve olhada no rapaz, ele ainda está parado e intacto sorrindo para mim. Olho para o fim da escada, e a menina está lá, no obscuro do fim do corredor, parada olhando para mim. Meu corpo congela e então foco na moça do balcão da confeitaria.

— bom dia senhora, o que deseja? — fala a mulher simpática do balcão, que só me lembrava as vendedoras do Mc Donald's.
— Capuccino, um expresso. Dois cheescakes acompanhado de geléia e um brownie.
— vinte dois e cinquenta. Qual sabor da sua geléia?
— A mais gostosa que tiver e, por favor, capriche, quero agradar uma pessoa. — encerro pagando e dando um sorrisinho à vendedora.

Me sentei em um dos bancos da recepção para esperar o meu pedido. Observava pela vidraça do hotel o lindo lago corriqueiro e gelado que se localizava no entre meio daquele hotel. Me levantei e me aproximei ainda mais para a vidraça, a floresta totalmente calma, úmida e mórbida. É sempre tudo mais mórbido no inverno, mas aquele lugar sempre fora de extrema diferença.

— Aqui está, moça, seu pedido!
— Obrigada.
Apalpo a bandeja, subo as escadas com tamanha ansiedade, não sei como tudo aquilo não foi parar no carpete do corredor. Apt 23, é o nosso ninho.
Fecho a porta jogando-a com a cintura e automaticamente ela acorda. Eu lhe abri um sorriso de imensidão devasta e singela. Era como se naquele sorriso, continha espécies de sentimentos ainda não descobertos pela ciência. Ela está com o lápis de olho nas bochechas, espalhados e misturados com o resto de maquiagem que continha no meu rosto. Seu cabelo está encaracolado e fazendo ondas embaralhadas na cabeça. Eu tinha o privilégio de ter as constelações inteiramente para mim, pelo menos por aqueles segundos.

— Porque está parada me olhando, vendo o quanto estou desarrumada?

— Por favor cass, olhe para mim, estou de crocs e meia.

Ela revira os olhos e foca diretamente nos Waffles que estava na bandeja.

— Oh Deus, acho que leu minha mente. Não sabe o quanto estou com fome.

— Mais um sinal de que temos uma ligação inabalável, e que eu jamais te deixaria passar fome. — eu a respondo me espalhando pela cama e aproximando a bandeja para seu colo.

— M, isso aqui está divino. Você é a melhor. — ela me responde enquanto tritura todo aquele carboidrato em meio aos dentes.

— Hey. — Me aproximo de sua boca, agarrando sua mandíbula tão fortemente que a comida não poderia jamais ser digerida.

— Hm? — Cass para de mastigar com a boca repleta de Waffles.
Sua pele é tão pálida e fina logo de manhã, que poderia marcar de roxo, toda ela.

— Eu quero você para mim. Quero viver dia após dia ao seu lado. Poder cada minuto e segundo das nossas manhãs, agarrar sua mandíbula como você cravou seus dentes em mim na noite passada.

Ela mergulha seus olhos fulmegantes tão rapidamente na minha alma, que as palavras jorravam como todo êxtase que escorria pela minha calcinha.
Meus lábios estão tão pertos dos dela, que minha respiração acumulava nos Waffles triturados. Meu corpo se cruza com o dela, deixando-a sem escapatória.

— Quer namorar comigo, Cassieopea?

Gemidos saem da sua boca, então calmamente libero sua mandíbula das minhas mãos.
Minha mente agora crava na resposta que virá após a liberação, e meu corpo se desdém ao próximo Touché.

Ela se afasta dos meus apertos, repousando a bandeja na cômoda, e fixando nos lençóis entre laçados na cama. Parecia não ser algo bom, mas tudo o que queria ouvir eram ondas sonoras afirmativas saindo da sua boca.

— Se dissesse que não, estaria desgraçando a minha vida por não ter seu sexo tão gostoso e que só você faz, todos os dias.

Ela ergue a cabeça e olha para mim, sorrindo tão sexualmente... me sentia despida e libida ao mesmo tempo.
Cass engatinha na minha direção, colocando o dedo indicador no meu tórax para que caísse para traz. Quando vejo já estou debruçada na ponta da cama e ela está de quatro em cima do meu corpo magro. Cass está de quatro em cima de mim.

— Vamos selar essa aliança? — eu me dirijo a ela, apalpando e arrastando sua bunda rente a mim.

Ela agora está com as pernas num ângulo de 90° direcionadas ao meu colo.

— Você agora é a minha presa, deixa eu brincar com você? — sua boca sussurra nos meus ouvidos.

— Essa minha mulher, é intensa e quente. — a respondo entre gemidos e extremo prazer.

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Mercúrio e Cassieopea

07h55 M está sentindo e absorvendo aquele momento com tanta intensidade, que sua calcinha estava úmida e jorrava prazer. Seu cheiro despertava êxtases espontâneos em mim, aflorava todo meu amor.

— Oh Cass, mergulhe em mim bem profundo... — ela gemia.

Seus gemidos eram únicos e era, de fato, a melhor onda sonora e magnética que seu timbre alcançava.
Eu estava mergulhando tão fundo em M. Eu só queria aproveitar o máximo dela.

Agora meus lábios já não estavam mais no centro dos lábios inferiores. Eu percorria sua bariga em ordem de retrocesso. Eu sentia sua pele macia entre meus dentes. Minha boca fazia rastros roxos cada vez que subia. Minha boca só queria encontrar seus mamilos, e foi isso que havia encontrado, era o que queria. M apenas gemia enquanto seus poros liberava todo prazer pelo suor, que se misturava com as minhas respirações. Estávamos nos deliciando, e adorávamos toda aquela lascívia.

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01h00 — Precisa mesmo ir M? — eu resmungava fazendo caretas acompanhadas de teimosia.

— Sim Cass. Senhora Lindfield está me esperando, vim só para cuidar dela, e de você é claro.

Eu me levantei da cama, me aproximei dela enquanto os lençóis caíam no chão em forma de rastro me deixando despida. Ela apenas encaixava seus brincos com uma Carmen Sttefens em um dos braços e falava como uma executiva.

— Nos vemos mais tarde, ok? Enquanto isso fique por aqui mesmo, esse lugar não é nada turístico. Acrescente Mercúrio, soltando a maçaneta da porta do lado de fora.
A observo entrar dentro de seu carro preto, dar a marcha e indo direto ao asilo, o único asilo do Alabama.
Eu não ficaria dentro do quarto esperando chover provas ou evidências que com certeza não morreram sobre o caso da babá-amante. O mais importante é que eu estava exatamente no lugar onde tudo ocorreu, eu só precisava explorá-lo. Outra coisa que me intrigou, foi a forma como Mercúrio agia referente aquele lugar. Parecia de extrema importância para ela, mas não queria comentar sobre isso. Talvez pudesse ter alguma ligação, ou ter sido mais uma vítima...

Toc toc!
Uma mão desconhecida bate na porta, atrapalhando a minha linha de raciocínio.

— Pois não?
Eu respondi ainda sentada na cama, só que agora segurando as pontas dos lençóis no meu pescoço, para que não ficasse completamente nua.

— Serviço de quarto!
— Por favor, entre!
Entrou um homem desconhecido, com o uniforme vermelho e creme, na qual dizia "Swamp Alabama". Ele trazia consigo uma bandeja e uma taça com vinho branco.

— cortesia do hotel. — Ele finaliza retirando-se corriqueiramente do quarto.

Aquilo parecia delicioso, mas estava tão cedo para doses de álcool. Quando destampei a bandeja, eu a soltei com destreza, fazendo um barulho de desastre no chão. Minhas mãos foram para os lábios abertos, e meu corpo deu um passo largo para trás.

— Oh Deus!

Era um crânio. Coberto de minhocas que saiam de dentro para fora, comendo toda carne apodrecida que restara.
Eu me aproximei para perto da bandeja, apalpei a tampa novamente e havia um bilhete colado na parte oca da tampa. "Por favor pare, não é isso que você quer Prescott, é? "
No final de toda a imperialidade posta na frase, meu corpo inteiro se movimentou rapidamente para a porta. Olhei para os dois lados do corredor e o certo homem não estava mais lá, pairava apenas a luz do sol dentre as cortinas amareladas.
Fechei a porta, olhei para todos os cantos do quarto; era uma intimação, mas não podia parar. Coisas interligavam-se. Eu estava indo mais afundo, e aquilo já fazia parte do meu cotidiano.

Minutos depois eu já tinha me acalmado. Arranquei o bilhete da tampa e botei no lugar, exatamente como veio. Eu me vesti, acanhei a bolsa-carteiro, a bolsa de todas as investigações. Me sentia um dos Mochileiros das Galáxias e seu guia.
Enquanto desci as escadas eu percebi que o que M tinha falado, era inteiramente verdade. Aquele lugar era mórbido, parado, constante e misterioso. E úmido também.