Os corredores da escola secundária pareciam mais longos nas manhãs de segunda-feira. A luz entrava pelas janelas altas, fria e pálida, iluminando filas de cacifos gastos pelo tempo. Aoi caminhava entre eles com passos contidos, mantendo-se próxima das paredes, como se tentasse não perturbar o espaço à sua volta. O som dos seus próprios passos parecia-lhe sempre alto demais, um lembrete desconfortável da sua existência num lugar onde preferia passar despercebida.

Desde a morte da mãe, dois anos antes, aprendera a reduzir-se. Em casa, o silêncio tornara-se regra. O pai saía cedo e regressava tarde, trazendo consigo um cansaço que não deixava espaço para conversas longas. Aoi ocupava-se das tarefas domésticas, estudava e recolhia-se ao quarto, onde o mundo parecia mais controlável. Na escola, esse hábito transformara-se numa forma de sobrevivência.

Sentava-se sempre na mesma carteira, junto à janela, na terceira fila. Dali via o pátio e as árvores que mudavam com as estações. Observava os colegas rirem, discutirem, viverem pequenas tragédias e grandes entusiasmos. Sentia-se separada por uma barreira invisível, como se assistisse a tudo através de um vidro espesso.

Os professores conheciam-na como uma aluna aplicada e silenciosa. Chamavam o seu nome apenas para confirmar a presença ou devolver testes corrigidos. Os colegas raramente lhe dirigiam a palavra, não por maldade, mas por hábito. A invisibilidade não surgira de um dia para o outro construíra-se lentamente, até se tornar natural.

Nos intervalos, permanecia na sala, fingindo estudar. Na verdade, escutava. As conversas alheias preenchiam o vazio que ela própria não conseguia ocupar. Falavam de jogos, de clubes, de sonhos futuros. Aoi perguntava-se quando deixara de pensar no futuro como algo seu.

Havia momentos em que desejava ser vista, mesmo que por instantes. Um cumprimento, um comentário banal, qualquer coisa que provasse que fazia parte daquele mundo partilhado. Mas o desejo vinha sempre acompanhado de medo, e o medo vencia.

Nessa manhã, ao levantar os olhos por acaso, cruzou-os com os de um rapaz do outro lado do corredor. O contacto foi breve, inesperado. Aoi sentiu o coração acelerar e desviou o olhar de imediato. Não sabia quem ele era, mas aquele instante ficou gravado de forma estranha.

Baixou novamente a cabeça, dizendo a si própria que não significava nada. Continuava invisível. E, durante muito tempo, acreditou que isso nunca mudaria.