Silêncio

15 Capítulo 14 - Pontos Finais, Part II


Francine começa a procurar Vanessa, agora equipada com um pé-de-cabra. Já está mais que pronta para enfrentar o assassino. Cuidadosamente, ela anda pelo corredor malcheiroso sentindo-se muito mal. De repente, uma dor de cabeça excruciante a faz largar a arma que segurava e se ajoelhar no chão. O que está acontecendo? Ela fica tonta, tudo parece girar ao seu redor. As paredes. O chão. As luzes. E um homem. Um homem alto e bem vestido que aparece no fim do corredor. Francine nota que ele usa uma máscara, mas não a máscara de pano aterradora, e sim uma proteção conta aquele ar que ela respirava. Gás do sono, é assim que se chama, droga! Então seus olhos se fecham e ela mergulha em um sono entorpecente. Na escuridão.

Depois de uma inconsciência agonizante, Francine lentamente começa a abrir seus olhos. Onde estou? Sua mente faz a estúpida pergunta. Ainda estou na fábrica. Ela acorda.

Ao abrir os olhos e perceber que se encontra amarrada a uma cadeira em uma grande mesa de jantar, ela fica surpresa e confusa. O que é isso? Ela pensa. Na sua frente, Frank se debatia para se desamarrar. Ao lado dele, Vanessa, que já havia desistido de tentar fugir. Francine dá um suspiro ao ver que ela está viva. Por último, ela percebe Layla ao seu lado.

- Layla! – Ela exclama feliz – Você está bem!

- Sim.

Frank se assusta com o grito.

- Que bom que você acordou! – Ele diz.

- O que é isso? – Ela pergunta, olhando para a mesa cheia de velas, como se fosse um jantar.

- Eu não sei, o assassino nos drogou e acordamos aqui. Eu e Layla.

- Insano – Vanessa diz.

- Totalmente – Francine completa – Ele quer nos ver sofrer, implorar por nossas vidas, antes de acabar com elas, ou o contrário.

Neste momento, as grandes portas de ferro do salão abrem, fazendo um ruído grave e alto ao arrastar no chão.

- Ah, já estão prontos para a melhor parte! – O homem que entra por ela exclama.

- Que parte seu grande desgraçado?! – Frank grita.

- Você descobrirá – Ele responde.

O assassino senta na ponta da mesa, junto aos seus convidados amarrados às cadeiras velhas e enche uma taça de vinho, logo em seguida, começa a beber.

- Gostaram do meu lar? – Ele pergunta – Eu gosto daqui, é agradável, combina comigo – Ele olha para as paredes cheias de infiltrações – E eu precisava de um lugar reservado para fazer minhas experiências.

- O seu lugar é o manicômio seu louco! – Francine exclama.

- Não minha cara, o seu é. Eu não sou louco, apenas... – Ele procura a palavra, enquanto toma um gole do líquido vermelho-escuro – Exótico.

- Exótico?! – Ela pergunta – Você matou pessoas!

- Não – Ele balança a cabeça – Você matou pessoas. Você e eu somos unha e carne, aonde você vai, eu vou, só isso – Ele sorri – Você coloca em perigo todas as pessoas a sua volta, todo lugar aonde você vai, tragédias acontecem, mortes acontecem. Sua vida é um show de horrores. – Agora, a voz antes tranquila, se torna agressiva e furiosa.

- Para!!! – Ela grita.

- Uma vida inteira – Sua voz volta a ficar calma – Foi o que eu perdi por causa de você! Mas não é por causa disso que eu faço o que faço.

- É claro que não, é porque você é louco!

- Eu? Louco? – Ele sorri – Só estou seguindo a tradição. O negócio da nossa família. Você nunca estará em paz minha querida, não enquanto eu estiver vivo.

- Nossa família? – Ela pergunta – Sua família! Eu não sou como vocês!

- É claro que é, só que ainda não descobriu.

O homem percebe Frank se debatendo, tentando se soltar então se levanta e vai até ele, saca uma faca do bolso e posiciona no pescoço dele.

- Não tente nada mocinho – A voz se torna ameaçadora – Não há como fugir daqui, estamos no terceiro andar – Ele sorri.

- E quem disse que eu quero fugir? – Frank dá um sorriso e levanta suas mãos, derrubando no chão, a faca do assassino. Logo após, ele se levanta e os dois começam uma luta incansável, enquanto isso, Vanessa se solta da cadeira e vai libertar Layla. Faz o mesmo com Francine.

- Como conseguiram? – Layla pergunta.

- Cadeiras velhas – Vanessa sorri – Fáceis de quebrar.

Francine pega a faca do chão e Frank se afasta. O assassino sorri.

- Você conseguiu, você conseguiu – Ele diz, levantando as mãos – Vai me matar Francine?! Você vai matar seu irmão?!

- Você não é meu irmão!

- Você não entende – Ele começa a chorar – Eu tinha que fazer isso. Eu precisava acabar com eles.

- O que? – Ela fica surpresa. – Como assim precisava?! – Agora, furiosa. – Nada justifica seus atos!! Nenhum apelo emocional, nenhuma explicação fajuta, nada!!!

- Eu sinto muito – Ele abaixa a cabeça.

- Sente muito – Ela sorri – Quer dizer que você sente muito! Sente muito por matar meus amigos? Sente muito por o desgraçado do seu pai matar a minha família? Eu acho que é um pouco tarde.

- É – A expressão triste na cara do assassino se desfaz rapidamente, se transformando em irônica novamente – Isso não colou – Ele sorri.

- Eu vou te matar agora mesmo! – Francine exclama.

- Vai? – Ele pergunta – Vai me matar como fez com Jensen? Você quer ser igual a mim? Ah, vamos lá Francine, e aquele papo de não ser uma assassina como eu?

- Isso é diferente. É só o preço que você precisa pagar pela loucura que cometeu.

- Ah, qual é? Me mata logo, não precisa dar lições de moral, você é igual a mim e você vai descobrir isso.

- Desgraçado! Você vai morrer hoje!

- Se quiser pode me matar, mas... Você não quer saber mais sobre sua família, mais sobre os segredos que sua avó esconde?

- O que?

- Ah sim, vocês duas não tinham segredos e blah blah blah né? – Ele dá um sorriso nervoso – Sinto muito estragar sua fantasia, mas a sua avozinha é um dos motivos pelos quais sua família está morta agora.

- Não pode ser.

- Lorna podia ter impedido o assassinato da sua família, ela desconfiava de que ele era capaz, mas foi burra em subestimá-lo, que pena.

- Mentira!!!

- Mentira? E por que você acha que ela não apareceu na sua festa de aniversário?

Francine fica em silêncio processando a informação. Minha avó poderia ter impedido... Não ela não poderia, não tinha como adivinhar uma coisa dessas.

- Ela não poderia ter impedido nada, não tinha como saber disso! – Francine grita.

- Ah, poderia sim, e não impediu – Ele começa a dar leves passos em direção a ela – Por isso sua família está morta agora.

As lágrimas no rosto dela começam a brotar. Família era seu ponto fraco. O assassino está quase na sua frente, andando devagar até ela. Ela abaixa a cabeça e sussurra um não pode ser para si. O assassino chega mais perto e se prepara para pegar a faca da mão dela. Mas ela levanta a cabeça rapidamente. Estava fingindo.

- Você é inteligente, mas não tanto! – Francine diz, batendo duas com o cabo de madeira da faca contra a testa – mais precisamente a têmpora – do assassino e ele cai no chão inconsciente.

- O que fazemos agora? – Frank pergunta.

- Vamos chamar a policia – Ela responde, largando a faca no chão. – Ele não vai morrer hoje.

Ela se abaixa e pega a chave do local no bolso do assassino, em seguida, joga para Layla, que abre a pesada porta de ferro lentamente.

- Vamos – Ela diz.

Frank se dirige até o lado de fora, Francine também, mas Vanessa não.

- Vamos Vanessa! – Layla grita.

- O que aconteceu? – Francine vai perguntar, e então percebe. Uma faca cravada nas costas dela – Oh meu deus!!!

O assassino se levanta e Vanessa cai chão. Ele começa a caminhar em direção as duas, mas é parado por Frank, que em cima de uma estante, recuperou a pistola e atirou três vezes no peito do homem, que caiu instantaneamente.

- Vanessa! – Ele e Layla correm até lá.

- Não! – Francine começa a chorar.

Vanessa fica muito fraca, está perdendo sangue, mas consegue dizer algumas palavras.

- Então esse é o fim né? – Ela pergunta, com uma voz muito fraca.

- Não, não é o fim – Francine responde, chorando em desespero.

- Não adianta dizer que não, dessa vez é o fim – Seus olhos estão quase se fechando – Eu quero pedir uma coisa a você.

- Pode falar – Ela começa a chorar mais.

- Não quero que você chore – Vanessa diz – Não por mim, não agora, vocês tem que sair daqui.

- Nós vamos – Frank começa – Mas nós vamos com você, vamos te levar a um hospital, você vai ficar bem.

- Eu não vou ficar bem, e vocês sabem disso, então só me prometam uma coisa – A voz dela fica mais fraca – Acabem com esse desgraçado de uma vez por todas, e depois vão embora daqui, pra bem longe, esqueçam tudo isso, tudo.

- Eu não posso – Francine abaixa a cabeça – Não posso te deixar.

- Você se lembra daquele dia no St. Louis, quando aquele cara grandão queria me pegar? – Ela sorri – Como era mesmo o nome dele?

- Cory – Isso a faz chorar mais e mais – Eu lembro.

- Você não me deixou naquele dia, você foi lá e me defendeu.

- E é o que eu vou fazer agora!

- Não, você não pode.

Ela começa a tossir muito.

- Frank – Ela diz – Eu preciso que cuide delas, já que eu não vou estar mais aqui pra isso.

Ele dá um sorriso, em meio a tantas lágrimas.

- Eu vou.

- Layla – Ela começa – Eu quero que você supere tudo isso e ajude-os a superar, você é boa nisso.

Ela balança a cabeça em afirmação, não conseguiria falar nada naquele estado, estava chorando muito.

- E Francine – Ela direciona o olhar para ela, seus olhos brilham – Eu só quero te pedir uma coisa.

- Pode pedir – Ela passa a mão nos cabelos castanho-claros de Vanessa.

- Não me esqueça – Ela começa a tossir um pouco de sangue.

- Nunca – É a última palavra que ela diz, antes de Vanessa fechar seus olhos. Acabou. – Não!!! – Ela finalmente grita. – Não!!! – Seus gritos são desesperadores, como se um pedaço dela fosse arrancado. E foi.

Ela finalmente aceita que Vanessa não voltaria mais. É o fim. Então passa a mão sobre os olhos abertos de Vanessa, fechando-os. Descanse em paz.

Após alguns minutos em silêncio andando pela sala, as lágrimas nos olhos dos três ainda são perceptíveis. Frank quebra alguns objetos velhos em cima de estante, enquanto Layla permanece sentada no chão, chorando. Francine se levanta do chão, ao lado de onde estava corpo de Vanessa.

- Precisamos ir – Ela diz, ainda chorando.

- Não – Layla diz – Não podemos deixa-la aqui.

- Você não acha que ela iria querer isso? – Francine pergunta.

- Ela tem razão – Frank diz, enxugando as lágrimas – Precisamos ir agora. Chamaremos a policia e depois tudo se resolverá.

- Tudo se resolverá? Vocês percebem o que estão dizendo? – Layla pergunta se levantando da mesa – Ela está aqui, morta, você não acha que ela merece mais que uma fábrica velha e suja?

Frank vai até e ela e olha no fundo dos olhos brilhantes de Layla.

- Era isso o que ela queria – Frank diz. – Ela terá um descanso digno, mas não podemos leva-la desse jeito. Vamos chamar a policia.

Layla finalmente concorda, mas as lágrimas ainda não pararam de brotar em seus olhos. Ela e Frank saem pela grande porta de ferro do salão e param do lado de fora, esperando Francine. Mas ela não vai.

- Francine? – Ele pergunta.

- Oh meu deus! – Layla exclama ao ver o assassino em pé, atrás dela. – Cuidado!

Ela olha para trás e vê o sujeito vivo, em pé, então vira-se, olha nos olhos de Frank e Layla e finalmente diz:

- Eu vou acabar com isso!

Francine fecha a porta de ferro e se tranca com o assassino, deixando Frank e Layla lá fora, desesperados.

- Fran!!! – Layla grita, enquanto bate na porta, junto com Frank – Não!!!

- Francine! – Frank é o próximo a gritar, mas ela não responde.

Do lado de dentro da sala, ela confronta o assassino.

- Finalmente a sós – Ela diz.

- Pois é – Ele diz – Mas dessa vez, você não vai fugir.

- Você vai morrer desgraçado, e será hoje!

O sujeito começa a correr em direção a ela, que também corre, fugindo dele. Francine não tem arma alguma, enquanto o assassino está segurando a faca. Ele caminha lentamente até ela, e ela começa a dar leves passos para trás, indo em direção à janela, ao chegar, ela olha por ela, é muito alto.

- Como eu disse, não há como fugir, estamos no terceiro andar – Ele dá um sorriso e começa a correr.

- Quem disse que eu quero fugir? – Ela pergunta e quando o assassino chega perto dela, com a faca na mão, ela o segura se joga pela janela, junto com ele. Tudo o que ela ouve é Frank e Layla gritando seu nome, antes de mergulhar no vento frio da madrugada. Em frações de segundos, ela é atingida por um turbilhão de boas lembranças. O dia em que conheceu Vanessa. O dia em que conheceu Frank e Layla. Todas as vezes que ela e Vanessa fizeram aquele sanatório horrível parecer um parque de diversões. Os dias que passou na Shivers com Layla. A dúvida de saber se Frank realmente gostava dela. Os dias de diversão no parque com Todd e Caleb. Os poucos momentos felizes que ela já pode desfrutar na vida. Tudo aquilo iria acabar ali, quando ela atingisse o chão. Ela se choca e finalmente tudo chega ao fim. Todo o sofrimento, todas as mortes, toda a tormenta e angústia das pessoas ao redor dela. Acabou.

Frank e Layla saem do prédio às pressas, e encontram os corpos sem vida de Francine e do assassino. Layla se ajoelha no chão e começa a chorar, gritando um alto e desesperado não em seguida. Frank também não consegue conter as lágrimas, mas segura Layla pelo braço e os dois andam até o carro dele. Com dificuldade, pois estava tremendo muito, Frank liga o carro e eles vão embora deixando tudo para trás. Toda a tristeza. Toda a alegria. Francine. Vanessa. O assassino. Tudo.

1 Ano Depois

Frank entra em casa, na mesma casa em que passou seus piores momentos sem Layla, mas esse dia é diferente. É o dia em que ele e sua família vão se mudar, se mudar para um lugar afastado dali. Um lugar tranquilo.

- Já terminou amor? – Ele pergunta a Layla, dando um beijo nela.

- Estou quase terminando – Ela diz, arrumando uma caixa cheia de álbuns de família.

Ao vasculhar a caixa, ela percebe algo ali no meio. Um retrato. Uma foto que tirara há alguns anos, junto com Francine, Frank e Vanessa. Ela dá um sorriso e pega a foto, terminando de fechar a caixa logo em seguida.

- Estou pronta!

- Só falta essa caixa pra gente poder ir embora – Frank diz, olhando para a casa vazia.

- Olha o que eu achei – Ela mostra a foto.

- Bons tempos – Ele dá um sorriso e diz, pegando a última caixa logo em seguida.

- Francine! Vanessa! Vamos embora! – Layla grita e as duas garotinhas aparecem na sala.

- O que mãe? – Francine, a mais velha, pergunta.

- Vamos embora querida – Layla responde. – Lavem suas mãos e vamos.

- Tá – Vanessa e Francine correm para lavar suas mãos.

Após terminar de colocar as caixas no caminhão, ele vai embora e Frank entra no carro, onde Layla e as garotas esperavam.

- Vamos? – Ele pergunta.

- Vamos! – Francine e Vanessa gritam no banco de trás.

- Vamos lá – Layla diz – Vida nova! – Ela olha para a foto – Quase nova – E então dá um sorriso.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!