Silêncio

14 Capítulo 13 - Pontos Finais, Part I


Os integrantes da banda que se apresentava despediram-se e as pessoas começaram a se dirigir até suas casas. Enquanto isso, Frank, Francine e Vanessa falavam com alguns policiais que estavam lá.

- Nos ajude, por favor – Frank começa – Tem um homem aqui, ele estava perseguindo uma garota, ele é perigoso e vocês precisam encontra-lo urgentemente!

- O que garoto? – Um policial pergunta.

- Tem um assassino andando entre nós!

- Ainda estão com essas brincadeiras?

- O que? Não é brincadeira!

- Tá bom que eu vou cair nessa né?

- Olha, você deve ter visto uma mulher passar por aqui, loira, um metro e sessenta mais ou menos, olhos azuis, ela estava com shorts jeans e camiseta preta.

- Sim, eu a vi, tentou me fazer cair nessa brincadeira também.

- Que droga! – Frank exclama.

- Escute senhor, isso tem ligação com os recentes assassinatos de alguns dos funcionários da Spring. Aquela mulher é uma delas e será a próxima vítima do sujeito, nós estamos tentando impedi-lo.

O homem carrancudo desfez o sorriso da cara.

- Que droga! Vamos precisar de mais viaturas aqui Faith! – Ele diz para outro policial, que corre até o rádio. – Venham comigo!

Eles seguem o policial, enquanto o outro sobe no palco e avisa em um microfone:

- Por favor, dirijam-se até suas casas agora mesmo, dirijam-se até suas casas agora mesmo!

As pessoas que ali estavam fazem o que é pedido e Francine, Vanessa e Frank seguem o policial até uma viatura.

- Vou levar vocês até em casa, e amanhã, estejam na delegacia às oito.

- Eu não vou sair daqui sem saber o que aconteceu com a Rachel! – Vanessa exclama.

- Acalme-se, você vai pra casa e amanhã quero que falem com o delegado.

- Vanessa, é melhor, eu fico por aqui e ligo para dar noticias – Frank diz.

- Não, eu quero saber o que aconteceu!

- Frank tem razão, vamos, amanhã nos informamos.

- Mas, e se ela estiver morta?

- Ela não está, pela quantidade de pessoas que havia, eu tenho certeza de que ela conseguiu fugir.

Francine olha para o policial.

- É melhor deixar alguém na casa dela, talvez ela volte para lá.

- Vamos fazer isso.

- Vocês ficarão bem? – Frank pergunta.

- Vamos – Francine responde e Vanessa permanece calada.

- Amanhã conversamos.

- Tchau – Francine se despede.

- Tchau – Frank retribui.

- Senhor, é melhor você ver isso – Um homem de jovem aparência diz para o policial.

O policial segue o homem até a parte traseira do palco.

- O que será que aconteceu? – Vanessa pergunta.

- Eu não sei – Frank responde e os três se dirigem até o local.

Ao chegar lá, percebem vários policiais em volta de alguma coisa, quando um deles se afasta, eles finalmente veem o que é. O corpo de Rachel. Vanessa dá um passo para trás e tapa a boca com as mãos, enquanto Frank e Francine apenas ficam paralisados e horrorizados com a brutalidade.

- Que droga! – Um dos policiais exclama.

- Seremos os próximos – Vanessa começa a dizer – Nós somos as próximas vítimas!

- Vanessa, calma. – Francine tenta acalmá-la, mas é um pouco difícil quando se está correndo perigo desse jeito.

- Vocês precisam ir embora – Frank avisa.

- Não – Vanessa diz.

- Você tem que ir, olha a sua situação.

- Vamos. Você vai dormir na minha casa hoje – Francine diz, colocando as mãos nos seus ombros.

- Então vamos – A voz de Vanessa quase não sai.

- Vejo vocês amanhã.

As duas saem do local e caminham pela rua, até sumir na névoa da madrugada.

No escuro, embaixo do palco e longe do corpo de garota, Frank percebe algo. O celular dela. Ele olha para os lados e esconde o aparelho no bolso. Vou localizar esse sujeito e vou mata-lo, e será hoje. Sem que ninguém o veja, ele vai embora.

Durante a viagem, as duas amigas seguiam em silêncio. Francine dirigia com atenção e Vanessa estava com a cabeça encostada no vidro da janela.

- Você está bem? – Francine quebra o gelo.

- Não muito – Ela responde e sua aparência não é das melhores.

- Eu sinto muito, a culpa é minha.

- Não é – Ela finalmente vira o rosto e fita o rosto preocupado de Francine. – Você não precisa ficar se torturando pensando que a culpa é sua, porque não é.

- No fundo, você sabe que isso é verdade.

O silêncio volta a predominar por alguns segundos, até que Vanessa muda de assunto.

- Eu acho melhor irmos dormir na casa do Frank, você não acha? – Vanessa pergunta.

- É uma boa ideia – Francine responde.

- Ele está cansado por conta de tudo isso que anda acontecendo, é muito para ele aguentar, acho que precisa de alguém para cuidar dele.

- É verdade – Francine abaixa a cabeça. Ele tinha a Layla, ele tinha, mas por causa de mim e do meu passado sombrio, ele a perdeu.

Frank chega correndo em casa e saca o celular de Rachel do bolso.

- Últimas ligações, últimas ligações, últimas ligações – Ele repete em voz baixa – Achei!

Na tela do celular não havia um número, e sim um nome. Número Desconhecido. O tal número havia ligado para Rachel há uma hora e meia, um pouco antes de sua morte. É ele!

Após alguns truques e a ajuda de vários equipamentos e sites profissionais, ele consegue decifrar o número e dá um sorriso. Finalmente.

O localizador do celular está ligado. Que idiota! Então Frank digita algumas coisas e consegue o endereço do local onde o dono do aparelho se encontra. É bem longe dali.

Francine e Vanessa decidem passar a noite na casa de Frank.

- Pronto, avisei ao Jake e ao Todd – Vanessa desliga o celular – Eles ficarão bem.

- Eu espero – Francine diz, enquanto faz a volta na rua deserta com o carro.

Ao chegar à casa de Frank, elas descem do carro e chegam à porta. Vanessa toca a campainha. Algum tempo se passa e ninguém vem abrir a porta. Ela toca novamente.

- Onde será que ele está? – Vanessa pergunta.

- Deve estar dormindo.

- Não – Vanessa fica desconfiada e vai até a janela – Impossível.

- Por quê?

- Não daria tempo, ele veio aqui e já saiu, ou...

- Ou o que?

- Ou o assassino esteve ou ainda está aqui – Ela engole em seco ao dizer isso.

- Não pode ser – Francine diz, girando o trinco da porta e ela se abre.

- Está aberta – Ela diz, com um olhar nervoso de medo.

- Ah, deus!

Elas entram na casa e não encontram nada na sala, apenas o notebook aceso no sofá. Vanessa vai até a cozinha.

- Acho que já sei onde ele está – Francine diz, olhando para a tela do aparelho.

- Onde? – Vanessa corre até ela e vê o endereço exposto na tela.

- O que ele foi fazer lá? É muito longe.

- Vamos descobrir – Vanessa diz e elas vão embora.

A quase cento e oitenta quilômetros por hora, Frank dirige em uma grande pista deserta. Está determinado a acabar com isso de uma vez por todas. A estrada começa a ficar mais deserta ainda, as casas começam a desaparecer e de repente, ele entra em um local entre um bairro e outro, onde não há nada além de grandes acres de terra, e um grande prédio. É ali. Ele confere no GPS, desconfiando um pouco, mas acaba parando em frente à grande fábrica abandonada. Estaciona o carro em um local distante e segue a pé até o local, com sua pistola em punho.

Frank caminha lentamente. Isso parece ser abandonado mesmo, ele pensa. Mas decide entrar ao ver uma das luzes acesas.

Dentro do prédio é velho e sujo, cheio de ratos. O odor de ratos mortos também não é nada agradável, mas ele precisa aguentar. O assassino pode estar ali. Layla pode estar ali. Ele caminha pelos corredores escuros até achar a sala de onde vem a luz que ele vira. Ao entrar, tudo o que encontra é uma cadeira velha com algumas cordas em cima. Alguém esteve aqui recentemente. Ele caminha pelo resto da sala vazia, observando a mobília daquele lugar. Acho que era a sala do chefe. Finalmente, ele conclui: Não há nada aqui, é quando ouve um som estranho. Um gemido. Como se alguém estivesse tentando falar, então ele percebe que a tábua onde está pisando range. Ao olhar para baixo, entre as minúsculas brechas do piso de madeira, ele percebe dois olhos brilhando. Uma garota, que ele reconhece na mesma hora. Layla.

- Layla! – Ele diz, se abaixando, mas ela não responde nada, está cheia de cola na boca. – Você está bem? Onde ele está? Onde ele está?

Aos poucos ela vai abrindo a boca, seus lábios começam a sangrar e ela faz uma expressão de dor muito grande enquanto a cola vai se solta, junto com o sangue que sai de sua boca.

- Ele está atrás de você!!! – Ela dá um grito desesperado, quando termina de arrancar a cola dos seus lábios.

Frank se vira e encontra a silhueta do assassino parada bem atrás dele. Antes que Frank pudesse levar a arma em punhos até a direção dele, o homem ergue uma barra de ferro a certa a cabeça de Frank, tudo o que ele ouve antes de apagar é o grito desesperado de Layla.

- Não!!!

A cabeça de Frank ainda dói, ele acorda ainda tonto e encontra novamente o sujeito parado a sua frente, ao seu lado, Layla parecia cansada e nervosa.

- Finalmente acordou – Ele diz, em um tom provocantemente irônico.

- Desgraçado! – Frank grita.

O assassino dá um soco no rosto dele.

- Que boca suja – Ele dá uma risada.

- Por favor, não o machuque – Layla diz, com uma voz fraca. O assassino solta uma gargalhada.

- Não vou machuca-lo – Ele fala – Ainda não, quer dizer, pelo menos não de verdade.

- Eu vou te pegar!

- Não vai não, sabe por quê? Porque você estará morto antes que possa pensar em fazer isso.

- Desgraçado, desgraçado!

- Você está um pouco exaltado, acho melhor colocar uma fita nessa boca suja, não acha?

O sujeito vai até uma mesa e puxa uma fita prateada, ele tira um pedaço e cola na boca de Frank, impedindo que ele fale. Faz o mesmo com Layla.

- Ah, assim está muito melhor.

Ele vai até a mesma mesa e tira a sua máscara, revelando um jovem homem, cabelos castanho-claros e um sorriso de lado maliciosamente sádico.

- Eu vou adorar me divertir com vocês.

- Frank?! – Eles ouvem uma voz vinda de cima.

- Temos visita? – O homem pergunta sorrindo.

Ele caminha até a porta, olha para Frank e leva o dedo indicador à boca pedindo silêncio, e então sai. Não! Frank pensa, mas não pode dizer nada.

Francine e Vanessa entram em um corredor extenso, iluminado apenas por algumas lâmpadas, algumas delas ficam piscando.

- Frank? – Francine pergunta.

- Tem certeza de que ele veio pra cá? – Vanessa pergunta.

- Sim – Ela responde – Eu vi o carro dele lá fora.

De repente, as duas ouvem um ruído como o de um machado sendo arrastado pelo chão de madeira. Ao se virarem, elas encontram o assassino parado a alguns metros de distância das duas.

- Francine – Ele dá um sorriso – Que bom ver você!

- Merda! – Francine exclama.

- Não devia ter vindo até aqui sem nada para se defender.

- Onde está o Frank? – Ela pergunta.

- Ah, pobre Francine.

- Onde ele está?!

- A pergunta não é onde ele está, e sim como ele está.

- Não.

- Ah, não se preocupe, ainda não o matei, quero me divertir um pouco e vocês chegaram na hora da festa.

O assassino começa a dar pequenos passos em direção as duas e Francine e Vanessa, a correr desesperadamente. Após uma correria eufórica, elas conseguem despistá-lo.

- Que droga! – Vanessa exclama, quando elas entram em uma sala velha, cheia de ratos – O que fazemos agora?

- Eu não sei – Francine responde, empurrando uma mesa contra a porta.

- Onde ele está? – Vanessa vai até a porta e coloca o ouvido. Não ouve nada. – Não estou ouvindo nada.

- Espera – Francine também vai até a porta e encosta o ouvido na madeira mofada. – Eu também não – Ela olha para os lados – Ele pode estar vindo por outro lugar.

Elas olham ao redor.

- Não há nenhuma entrada – Vanessa diz.

- Não que a gente possa ver – Francine completa e começa a empurrar as paredes, na tentativa de abrir alguma passagem secreta ou coisa do tipo, porém, não consegue sucesso.

Então Francine se lembra da casa de Jensen. Uma passagem no chão, é isso!

- Me ajuda a arrastar isso aqui – Francine diz ao segurar uma pequena estante. Vanessa rapidamente a ajuda e elas empurram o móvel sujo. Estava lá. Quase imperceptível, mas estava lá, o pequeno alçapão. As duas se entreolham e Francine começa a descer pela pequena escada velha. Vanessa a segue.

Elas entram em uma sala muito mal iluminada, o cheiro também não é nada agradável.

- Olha isso – Vanessa diz, apontando para um lugar na parede recentemente coberto de cimento. – O que será que ficava aqui?

- Uma porta ou passagem, com certeza – Francine responde, tocando o material. – Deve ter muito mais por aqui e eu tenho a impressão de que ele conhece todas.

- Temos que achar o resto, assim encontraremos Frank e Layla – Vanessa diz.

- É, vamos.

Elas sobem de volta para o térreo e tiram a mesa da porta. Conseguimos despistá-lo, Francine pensa e logo em seguida abre a porta. Realmente não há ninguém no corredor, então elas voltam a correr sem rumo, ignorando a desvantagem de não conhecer o local tão bem quando o assassino. Ao abrir a última porta do corredor, se deparam com um grande salão, cheio de máquinas velhas e grandes tanques onde antes eram fabricados sapatos. O lugar transmite uma sensação tenebrosa de medo e angústia.

Francine e Vanessa lentamente caminham sobre o grande salão, totalmente vazio.

- Frank? – Francine pergunta.

- Shh – Vanessa diz.

- O que?

- Shh – Ela coloca o dedo sobre a boca pedindo silêncio. – Está ouvindo isso?

Francine se concentra e finalmente ouve o ruído do qual Vanessa está falando.

- Engrenagens? – Ela pergunta.

- É, de onde vêm?

De repente, todo o lugar começa a funcionar, as máquinas começam a trabalhar desordenadamente e atrás das duas, um incinerador cospe labaredas.

- O que merda é isso? – Vanessa pergunta.

- Eu não sei – Francine responde – Mas coisa boa é que não é. Vamos sair daqui.

As duas começam a correr, mas param ao ver um homem que acabara de virar a esquina de uma fileira de máquinas. É ele.

- Corre! – Francine diz.

- Droga! – Vanessa exclama.

Ao chegar à porta principal, não conseguem abri-la.

- Está trancada! – Francine grita desesperada e as duas rapidamente se viram à procura do assassino, mas ele já havia se escondido.

- Onde ele está? – Vanessa pergunta. – Que droga!

O homem surge na frente das duas e arremessa o machado ensanguentado, que atinge a porta de ferro e cai no chão. Francine e Vanessa aproveitam a chance para correr, o único problema é que não conhecem a saída.

Enquanto correm, Francine por uma fileira de máquinas e Vanessa pela outra, o assassino rapidamente recupera a arma e começa a persegui-las.

Elas correm rapidamente, apenas alguns tanques as separam, cada uma corre para um lado e Francine consegue ver Vanessa entre um tanque e outro, mas ao chegar ao último, ela olha para o lado, mas não encontra Vanessa, não encontra ninguém, apenas ouve um grito desesperado que reconhece ser dela instantaneamente. Francine corre até o outro lado, mas não encontra ninguém, nem Vanessa e nem o assassino.

- Vanessa!! – Ela grita, porém, não obtém resposta e então entende. Ele a pegou.

As máquinas continuam funcionando a todo vapor e agora Francine está sozinha no meio delas. Onde ela está? Ela pergunta para si, com medo do que pode ter acontecido com Vanessa. Preciso encontra-la.

Francine caminha lentamente pelo local cheio de máquinas velhas, olhando para os lados para verificar se o sujeito não estava a observando ou preparando uma emboscada, mas ele realmente sumiu. E levou Vanessa.