Notas iniciais
Aproveitando para atualizar todas as minhas fanfics já que eu estou de folga :) É claro que Sign of the times não tem um "público", mas eu sou particularmente afeiçoada aos personagens e as alterações que eu criei na história.

Harry tinha esperanças que o Prof. Snape se esquecesse de sua detenção, mas foi uma grande decepção quando um memorando do professor chegou à mesa da Grifinória naquele dia, lembrando-o de comparecer às masmorras após o jantar para limpar alguns caldeirões.

— É inacreditável que você tenha detenção na primeira semana de aula. — Hermione disse enquanto Harry, Ron, Neville e ela iam para a aula de Feitiços.

— Você acha? – Harry respondeu em tom sarcástico.

Hermione o lançou um olhar feio, de quem não apreciava o deboche em sua voz, mas Harry não se incomodou. Tinha muita coisa na cabeça para se preocupar que Hermione se ofendesse facilmente com seu sarcasmo.

Harry não conseguia parar de pensar em três coisas: as aulas que começaria a ter com o professor Dumbledore, Draco Malfoy e a missão que fora designado e o livro do Príncipe Mestiço.

Em seu primeiro dia de aula, Harry pela primeira vez tinha obtido êxito em uma tarefa de Poções, isso graças ao Príncipe Mestiço e seu livro cheio de rasuras. Na noite anterior, Harry havia adormecido enquanto folheava o manual de poções e a primeira coisa que fez ao acordar havia sido enfiar o livro na mochila (muito embora não tivessem Poções naquele dia).

Ainda no caminho da aula de Feitiços, enquanto Harry, Ron e Hermione fingiam interesse nas explicações científicas de Neville sobre uma especiaria rara que ele e a Profª Sprout estavam cultivando, eles passaram por um grupo de meninas da Corvinal que olharam na direção do grupo e deram risadinhas. Harry teve a ligeira impressão que uma delas havia sorrido e acenado para ele.

Com o cenho franzido, Harry se perguntou se conhecia alguma menina na Corvinal, além de Cho Chang e Luna Lovegood.

No entanto, ao chegar próximos à sala do Prof. Flitwick, uma turma de quartanistas da Lufa-Lufa e da Sonserina estava saindo do recinto e, mais uma vez, um grupinho de lufanas passou por eles e dessa vez elas foram bem menos discretas.

— Oi, Harry. — elas disseram em coro.

Neville e Ron não pareceram perceber, mas dessa vez era Neville que fingia interesse na conversa de Ron sobre os Chudley Cannons. Hermione, por outro lado, revirou os olhos e balançou a cabeça negativamente.

— Tem alguma coisa no meu rosto? — quis saber e decidiu perguntar à amiga.

— Além da barba que você não se deu ao trabalho de tirar ainda?

— Sim. — respondeu, impaciente.

— Não. Está absolutamente normal.

— Por que aquelas garotas estavam rindo de mim, então?

— Elas não estavam rindo de você, Harry. — Hermione disse e dessa vez havia riso em sua voz. — Você é tão... ingênuo.

Harry não gostou de ser chamado de ingênuo. Ele tinha muita bagagem, muito mais que a maioria das pessoas que estava ali, inclusive Hermione. Evidentemente não perdeu a oportunidade de dizer aquilo à amiga.

— Não me refiro a isso. — Hermione explicou em tom calmo, enquanto eles se sentavam juntos e Neville e Ron ocupavam a carteira de trás. — Quero dizer que você não tem muita experiência com garotas, o que nunca deixa de me surpreender para ser sincera.

— Não é como se nos últimos anos eu tivesse tido tempo para pensar em garotas. — Harry revirou os olhos. — Não sou o Julian.

— Oh. Então seu irmão caçula está interessado em uma garota? — Hermione perguntou com um largo sorriso.

Harry balançou a cabeça negativamente. Depois ele era o ingênuo.

— Digamos que agora você faz parte do assunto das meninas de Hogwarts. Apenas.

— Mesmo? Eu não fazia antes?

— Bem... ano passado todos pensavam que você era um mentiroso e um maluco. — Hermione disse com um sorriso de quem pede desculpas. — Agora você é o Eleito. E você cresceu uns centímetros, deixou o cabelo crescer e ganhou esse ar de bad boy.

— Elas gostam dos bad boys?

— Acho que sim. Particularmente eu não me sinto impressionada por isso.

— Oh. — Harry provocou com um sorriso. — Você está tão acima dessas coisas fúteis, certo, Mione?

A amiga riu e o bateu com seu exemplar de Feitiços, mas felizmente ela conseguiu levar a provocação na brincadeira.

— Não, bobo. Vamos por um exemplo. — Hermione pigarreou. — Sirius é um bad boy. As meninas ficam sempre cochichando sobre ele quando vamos a sua casa...

— Certo. — Harry acenou com a cabeça, mas não deixava de ser estranho. — Sabe, eu acho que rola alguma coisa entre ele e a minha mãe, mas tudo bem, prossiga.

— Oh, sim. Mas é puramente platônico, ninguém ali acha que teria chances. Gostaríamos que Sirius ficasse com sua mãe. Sem ofensas. — Hermione disse rapidamente.

— Não, não ofendeu. Mas prossiga.

Harry percebeu que estava um pouco interessado sim em saber o que as garotas pensavam. Durante sua conversa com Julian naquele verão, ele percebeu quão pouco sabia sobre mulheres.

— Mas bem, Sirius é um playboy. Ele chama atenção aonde vai. — Hermione explicou. — Porém, Remus tem uma personificação antagônica à Sirius e ele não poderia ser menos charmoso.

— Godric! — Harry exclamou com uma careta de nojo. — Vocês visitam para olhar para o meu padrinho e o padrinho do meu irmão?

— Nós não fazemos isso. — Hermione disse impaciente. — Mas o professor Lupin era o meu... bem, a minha “ideia” de um homem com quem eu gostaria de me envolver. Ele é doce, gentil, inteligente...

Harry não pôde deixar de pensar que era a mesma descrição que poderia dar a Julian. No entanto, sabia que seu irmão ainda era muito novo. Era difícil pensar que uma garota de dezessete anos sentisse atração e admiração por um menino de quatorze. Era praticamente improvável.

O restante da aula não foi mais focado em pensamentos sobre o que as mulheres pensavam, mas sim sobre os NIEMs de Feitiços e como deveriam se preparar durante aquele ano para o próximo exame.

—x-

A primeira semana de aula passou mais rápido que Harry poderia ter previsto. Em meio a grande quantidade de deveres de casa, ele percebeu que havia fumado praticamente todo o maço de cigarros que havia afanado do bolso de Sirius.

Também percebeu que estava se isolando mais. Especialmente após sua discussão com Julian, Harry tinha notado uma tendência para buscar a solidão ao invés da constante companhia de Ron, Hermione e Neville.

Nesses momentos de isolamento, Harry normalmente estava com o livro do Príncipe Mestiço. Ele ficou surpreso com quão fácil havia se perdido nas anotações que o brilhante aluno tinha deixado em seu exemplar. Embora Hermione tivesse suas ressalvas, Harry finalmente havia demonstrado êxito nas aulas de Poções e estava se tornando uma espécie de favorito de Slughorn.

Harry já havia sido o favorito de outros professores. Lockhart era particularmente favorável a ideia de tê-lo como seu “protegido”, e talvez Harry só não fosse o favorito de Lupin porque Julian era seu afilhado. No entanto, com o Prof. Slughorn, Harry sentia que tinha que permitir cair nas tentações do velho leão marinho para conseguir alguma coisa. Dumbledore tinha o alertado que Slughorn tentaria se tornar uma espécie de “mentor”.

Soltou uma última baforada de fumaça e apagou o cigarro no gramado. Pegou a varinha e, ao invés de murmurar, concentrou-se em executar o feitiço ‘evanesco’ de forma não-verbal.

O cigarro desapareceu e Harry sorriu.

Sirius era muito bom em feitiços não-verbais. O padrinho era capaz de produzir magia complexa de forma não-verbal e, agora, Harry também estava aprendendo em suas aulas.

O padrinho também era capaz de realizar alguns feitiços sem varinha. Era algo mais como truques: acender as velas de sua velha mansão sem energia elétrica, levitar um livro de volta para a prateleira correta e até conjurar uma flor para sua mãe.

Harry sabia que homens como Dumbledore e Voldemort usavam a varinha por uma questão de cortesia também. Em outras culturas, o uso de varinha não era uma regra.

Não tinha certeza de qual era a teoria para o uso de magia sem varinha, mas imaginava que tivesse algo a ver com magia não-verbal. Em sua mente, havia um pequeno episódio, uma lembrança, de quando ainda não havia ido para Hogwarts e Almofadinhas vivia em seu apartamento de solteiro.

— Agora, concentre-se... — Sirius sussurrou atrás dele.

— Estou tentando.

— Eu sei, parceiro. Eu sei. Mas tente imaginar como seria. O som que a janela faria ao bater. Visualize a cena acontecendo.

Era natal e a janela da sala estava aberta. Harry tinha dez anos, ele havia ganhado um belo conjunto de vestes do padrinho para companha-lo a Wizengamot pela primeira vez.

Harry estreitou seus olhos verdes e encarou a janela com severidade. Ele ordenou em sua mente ‘feche-se’. Nada aconteceu. E ordenou de novo: feche-se!

Percebeu que não funcionava como as vassouras, pensou. Decidiu fazer exatamente como Sirius disse.

Imaginou a janela se fechando lentamente a sua frente. O baque surdo da madeira e o rangido inevitável do material gasto e velho. A neve escorregaria pelo vidro lentamente até o parapeito.

Harry não conseguia dizer exatamente até onde havia sido sua imaginação ou quando a janela havia fechado realmente. Mas ele escutou Sirius vibrar.

— Isso! Você é demais, garoto. Realmente é demais.

Apesar de sorrir com a lembrança, Harry não pôde deixar de pensar que era muita bondade de Sirius. Mas, qual pai não achava seu filho completamente acima da média?

Ele visualizou uma pequena pedra pontuda. Era muito leve, menor que um palmo. Será que conseguiria fazê-la flutuar até o lago?

Harry respirou fundo e tentou se concentrar. Fez exatamente o que o seu eu de dez anos, tinha feito numa manhã de natal.

Suspirando, Harry imaginou a pequena pedra subindo em espiral, voando até o lago e desaparecendo com o barulho mínimo de um pequeno objeto afundando. Ele refez o processo em sua mente, mantendo os olhos bem fechados, cerca de pelo menos três vezes, no entanto, ao abrir os olhos se deparou com a pedra pontiaguda exatamente na mesma posição. Não se movera um milímetro sequer.

Embora aborrecido, Harry pegou aquela pedra e decidiu a levar consigo.

Ficou de pé, puxando a mochila para as costas e procurando o bolso de trás da calça. Tirou dele um cigarro e o acendeu com a ponta da varinha – mais uma vez, um feitiço não-verbal muito bem executado.

Soltou a fumaça pelos lábios entreabertos e começou a caminhar. Estava quase na hora do jantar e conhecendo seus amigos, tinha certeza que estavam começando a ficar impacientes com seu sumiço. Não gostaria de arriscar ser visto por Hermione enquanto fumava, algo o dizia que ganharia muito mais que uma detenção – certamente também receberia um berrador de Lily Potter na manhã seguinte.

Harry, no entanto, fazia seu caminho de volta ao castelo de forma lenta. Ele não desperdiçaria aquele cigarro, então decidiu dar a volta e pegar o trajeto que normalmente os alunos tomavam quando iam ao corujal.

Era uma absoluta e feliz coincidência, pensou com uma maliciosa excitação.

— Malfoy.

Harry havia construído o hábito de carregar consigo a capa da invisibilidade, mas algo o dizia que mesmo a velha capa de seu falecido pai não era a prova de chamas, então decidiu se livrar do cigarro e se cobrir com o manto para seguir o rapaz.

Tinha certeza que Malfoy estava planejando alguma coisa e decididamente Harry iria descobrir.

—x-

— Você viu seu irmão?

Julian se sobressaltou um pouco quando Hermione subitamente ocupou a cadeira vaga ao seu lado na biblioteca.

Ele deu uma olhada no exemplar que a garota abria, enquanto ao mesmo tempo puxava rolos de pergaminhos, tinteiro e penas da mochila. Hermione provavelmente começaria sua tarefa de Runas Antigas, e agora ela era também Assistente da professora Babbling, que havia dispensado Cho Chang para os NIEMs.

— Não. — respondeu.

— Ele está desaparecido há horas. Eu tenho certeza que quando voltar estará cheirando a cigarro e murmurando alguma coisa sobre Malfoy.

— Você o conhece bem.

— É claro que o conheço. É meu melhor amigo. — Hermione sorriu e suas bochechas estavam um pouco vermelhas.

Julian se perguntou se a garota tinha algum interesse em seu irmão mais velho. Seria possível?

Só a ideia lhe deixava com o estômago ruim. Julian não tinha olhos para nenhuma outra garota em Hogwarts, apenas Hermione Granger, mas será possível que algum dia ela também teria olhos para ele?

Julian já era mais alto que Hermione. Ele estava crescendo rápido, mas era óbvio que não tinha o semblante masculino que Harry havia adquirido no verão, tampouco o queixo quadrado de Krum e suas sobrancelhas grossas.

Como diabos poderia chamar a atenção de Hermione aos quatorze anos?

— Julz, você pode me emprestar um pouco de pergaminho? Acabei borrando o meu.

— C-claro. — Julian disse após alguns segundos em silêncio.

— Você está bem? Parece distante.

— E-eu sou o novo assistente do professor Snape. — disse se odiando por ter começado a gaguejar. Sempre acontecia quando ficava nervoso.

Hermione pareceu agradavelmente surpreendida.

— Sério? Meus parabéns, Julz! Isso é absolutamente incrível!

— É, não é? Ele disse que há anos não nomeia ninguém abaixo do quinto ano, mas que eu demonstrei merecimento. — Julian disse e dessa vez sua voz não falhou nenhuma vez. — Para ser franco, eu não esperava. Achei que ele convidaria Draco que está no quinto.

— Oh, pare já por aí. Malfoy é bom em Poções, você é brilhante.

Ela o achava brilhante, Julian pensou.

Hermione o achava brilhante, ela já havia dito que o achava bonito, também o considerava gentil, inteligente e...

— Hermione, você gostaria de ir a Hogsmead comigo? — Julian perguntou de uma vez.

— É claro, Julz. — Hermione disse sorrindo.

— Mesmo?

Havia sido mais fácil que Julian havia pensado e ele, agora, começava a se sentir meio patético por ter demorado tanto. Mal podia ver a hora de escrever para Remus, pedir conselhos sobre como se portar e dar a Hermione o melhor encontro da vida dela.

— Eu não sei porque você está fazendo grande coisa disso. — Hermione continuou. — Quero dizer, nós sempre vamos juntos.

Julian franziu o cenho e então seu sorriso se desfez aos poucos.

Hermione não havia entendido. Ela achava que Julian queria saber se ele poderia se juntar a ela, Neville, Harry e Ron ao passeio para Hogsmead.

Ele pensou em consertar os pensamentos de Hermione, explicar que se referia a um encontro entre os dois e não uma saída em grupo. No entanto, se ela não havia sequer cogitado a possibilidade que Julian estivesse a chamando para sair, então, certamente o grifinório já tinha sua resposta.

— Sim... é claro... — Julian sorriu sem graça.

— Imagino que você esteja assim por causa de Harry, já que vocês ainda não estão conversando.

— Sim. Sim, é isso.

— Não se preocupe, Julz. Seu irmão está sofrendo mais que você, vai por mim. Ele odeia que estejam brigados. — Hermione sorriu. — Não acha que está na hora de fazer as pazes e esquecer isso?

Julian concordava com Hermione. Ele sentia falta de seu irmão, mas era demasiado orgulhoso para voltar atrás.

Os dois caíram em um silêncio confortável e voltaram a atenção para seus trabalhos. Aos poucos, os lugares vazios na mesa foram ocupados por Neville, Ron, Luna e Ginny.