Sign of the times
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Numa sexta-feira, daquela mesma semana, Harry estava no andar de cima arrumando sua parte do quarto que dividia com Julian. Sua mãe, seu irmão e seu padrinho estavam no andar de baixo ouvindo música antiga, jogando cartas e aproveitando os últimos dias daquele verão.
Normalmente Harry desejava que os verões passassem bem devagar, mas naquele ano estava ansioso para voltar para Hogwarts. Embora soubesse que sua liberdade dentro do castelo fosse limitada, ele não aguentava mais ter que ver sua mãe com o olhar perdido para o nada ou o sorriso forçado de Sirius tentando apaziguá-lo.
Ele estava ansioso para voltar ao castelo e mergulhar nas atividades que ocupariam sua mente. Há dias não sabia o que era dormir porque a todo tempo sua mente estava trabalhando. No último ano, Harry não dormia porque tinha pesadelos quase todas as noites, dessa vez não dormia porque os pesadelos tinham desaparecido e ele estava inquieto com a falta de informações.
Harry sabia que Voldemort estava agindo discretamente. Há alguns dias Harry e sua família tinham comparecido ao funeral de Emmeline Vance e Amelia Bones, duas bruxas fantásticas que haviam sido brutalmente assassinadas.
Toda a população estava em risco e assustada. Nas últimas duas semanas eles se uniram em manifestações pacíficas exigindo a renúncia de Fudge ao cargo de Ministro da Magia. Conseguiram colocar no lugar dele um homem chamado Rufus Scrimgeour que para Harry parecia igualmente inapto para a função, mas oferecia a população mágica uma falsa ilusão de que um homem acostumado ao combate iria protegê-los de Voldemort e seus seguidores.
Na mesa de estudos, juntamente com uma carta que recebera de Hermione logo no início do verão, estavam os exemplares do Profeta Diário que ele havia interditado antes de chegar a sua mãe. Era melhor que Lily tivesse menos preocupações, que ela pudesse se distrair com as plantas, com o gato e com a casa cheia de seus “rapazes favoritos” – que era como ela se referia a Harry, Julian, Sirius e Remus.
Além da carta de Hermione, havia a carta de outra pessoa. Supostamente Dumbledore havia o contatado pedindo para que não fizesse planos para sua noite de sexta-feira. Ele pensou em responder que tinha planos inadiáveis com o maço de cigarros do padrinho e o telhado, mas achou melhor apenas aguardar e esperar que Dumbledore cumprisse o que havia dito na carta.
Então era tarde quando Harry escutou a campainha. Ele tinha em mãos um par de meias e seu telescópio de latão quando decidiu verificar a janela.
Parado em frente a porta do chalé dos Potter estava um homem idoso, magro e alto. Usava vestes de bruxo e um longo chapéu de cor purpura. Sua barba era longa, branca e muito característica do diretor de Hogwarts.
No andar de baixo, o som da campainha naquele horário, mesmo numa sexta-feira, pareceu extremamente estranho para os Potter e Sirius.
Julian fez menção de ir até a porta, mas Lily o segurou pela barra da blusa e indicou que Sirius ou ela atenderiam. O menino bufou ultrajado, mas antes que Sirius se levantasse da cadeira e abandonasse seu jogo de pôquer, Harry desceu as escadas do chalé rápido como um foguete e voou até a porta.
— Boa noite, professor Dumbledore. — Harry disse ainda ofegante.
— Boa noite, Harry. — saudou o diretor dando um passo para dentro de casa. — Boa noite, Lily, Sirius, ah jovem Julian.
De seus lugares a mesa, Sirius e Lily fizeram o possível para disfarçar o espanto em receber o diretor naquele horário, mas a cara de Julian entregava o fato de que Harry propositalmente omitira que o diretor apareceria ali naquela noite.
— Albus. — Lily disse cordialmente, refazendo o laço de seu roupão. — Que maravilhosa surpresa.
— Com certeza. — Sirius concordou, mas seu tom dizia claramente que ele não tinha gostado de estar despreparado.
Harry evitou o olhar do padrinho naquele momento, sabendo bem que qualquer sermão que Sirius quisesse passar poderia ser feito mais tarde.
— Presumo que Harry tenha se esquecido de comentar que eu estaria passando. — Dumbledore disse humildemente, as mãos juntas na frente do corpo. — Minha sinceras desculpas pelo horário inapropriado, Lily.
— Não há que se desculpar, Albus. Você é sempre bem-vindo. — Lily falou sinceramente. — Por favor, sente-se. Posso lhe oferecer um chá?
— Ou uma dose de conhaque? — Sirius emendou, sabendo bem que o diretor provavelmente optaria pela segunda opção.
Sem surpresa alguma, o professor Dumbledore disse que seria formidável um copo de conhaque. Foi quando Sirius o entregou o copo cheio do líquido âmbar que Harry reparou no estado lamentável da mão direita do bruxo.
— Senhor, sua mão... — Harry começou, mas foi interrompido.
— Agora não, Harry. Rendeu-me uma boa história. Em breve irei compartilhar com você. — o diretor disse lançando uma piscadela. — Bem. Sirius, Lily... posso abusar da hospitalidade de vocês para que tratemos assuntos inadiáveis?
Os guardiões de Harry trocaram um olhar alarmado e em seguida Sirius olhou sobre o ombro num pedido silencioso para que Julian subisse.
— Mas Harry vai me contar tudo depois! — Julian chiou.
— Julz. — Harry disse em tom de súplica. — Por favor.
Os olhos de Harry enquanto possuíam alarmante poder sobre a maioria das pessoas, sustentaram a decepção que emanava dos olhos cor de avelã do irmão caçula que diziam claramente ‘quando foi que deixamos de ser uma dupla?’.
Harry queria suplicar-lhe perdão, dizer que não fazia isso para punir e sim porque precisava desesperadamente mantê-lo a salvo, mas antes que tivesse a oportunidade de fazer o caçula entender, Julian com muito mais dignidade que um garoto de 14 anos teria, ergueu-se da mesa, juntou o baralho trouxa e subiu as escadas para o segundo andar.
— Ele é um bom menino, Lily. — o diretor disse com um sorriso gentil. — Você fez um ótimo trabalho. Aliás, vocês dois.
Harry sorriu levemente para Sirius que tinha sido sutilmente incluído por Dumbledore. Seu padrinho parecia absolutamente sem graça, mas sua mãe olhou orgulhosa para o homem que se sentava ao seu lado e o deu um tapinha em seu ombro rígido.
— Obrigada. — Lily disse solenemente. — Mas bem, sem mais delongas, eu gostaria que você nos contasse o motivo da sua inesperada visita.
— Há alguns dias eu mandei uma carta a Harry com um pedido especial. — Dumbledore começou. — Eu preciso que dê autorização para Harry me acompanhar a uma pequena viagem. Devemos estar de volta até o amanhecer. É referente a assuntos de Hogwarts e eu temo que Harry será essencial para o meu sucesso nessa missão.
Lily pareceu aturdida, ela olhou para Sirius em busca de ajuda, mas o animago se voltou para Harry e perguntou se ele gostaria de ir.
— Sim. — Harry respondeu prontamente.
— Será perigoso? — Lily perguntou aturdida.
— Eu prometo que o trarei de volta. — Dumbledore respondeu com simplicidade. — Creio eu que não levaremos mais que algumas horas. Pois bem, tratemos de assuntos mais importantes agora.
O diretor tirou a varinha das vestes e com um aceno ele fechou a porta da sala de estar e a selou com um feitiço anticuriosos.
— Imagino que vocês tenham recebido o Profeta Diário nas últimas duas semanas. — começou o diretor.
— Não. — Sirius e Lily responderam em uníssono.
— Sim. — Harry respondeu, outra vez evitando olhar para a mãe e o padrinho.
Dumbledore contemplou os rostos aturdidos de Lily e Sirius por alguns instantes antes de continuar.
— Vejam, houve não apenas um vazamento, mas verdadeiras inundações sobre o que aconteceu na Sala de Profecias.
Lily esfregou o rosto e Harry se sentiu profundamente culpado. Parecia que ele só trazia sofrimento para as pessoas ao seu redor.
— E agora todo mundo sabe que ele... — Lily começou com a voz embargada.
— Não. — Dumbledore a interrompeu. — Só quatro pessoas conhecem toda a profecia que se refere a Harry e Voldemort e essas quatro pessoas estão aqui, nesta sala de estar. Estou certo em pensar que vocês não contaram sobre a profecia a ninguém?
Sirius, Harry e Lily confirmaram enfaticamente.
Dumbledore lançou um olhar para onde Julian tinha desaparecido. Era possível escutar o rock’n roll vindo do andar de cima. Ele colocara um dos velhos discos de Sirius na vitrola enfeitiçada que ficava no quarto que os irmãos dividiam durante o verão.
— Uma decisão sensata em termos gerais, embora na minha humilde opinião seria bom se Julian, assim como a Srta. Granger e o Sr. Weasley, também tomassem conhecimento desta informação.
— Não. — Harry falou de repente. — Não o Julian.
Olhou para Lily e Sirius, pedindo silenciosamente que não contassem ao caçula sobre a profecia.
— Bem. Entendo isso como uma decisão que deve ser tomada em família. — Dumbledore falou tranquilamente. — Sobre um assunto diferente, mas correlato, eu gostaria de informar que este ano Harry terá aulas particulares comigo.
Os olhos de Harry brilharam em antecipação. Ele olhou empolgado para o diretor, mas antes que tivesse a oportunidade de perguntar sobre o que seriam as aulas – sua mente já começava a imaginar algo semelhante a um clube de duelos – quando Sirius interrompeu o diretor abruptamente.
— Particulares? — perguntou o animago. — Com o senhor? Para quê afinal?
— Sirius... — Lily suplicou.
— Eu decidi que está na hora de participar mais da educação de Harry. — Dumbledore explicou.
— E o que o senhor vai ensiná-lo? — continuou Sirius.
Nos olhos do padrinho havia o mesmo fogo que Harry vira tantas vezes no último ano. Ele sabia bem sobre o que aquilo se tratava.
Sirius era a única pessoa no ano anterior que queria que Harry tivesse conhecimento sobre o que estava acontecendo de verdade. Ele sempre tentara preparar Harry para o pior e o deixar razoavelmente alerta sobre o que poderia acontecer se a situação viesse a complicar, enquanto Dumbledore e os demais sempre desencorajaram aquela atitude sob o argumento que Harry era muito jovem para carregar tamanho fardo.
— Uma coisa aqui e outra ali. — Dumbledore respondeu vagamente. — Eu entendo seu descontentamento, Sirius.
— Ah, entende? — Sirius repetiu amargamente. — No último ano eu supliquei ao senhor que orientasse Harry pessoalmente na oclumência, mas ao invés disso deixou que Snape o fizesse e veja só o que deu!
A raiva tornou os olhos cinzentos de Sirius ainda mais escuros. Num claro acesso de desconforto, o animago passou as mãos pelos cabelos que começavam a pratear e se serviu do conhaque que tinha oferecido ao diretor.
— Não é minha intenção ensinar oclumência a Harry. — o diretor disse de forma branda. — Nos meus encontros com Harry eu quero oferecer a ele o que realmente precisa para que consiga lutar contra Voldemort como igual. Voldemort é um mago extremamente poderoso e eficiente no que faz, você não pode discordar de mim. Harry é um estudante de dezesseis anos com habilidades formidáveis, mas dificilmente equiparáveis as de seu oponente.
Não haviam sido as palavras certas para acalmar Sirius, porque mais uma vez o diretor havia despertado a fúria de seu padrinho. Harry olhou para a mãe suplicante para que ela controlasse o homem, mas sua mãe apenas olhava para os pés cobertos de pantufas, braços cruzados sobre o peito e perdida em pensamentos.
Possivelmente ela não tinha a intenção de parar Sirius porque sentia o mesmo que ele, mas Lily Potter era generosa demais para externar seus reais sentimentos sobre algo, especialmente quando ela tinha tão profundo respeito pelo diretor.
— O que nos torna ao problema essencial de tudo. — Sirius rosnou. — Eu tenho dito há uns dez anos que Harry precisava ser preparado de um jeito diferente. A responsabilidade sobre seus ombros era grande e um dia iria pesar, mas todos se agarravam a ilusão de que ‘Ele se fora’. Harry entrou em Hogwarts e foi atacado duas vezes por Voldemort debaixo do seu nariz, a terceira foi graças a um torneio ridículo e fraudado!
Serenamente, Dumbledore ergueu uma das mãos.
— Eu sei. — anuiu o diretor firmemente. — Você tem todo direito de estar chateado, Sirius. Você também, Lily. Vocês confiaram a mim seu filho, o bem mais precioso que têm, e eu cometi inúmeros deslizes ao longo dos últimos anos. Eu os desapontei e deixei que coisas terríveis acontecessem a Harry porque uma parte egoísta dentro de mim queria continuar atraindo Voldemort.
Harry observou a cor sumir do rosto de Sirius e Lily quando o diretor admitiu ter o usado como isca.
— Se muda alguma coisa me ouvir dizer que você estava certo e eu estava errado, Sirius, então aqui vai. — o diretor tinha um sorriso gentil. — Você estava certo, Sirius. Nós devíamos tê-lo preparado melhor. Devíamos ter nos esforçado mais para certificar que nenhum mal acontecesse a Harry. Você estava certo, eu estava errado. Perdoe um velho pelos erros de um velho.
“Mas eu devo insistir para que me deem a oportunidade de reparar meus erros. Mais que nunca estamos perto de descobrir o que é necessário para vencermos Voldemort de uma vez por todas. Eu pretendo ensinar a Harry tudo que eu sei para que ele consiga fazer isso e ser bem-sucedido”.
Ser bem-sucedido queria dizer sair vivo, na verdade.
— É ao menos seguro que Harry volte a Hogwarts esse ano? — Sirius indagou com clara dúvida. — Lily e eu estávamos discutindo se os garotos deveriam mesmo voltar...
A cor fugiu do rosto de Harry e ele abriu a boca para protestar, mas foi a vez de sua mãe falar. Ela ergueu uma mão e anunciou em tom gelado.
— Você deve entender meu receio como mãe. — Lily falou com o semblante lívido de emoção. — Ele realmente voltou. Todos sabem disso agora, não há porque continuar agindo nas escuras. Vários alunos lá são filhos de comensais e o senhor sabe, muito melhor que eu, das barbáries que adolescentes de dezesseis anos são capazes de fazer. Eu me preocupo com meu filho.
— Mãe, você não pode... — Harry protestou em tom alterado.
Lily tornou a erguer a mão para impedi-lo de continuar. Em tom autoritário, a Sra. Potter disse.
— Não me venha dizer o que eu posso ou não fazer, Harry. — declarou a ruiva irritada. — Embora você constantemente esqueça disso, você não é adulto. Você ainda é menor de idade e eu, goste ou não, sou sua mãe. Eu sei o que é melhor para você! Você não vai tirar de mim o direito de me preocupar com o seu bem-estar.
Estava preparado para retrucar quando o diretor o interrompeu.
— Eu garanto que todos nessa sala têm os melhores interesses para Harry. — Dumbledore lentamente perdia seu tom apaziguador. Ele se tornava mais sério e direto em suas palavras. — Ainda que eu tenha cometido erros, sempre me importei com o bem-estar de Harry.
— Não se atreva. — Lily apontou o dedo na direção do diretor. — Meu marido deu a vida para proteger meu filho, senhor. Ele, Sirius e eu somos as únicas pessoas no mundo que têm os melhores interesses para Harry. Por mais que o senhor se importe com meu filho, e eu sei que o senhor se importa, eu também sei que seus interesses pessoais estão muito acima dos interesses sobre ele.
Harry nunca tinha imaginado que sua mãe teria a audácia de apontar o dedo na cara de alguém, quanto mais do diretor de Hogwarts. Dumbledore era um homem respeitado, Harry diria quase adorado, em meio ao círculo social que eles pertenciam.
Sua mãe e Sirius diversas vezes usaram o diretor como referência para algo, mas agora só conseguia enxergar o verdadeiro desprezo dos dois. Eles estavam furiosos.
— Contudo... — Lily continuou. — Isto aqui não é um quartel general e eu não sou uma ditadora.
A mulher ruiva olhou para Harry.
Ela sabia o que a maioria das pessoas enxergava quando olhavam para seu doce menino. Ele era a esperança daquelas pessoas, mas para Lily era só seu bebê. Seu menininho de um ano que costumava sorrir para as fumaças coloridas que saíam da varinha do pai.
— Eu também não vou infantilizar meu filho a ponto de acreditar que a opinião dele não deve ser levada em conta, porém, é importante que saiba que a decisão final caberá a mim. Nem a Sirius, mas a mim Harry.
O jovem acenou com a cabeça solenemente. Lily sabia que agora que tinham aquilo estabelecido, ela estava dizendo as normas do jogo e como gostaria que funcionasse.
— Você gostaria de ter aulas particulares com o professor Dumbledore? — perguntou a Sra. Potter com as sobrancelhas arqueadas.
— Sim. — Harry respondeu imediatamente. — Seria de profunda relevância para mim.
Ela acenou com a cabeça digerindo aquilo e trocando um olhar com Sirius. Dos dois, Almofadinhas era o mais relutante em permitir que Harry voltasse a Hogwarts.
— Você quer voltar para Hogwarts esse ano? — Sirius perguntou num suspiro.
— Sim. Mais que qualquer coisa!
Sirius e Lily ficaram em silêncio outra vez, mas claramente conversavam por olhares. A ansiedade em Harry ficava cada vez pior e ele agora temia que a mãe não o permitisse voltar para Hogwarts – sua sanidade mental dependia daquilo!
Por fim, a dupla parecia ter tomado uma decisão. Foi Lily quem disse.
— Você pode ter aulas com o diretor e poderá voltar para Hogwarts, mas haverá condições. — seu olhar recaiu em Dumbledore. — Eu quero meu filho em casa nos fins de semana.
— Todos? — Harry repetiu horrorizado.
— Pelo menos os que não tiverem passeios para Hogsmead ou jogos de quadribol. — Sirius interveio e ganhou um olhar feio de Lily. — Os dois. Queremos Julian e Harry em casa nos fins de semana.
— Eles sairão na sexta-feira depois da última aula e retornarão no domingo para o jantar. — finalizou a Sra. Potter olhando para o diretor. — E então?
Harry olhou ansiosamente para o diretor, esperando que intervisse a seu favor ou que dissesse que algumas das aulas também seriam nos fins de semana. A ideia de perder todos os sábados no chalé o aborrecia um pouco.
— Precisaremos criar uma conexão entre sua linha de flu e a do meu escritório. — o diretor disse olhando para Sirius. — Imagino que seja o meio mais seguro para Harry e Julian viajarem já que eles ainda são menores de idade.
Lily pareceu satisfeita com aquilo, igualmente podia se dizer de Sirius. Harry, por outro lado, estava vendo sua vida social cair em desuso e seus dias de descanso se tornarem momentos de família, jantares e Sirius o tempo inteiro tentando fazê-lo se abrir e conversar.
De fato, era uma intervenção. Era uma intervenção de duas pessoas que amavam Harry profundamente e não conseguiam quebrar as barreiras que ele construía ao redor de si mesmo.
Lily começava a pensar que era hora de seu filho encontrar uma namorada. Uma menina gentil poderia ajudar naquele temperamento terrível e sua mania de querer repelir todos para longe.
Na porta de casa, ela observou o filho se despedir do padrinho. Dumbledore e ela trocaram acenos de cabeça, mas a vontade de apontar a varinha para o velho caduco e ameaçá-lo de morte caso seu filho retornasse com sequer um arranhão era tentadora.
— Eu terei cuidado. — Harry prometeu. — E você o ouviu: não vamos demorar.
— Sirius vai ficar te esperando. — Lily disse passando a mão pela confusão de tufos de cabelo que ficavam maiores a cada dia. — Meu doce menino. Eu queria tanto que você não tivesse que passar por isso...
Acenando com a cabeça, Harry respondeu.
— Eu sei. Sinto muito.
— Não é culpa sua. — Lily suspirou e ficou na ponta dos pés para beijar a testa do menino, bem no lugar de sua cicatriz. — Eu te amo, Harry. Nós te amamos tanto, tanto... não sabe o quanto me orgulho de você, da sua bravura e da sua coragem.
Um sorriso surgiu nos lábios do Eleito. Ele fechou os olhos brevemente ao sentir a mão macia da mãe acariciar seu rosto.
— Eu só as vezes queria que você entendesse que não precisa fazer isso sozinho. — Lily finalizou em tom derrotado. — Vá. Ele está te esperando.
Da sacada, Julian assistia enquanto o irmão saía de casa acompanhado do diretor. Eles precisariam caminhar um pouco para saírem das imediações da propriedade cujos feitiços impediam que pessoas de fora aparatassem ali.
Em algum momento, Harry percebeu que estava sendo observado. Ele viu Julian.
Animadamente, checou o relógio de pulso e constatou que já era mais de meia-noite.
— Feliz aniversário! — gritou da rua.
Com um meio sorriso, Julian acenou e voltou para o quarto que os dois dividiam, só que dessa vez para dormir sozinho.
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