Sign Of The Times
4 Capítulo 4 - We never learn, we've been here before
15 de março de 2015 — Tailândia
—Será que nunca vamos aprender? Merda Naty, estou cansando de chegar sempre no mesmo ponto. Já estivemos aqui antes, e algo me diz que não é a nossa ultima vez. – O garoto moreno de cabelos enrolados passava as mãos pelos cabelos que estavam mais compridos do que o normal, encolhida em um canto eu apenas tentava respirar um ar que não estivesse carregado do seu perfume forte. Na mesinha a minha frente, a manchete sensacionalista parecia saltar em 3D, "CASAL APAIXONADO OU FRALDE". Já havia se passado um mês desde a Austrália, e até onde o público sabia, eu e Harry Styles estávamos a 15 dias vivendo um romance de conto de fadas. Harry parecia ser o namorado dos sonhos, era gentil e educado, e apesar da fama mais do que confirmada de galinha, até então havia sido um cavalheiro e honrado o acordo em cada clausula. Só que eu não conseguia agir da mesma maneira, claro que não estava tendo problemas em ser fiel, no entanto, tinha extrema dificuldade em ser espontânea e demonstrar qualquer tipo de afeto em público, e é claro que as pessoas começaram a reparar nisso. Nunca foi da minha personalidade mentir e isso por si só já representava um enorme problema, juntando isso ao fato de que minhas experiências amorosas eram bem pequenas e a minha própria personalidade fechada e podemos dizer que para o mundo eu era um protético de namorada fria e sem graça, e isso não era nada bom.
Harry estava sempre pegando na minha mão, me dando selinhos inesperados entre outros gestos carinhosos, mas a minha reação natural para cada um desses atos era me afastar vermelha ou paralisar de susto. E os paparazzis estavam lá para registrar cada um desses momentos, isso irritou muito a Modest! que pegava cada vez mais pesado, obrigando eu e o Harry a passarmos praticamente 24 horas juntos na esperança de criar uma química entre nós, já que as fãs se encantaram com a ideia do Harry finalmente namorar alguém parecido com elas. Mas tudo se resumia a nos dois presos em mais uma reunião com um dos gestores gritando enquanto apontava para mais uma matéria da imprensa marrom.
—Sabe o que eu acho? Nós não conversamos o suficiente, você e eu. – Harry se sentou em cima da mesinha na minha frente e segurou minhas mãos geladas me fazendo olhar para ele — Devíamos nos abrir um com o outro, antes que tudo seja demais, Natasha.
Encarei seus olhos verdes que me encaravam ansiosos, eu sabia que naquele momento era tudo ou nada. Precisa superar anos de timidez e me abrir com outro ser humano, ou isso não ia funcionar pra nenhum de nós.
—Eu... eu não tenho muito experiência com isso Harry, não consigo me sentir à vontade com essa coisa toda. – Suspirei e tentei puxar a minha mão, mas ele segurou com mais força me obrigando a manter o contato físico e visual.
—Com essa coisa toda você quer dizer o contrato, os paparazzi, o livro ou a nossa relação – suspirei me lembrando de outro ponto, cada texto que eu escrevia para o Diário de viagem era analisados e tinha tanta coisa que invariavelmente tinha que cortar, acrescentar e alterar, que era como escrever dois textos distintos. – Você precisa me dizer Naty, o que mais te deixar nervosa ou isso não vai funcionar nunca.
—Você, você me deixar nervosa – falei de uma vez só, ele me encarou surpreso afrouxando um pouco as mãos e eu aproveitei para levantar e soltar tudo de uma vez – Eu não sou como você Harry, não tenho muitas experiências amorosas e nunca fui de me aproximar muito das pessoas. Não sei como reagir quando você me toca e nem como tocar em você, relações são confusas quando se trata de um casal de verdade e no nosso caso eu não consigo deixar de me preocupar em ultrapassar algum limite e acabar machucada ou machucando você...
O quarto subitamente ficou em silencio e encarei o garoto que me encarava sem saber ao certo o que dizer, dei as costas e caminhei até a varanda. A noite em Cingapura era simplesmente linda, as luzes dos prédios me lembravam São Paulo embora mais limpa e organizada e ainda mais quente. Era nossa última noite na cidade antes de embarcarmos para a Tailândia, hoje os meninos haviam se dedicado apenas a entrevistas e atender algumas fãs que haviam ganho uma promoção. Eu havia passado o dia trabalhando nas alterações do último manuscrito e apesar das alterações e das inúmeras mentiras que era obrigada escrever, estava orgulhosa da minha escrita estar evoluindo a cada página.
Senti uma movimentação atrás de mim e Harry encostou no parapeito ao meu lado:
—Eu também não era bom com essa coisa toda no início, e acho que nunca vou me acostumar com o fato de ter de mentir diariamente para o mundo todo. – Olhei para o garoto, surpresa com suas palavras, mas não fiz qualquer menção de interrompe-lo. Ele me olhou de perfil antes de continuar – É como um personagem Naty, não é muito diferente de criar a ficção que eles estão te fazendo escrever. O mundo todo pensa que é real, e só nós sabemos que não passa de uma atuação.
Assenti pensando em suas palavras, desse ponto de vista parecia simples. Mas não era tão simples assim, e nós sabíamos.
—Pense em você daqui pra frente como um personagem e não como Natasha Albuquerque – ele me olhou e se aproximou devagar testando minha reação, eu comecei a andar para trás até que a parede fria me impediu. Olhei para o garoto a minha frente, assustada com a proximidade. –Você a partir de hoje é a garota do Harry Styles
Ele impediu que qualquer pensamento chegasse até o meu cérebro quando encerrou a distância entre nós, selando nossos lábios e me abraçando pela cintura. Sua boca macia fazia uma pressão leve contra a minha e aos poucos eu fui relaxando e retribuindo o beijo que foi evoluindo aos poucos. Uma das mãos do moreno subiu embrenhando em meu cabelo e puxando de leve, deixando as coisas mais intensas, suspirei e o puxei mais pra perto deixando uma das mãos em seu ombro e a outra acariciando sua nuca, sentindo sua pele se arrepiar com a caricia. Aos poucos fomos parando o beijo, e ele foi se afastando depositando leves selinhos em minha boca e pelo meu rosto, meu corpo todo formigava e eu me sentia muito mais leve do que o normal. O calor do seu corpo ainda junto ao meu era sufocante de uma maneira gostosa diferente, sua respiração quente em meu rosto me fazia viajar:
—Esse é um péssimo nome para uma personagem – falei, um pouco ofegante ainda. Mais senti do que vi sua risada, e só me atrevi a abrir os olhos quando ele segurou meu rosto com as duas mãos, seus olhos verdes me encaravam divertidos e só então eu notei que estava na ponta dos pés:
—Garota Styles então – sentenciou antes de se inclinar para me beijar novamente.
Os primeiros acordes de Midnight Memories soavam, e no entanto eu já havia voltado a chorar. As fãs, o staff e principalmente os garotos pareciam sentir o tom de despedida em cada nota, era bonito e aos mesmo tempo doloroso de assistir. Eu havia desistido desde o início de segurar as lagrimas, era a terceira vez que eu me despedia de um show dos garotos, e desse vez eu decidi aproveitar cada segundo, cada brincadeira planejada e cada não planejada. Tentava absorver tudo o que acontecia usando toda as minhas capacidades sensoriais. Depois de assistir todos a quase todos os shows dos garotos, eu conhecia todas as letras, cada trocadilho que eles faziam e cada gesto coreografado e até alguns que eles faziam por habito, no entanto nunca havia me acostumado com o fato de serem quatro e não cinco no palco.
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