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24 Capítulo 23 - Gajeel


Notas iniciais
Olá! Olha só quem veio mais cedo! Haha. Espero que gostem do capítulo! Boa Leitura

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Capítulo 23

Gajeel

— Finalmente – Rogue saudou-me um pouco rude.

Ele havia solicitado a minha presença no laboratório de Poluchka, porém demorei um pouco para vir, pois estava treinando com minha espada no meu retiro silencioso junto de Lily, assim precisei trocar de roupa antes de comparecer.

Dentro do recinto haviam mais pessoas, indicando que eu não era exclusivo. Wendy estava perto da velha bruxa e parecia encantada com os frascos que a senhora mostrava a ela, Natsu estava apoiado perto da lareira e observava o fogo crepitar, Lucy estava ao lado de meu irmão em sua pose de Princesa, e por fim, Levy.

Meu estômago deu um nó quando a vi. Ela intencionalmente ignorou-me quando apareci. A lembrança do beijo na noite anterior me deixou nervoso em sua presença. Entretanto, os demais deveriam crer na farsa de casal, por isso posicionei-me ao seu lado.

— Qual o motivo de virmos aqui? — perguntei a Rogue, e consequentemente, trouxe a atenção de todos para ele também.

— Enquanto vocês estavam fora do Castelo, ocorreram mais mortes de cidadãos – só então reparei que meu irmão tinha ficado mais magro e com olheiras mais acentuadas. As coisas deviam ter ficado agitadas por aqui – Poluchka estudou um pouco o corpo que nos foi entregue, pois era um morador de rua.

As famílias das vítimas se negaram fortemente a entregar seus corpos para que Poluchka os estudasse e tentasse descobrir a fonte de suas mortes. Tinha sido um golpe de sorte, por mais mórbido que parecesse, que a próxima vítima fosse um indigente.

— Porém, ela não conseguiu muita coisa com seus instrumentos. Então pensei em chamar a senhorita Wendy para analisar a vítima, presumindo que possa nos dar alguma pista, e queria que vocês estivessem presentes, pois estão envolvidos com tudo isso.

A velha abriu uma gasta porta e indicou com a mão que todos a seguissem. Do outro lado existia uma espécie de necrotério mesclado com laboratório. No centro havia uma longa mesa e nela estava o corpo da vítima, coberto da cintura para baixo por um pano preto.

— Ele apresenta as mesmas marcas das demais – Poluchka indicou os dois cortes na parte interna do pulso – como devem imaginar a marca vermelha na têmpora esquerda sumiu após dois dias.

Sua fala me deu uma sensação nostálgica. Havia sido com um relato de um camponês sobre a morte de uma garotinha que tinha me levado a vila de Levy. Droga, pensei. Tudo parecia me levar a ela, e isso estava me deixando louco. Forcei-me a prestar atenção ao que a velha dizia, mas eram dados anatômicos e a única que parecia entender algo era Wendy.

— Posso testar uma coisa? — ela pediu, chegando perto do corpo.

Poluchka fez um sinal com as mãos que dizia vá em frente. A pequena curandeira posicionou as suas palmas voltadas para a vítima, entretanto sem tocá-la. Uma luz em tom roxo coloriu suas mãos enquanto ela sussurrava palavras desconhecidas a mim.

— Imaginei que fosse o caso – ela pronunciou, após finalizar o que quer que estivesse fazendo.

— E o que é? — Lucy pediu.

— Retirada de energia vital.

Imediatamente olhei para Rogue. A conversa que tivemos tempos atrás era clara em minha mente. Meu irmão parecia seguir o mesmo raciocínio.

— Ele era uma fonte então – Rogue anunciou a todos.

Wendy assentiu, entendo o sentindo da frase.

— Oh!

Levy exclamou, percebendo o significado também. Ela fechou suas mãos em pequenos punhos para que ninguém notasse que elas tremiam.

— Lamento interromper o momento, mas alguém pode nos explicar? — Natsu indicou ele e Lucy que nos olhavam um pouco perdidos.

— As vítimas que encontraram são fonte de energia vital para os rebeldes – Wendy tomou a palavra, afinal era a pessoa mais indicada a contar por ter mais detalhes sobre o assunto – eles tomam a vitalidade deles para suprir a falta da deles. Como foi explicado ontem, a doença ataca o centro vital do Mago e esse foi o meio que encontraram para contorná-la.

— Então esse é o método antiético que comentou – Rogue confirmou, recebendo um aceno positivo de Wendy.

— Existe algum padrão para a escolha das fontes? — Levy perguntou.

Imediatamente entendi o motivo. Quando ela foi raptada pelos rebeldes que estavam em sua vila, ela fora rejeitada como fonte, pois segundo eles, não serviria para tal coisa. Confesso que estava igualmente curioso sobre isso.

— Na realidade não. Qualquer pessoa serve para este fim, a questão é que eles preferem usar homens de idade avançada para não chamar atenção.

Levy e eu franzimos as sobrancelhas em sincronia, intrigados.

— Isso não parece bater com o que temos – comentei, levantando nossas dúvidas – uma das vítimas era uma garotinha de cinco anos, e quase tivemos outra vítima mulher tempos atrás – omiti a informação de que era Levy pelas pessoas que estavam presentes na sala.

— Logo que esse método foi descoberto e usado, ao mesmo tempo em que nosso grupo dividiu-se, a ideia deles era usar qualquer pessoa. Foi Erza, a atual líder deles, quem especificou o estilo de vítima, ela não queria que a atenção de vocês caíssem sobre eles e convenceu a todos de seu grupo a seguirem isso. Então, não sei dizer o por que dessas duas garotas.

— Em qualquer grupo existem aqueles que fogem a regra – Natsu comentou, pensativo – esses dois casos podem ser aleatórios e feito por esse tipo de pessoa.

Era uma boa lógica e ninguém contestou, encerrando o assunto.

— Posso ter entendido errado, mas pelo modo como falou, deu a entender que nem sempre Erza foi a líder dos Rebeldes Vermelhos – Lucy questionou um ponto válido, poucos haviam notado isso.

— Sim – confirmou Wendy – quem descobriu o método e caracterizou as vítimas foi Erza, mas quem plantou as ideias e causou a divisão foi um Mago chamado Jellal, o noivo dela. Ele era o líder.

— E onde está esse Jellal? — Natsu rebateu.

— Morto pela doença.

Em minha mente compreendi um pouco a loucura dessa mulher, Erza. A proibição dos Magos certamente dificulta muito a pesquisa de uma cura, o que ajudou na morte de seu noivo. Sua raiva pela coroa era compreensível, mesmo que eu não concordasse com tudo isso. Olhei para Levy e senti meu estômago apertar. Ela é uma Maga também, tão suscetível a essa praga quanto eu.

— Parece que você e seu grupo tinham informações valiosas em seu poder, coisa que poderia ter alterado o rumo dos acontecimentos, e decidiram manter isso em segredo – Rogue assumiu a pose de Rei, olhando para Wendy com desconfiança.

— Diga-me com sinceridade, Majestade. Teria ouvido qualquer um de nós se viéssemos em socorro dessas pessoas? Acredite, Vossa Graça, dói mais em nós todas essas mortes. Porém, sem elas nada do que contássemos teria alguma credibilidade. Seríamos sentenciados por sermos Magos, sendo aberta uma nova caçada e esses rebeldes que lhe dão tanta dor de cabeça teriam ainda mais liberdade enquanto focasse sua atenção em nós.

Wendy sabia usar com maestria as palavras, tinha que admitir isso. Ela provou seu ponto a Rogue sem qualquer sinal de medo. Temia que se ela quisesse que corrêssemos pelados pelos corredores do Castelo, ela conseguiria nos convencer. Esqueça a Magia, o perigo estava em sua boca.

— Admito que essa possibilidade existiria, mas seu grupo poderia ter tentando encontrar algum meio de nos comunicar – Rogue retrucou.

— Asseguro-lhe que tentamos, Majestade.

Rogue nos liberou e foi para seu escritório. Queria ir atrás dele e ajudá-lo com tudo o que acontecia, mas ele foi firme em ficar sozinho. Tinha medo de que ele quisesse agarrar todos os problemas e carregá-los, prejudicando-se.

— Precisamos conversar.

Assustei-me com a fala repentina. Levy tinha uma expressão que dizia que não aceitaria uma recusa.

— Ok.

(…)

Haviam vários locais pelo Castelo que nos ofereceriam calma e privacidade para essa conversa, então por que a levei para meu quarto? Porque sou um maldito idiota. Admito que gosto do fato de ela se sentir a vontade no local e bisbilhotar minha estante, mas sua presença nesse local em particular afetava meus sentidos.

Novamente, sou um idiota.

— Estou muito convicta de que é um louco, ou no mínimo tem problemas de decisões – Levy cortou meu autojulgamento, séria.

Ela estava parada de costas para a estante e tinha as mãos postas em sua cintura. Era óbvio que queria passar a imagem de seriedade e bravura, mas seu tamanho comparado ao meu deixava a cena engraçada. Com esforço segurei o riso, algo me dizia que objetos seriam arremessados em minha direção caso risse.

— Fico lisonjeado em como me enxerga – retruquei, fingindo que não tinha entendido o sentido da frase.

AH, mas eu tinha entendido. Ela estava se referindo ao fato de eu ter ignorado ela desde nosso reencontro e então quase sugado-a na sala de música abandonada.

— Então, sobre o que queria conversar? — questionei, ainda fingindo.

— Olha, imagino que deve estar bravo por ter descoberto dessa maneira que sou uma Maga, mas quero que saiba que jamais menti para você – ela desabafou, perdendo a pose brava – e eu quero resolver toda essa nossa situação, pois é enervante para mim.

Ergui minhas sobrancelhas, surpreso.

— Eu não estou bravo.

Levy arregalou os olhos.

— Eu pensei que …

— Jamais conseguiria ficar bravo contigo por isso – respondi, sincero. Um curto sorriso escapou de mim, quebrando a fachada de desinteressado que havia criado.

— Você ficou bem quieto durante a reunião e quase nem olhou para mim depois, sem contar que quase correu para longe depois de ter me beijado, como se eu fosse uma barata suja – Levy apontou, um pouco confusa e levemente irritada.

Soltei um curto riso ante a última parte, fazendo com que ela notasse o que havia dito, cobrindo suas bochechas com um leve rosado.

— Os motivos são complicados – comentei, fazendo ela soltar um bufo – e você não é uma barata suja.

— Dê-me uma luz então, Alteza! — ela exclamou, erguendo os braços – pois, está difícil de entender você e seus atos.

Eu tinha medo do que eu sentia por ela, que isso fosse me tornar fraco e acabar com ela machucada, que eu não conseguisse ajudar meu irmão quando ele precisava de mim, que eu fosse perder todos com quem me importava.

O fato de ela ser uma Maga me deixava aliviado, mas, ao mesmo tempo, doido. Ela já me compreendia antes de saber sua Magia, e provavelmente saberia me apoiar nos momentos tensos que poderiam vir. Porém, agora eu sabia que Levy também poderia sofrer da tal doença, e igualmente existia a possibilidade de perdê-la. Eu estava convicto que se afastasse esses sentimentos, protegeria ela e a todos. Entretanto, não tinha mais essa certeza agora.

Queria falar-lhe tudo isso, mas algo dentro de mim me impedia de fazer isso, de me jogar no escuro e esperar que o destino decidisse.

— Porque você morar em meu coração pode ser perigoso – confessei parte de toda a confusão interna, passando os dedos em sua bochecha.

Levy arregalou os olhos, ouvi seu coração aumentar as batidas subitamente.

— Gajeel …

O que ela falaria ficou em suspense, pois naquele momento a porta foi aperta com violência, assustando a nós dois.

— Desculpe atrapalhar, Alteza. Mas, temos uma situação difícil – um guarda estava na soleira, suas roupas tinham sangue.

— Onde está Rogue? — pedi com urgência, assim que notei a mancha vermelha.

— Lá embaixo na enfermaria, Alteza.

Levy engasgou-se ao meu lado, senti meu sangue congelar ao processar aquela fala.

— Ele foi ferido gravemente? — Levy questionou quando percebeu que eu não conseguia falar nada.

— Ele está bem, senhorita. Foi o Senhor Gildarts quem se machucou. Vossa Graça ordenou que eu visse lhe chamar – o guarda direcionou a última frase para mim, olhando com expectativa.

Eu devia ser uma péssima pessoa, pois fiquei feliz ao saber de que era de Gildarts aquele sangue.

— Estamos indo para lá. Pode ir se limpar, rapaz – respondi, dispensando-o.

Fiquei encarando a porta aberta por alguns segundo, processando a notícia.

— Gajeel, preciso te dizer algo – Levy me trouxe a realidade, sua mão apertava meu braço, exigindo atenção.

— Podemos continuar nossa conversa outra hora, preciso ir ver Gildarts agora – respondi, em parte fugindo do assunto que a pouco falávamos.

Comecei a sair do quarto, quando ela entrou em minha frente.

— Não é a respeito de nós. O que quero contar é sobre Gildarts.

Limitei-me a encará-la, ser surpreendido repetidamente estava me cansando.

— Durante o tempo que passei com esses rebeldes acabei descobrindo algumas coisas, mas não podia comentar na reunião, pois Wendy não sabe sobre as descobertas que fiz – ela falava de modo rápido.

— Sim? — estimulei-a.

— Gildarts faz parte dos rebeldes, Gajeel. Vi ele indo em uma reunião com o líder deles, um rapaz chamado Gray. Gildarts trazia informações sobre o Castelo e sobre os demais rebeldes para Gray.

Inferno – praguejei.

Esse fato foi uma apunhalada em meu peito, pois tinha Gildarts em alta estima.

— Como conseguiu saber disso sem ser pega? — questionei, curioso.

— Existem particularidades da minha Magia que ainda não contei a todos – ela sussurrou, puxando-me para fora do aposento – mas, agora não é o momento. Prometo lhe contar sobre isso mais tarde.

Juntos praticamente corremos em direção a enfermaria. Várias teorias passavam por minha mente, mas nenhuma se fixava. Já na porta do local acabamos nos encontrando com Kagura que vinha com igual pressa.

— Eles estão lá dentro? — Pediu-me.

Assenti em concordância.

— Vamos – Levy chamou, abrindo a porta para nós.

A enfermaria era um apesento comprido e repleto de camas com divisórias de pano para dar privacidade. No centro dela haviam vários armários e balcões com frascos de remédios e aparelhos para os curandeiros, bem como algumas cadeiras extras em caso de vários visitantes. Mas, além dessa parte, havia quartos privativos quando a situação era extrema e precisava-se de um maior cuidado. Era em um desses quartos que Gildarts estava. O cheiro metálico de sangue logo saudou-nos quando entramos no quarto. Ali dentro estavam Rogue ao lado da cama, Poluchka com seus apetrechos, e agora Kagura, Levy e eu.

— O que ocorreu? — exigi ao ver o estado de Gildarts.

Seu rosto era um mar de cortes finos e longos, os braços pareciam ter sido mastigados pelas marcas de mordidas, seu abdômen tinha um profundo corte, as beiradas começando a ficar arroxeadas.

Levy ao meu lado soltou um gemido ao ver o estado, então puxei-a num abraço, escondendo a cena de seus olhos.

— Ei, garota – Poluchka pausou suas mãos e olhou para a baixinha que tinha o rosto pressionado em meu peito – vá me buscar mais panos e um balde de água.

Cutuquei-lhe levemente nos ombros, indicando que a fala havia sido para ela. Levy então assentiu e saiu do aposento. Olhei para a velha bruxa e lhe dirigi um olhar agradecido. Sabia pela quantia de panos que estava aos seus pés que havia dado a tarefa para Levy como desculpa para que ela saísse do local sem que eu lhe pedisse.

— Ele foi encontrado jogado no Portão Sul junto dessa carta – Rogue falou, entregando-me o papel que devia ser a carta.

Olhei para o conteúdo e fechei a cara no mesmo instante.

— Pode ler em voz alta – meu irmão comentou, vendo a curiosidade de Kagura.

Ela poderia nos dar algo que pudesse nos ajudar, pelo tempo que passou nas mãos dos Rebeldes Vermelhos, que por sinal eram os autores do presente, pela identificação do papel.

— “Espero que apreciem o tratamento que fizemos em seu traidor. E de boa vontade lhe aconselhamos, Majestade, tome cuidado com as pessoas que mantém por perto, existem segredos que ainda não são de seu conhecimento. Até breve, E.”

— Essa mulher é de uma perversidade profunda – Kagura sussurrou enfurecida.

— Vou deixar vocês com seus debates um momento, preciso de mais linhas para costurar isso – Poluchka anunciou, indicando o talho no abdômen de Gildarts. O restante dos danos já haviam sido tratados, pelos unguentos espalhados pelo rosto e compressas em seus braços.

Um silêncio pesado seguiu-se após a saída da velha. Kagura e eu ficamos observando as reações de Rogue com certa apreensão.

— Traidor... — Rogue contemplava o rosto do seu conselheiro, seu tom não denunciava nenhuma emoção.

— Não sei se posso discordar desse título, já que a pouco fiquei sabendo que Gildarts passava informações sobre a coroa para o grupo de magos da Wendy – comentei, jogando o papel na mesa as minhas costas.

— Quem lhe disse isso? — Rogue pediu.

— Levy descobriu isso, mas não podia contar na frente de Wendy, pois a pequena Maga não sabia que ela tinha conhecimento disso.

— Ele não passava apenas informações sobre a coroa – Kagura afirmou, trazendo a atenção de nós dois, já que o outro ocupante do aposento estava desacordado.

— E como saberia disso, Kagura?

A morena ajeitou as saias e olhou para o Rei com confiança.

— Ele estava aliado ao segundo grupo de Magos, pois precisava da ajuda deles para resgatar sua filha, Kana.

A essa altura já havia perdido a conta de quantos sustos tinha tomado em um único dia.

— Queria contar a vocês sobre isso antes, mas somente nesse momento triste que surgiu a oportunidade de estarmos em um local a sós – ela continuou, sorrindo triste para o homem na cama.

— Vá em frente, não se sinta intimidada pelo meio-morto ali – estimulei, sarcástico.

Kagura ignorou meu comentário, já havia se acostumado com meu estilo quando criança.

— Quando parti do Castelo para conhecer o noivo que meu pai havia encontrado, fomos atacados pelos Magos Rebeldes, e consequentemente fui raptada por eles. Um dos motivos de decidirem me manter foi que eu tinha em mãos alguns papéis que falavam sobre a tal doença que matava os Magos. Tinha encontrado essa informação em alguns livros velhos e escondidos aqui da biblioteca.

— Então foi você quem rasgou eles – Rogue cortou-lhe o relato, intrigado – por quê?

— Havia um boato que esse meu noivo pesquisava sobre Magos, mais precisamente sobre doenças que poderiam aparecer em Magos. Simon, meu falecido irmão, tinha apresentado sinais muito parecidos com o dessa doença, então resolvi pedir ajuda ao meu noivo e levei comigo as páginas – ela respirou fundo em uma tentativa de se acalmar, mas percebi que seus olhos estavam ficando marejados – Eu me amaldiçoo todos os dias por ter deixado aquela informação cair nas mãos dos Rebeldes Vermelhos, pois foi assim que descobriram o método de adiar a doença, matando esses habitantes. E o segundo motivo de me manterem foi o fato de que a pessoa a quem fui prometida realmente estava estudando a doença, porém, não queria passar as informações que já tinha para os rebeldes, assim, resolveram me usar como chantagem.

Lágrimas começaram a cair por suas bochechas, mas ela se manteve firme sobre o olhar sério de Rogue.

— E onde entra Gildarts e sua filha? — perguntei, tentando entender toda a situação.

— O meu noivo era Gildarts.

Rogue e eu, automaticamente olhamos para o conselheiro. Finalmente sabíamos a identidade do homem responsável pela nossa separação quando adolescentes, e também por fazer Rogue se tornar uma pessoa mais fechada para mulheres.

— Mas, ele se manteve firme ante as chantagens e até mandou equipes para me resgatar. Então eles mudaram de tática e forjaram a minha morte, para que ele se culpasse. Erza, a líder deles, me manteve por perto como sua fonte particular, além de me usar como entretenimento para seus convidados, obrigando-me a cantar para eles. Foi aí que ganhei o apelido de Rouxinol de Evergreen – Kagura soltou um riso amargo – Aparentemente minha falsa morte pausou as pesquisas de Gildarts sobre a doença por um tempo, mas elas acabaram retornando. Eles já não podiam me usar como chantagem, então resolveram raptar a filha dele.

“Trouxeram Kana e a torturavam para que ela contasse o que o pai havia conseguido, e torturavam ele mandando pedaços de unha e fios de cabelo dela. Ela se manteve firme e jamais soltou uma palavra sobre as pesquisas dele. Em meio a tudo isso, Kana e eu nos tornamos amigas, já que dividíamos o mesmo quarto. Mas, mesmo com nossa amizade, fomos perdendo as esperanças conforme o tempo ia passando. Até que um dia soubemos por meio de um novo prisioneiro que Gildarts havia se juntado ao segundo grupo de Magos e que logo resgatariam todos que os Vermelhos mantinham presos. Ele ajudava os Magos com notícias sobre acontecimentos estranhos no Reino, tentando descobrir onde poderia ser a base deles, e também buscando meios de arranjar uma reunião com o Rei para unir forças sobre os Vermelhos.”

Kagura aproximou-se de Rogue, pegando-lhe as mãos.

— Esse homem jamais lhe traiu, Majestade. Ele tentou da maneira dele resgatar sua filha e por um fim a essa eminente guerra.

— Jamais imaginei ele como traidor, Kagura – Rogue apertou as mãos da moça, sorrindo.

Ergui uma sobrancelha, pedindo uma explicação.

— Enquanto vocês buscavam Lucy, Levy e Natsu, Gildarts veio a mim e contou sobre tudo o que tinha lhe ocorrido, mas não pode me dar maiores informações sobre como a doença funcionava, ou como era o método de prolongamento dos Rebeldes, pois uma notícia de fonte segura havia lhe informado o paradeiro de sua filha – Rogue explicou, ainda segurando as mãos de Kagura – mas, na verdade era uma isca, como podemos ver – concluiu, olhando pesaroso para o conselheiro.

Kagura soltou um gemido e mais lágrimas desceram por seu rosto. Rogue ficou em estado de alerta e puxou-a em um abraço. Franzi o cenho diante a reação dela, afinal, Kagura mal conheceu o seu noivo para ter esse choro todo.

— Ele vai ficar bem – meu irmão confortou-a, acariciando de leve suas costas.

Internamente senti uma ponta de raiva. Rogue fora apaixonado por Kagura quando pequenos e ficou arrasado quando ela foi embora por conta do casamento arranjado. Agora ela estava de volta, e eu bem sabia que isso tinha mexido com Rogue pelo modo como a olhava, e então, estava consolando-a pelo estado de seu noivo.

— Não é por isso que estou chorando – Kagura murmurou contra o peito de Rogue – e sim sobre Kana.

Rogue e eu nos olhamos, surpresos.

— Ele jamais teria sucesso nessa busca – ela continuou, referindo-se ao que Rogue tinha explicado antes sobre a partida de Gildarts.

— Por quê? — pedi.

Ela soltou-se do abraço e limpou o rosto com as costas das mãos, respirando fundo. Então olhou para a parede atrás da cama, como se não conseguisse encarar o homem deitado.

— Kana morreu me ajudando a escapar do cativeiro.

Notas finais
Então... o que acharam do capítulo? Ficou maior que o normal, né? Estou a espera de suas teorias e observações! Espero que tenham gostado, e até o próximo! Beijos.