Sigilo
16 Capítulo 15 - Gajeel
Notas iniciais

Sigilo
Capítulo 15
Gajeel
— Conseguimos um bom saque hoje!
Olhei para o sujeito alegre com repulsa. Minha vontade era sair de meu esconderijo e socá-lo, porém meu plano iria por água a baixo se fizesse isso. Então, continuei sentado no galho da árvore a alguns metros da estrada, olhando o grupo guiar a carroça recheada de mantimentos.
— Eles parecem bem seguros. Nem tentam esconder os rastros da carroça – Lily comentou com a cabeça pendendo para o lado, olhando o grupo. Era de certa forma fofo sua pose por ainda estar na forma de gato, mas sabendo de sua aversão a fofuras, não comentei sobre.
— Isso significa que já viajaram várias vezes por aqui e nunca foram pegos. Excesso de confiança é um erro.
Kagura havia fornecido várias informações ao nosso grupo de busca após meu surto. Ela viu como estávamos loucos por qualquer dado que nos ajudasse a encontrar os rebeldes e resgatar Levy, Lucy e Natsu. A morena nos contou sobre a estrada escondida que eles usavam para levar comida e armas, além de ser uma rota de fuga em caso de serem descobertos. Os soldados deles raramente usavam esta via, pois possuíam outra saída específica para eles. Então havia pouca probabilidade de encontrar um Mago descente por aqui.
Lily e eu viemos até a estrada e nos escondemos aqui a dois dias. Ficamos observando e retirando informações. Esse era o segundo grupo que voltava com comida. Não seguimos o primeiro, pois queríamos saber de quanto em quanto tempo eles precisavam roubar alimentos, mas as carroças só voltavam para o esconderijo, nenhuma saiu de lá.
Minerva, Orga, Hibiki e Kagura estavam acampados a algumas horas de meu esconderijo, fáceis de serem acessados em caso de fuga, mas longe o suficiente para não serem pegos se eu falhasse. O plano era simples, eu deveria vigiar a estrada e se pudesse, iria segui-los para reafirmar onde eles estavam instalados, pois havia a possibilidade de terem se mudado após a fuga de Kagura. Então voltaria para o acampamento e planejaríamos a invasão.
— Que tal seguirmos este grupo? – indaguei, curioso.
— Vamos.
Mal terminando de falar, Lily desceu da árvore. Eu sabia o quão preocupado ele estava com a baixinha, e parecia ser um custo ter de ficar esperando de tocaia. Compreendo ele, pois compartilho do sentimento. Estamos tão próximos, mas um movimento em falso nosso e ela poderia sofrer.
Andamos por algum tempo numa distância segura deles. A paisagem era a mesma de antes, árvores frondosas ladeando a estradinha que mal acomodava a carroça de madeira. Um pequeno tédio começou a se abater sobre mim e isso me gerou um pequeno alerta, pois quando isso ocorre as chances de erros aumentam. Poderia pisar em falso num galho seco, ou soltar um lamento mais alto, ou atacar o grupo para ter alguma diversão.
Queria que chegassem logo a esse bendito esconderijo para que eu pudesse tomar todas as informações sobre o local e voltar ao acampamento. Queria chegar logo na parte de invadir e quebrar tudo. Queria vê-la logo.
Eu realmente estou ficando louco.
Nunca imaginei que sentiria falta de uma pessoa assim novamente. Achei que estava seguro sobre esse sentimento após superar a morte de minha mãe e ser afastado de todos que me eram importantes. Mas, essa garota chegou e bagunçou toda minha vida. Primeiro soube do meu segredo, depois acabamos envolvidos numa mentira na corte, e então quando havia me acostumado com sua presença ela foi levada para longe.
E aqui estou eu, sem saber como reagir a essa onda de emoções.
Uma agitação no grupo me resgatou da minha pequena depressão. Lily também estava prestando atenção neles. Paramos próximos e escondidos, analisando a cena a nossa frente. O grupo tinha parado em frente a uma cerca e pareciam discutir com uma mulher. Movi-me o mais silenciosamente que podia para tentar ver quem era ela, mas o máximo que consegui foi ver que seu cabelo era castanho claro e sua roupa verde.
— Estamos dizendo a verdade – o sujeito que antes havia se vangloriado pelo saque brandia um pedaço de pano em frente a mulher – essa é a roupa dela, significa que está morta.
— A Mestra não quer saber de suposições, quer fatos. Sem corpo, sem regalias. Mas, se querem tentar a sorte, vão e apresentem essa trouxa de roupa para ela. Adoraria ver vocês na sala de pesquisa depois.
A mulher tinha uma voz afiada, lembrando um chicote. Pelo modo como tratava o grupo mostrava que era de uma patente maior.
— Podemos entrar? – um membro, de físico menor, perguntou.
— Sorte de vocês que precisamos de comida.
E assim eles passaram pela cerca, indo em direção ao esconderijo. Eu não poderia mais segui-los, pois a partir daquele ponto as árvores acabavam, dando lugar a uma planície mal cuidada e logo depois a um conjunto de construções. Observei as construções por um tempo, decorando a movimentação que conseguia distinguir e então, vagarosamente, comecei a voltar pelo caminho feito.
Lily ficou mais um pequeno tempo olhando e então me seguiu. Vi em seus olhos o que devia pensar. Tão perto e ao mesmo tempo tão longe.
— Vamos voltar, Lily. Tenha calma – sussurrei, sem poder diferenciar se realmente falei para ele ou a mim.
(…)
Cheguei ao acampamento improvisado com muita fome, mas com pressa também. Orga indicou uma panela próxima a uma fogueira e logo depois saiu para avisar Minerva que eu apareci. Sentei-me e comecei a devorar o pequeno ensopado que era a nossa janta de hoje. Lily estava ao meu lado fitando o pôr do sol que acontecia.
— Achou o local, Gajeel? – A Dama das Ervas me questionou assim que me viu.
— Estou muito bem, obrigada por se preocupar – zombei, sorvendo a última colher o ensopado, desejando que tivesse mais a disposição. – e respondendo a sua pergunta, achei.
Atrás de Minerva consegui ver uma Kagura se aproximando timidamente.
— É possível uma invasão silenciosa?
— Difícil. Existem pessoas a postos nas portas e com visão de uma das outras. Não poderíamos render uma sem alertar os outros – comentei, olhando o fogo.
Minerva reprimiu um gemido, mas ainda pode-se ouvir um pouco do som. Tudo o que ela menos queria era um ataque aberto. Somos poucos e metade podiam lutar de igual com os rebeldes. Não eram chances muito favoráveis.
— Quantas carroças passaram por você, Gajeel?
Assustei-me por ser a morena a questionar. Kagura tinha um certo brilho no olhar, fazendo-a parecer mais viva do que vimos ultimamente.
— Duas. Seguimos a segunda.
Kagura começou a morder os lábios, pensativamente. Dava para notar que estava imaginando algum tipo de plano que não envolvesse ataques. Após algum tempo, a moça levantou a cabeça e havia uma sombra de sorriso em seus lábios.
— Não é algo que eu goste de fazer, mas sair batendo em todos pela frente é uma opção pior – começou, aproximando-se da fogueira – a ideia é simples e vou confiar em vocês para me proteger. Pelo que conheço dos rebeldes, sei que não vai demorar muito para enviarem uma carroça para buscar comida e riquezas, e será nesse momento em que agiremos.
Orga, Minerva, Hibiki, Lily e eu quase nem piscávamos de tamanha atenção voltada a ela. A Dama meneou com a cabeça, incitando a jovem a continuar.
— Ficaremos de vigília na estrada, em um ponto longe o suficiente da entrada, mas perto para não demorarmos muito. Eu ficarei na beira da estrada e fingirei estar machucada, eles provavelmente tentarão me prender para me devolver a Mestra. Será aí que vocês agirão, vão rendê-los e usar suas roupas. Vamos tentar ficar o mais parecido possível com eles e retornar e entrar.
Minhas sobrancelhas ergueram-se minimamente, surpreso pela sua atitude. Ela vinha negando em querer se aproximar do local onde havia sido mantida cativa e agora se oferecia como um cordeiro para que pudéssemos ter êxito. Nesse momento ela me lembrava muito a Kagura que Rogue e eu conhecemos quando crianças, sempre disposta a tudo para ajudar seus amigos. Senti um aperto no peito, eu iria protegê-la e não falharia como fiz com Levy.
— E quanto aos mantimentos que eles foram buscar? – Hibiki levantou um ponto importante.
— Diremos que encontramos tropas perto do vilarejo que iríamos e voltamos para avisar da aproximação – Minerva falou, olhando para Kagura a fim de aprovar a ideia ou não.
— É uma boa opção – a morena respondeu, acenando com a cabeça.
— Bom, então vamos preparar as coisas. Não quero ficar sem armas a mão caso algo dê errado – Orga anunciou, afastando-se do semicírculo que havíamos formado.
Após isso todos fomos para um canto e começamos nossos próprios preparativos. Focados e cheios de energia para agir, essa era a nova esfera de humor em nosso grupo.
— Aguente mais pouco – sussurrei, mesmo sabendo que ela não poderia ouvir.
(…)
Levei a mão ao punho da espada com o som, mas ao me virar me deparei com Hibiki. Ele vinha correndo o mais silenciosamente que podia. Baixei vagarosamente a mão e ergui uma sobrancelha, questionando-o.
— Estão vindo. São três pessoas.
Então ele saiu para avisar os outros que também estavam escondidos.
Havíamos elegido Hibiki como batedor, ele ficaria de olho mais a nossa frente e quando notasse alguma atividade dos rebeldes, cuidaria e verificaria quantos estavam sendo enviados dessa vez. Nós, os demais, ficamos escondidos nas folhagens e sombras das árvores em posições privilegiadas que nos garantiriam um bom ataque.
Nossa formação se resumia em um triângulo ao redor de Kagura. Orga por ser o mais forte e corpulento foi posto no lado oposto da estrada e bem em frente a ela. Minerva ficou com o flanco esquerdo e eu junto de Lily com o direito. Quando ela fosse subjugada pelos rebeldes, entraríamos em ação e os atacaria.
Hibiki foi para o outro lado da estrada e ficou a uma boa distância de Orga, mais para sua proteção do que por estratégia. O Nanagear era como um urso quando atacava, poderia facilmente acertar Hibiki e nos dar mais uma coisa com que nos preocupar.
Kagura se dirigiu a beira da estrada, trêmula. Ela havia se cortado com a ajuda de Minerva e colocado os trapos que havia chegado a nós. A Dama das Ervas tinha um estoque de remédios a sua disposição quando tudo acabasse para ajudar a morena.
Todos ficamos de olho na estrada, esperando a carroça que a qualquer momento apareceria. Já era quase meio dia e sol começava a se tornar forte, dificultando nossa imobilidade por conta do desconforto do calor. Mas, ninguém ousou trocar sua posição.
O casco batendo no chão bruto de terra foi a primeira coisa que registramos, a segunda foi a carroça. Eram de fato três pessoas, uma delas estava no comando dos cavalos e as outras duas vinham apoiadas dentro da carroça. Todos usavam uma capa de viagem marrom, seus capuzes estavam puxados e escondiam suas faces, tornando difícil sua identificação.
Kagura ao vê-los correu, um tanto atrapalhadamente para dar impressão de cansaço e medo. Mas, o brilho em seus olhos não era fingimento, ela realmente estava assustada. Sabíamos que isso poderia acontecer quando ela os reencontrasse. Não tardou muito para eles a virem e ficarem animados. O que estava no comando fez com que os cavalos corressem e a alcançasse.
Eles estavam a poucos metros dela e na metade do caminho entre Minerva e eu, quando Kagura tropeçou numa pedra e estatelou-se no chão. Forcei-me a permanecer parado enquanto eles desciam da carroça e iam em direção a ela. Kagura agora mais do que nunca demonstrava medo, entretanto algo nisso me parecia errado, pois ela estava com mais medo do que seria normal em relação a rebeldes de patente baixa.
— Tem algo errado aí – sussurrei a Lily.
Lily aprumou-se e ergueu suas orelhas, tentando captar algo.
— Vamos nos aproximar.
Vagarosamente e cuidadosamente fomos nos aproximando deles. Tive a precaução de não sair muito da minha zona estratégica e consequentemente bagunçar o ataque. Analisei a cena que se desenrolava. As duas figuras que estavam na carroça descerram e seguraram Kagura pelos braços, mas a atenção da moça estava focada na que guiava os cavalos. Havia um ar de surpresa genuína em seu rosto que me fez ficar nervoso.
Então, a terceira figura baixou o capuz. Minha primeira reação seria xingar, mas precisei de força de vontade para reprimir isso. Conseguia ver que o nosso plano seria bem mais complicado que antes, pois a figura que monopolizava a atenção de Kagura era a mesma mulher que tinha visto no portão ontem. Ela com toda certeza era perigosa.
— Que surpresa encontrar você por aqui, Rouxinol – a mulher comentou cantarolando, como se zombasse do apelido que havia chamado a morena.
Kagura recuperou um pouco de sua postura e ergueu uma sobrancelha.
— Por um acaso foi rebaixada, Evergreen? Se bem me lembro, você não era designada a recolher comida.
A resposta da mulher foi um forte tapa na cara da morena, fazendo seu rosto virar para o lado.
— Agora, diga-me o que você faz por aqui, tão perto de nós se queria fugir? Pelo tempo que você desapareceu já poderia estar a metade do caminho de Crocus – Evergreen, como Kagura a havia chamado, deu a volta em torno da capturada e parecia pensar – sabe, seu plano até poderia dar certo se eu não estivesse junto.
Segundos após seu pronunciamento a ficha caiu de que ela notou a emboscada, e foi aí que ela agiu. Rápida igual uma cobra, desferiu um golpe em Kagura, desacordando-a.
— É uma emboscada, seus idiotas! Se livrem dela e matem os outros! – bradou as ordens, enquanto puxava um leque de dentro da capa.
Um dos companheiros dela pegou uma adaga e olhava fixamente para a jovem desacordada. Era nítido o que ele faria. Nem precisei olhar para o lado para saber que Minerva sairia de sua posição e viria em socorro a ela. Portanto, foquei-me em Evergreen, que estava calma diante a situação.
— Lembre-se, você é o Príncipe. Nada de Magias por aqui – Lily recomendou, antes que eu atacasse. Assenti em concordância e ataquei.
Minha mãe sempre me aconselhou a jamais levantar um dedo contra uma mulher, mas dessa vez eu iria desobedecê-la. Correndo para pegar impulso, fui em direção a mulher. Assim que ela me viu, seu rosto assumiu um ar de surpresa, mas que logo foi substituído por determinação. Joguei meu braço direito para trás e depois o direcionei a ela, visando um belo soco que a nocautearia.
— Batendo em uma mulher? Nenhum pouco cavalheiro isso.
Ela desviou facilmente do ataque, mostrando-se bem ágil. Sem perder tempo e aproveitando o impulso, mirei outro soco. Novamente desviado. Eu sabia que deveria atacá-la com toda força, mas ainda sim eu retardava em sacar a espada. Afastei-me temporariamente dela e dei uma rápida espiada nos demais, Orga e Minerva já haviam derrotado os dois companheiros dela e curavam Kagura, diminuindo minha preocupação. Voltei minha atenção a Ervergreen. Ela havia aberto o leque e me olhava com uma mistura de predadorismo e satisfação.
— Sabia que sua cabeça é bem valiosa entre nós? – zombou.
— Devem ser os meus olhos que a valorizam.
— Tão prepotente. Odeio homens por isso – comentou, balançando o leque em minha direção.
Percebi meu erro de ignorar aquele objeto naquele momento. O que um leque poderia fazer de mal a um homem? Bem, se ele soltasse um pó dourado e isso se transformasse em uma saraivada de flechas, com certeza faria mal.
O maldito pó cortava minha pele assim que me tocava. Ainda que eu desviasse deles, sempre tinha dois ou três que conseguiam me acertar. Saquei minha espada e comecei a “atacar” as flechas de pó, e consegui um avanço. Entretanto, quanto mais eu me defendia com a espada mais ela balançava o leque, aumentando seu ataque.
Soltei um palavrão em voz baixa e me afastei um pouco dela, tentando pensar em um jeito de chegar perto sem ser fatiado pela sua magia dourada. Ainda estava procurando uma solução quando notei Orga se aproximando por trás dela. Reagindo por instinto, joguei-me contra ela novamente, buscando sua atenção. Não demorou muito para que ela me atacasse com alegria. Então, Orga usou todo seu peso e força em um golpe contra ela. Evergreen surpreendida, só teve tempo de virar-se para ele, nem conseguiu levantar seu leque a tempo.
Eu quase dei um sorriso vitorioso, acreditando que havíamos vencido ela rapidamente quando as coisas deram muito errado. Orga estagnou em pleno golpe, como se alguém tivesse parado o tempo, e então seu corpo começou a se petrificar, tornar-se pedra. Olhei assustado a cena que se desenrolava a minha frente, tentando entender quando as coisas foram por água abaixo.
Orga olhava fixamente a mulher. Para o rosto dela.
Os olhos. Minha mente sussurrou a resposta.
Assim que Orga foi petrificado por completo, Evergreen virou-se em minha direção. Foquei meu olhar em seu pescoço e agarrei mais forte o punho da espada. O momento cavalheiro havia chegado ao fim. Eu tinha de resolver isso antes que ela se voltasse a Minerva, que estava ocupada com Kagura.
— Parece que alguém percebeu o perigo – sua voz transmitia sua diversão – até que você não é um Príncipe cabeça oca.
Nós dois atacamos ao mesmo tempo, ela com seu pó e visão e eu com a espada e força de vontade. Meu íntimo gritava para libertar minha magia, pois assim eu não seria mais afetado pelo leque e conseguiria acertá-la, porém isso revelaria que sou um Mago a Minerva, Hibiki e Kagura. Estava travando duas batalhas ao mesmo tempo, física e mental.
Em um determinado momento da luta, tentei olhar se Minerva havia curado Kagura e acabei me distraindo e quase tive contato visual com a oponente. Quem me salvou dessa vez foi Lily, que havia trocado sua forma para pantera e pulado em cima da rebelde. Suas garras conseguiram cortar o rosto dela e a atordoar um pouco, mas não o suficiente para derrubá-la.
— Ora, seu felino estúpido! – ela gritou, enfurecida.
Mirando seus ataques a Lily, que desviava deles com facilidade, corri para perto dela. Ergui a espada e visei seu estômago, não queria decapitá-la. Minha estada estava quase alcançando seu corpo quando a maldita reverteu a situação pulando para o outro lado e me fazendo acertar Lily.
A sorte nossa foi que o golpe passou de raspão nele e pouco o machucou, porém a raiva que senti ao ter cortado meu fiel amigo por culpa dela foi enorme. Nesse momento eu não queria saber de discrição ou cautela, queria fazer ela sofrer por isso e por ter deixado um grande guerreiro em estado de pedra.
— Se afaste, Lily.
O felino entendeu o que eu faria e nem tentou me conter, pois sabia que seria em vão. Após ter certeza de que Lily estava a uma distância segura de mim, corri para a maldita rebelde com toda minha fúria. Pronta para atacar ela balançou o leque e eu então puxei a Magia do meu âmago e a soltei pelo meu corpo.
A resposta foi instantânea. Senti que as flechas não me afetavam mais, garantindo que eu pudesse atacá-la sem me preocupar com rasgos na pele, afinal cada centímetro de minha epiderme estava transformada em ferro. Tornei-me um homem de ferro dos pés a cabeça.
Evergreen soltou um arquejo de surpresa e acabou se distraindo pela minha revelação que não conseguiu parar meu golpe a tempo, sendo assim acabei por perfurá-la com a espada na altura do estômago, conforme tinha planejado antes.
— Você é um Mago!
Virei-me parcialmente para trás e vi Kagura apoiada a Minerva me olhando com medo.
O disfarce foi embora.
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