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2 Capítulo 1 - Gajeel


Notas iniciais
Olá pessoinhas! Como prometido, aqui está o primeiro capítulo da fic. Estou muito entusiasmada com ela, portanto não estranhem se ela for atualizada antes que as outras fics, rsrs. ps: Os capítulos vão ser alternados, esse primeiro será pelo Gajeel e o próximo da Levy, e assim vai seguindo. Pode ser que mais para frente eu acabe fazendo algum capítulo especial e ele seja narrado por outro personagem... Só posso lhes desejar uma Boa Leitura!

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Capítulo 1

Gajeel



O Rei solicita a sua presença no salão, meu Senhor.

Olhei para o criado e acenei com a cabeça, indicando que ouvi sua mensagem. Suspirando, levantei da minha confortável poltrona próxima a enorme janela do aposento, de onde eu conseguia ver o pátio central e observar aqueles que chegavam, prevendo se precisaria ir na audiência ou não. Dessa vez não teria escapatória. O que um camponês poderia dizer de importante, para que meu irmão me solicitasse?

Indo em direção ao salão principal do castelo, passei pelo Corredor Real, ali havia pinturas de todos aqueles que foram Reis um dia. Os estilos de retrato eram diferentes, alguns Reis foram pintados sozinhos e seguravam humildemente a coroa, outros ostentavam a sua posição com cenários coloridos e caretas arrogantes, e havia aqueles que foram pintados com a sua família. Esse era o nosso caso.

Meu pai, o antigo Rei de Fiore, quis que sua esposa e filhos aparecessem no retrato. Somos uma equipe, ele disse ao pintor no dia. Parei em frente a tela e a admirei como sempre fazia, não por minha causa e sim por meus pais. A Rainha foi dona de uma beleza única, com seus cabelos brancos e olhos rubros, os quais herdei e meu irmão também. O Rei ao seu lado exibia um sorriso acolhedor, a coroa vermelha contrastava com o negro dos fios do cabelo, outra característica que Rogue e eu herdamos, apesar de que preferi manter meu cabelo comprido e quase sempre trançado, ao passo que Rogue o prefere curto.

Uma pontada de saudade bateu em mim enquanto olhava os rostos. Balançando a cabeça dei meia volta e fui para o salão. Os guardas que ladeavam a porta curvaram-se ao me avistar, acenei com a cabeça em reconhecimento e adentrei no recinto. Rogue estava sentado no trono de maneira ereta, quem não lhe conhecesse pensaria que era uma figura imponente, mas eu sabia que ele estava contando os minutos para dar o fora.

— Majestade – falei, ajoelhando-me a sua frente.

— Levante-se – ele respondeu, nervoso.

Ergui uma sobrancelha e subi os degraus, parando ao seu lado.

— Esse homem aqui, – Rogue indicou o camponês. O homem vestia roupas surradas pelo trabalhado braçal diário, o rosto era marcado por linhas de expressão, e no momento o olhar demonstrava medo. Bufei, as pessoas sempre mostram essa cara quando me veem. – diz ter visto algo novo em relação aos assassinatos. Pode repetir o que nos disse para meu irmão? – Ele questionou para a figura.

— Claro, meu Rei. – concordou. – a duas noites atrás ouvi uns barulhos estranhos, temendo pelo meu gado fui ao celeiro pegar ferramentas para proteção. Quando cheguei lá encontrei um corpo. – continuou o homem, ele olhava o chão enquanto relatava. Os fatos batiam com todos que já tinham visto; os moradores das vilas estavam achando corpos de mortos nas proximidades das casas, porém não havia nenhum sinal aparente que causasse a morte. Olhei para Rogue como se dissesse Isso de novo? Meu irmão apenas sorriu e fez um gesto para esperar.

— E então? – instiguei.

— Era uma criança, a menina deveria ter quase cinco anos – franzi o cenho, os mortos geralmente eram homens com idade mais avançada. – havia cortes nos pulsos, mas não eram profundos. O que me chamou atenção foi a mancha vermelha que ela tinha cabeça – o homem colocou a mão perto da têmpora esquerda, indicando o local manchado.

— O interessante é que a mancha estava quase sumindo quando fomos examiná-la – Polushka, a Curadora Mestre do castelo, comentou.

— Ela sumiu completamente depois? – questionei.

— Sim – respondeu-me, ela parecia querer falar mais, porém parou diante o olhar que Rogue lhe lançou. Espiei o camponês e vi que ele estava interessado no relato de Polushka.

— Agradecemos a sua colaboração, – o Rei levantou-se e fez um floreio com a mão indicando a porta – já pode sair.

Assentindo, o homem apressou-se porta afora. Polushka também saiu após fazer uma reverência, a mulher deveria querer estudar mais o corpo antes que ele ficasse impróprio para análise. Rogue dispensou os demais presentes logo após.

— Adorei seu floreio, irmão – zombei, assim que estávamos apenas nos dois. Rogue olhou-me ofendido.

— Gostaria de saber como você faria se fosse o Rei.

— Você sabe que eu não posso subir ao Trono – lembrei-lhe.

Rogue suspirou e desceu os degraus. O segui quando ele foi para a porta escondida atrás do trono, que dava a uma sala privada. Assim que ficamos com mais privacidade, fui em direção a adega e peguei um dos vinhos.

— Estou supondo que vou embarcar numa missão logo. Estou certo? – perguntei enquanto enchia duas taças com o líquido bordô.

— Sim. Temos que saber se existe algum Mago a solta por aí e se ele está matando essas pessoas para nos advertir.

Meu irmão olhou-me sério ao pegar a taça oferecida. Ele sabia o quanto eu me arriscaria em uma missão assim. Automaticamente olhei para minha mão, lembrando-me do acontecido de anos atrás após o enterro de nossa mãe. Foi ali que descobri ter magia.

A lei era bem clara, dizia que qualquer pessoa que possuísse magia deveria ser morta, mas meu pai quebrou a lei ao me deixar vivo. Essa minha particularidade não deveria ser exposta nunca, ou acontecimentos desastrosos poderiam ocorrer, uma revolta popular era uma hipótese bem real e também a minha morte.

Se existia mais algum Mago a solta, era meu dever o achar, o que se torna um tanto irônico.



(…)



As pessoas nos espiavam pelas janelas, desconfiadas. Sem dar atenção aos olhares frios dos moradores da aldeia Ran, a nossa comitiva seguia pela estrada indo em direção a estalagem principal. Fazia três dias que saímos de Crocus, a capital do reino, em direção à Ribes onde a menina foi morta. A visita ao local não revelou muita coisa, foi uma perda de tempo. Porém hoje pela manhã foi nos informado que houve outra morte, o local era meio dia a cavalo de Ran, e era o nosso próximo destino.

Ao chegar na estalagem dei meu cavalo a um dos escudeiros, pedi que cuidasse do animal e entrei no estabelecimento. Uma mulher estava debruçada preguiçosamente no balcão da recepção, quando me viu arregalou os olhos, sua segunda reação foi de jogar o cabelo escuro para trás e ajeitar o vestido fazendo com que seus seios ficassem mais a mostra. Fracamente.

— Boa noite – cumprimentou-me.

— Boa noite, senhorita – respondi o mais formal que consegui – quero cinco quartos, você os tem para hoje?

— Mas é claro. Se o Senhor Protetor do Reino quisesse a estalagem inteira, ela seria sua – seu tom dizia que eu poderia ter mais coisas se quisesse, por exemplo: ela. Mas eu não estava a fim de mulheres, pelo menos não enquanto tivesse esse problema para resolver.

— Cinco quartos está ótimo.

A face dela murchou um pouco com a dispensa. Sem insinuar mais nada, apresentou-me os aposentos onde repousaríamos e indicou os quartos de banho, que eram comunitários. Não demorei em arrumar as minhas parcas coisas no quarto, queria passear pela aldeia e arejar um pouco a mente.

O ar noturno dali era fresco e as ruas pouco movimentadas, perfeito para mim. Segui as ruelas que costuravam por toda Ran, mas sempre mantendo um ponto de referência para voltar a estalagem. A parte mais rica da cidade era recheada por árvores e muitas delas antigas, embrenhei-me na pequena floresta atrás de um casarão e estava quase subindo em um carvalho quando um barulho próximo chamou minha atenção.

Sem fazer movimentos bruscos fui seguindo o barulho. Quando fiquei mais próximo, deduzi que fossem estalidos secos pela quebra de galhos quando alguém pisa neles, confirmei minha teoria pouco depois ao ver uma jovem de cabelo azul contornar uma árvore. Ela segurava um cesto e parecia recolher pinhas do chão, pela sua roupa simples deveria ser uma camponesa pobre.

Pensei em jogar algumas moedas em seu cesto sem que ela percebesse, mas logo descartei a ideia. Voltei para o carvalho de antes e subi. Ajeitei-me em um dos galhos altos que me permitiam uma boa visão da rua que cortava o bairro rico, além de me manter oculto. Finalmente sozinho, deixei que meus pensamentos pesarosos viessem a tona.

Eu nutria uma hipótese bem real de que haviam outros Magos espalhados por Fiore, pois se eu ainda estou vivo, outros também podem estar. As execuções por causa de magia tinham diminuído nos últimos anos, eu sabia que as revistas feitas duas vezes ao ano já não eram tão rigorosas, os guardas não procuravam com tanto afinco. Talvez temessem descobrir familiares com o dom.

Alguns Lordes haviam mostrado apoio na abolição da lei, alegando que a população já havia aprendido sua lição nesses 127 anos de execuções. Rogue ficou bem tentado com a ideia, porém logo a abandonava ao se lembrar dos estragos proporcionados pela antiga Guilda Mágica.

Não sei por quanto tempo fiquei escondido ali, deveria voltar para junto da caravana ou meus companheiros ficariam preocupados. Desci da árvore com pesar, não queria sair daquele refúgio calmo. Achei a referência e dirigi-me para a estalagem, arrastando os pés. Estava a duas esquinas do local quando trombei em algo, ou melhor, em alguém.

— Desculpe – disse, automaticamente. Ao me virar constatei surpreso que a pessoa esbarrada era a jovem do bosque. Ela recolhia as pinhas que caíram da cesta, parando apenas para menear com a cabeça em reconhecimento da desculpa.

Agachei-me e terminei de recolher os frutos e colocá-los de volta onde estavam. A moça olhava-me curiosa por causa da atitude, devia estar acostumada com pessoas egoístas. Eu estava longe de ser bom, apenas ajudava a concertar os erros que fazia, se a situação fosse diferente e ela trombasse em outro desconhecido e as pinhas caíssem, dificilmente eu pararia meu caminho para ajudá-la.

— Obrigada – ela disse com uma voz suave.

Dei de ombros e joguei duas moedas de prata junto ao cesto. Saí dali sem olhar para verificar a reação dela, mas eu sentia seus olhos castanhos cravados em minhas costas enquanto eu voltava ao meu caminho.



(…)



Vamos lá, Gajeel! Mais um copo!

Os cinco soldados e os três escudeiros me encorajavam a beber mais cerveja, eles me olhavam com expectativa. Rolando os olhos peguei a caneca a minha frente e a virei num só gole. Gritos ecoaram na parte destinada a refeição da estalagem, a nossa comitiva era a mais barulhenta. O que foi uma coisa boa, pois assim que entramos para comer o local se tornou silencioso e tenso, aos poucos os demais foram se soltando quando viram a bagunça que esses homens faziam.

A recepcionista nos olhava com desejo, mas não nos abordava. Fiquei agradecido por isso, não pegaria bem eu desse um fora em uma moça como ela na frente dos outros, meus homens certamente ficariam me atormentando com piadas.

A nossa mesa foi rapidamente abastecida de bebida, o dono deveria querer lucrar bem a nossas custas. Mordisquei um pedaço de carne do prato ao meio da nossa roda, quando puseram outra caneca a minha frente, a afastei levemente para o lado em direção ao soldado próximo que não a deixou cheia por muito tempo.

Minhas costas começaram a protestar de cansaço, então despedi-me de todos e subi para o quarto. Olhando para os itens de limpeza lembrei-me que não havia tomado banho, gemi em protesto e catei as coisas. O quarto de banho masculino estava vazio nesse horário, ao contrário do feminino, onde se podia ouvir vozes animadas das mulheres.

Ele é um charme! Ai se eu pusesse as mãos naquele Príncipe...” Uma frase foi dita mais alto e chegou até mim, ri do comentário sobre minha pessoa. Então a recepcionista não era a única com segundas intenções comigo. Para minha segurança acabei o banho o mais rápido que podia, não queria ser atacado por alguma louca no corredor.

Faltando pôr apenas a camisa senti uma estática no ar. Conhecia bem isso, só podia significar que alguém estava fazendo magia por perto! Corri para fora do quarto sem terminar de me vestir, passando pelas mulheres no corredor como um raio, ouvi alguns assobios atrás de mim, mas não parei para verificar.

Já fora do prédio parei e prestei atenção, procurando a estática. Minutos se passaram e nada, já estava ficando nervoso quando a sensação veio novamente. Apressei-me pelas ruas mais escondidas, seguindo o rastro. Minha mente cogitava mil ideias para isso acontecer, porém só havia uma resposta: havia um Mago em Ran.

Notas finais
Então, o que acharam do capítulo? Sugestões para quem possa ser esse Mago e o que quer dizer com essas mortes? Teremos uma surpresa no próximo capítulo, então fiquem atentos! Um beijo e até a próxima.