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10 Capítulo 9 - Gajeel
Notas iniciais

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Capítulo 9
Gajeel
Minha paciência estava no limite. A vontade era de sair porta afora e começar imediatamente a busca por Levy. E claro, resgatar Lucy e Natsu também, afinal eles foram levados pelos rebeldes. Mas, Rogue achou melhor termos uma reunião de emergência antes de tomarmos qualquer atitude. Um saco.
Olhei para os demais presentes e vi a mesma irritação dançar pelo rosto de Sting. O loiro parecia que ia entrar em ebulição a qualquer instante e não parava de dardejar meu irmão com os olhos. Quem sabe não posso usá-lo para poder sair mais cedo? Ele seria uma ótima distração e eu poderia sair escondido e ninguém notaria tão cedo.
— Eu falei que era melhor caçá-los – Jiemma comentou após o último chegar.
— Caçá-los com o que? Se nem conseguímos rebater a invasão deles com eficiência, seus homens pareciam umas baratas tontas no meio das lutas – Polushka alfinetou o Senhor das Armas. Ela estava irritadíssima com o ataque, pois seu laboratório fora revirado e suas coisas bagunçadas e quebradas – o mínimo que eles deviam fazer era proteger a Princesa!
— Ora sua bruxa velha …
— Chega! – a voz de Rogue soou pelo aposento, fazendo com que Jiemma voltasse a se sentar e todos ficassem quietos. – precisamos de colaboração nesse momento, não de brigas internas!
Ouvi um bufo vir do Príncipe de Ghaléia, e então ele se levantou e olhou seriamente para meu irmão. Nunca o tinha visto tão focado.
— O que nós precisamos neste momento é sair em busca de minha irmã e capturar um daqueles rebeldes. Não é necessário ficar aqui sentados, discutindo. É perda de tempo!
— E o que pretende fazer, Eucliffe? Sair correndo a cegas e ser capturado também? Por acaso não notou o quão bem preparados eles estavam ontem a noite? – Rogue rebateu friamente.
— Ah, eu, com certeza, vi a eficiência deles. Para um bando de excluídos e que nem deveriam estar vivos, eles pareciam bem organizados. A sua lei anti-magos não parece resolver o problema.
Eu quase conseguia ver gotas de veneno escorrerem pela boca do loiro de tamanho ódio que ele transmitia. Mas, por mais que eu detestasse esse babaca, ele tinha um ponto. A lei não era tão eficaz. Magos ainda estavam vivos, apesar da proibição de suas existências. Eu era um bom exemplo.
— Quem sabe se os seus espertos antepassados tivessem tido outra ideia, em vez de matar todo ser mágico, essas rebeliões poderiam nem ocorrer hoje – ele continuou, sarcástico.
— Primeiro saiba de todo o contexto e depois venha especular, Sting. Você não sabe o que aconteceu naquela época para que a proibição fosse criada.
— Ou talvez, Vossa Majestade que não saiba. Já pensou em estudar a fundo a sua história?
Agora a coisa fica séria.
As veias da testa de Rogue começaram a saltar, seus olhos quase faiscavam de tanta irritação. Estou surpreso que ele não tenha atacado o loiro nesse momento. Para que meu irmão chegasse a esse ponto, ele devia estar muito, muito, fulo.
— Então você pode me explicar, já que estudou bastante sobre Fiore. Aqueles livros que roubou da biblioteca o ajudaram bastante? Ou quer que eu lhe dê acesso a mais conhecimento?
Se antes o clima do local era tenso, agora era sufocante. Sting arregalou um pouco os olhos, um movimento suficiente para que Rogue e eu captássemos a sua surpresa. Ele não esperava que soubéssemos de suas buscas, mas o seu joguinho de palavras deu a abertura certa para que Rogue jogasse essa carta no ar.
— Sabe, Sting. Eu estive fazendo vista grossa desse seus pequenos furtos, mas chegou uma hora em que fiquei interessado no porquê, e eis que você me entregou uma pista agora. Acha a nossa lei anti-magos a causadora de tudo? Que se ela não existisse não haveriam mortes ou rebeldia? – o tom de Rogue ficou mais baixo, mais perigoso. Ele parecia um predador contornando sua presa. Era o temível gênio dos Reis Redfox, carregado em suas veias, surgindo nesse momento – Estou supondo que Ghaléia queria fazer um acordo com os Magos e anular a lei. Afinal, qual outra explicação para todo esse discurso?
Sting deu um passo para trás, estupefaço.
— Que ideia absurda – o seu tom de voz baixou e sua postura tornou-se calculista. Ele sabia que o jogo podia virar contra ele caso não medisse suas ações. – isso seria como agir pelas costas de Fiore e trair o futuro reino de minha irmã. Admito que peguei alguns livros, mas foi para entender a política daqui e acabei por achar o assunto intrigante.
O Rei deu um sorriso gélido.
— Fico feliz em saber que não existem más intenções – qualquer um podia notar que ele não havia acreditado no que Sting falara. – mas, por medidas de precaução, não vou deixar que saia em busca de Lucy, sua cabeça é bem valiosa. Minerva, chame as pessoas que você julgue ser de confiança e parta imediatamente em busca dos três capturados – ele terminou, olhando para a Dama das Ervas.
Era minha deixa.
Ela assentiu com a cabeça e levantou-se para começar seu trabalho. Dei uma olhada significativa para Gildarts e ela, fazendo com que ambos entendessem o que eu pretendia. O Conselheiro limpou a garganta e também levantou-se, escondendo-me de todos presentes. Sem perder tempo, fui arrastando-me de meu lugar e coloquei-me ao lado da Dama, saindo da sala as pressas.
— Que tal abordamos o assunto sobre fortificar os portões? – ouvi Gildarts comentar, tirando qualquer atenção de quem saía da sala.
(…)
— Você tem cerca de dez minutos para pegar o que precisa. Então encontre-me no portão leste, sairemos por lá. Ah, seria interessante trazer aquele seu gato junto – Minerva ditou assim que estávamos livres. Em resposta, apenas concordei com um aceno de cabeça.
Sem perder tempo, corri para a Ala Real. Minha primeira parada foi nos meus aposentos, onde peguei algumas mudas de roupas, armas, e Lily. Depois parei em frente aos aposentos de Levy. Tinha uma pulga atrás da orelha que eu queria retirar antes de partir. Era apenas uma suposição, mas se fosse provada real, a baixinha estaria em uma grande roubada.
Desde que fiquei sabendo dos pequenos furtos da Princesa, questionei-me onde ela poderia os manter. Seu quarto era um lugar lógico, entretanto a moça passava pouco tempo nele, então essa hipótese era um tanto falha. Então lembrei-me das enormes estantes de Levy e em como Lucy estava se torando grande frequentadora do quarto da baixinha. Era uma possibilidade de que a Princesa estivesse escondendo tais livros aqui, assim eliminaria as chances de a culpa cair nela.
Conferi se estava sozinho naquele corredor e então puxei um pouco de magia para transformar meu dedo em uma pequena chave. Consegui abrir a porta sem muita dificuldade, e logo entrei. Tendo em mente o meu tempo limitado, pedi que Lily me ajudasse a achá-los. Corri na frente das estantes e não vi nada de anormal por ali. Talvez não tenha nada.
— Gajeel, sinto um cheiro de poeira e celulose por aqui – Lily comentou, perto da cama.
Franzindo o cenho, aproximei-me do móvel. Dando um suspiro, ergui o colchão. Quase deixei que ele caísse quando encontrei três livros escondidos.
— Achamos eles.
Peguei os livros e dei uma analisada rápida em seus conteúdos. Um assobio admirado escapou de mim quando tomei conhecimento de que tratavam.
— E então?
— São sobre Magia – respondi, automaticamente. – mas, agora me pergunto se foi Lucy ou Levy que os enfiou ali.
— Pelo local, tenho quase certeza de que foi a Levy. Além do fato de ela ter procurado incansavelmente por uma ajuda para você nos últimos dias.
Dei um suspiro cansado. Se fosse como Lily dizia, ela estava se arriscando muito para me ajudar. Correria risco de ser acusada de ser uma Maga. E ser um deles não era coisa boa ultimamente. Balançando a cabeça para clarear meus pensamentos, ajeitei os livros em minha mochila. Os levaria junto, assim não deixaria nenhuma suspeita sobre ela para trás.
— Vamos, não podemos nos atrasar, ou Minerva nos largará aqui.
Tranquei novamente a porta, peguei Lily no colo e corri. Cortei caminho pelo Jardim da Rainha, chegando mais rapidamente nos portões a leste, do que se eu fizesse o caminho convencional por dentro do Castelo. Após chegar ao local, vi que Minerva já tinha os cavalos prontos e me esperava junto dos demais companheiros de viagem.
— Chegou em ponto – comentou ela, subindo em sua égua.
Analisei o grupo após passarmos pelos portões e seguirmos para a estrada. Minerva era a única do sexo feminino ali, os demais integrantes eram Orga Nanagear, um dos melhores cavalheiros reais e amigo de infância da Dama. Hibiki Lates, aprendiz de Gildarts, um pequeno gênio descoberto nas vielas da Capital. Lyon Vastia, aprendiz de Polushka, ótimo em assuntos relacionados a curas, doenças, pragas e entre outros.
Um grupo, no mínimo, estranho.
Cuide-se, Rogue. Enviei meu pensamento em direção ao Castelo, pensando em como deixei meu irmão sozinho num momento crítico. Mas, existiam outras pessoas que precisavam de mim agora. Essas, eu não podia desapontar.
(…)
Inspecionei meu trabalho e me dei por satisfeito. Olhei em volta a fim de averiguar se alguém estava me vigiando, mas só consegui ver Lily deitado no galho próximo a mim. Aproveitei a primeira parada de descanso e embrenhei-me na mata, a procura de uma árvore alta e cheia de galhos. Então, quando estive bem acomodado, peguei os livros de Magia que Levy havia escondido, e troquei suas capas. A ideia veio de Lily, afinal era demasiado perigoso carregá-los sem alguma proteção. Então, quando fizemos uma pausa em um vilarejo para almoçar, o metamorfo roubou algumas capas de livros de uma casa. Depois disso, esperamos uma oportunidade para trocá-las, como agora pouco.
— Ficou bom, não é?
— A sua sorte é que eu lembrei de pegar capas com cores iguais – o bichano respondeu, entediado.
Rolei meus olhos diante sua atitude. Desde que Levy fora levada, ele não soltava piadinhas ou respondia normalmente. Percebi que não fui o único a ficar estressado com o rapto. Esses rebeldes vão sofrer na mão de Lily, disso tenho certeza.
Voltando a atenção para os livros, decidi ler um pouco. Afinal, não faria mal estar um pouco atualizado. Peguei o de capa esverdeada, o mais grosso de todos, e dei um pequeno sorriso com seu “novo” título; Manual para jovens cozinheiros: receitas para viagens.
As primeiras páginas eram uma espécie de índice, mostrando os títulos dos capítulos. Prático. Seguindo a lista com o dedo indicador, procurei algum que me chamasse a atenção. Parei em cima do Pessoas comuns x Pessoas mágicas. Ainda marcando o índice com um dedo da mão esquerda, folheei o livro a procura da página citada. Quando a achei, soltei o índice.
Logo de cara, percebi que se tratava de uma explicação sobre o que havia de diferente entre os Magos e as pessoas comuns, e em por que algumas pessoas desenvolviam magia. Dei uma segunda analisada no local e constatei que continuava sozinho, então voltei minha atenção a leitura.
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A diferença entre Magos e pessoas comuns está no centro de seu corpo, um local onde a essência mágica dele é armazenada, bem próximo de sua energia vital. A energia vital tem um local onde é mais concentrada, chamada de Vitale, mas existem vários escapes que permitem que ela se mova pelo corpo todo. O Centrum – onde a magia está armazenada – existe em todas as pessoas, mas apenas os Magos conseguiram fazer com que o Centrum se ramificasse pelo corpo, distribuindo a essência pelo corpo, tornando-se fácil de ser usada.
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Intrigado e estimulado, voltei ao índice a procura de algo que me esclarecesse mais sobre a magia. Cerca de duas páginas para frente de onde estive lendo, tinha o capítulo Magia e o Mago. Pausei, apenas para confirmar que continuava sozinho, junto de Lily, e então mergulhei na leitura.
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A Magia pode ser manifestada de diversas formas. No geral, cada Mago desenvolve certa característica pessoal em relação ao uso. Exemplo: Um pescador que se descobre Mago pode ter o poder de manipular a água ou controlar seres marítimos, entretanto nada impede que o mesmo possa manipular o fogo ou até mesmo metais. A forma da Magia varia de Mago para Mago. As suas experiências de vida contam muito.
Alguns acreditam que a magia é uma parte da alma do Mago e que possuí um pouco de consciência, moldando-se assim na forma em que acha melhor. Muitos Magos não conseguiram entrar em acordo com sua magia por conta de sua forma, os motivos variavam de não gostarem do modo como ela se manifestava nele ou por não querê-la. Isso podia levar o indivíduo a loucura. Existem casos de morte quando a magia não é bem administrada, e claro, ainda temos as doenças que o mal uso pode provocar no Mago.
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— Mas que merda?! – exclamei, surpreso.
Bem no momento em que eu estava me aprofundando na leitura e descobrindo várias coisas, e provavelmente chegando a um assunto extremamente importante, deparo-me com uma página faltante. A sequência pulava e o conteúdo mudava, o que me fez examinar melhor o livro e constatei que a página onde se explicava as doenças fora arrancada.
De uma coisa eu tinha certeza, Levy não depredaria um bem tão valioso assim. Ela no máximo faria alguma anotação na folha, mas rasgá-la não. Isso significava que outras pessoas tiveram acesso a tais livros e que tinha encontrado algo importante.
Os mistérios vão se acumulando.
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