Sigilo

6 Capítulo 5 - Gajeel


Notas iniciais
Olá meus amores! Demorei, mas cheguei... E sabem da melhor? Minhas aulas da carteira já acabaram e a autora aqui já fez a prova. Agora é só esperar o resultado e que a minha permissão para dirigir venha para minhas mãos loucas para pegar um carro/moto! rsrs. Esse capítulo foi o que eu mais demorei para fazer, pois queria que ele saísse o melhor possível... vocês vão entender com o andar dele. Peço que me avisem caso achem algum erro. Eu reviso duas vezes antes de postar, mas sempre tem algo que passa batido por nossos olhos... Quero agradecer a todos que comentaram e favoritaram Sigilo. Vocês tem um lugar reservado no meu coração. Sobre a pequena enquete que fiz, o resultado deu meio a meio. Então vou manter uma média de 2500 a 2700 por capítulo. Enfim, sem mais delongas... Boa leitura! ps: não me aguentei e mudei a capa da fic. Me digam se preferem essa ou a anterior, rsrs.

Sigilo

Capítulo 5

Gajeel



Olhei mais uma vez para as ilustrações do livro e ainda não consegui entendê-las. Apesar de toda a leitura que fiz na última hora, aqueles símbolos desenhados nos corpos ilustrados não me traziam nenhuma conexão com os assassinatos. A dica de Levy não foi de grande ajuda como pensei a princípio, mesmo que eu tenha aprendido coisas novas, as respostas para minhas perguntas ainda estavam escondidas.

Dando um suspiro cansado, larguei o livro na mesa em frente e recostei-me na poltrona. Deixei que meus olhos cansados passeassem pela Biblioteca a procura dos cabelos azuis da baixinha. Ela disse que passaria por aqui depois para tentar me ajudar, mas até agora não tinha dado o ar de sua presença.

Ouvi as grandes portas se abrirem no mesmo instante em que fiz menção de levantar-me, já ia gritar uma saudação mal-humorada quando o som dos passos me fez ficar quieto. Era o som de duas pessoas caminhando e não se parecia com as passadas de Levy. Sim, eu havia decorado o seu modo de andar. Intrigado, aproximei-me de uma das estantes, escondendo-me de quem havia chegado.

— O que achou dela? – uma voz masculina veio da parte oposta da estante em que me escondia. Dei a volta e usei os livros como proteção, a fim de bisbilhotar.

— Está falando da moça de cabelos azuis? A consorte elegida do Príncipe? – dessa vez foi uma voz feminina quem respondeu, o timbre melodioso não lhe enganava sobre quem era a dona da fala.

— Essa mesma – mais curioso ainda por estarem falando de Levy, dei alguns passos para perto de onde vinham os sons e espiei por entre as frestas dos livros. Meus olhos se arregalaram um pouco ao constatar a veracidade de minhas hipóteses. As pessoas eram o Príncipe e a Princesa de Ghaléia.

— Uma moça muito interessante, bem diferente das consortes que já conheci. Ela ama ler, Sting! Já gostei dela por isso – a Princesa respondeu a primeira pergunta do irmão.

— Interessante é uma boa palavra para descrevê-la – concordou o Príncipe. Não gostei do modo como ele falou, parecia um predador sonhando com a presa.

Houve alguns movimentos após a pequena conversa, ela parecia procurar algo nas prateleiras. Já estava quase voltando a minha poltrona, quando uma exclamação alegre veio da moça.

— Por qual motivo você quer esse livro velho de política, Lucy? – Sting questionou a irmã, pelo que pude espiar da capa era um livro sobre a antiga política de Fiore, o nosso reino, também fiquei curioso pela escolha um tanto... peculiar. – está querendo impressionar seu futuro marido?

— Não seja inconveniente. Uma das razões é por conta daquele assunto que viemos tratar aqui, acaso se esqueceu do pedido feito a nós? Além do mais, eu sou um pouco interessada em política também, sem contar que será útil saber um pouco desse contexto quando me tornar Rainha.

Os dois não se demoraram na Biblioteca após pegar o livro, deixando-me sozinho com várias novas questões zunindo em minha mente. O que diabos esses dois vieram realmente fazer aqui? Duvido muito que Rogue saiba disso. Então uma luz se ascendeu em meu cérebro, isso seria a desculpa perfeita para arrancar de meu irmão o que ele estava escondendo de mim. Eu usaria essa conversa como moeda de troca.

Animado com a ideia, saí apressado a procura do Rei. Depois de algumas voltas pelo Castelo acabei encontrando Levy e não o bendito moreno. Ela vinha carregando uma pilha de livros, em seu encalço estava Lily. Metaformo traidor, acabou me trocando por ela em menos de um dia. Sem pensar muito no que estava fazendo, peguei a maior parte da pilha e ajudei a levá-los de volta a Biblioteca.

— Obrigada – Levy me agradeceu, sorrindo. Apenas revirei os olhos em resposta, arrancando um bufo dela. – Gajeel, eu queria lhe contar uma coisa. Pode não parecer muito importante, mas achei que seria interessante que você ficasse sabendo – ela acabou mudando o assunto enquanto colocava os objetos em seus devidos lugares nas estantes.

— E o que seria?

— Antes de mais nada, gostaria de avisar que não estava os espiando de propósito, – levantei uma sobrancelha diante suas palavras, lembrando-me do que estive fazendo a pouco tempo atrás. – mas acabei ouvindo uma conversa dos Príncipes com alguns empregados quando passei perto da cozinha. Pelo que notei, os dois pareciam bem curiosos em relação aos assassinatos. Eles fizeram algumas perguntas para os empregados e depois saíram em direção a Biblioteca.

— Foi por isso que você não apareceu aqui para me ajudar? – questionei.

— Na verdade foi por que acabei encontrando com eles antes que eu pudesse chegar aqui, dessa vez frente a frente e não por espionagem. O Príncipe acabou por me fazer ficar com vergonha com suas perguntas, então quis esperar os dois saírem da Biblioteca para te encontrar, não queria ficar falando com ele por mais tempo. Desculpe-me.

Levy possuía as bochechas coradas enquanto se desculpava pelo pequeno bolo que me deu.

— O que ele te perguntou que te fez ficar assim? – Pedi, levando-a para a poltrona que estive sentado antes.

— Ele pediu sobre o nosso relacionamento s-sex... — a cor vermelha de suas bochechas aumentaram quando tentou falar a palavra. Adivinhei qual seria pelo modo como ficou extremamente encabulada. – AH, Gajeel! Eu fiquei tão...

— Tudo bem, eu entendi – cortei-a o mais delicadamente que pude.

Levy soltou um suspiro aliviada por não precisar explicar com detalhes o tema das perguntas. Uma centelha de irritação começou a bombear por meu corpo e o alvo era o Príncipe loiro. Ah, esse libertino vai se arrepender de ter deixado a baixinha numa situação constrangedora assim. Mas, primeiro eu tinha que ajudar ela caso essas perguntas se repetissem, o que eu achava bem provável.

— Vamos combinar o seguinte, – ela olhou-me com um misto de curiosidade e apreensão. – quando alguém lhe pedir algo assim, responda que isso é um assunto que só diz respeito a nós dois. Combinado?

— Certo.

— Venha, eu lhe acompanho até seu quarto – estendi minha mão a ela, o gesto havia se tornado um tanto automático pela quantia de vezes que já tinha feito. E como sempre, ela aceitou sem pestanejar, enlaçando seu braço no meu.



(…)



Então, qual o motivo de ter me chamado aqui, Gajeel?

Olhei para meu irmão enquanto ele entrava em meu quarto. Ele possuía um semblante calmo, entretanto um pequeno vinco entre suas sobrancelhas denunciava seu nervosismo. Rogue raramente era chamado por mim e quando isso acontecia ele saía dali com uma enorme enxaqueca, afinal eu o enchia de perguntas e conseguia as respostas que queria. Por isso ele tentava fingir ao máximo que não me escondia nada, mas eu o conhecia bem demais para saber quando ele falseava.

— Quero propor uma troca de informações – sugeri, calmamente.

Rogue estreitou os olhos para mim, sentando-se na cadeira oposta perto da janela.

— Barganhando? Não sabia desse seu lado, pensei que você me contaria tudo o que me diz respeito e ao Reino.

— Faço das suas palavras as minhas, quem quebrou o nosso acordo de não ocultar nada foi você – retruquei, já sem muita paciência.

Meu irmão mexeu-se desconfortavelmente, ele havia sido pego de guarda baixa.

— Já imagino sobre o que se trata – retorquiu, suspirando – é sobre os assassinatos, não é?

Assenti com a cabeça em confirmação.

— Muito bem, pergunte-me o que deseja e lhe responderei sinceramente. Mas quero que saiba que não queria lhe preocupar demasiadamente, afinal você já tem muito com o que se ocupar nessas investigações.

Assenti com a cabeça, concordando com seus motivos. Rogue pareceu relaxar um pouco.

— Percebi que você captou algo durante o relato de Levy, foi quando ela mencionou a palavra fonte. O que sabe sobre isso? – questionei.

Meu irmão deu um suspiro antes de me responder, seu olhar vagou para as janelas do recinto como se procurasse um meio de explicar tudo.

— É verdade que captei algo sim, mas era apenas uma lembrança vaga da palavra e do contexto – Rogue começou a explicar – logo após você ter ido para o Forte Negro para aplacar a fúria de sua Magia, comecei a procurar por conhecimento nos livros aqui do Castelo. Papai acabou por saber e tentou me desincentivar, mas eu continuei os estudos na surdina mesmo. Então, um dia fui procurar por lugares escondidos dentro da Biblioteca, afinal Magia já foi algo bem presente em Fiore e era de se esperar que houvessem livros mais detalhados sobre isso. Acabei por achar o bendito esconderijo e de lá tirei três livros que falavam sobre tudo, desde como achar Magia até as piores consequências dela, foi ali que li algo relacionado a fontes.

Rogue parou de falar e virou-se para mim, querendo saber se eu o estava acompanhando. Assenti com a cabeça novamente, incentivando-o a continuar seu relato. Confesso que estava curioso, bem curioso.

— Mas por ser novo demais, não entendi muita coisa. Então guardei os livros em seu devido lugar e fui esquecendo-os com o passar do tempo. Após ouvir o relato de Levy uma pequena luz se ascendeu em minha mente, lembrando-me dos livros. Voltei ao esconderijo e os retirei de lá para lê-los novamente. O que descobri sobre isso, em relação as fontes, é o nome dado a um método onde o Mago consegue retirar energia, vital ou não, de uma pessoa e abastecer-se a fim de executar algum feitiço. Entretanto, caso o Mago use isso em demasia ele pode se tornar corrompido, necessitando de mais doses da energia e consequentemente tornando a sua Magia em Negra.

Um arrepio desceu por todo meu corpo com a resposta. Outra pequena dúvida me veio com isso, olhei para meu irmão com seriedade e percebi que ele já imaginava minha próxima questão, mas a verbalizei do mesmo jeito.

— E o que acontece com as pessoas usadas como fontes?

— Continuam vivas se lhes forem retiradas pequenas quantias com um grande espaço de tempo entre as retiradas, caso contrário elas morrem – Rogue tinha as mãos fechadas em punho – esse método foi um dos grandes motivos de a Magia ter sido proibida em Fiore.

Dei um suspiro cansado e apoiei a cabeça nas mãos, o problema que tínhamos em mãos era bem pior do que imaginávamos. Pior do que ter um grupo de Magos a solta, era ter um grupo de Magos Negros a solta.

— Então, qual era a sua informação em troca?

Ele claramente estava tentando desviar minha atenção sobre essa revelação de Magia, Rogue sabia o quanto esse assunto me atormentava.

— A sua querida noiva parece bem interessada no caso – falei ao levantar a cabeça, a minha frente tinha um Rei surpreso – ela e seu irmão fizeram algumas perguntas aos empregados, querendo detalhes ou qualquer informação sobre os assassinatos.

— Será que alguém comentou algo em Ghaléia?

— Talvez, porém não é só isso – complementei, fazendo com que Rogue levantasse as sobrancelhas – Acabei espionando sem querer os Príncipes hoje na biblioteca, e vi que Lucy pegou um livro de política. Até aí tudo bem, mas a conversa que teve entre eles foi o que me intrigou.

— E o que foi?

— Os dois vieram a Fiore a mandado de alguém de Ghaléia, pois segundo a Princesa, eles receberam um pedido e a antiga política do Reino parece estar envolvida nisso. Pelo que vi da capa do livro, era da época em que a Magia foi proibida. Isso não está me cheirando bem, Rogue.

Meu irmão gemeu com a notícia, dava para ver o quão frustrado e irritado ele havia ficado. Parecia que as nossas vidas haviam dado um giro enorme da roleta da sorte e caído na área de azar, pois a cada dia mais problemas apareciam.

— Vou convidar a Princesa para um passeio e ver se consigo tirar algo de útil da conversa – ele ergueu-se da cadeira e foi em direção a porta – ah, antes que eu me esqueça, é melhor deixar o Príncipe longe de Levy. Ele parece bem interessado nela e nós já conhecemos a fama de Sting.

— Pode deixar – afirmei. De maneira alguma eu deixaria aquele libertino se aproximar da baixinha.



(…)



Uma das coisas que gosto do Castelo eram as suas belas vistas. A enorme construção foi planejada para dar segurança ao soberano, mas também para mostrar aos visitantes as maravilhas de Fiore, por isso várias sacadas foram feitas para que dessem visão as florestas, riachos, campos e tudo mais. E era em uma dessas sacadas que Levy e eu estávamos.

Depois da conversa com Rogue decidi que precisava respirar um pouco de ar puro. Ao me dirigir para meu local favorito, depois do Jardim da Rainha é claro, encontrei com Levy e a convidei para vir junto. Por mais que eu quisesse sossego, não poderia deixá-la a mercê do Príncipe de Ghaléia.

— Gajeel, eu tenho uma pergunta – a baixinha chamou-me, olhando em direção ao Jardim Principal que ficava abaixo de nós, logo atrás dele se podia ver os enormes portões principais que eram a entrada do Castelo. Coloquei-me ao seu lado no final da sacada, encostando-me na grade de ferro reforçado. Olhei para baixo a fim de encontrar o que havia chamado sua atenção e acabei formando uma careta de desgosto. Falando no Diabo. Era o Príncipe de Ghaléia, Sting.

Ele estava andando ao lado de sua irmã, que por sinal era muito bonita. Os dois eram o retrato perfeito de como as pessoas imaginavam a realeza, loiros e gloriosos. Lucy tinha um corpo bem estruturado, apropriado para dar a luz a várias crianças – ou, pelo menos, era isso que as outras mulheres falavam –, Sting tinha um porte físico forte, provavelmente por conta das aulas de combate, coisa que todo Príncipe aprendia ao começar a caminhar. Mas havia uma diferença entre eles, enquanto Lucy era calma e gentil, Sting era enérgico e irritante. Dois opostos.

— Diga – incentivei-a a fazer a questão, numa tentativa de parar de pensar neles.

— Por que os sobrenomes deles são diferentes se são irmãos? – ela pediu, apontando para os dois lá em baixo.

— Por causa de uma tradição do Reino deles.

Ela ergueu uma sobrancelha diante a minha curta resposta. Dei um pequeno riso diante a sua insistência.

— Tudo bem, eu explico – virei-me de costas para a grade, apoiando meus braços nela e olhei para Levy. – Lá, toda Princesa deve ser batizada com o sobrenome de solteira da primeira Rainha de Ghaléia, Elizabeth Heartfilia. Já os Príncipes devem ser batizados com o sobrenome do primeiro Rei, Régulos Eucliffe. Tem algo haver com respeito aos antepassados e sobre como carregar esses sobrenomes tornam as pessoas mais sortudas e sábias.

— Vocês tem alguma tradição real aqui? – a azulada perguntou, curiosa. Os olhos acastanhados tinham um brilho travesso, sua sede por saber mais sobre as coisas era notável. Uma coisa que eu gostava dela.

Gostava? O que raios eu estava pensando!

— Temos, mas não a acho muito interessante – dei uma resposta vaga, fazendo-a dar um bufo. Revirei os olhos e abri a boca para comentar a nossa tradição, quando um som estranho veio dos portões principais.

— O que foi isso? – Levy olhou para baixo assustada. Olhei para a entrada do Castelo e vi uma comoção nos portões, então saí correndo para lá.

— Já vamos descobrir, baixinha – disse-lhe ao notá-la correndo ao meu lado – fique perto de mim, entendeu? – ela concordou com um balançar de cabeça.

Por algum motivo, aquilo não me cheirava bem.

Notas finais
As apostas de que os Príncipes eram Sting e Lucy estavam certas!!!!! Um enorme bolo de chocolate para vocês... O que acharam do capítulo? Dos mistérios? Da Magia? Do finalzinho? Enfim, estou aguardando ansiosamente as suas opiniões! Beijos e até a próxima.