Sigilo

26 Capítulo 25 - Natsu


Notas iniciais
OIE MEU POVO AMADO! Eu tão na vibe de Sigilo, que já tenho 2 capítulos adiantados! Felizona aqui com minha inspiração, cês nem tem ideia. Bom, desejo-lhes uma boa leitura!

Sigilo

Capítulo 25

Natsu

Lucy tremia levemente, assustada com a reação de Rogue com o interrogatório infrutífero. Verdade seja dita, até mesmo eu que sabia da personalidade do Rei fiquei surpreso. Rogue tendia a ser uma pessoa compreensível e aberta a ouvir o outro lado da história na maior parte das vezes, porém quando algo o atingia pessoalmente, ele era capaz de tudo para se sentir em paz e vingado. Entendi que precisava falar isso para Lucy, ou ela transmitiria esse medo em algum momento para seu noivo.

— Hey – chamei sua atenção, abrindo a porta de seu quarto – pode se acalmar agora.

A Princesa soltou um suspiro e entrou no aposento. De minha parte, permaneci no corredor. Poderia falar sobre o assunto em outro momento e provavelmente em outro local. Sabia que se alguém em visse em seu quarto poderia gerar fofocas indesejadas. Estava despedindo-me com uma leve reverência brincalhona, quando ela puxou-me pelo braço.

— Vamos limpar esses seus cortes, se não podem infeccionar – disse, trazendo-me para dentro do aposento.

— Sim, senhora – respondi, brincando e imitando a pose dos soldados do reino.

Com isso consegui fazê-la rir, saindo um pouco daquele ar assustado. O riso combinava-lhe mais que tremores.

— Sente-se, vou buscar as coisas – ela indicou sua sala com as mãos, entrando em um cômodo que julgava ser o banheiro.

A parte da sala era bem decorada, e podia-se ver alguns detalhes pessoais pelo cômodo. As prateleiras continham vários livros, vasos pequenos com flores amarelas, rosas e brancas, e velas dos mais diversos cheiros. Haviam dois sofás e duas poltronas, todos de forragem azul-escuro. O que era ótimo para mim, pois minhas roupas não estavam no melhor estado de limpeza. A mesinha de centro era de madeira clara, combinando com as estantes, com um recipiente recheado de bolachas e doces em cima.

Estava comendo o quarto docinho, que por sinal eram de maracujá, quando Lucy apareceu na sala. Ela carregava uma bacia com cuidado, pois estava cheia de água, em um dos braços estavam penduradas duas toalhas, e no outro braço um pote estava precariamente equilibrado na dobra interna de seu cotovelo.

— Deixe que eu te ajudo – falei, ainda de boca cheia, pegando o pote e as toalhas.

— Pelo visto encontrou os docinhos – ela brincou, empurrando o recipiente com a comida para o lado, colocando a bacia de água no lugar.

— Não deu tempo de passar na cozinha antes – respondi, furtando mais um doce.

— Pode comer tudo se quiser, detesto maracujá – a loira comentou, fazendo uma careta enquanto molhava uma toalha.

— Que calúnia! Maracujá é a melhor fruta que existe, mulher! Esse doce é maravilhoso!

Lucy bufou e se aproximou de mim.

— Duvido que repita isso depois de provar meu doce de baunilha – ela retrucou, fazendo-me recostar na poltrona mais próxima.

— Vou cobrar – respondi, sorrindo.

Lucy ficou com as bochechas vermelhas, dando a ela um ar fofo. E tão logo que tive essa observação quis me bater. Não era certo ficar imaginando essas coisas da futura esposa de seu amigo!

— Fique quieto – Lucy cortou meus pensamentos, pressionando o pano nos cortes.

Ardeu pra caramba. Tanto que ela precisou me segurar com uma mão, enquanto passava a toalha com a outra pelos cortes na testa, bochecha e garganta.

— Da próxima vez que você se oferecer para me ajudar com machucados vou recusar – falei para suas costas, enquanto ela lavava o pano – até Gajeel seria mais delicado.

Lucy bateu com a toalha úmida em meu peito, o rosto ultrajado.

— Quanta ingratidão a sua!

Comecei a rir inevitavelmente, pois seu ultraje a deixava com o rosto engraçado, formando uma careta nada digna de Princesa. Lucy acabou me presenteando com mais duas toalhadas quando mencionei o fato em voz alta.

— Ingrato! Ingrato! Ingrato!

— Luucy! Para! — implorei, ainda rindo.

De repente estávamos os dois rindo e brincando de guerra com as toalhas, correndo pela sala dela. Lucy se esquivava dos meus acertos através dos móveis, e eu zombava da sua péssima pontaria. Como eu também havia molhado a minha arma, o chão começou a ficar molhado por conta dos nossos golpes. Foi assim, que numa tentativa de me surpreender, Lucy acabou escorregando e bateu com os pés em mim, levando-me ao chão também.

— Ai… — Lucy resmungou.

Foi então que notei como estávamos. Acabei caindo por cima dela, meu rosto perigosamente perto do seu. Lucy olhou-me e então corou. Os lábios se abriram um pouco, chamando minha atenção para eles. Uma vontade avassaladora de beijá-la me tomou naquele momento, fazendo com que eu me aproxima-se mais dela.

— Natsu… — ela sussurrou meu nome, mexendo ainda mais com meu cérebro.

Seu peito subia e descia rápido, fazendo seu colar deslizar até a base de seu pescoço.

O colar.

O objeto foi uma facada, trazendo-me a realidade.

Lucy e Rogue. Princesa e Rei. Nada de Natsu.

Levantei-me depressa, quase escorregando e caindo novamente.

— Desculpe-me por isso – falei, oferecendo-lhe a mão para ajudá-la a levantar.

Lucy estava definitivamente vermelha nesse momento. Ela abaixou um pouco a cabeça, fazendo com que seus fios loiros cobrissem seus olhos.

— Desculpas por qual motivo? Foi por minha causa que caímos – ela respondeu, aceitando a mão – e ainda preciso passar aquele unguento nos cortes – mudou o assunto, gesticulando para que eu voltasse a me sentar.

Ficamos em silêncio durante o tempo em que Lucy passava a pasta malcheirosa pelos cortes, apesar da brincadeira que fiz antes, ela era gentil e cuidadosa com o que fazia.

— Pronto! Amanhã já deve estar sarado – ela sorriu, fechando o pote.

Sem aquele ar alegre de antes, ela ficou parecida de como estava quando chegamos ao seu quarto, fingindo que estava tudo bem. Lembrei-me do que queria conversar com ela, naquele momento no corredor, antes que ela falasse sobre meus machucados.

— Lucy… — chamei-a.

Ela pegou as toalhas do chão, evitando o meu olhar.

— Não precisa se desculpar, já falei.

Levantei-me e peguei a bacia, ajudando-a a limpar a bagunça que fizemos.

— Não é sobre isso que quero falar – respondi, seguindo-a para o banheiro.

A Princesa pegou mais duas toalhas secas, jogando-me uma, quando notou que eu não sairia dali sem que ela me ouvisse.

— Bem, então pode falar enquanto secamos o chão – ela comentou, saindo o cômodo.

Ajoelhei onde tinha mais água, e comecei a passar o pano.

— Rogue não é uma má pessoa – comecei, espiando-a pelo canto dos olhos. Reparei que suas mãos pararam de trabalhar assim que falei o nome do Rei.

— Sei que não é – murmurou.

— Mas, ficou apreensiva sobre o modo como ele agiu – apontei – eu vi, Lucy.

Suspirando, ela sentou-se, largando o que fazia.

— Ele não estava se importando que aquela moça estivesse sofrendo tanto. É algo de se temer – comentou, olhando-me séria.

Imitei-a, sentando também.

— Rogue é uma pessoa compreensiva e aberta a ouvir o outro lado da história a maior parte das vezes, mas isso pode mudar caso algo aconteça com seu círculo pessoal. A sua raiva não era direcionada a Juvia em particular, e sim ao que ela representava. Os Rebeldes raptaram a sua noiva, a Consorte Real de seu irmão, seu amigo, e então torturaram seu Conselheiro. Além das várias mortes que assolaram e ainda assolam Fiore. E as respostas para evitar uma guerra estão naquela Maga que se recusa a falar – expliquei, cuidando para manter minha voz suave – concordo que o modo como ele agiu nas masmorras não foi a melhor coisa de se ver, mas acredite em mim quando digo que ele jamais se voltaria daquele modo contra ti.

E se por um acaso se voltasse, eu não sei se a nossa amizade me impediria de partir a cara de Rogue.

— Você sabe que eu escondo um certo detalhe dele – Lucy falou após um bom tempo em silêncio – o que me deixa nervosa sobre Rogue é a sua figura de Rei, que parece ser uma personalidade separada de sua pessoa, e não sei o que essa figura faria caso descobrisse que escondi esse detalhe importante dele, principalmente se já formos casados.

Aproximei-me dela e peguei sua mão.

— Se algum dia isso acontecer, estarei ao seu lado – garanti-lhe.

Lucy olhou-me de um modo que não saberia explicar, mas aquele olhar mexeu com meu interior, tirando qualquer sossego meu.

— Eu confio na sua palavra – ela respondeu, apertando as nossas mãos.

(…)

Bati à porta do Príncipe logo após sair do quarto de Lucy. Depois de ajudá-la com a bagunça e prometer que passaria mais uma vez aquele unguento fedido antes de dormir, corri para fora do aposento, pois tinha alguns assuntos a tratar.

— Quem é? — a voz mal-humorada de Gajeel soou do outro lado.

— A fada dos dentes – zombei, imitando uma voz feminina – sou eu, Natsu. Quem mais seria? — respondi, com a minha voz normal. Então me ocorreu uma certa ideia, fazendo com que um sorriso malicioso brotasse em meu rosto – a não ser que estivesse esperando pela Levy-chan...

A porta abriu bruscamente, revelando uma massa enraivecida chamada Gajeel RedFox.

— Entre logo, imbecil.

Fiz cara de inocente e dei o melhor sorriso que dispunha.

— Preciso de ajuda – comentei.

Gajeel encostou-se no batente da porta, erguendo uma sobrancelha.

— Não vou te beijar.

— Que os Deuses me livrem desse horror – arregalei os olhos, colocando uma palma no peito – imagina como a pobrezinha da Levy deve estar traumatizada.

Sabia que não deveria testar a sua paciência zombando da vida amorosa dele, mas era impossível não fazer piadas desde que havia me contato seu problema de gato e rato com a garota. Gajeel devia se arrepender amargamente de ter me confidenciado todo seu rolo sentimental, desde o início da farsa até suas fugas da moça, pouco antes de eu partir nas buscas.

Apesar de que nós dois estávamos bêbados, então pode ser que eu também tenha falado demais.

— Desembucha – ele retrucou, gentilmente.

— Adotei um gato.

Gajeel limitou-se a me olhar com cara de tacho.

— Um gato metamorfo – completei diante sua reação maravilhosa.

Com isso, ele endireitou-se e tornou-se mais profissional, adotando a pose de amigo para qualquer situação.

— Onde ele está?

— No meu quarto – respondi, dando alguns passos pelo corredor, instigando ele a me seguir.

Depois de ele se certificar que seu quarto estava devidamente trancado, fomos em direção ao meu aposento. Que era longe pra chuchu da Ala Real.

— Qual o problema? — ele perguntou, enquanto atravessávamos o Jardim da Rainha. O local mais belo no Castelo em minha opinião.

— Ele está um pouco traumatizado com pessoas, pois sofreu nas mãos dos Rebeldes Vermelhos. Queria saber se Lily estaria disposto a conversar com ele, e que ele visse que a relação de vocês é boa e tudo mais.

Gajeel franziu o cenho na menção dos Rebeldes.

— Traumatizado como?

— Encontrei ele em um dos cinco acampamentos dos Rebeldes, era o que mais tinha prisioneiros. Como ele não é um animal comum não podia deixá-lo em qualquer vila, sem contar que a única pessoa que ele não tentou retalhar com suas garras foi a mim, então dificilmente alguém o adotaria – expliquei parte da história. Já que o que tinha levado os Rebeldes a raptá-lo e mantê-lo preso não era de meu conhecimento.

Fizemos um pequeno desvio da rota para passar na cozinha. Eram dois motivos para irmos lá, sendo o primeiro para verificar se Lily não estava por lá roubando algo das cozinheiras, e o segundo para pegar algo para o novo integrante do Castelo.

Felizmente, encontramos o que pretendíamos. Com um pequeno bônus é claro. Lily de fato estava na cozinha, mas não estava desacompanhado. Depois de uma pequena cena de Gajeel, no qual Lily e eu presenciamos comendo parte dos alimentos que levaríamos, Levy que também estava na cozinha, foi junto de nós para conversar com o outro metamorfo. Segundo Lily, ela traria mais confiança, já que vinha carregando o gato preto em seus braços, que por sinal, ronronava pelos carinhos que recebia da moça.

— Chegamos – anunciei em frente a porta do meu quarto.

Estava com a mão na maçaneta quando senti alguém puxar a manga da minha blusa. Era Levy.

— Ele disse o seu nome?

— Ainda não – suspirei, um pouco triste.

Era chato ficar chamando ele por psiu, ei, carinha.

Posicionei-me novamente para abrir a porta, porém fui interrompido pela segunda vez. Dessa vez era Lucy. Imagine a minha surpresa ao ver aquela loira correndo pelo corredor, mandando que esperássemos ela.

— Desculpe interromper seja lá o que estiverem fazendo – ela comentou, erguendo as sobrancelhas loiras para Levy – mas você esqueceu de levar isso, Natsu.

Ela trazia em suas mãos o pote com o unguento. O que eu deveria passar novamente antes de dormir.

— Ah, certo… obrigado – respondi, pegando o pote.

— Bem, já vou indo – Lucy anunciou, virando-se, apesar de seu rosto denunciar sua curiosidade.

Gajeel deu uma pequena risada e chamou a loira, olhando-me com zombaria. Ah, era um castigo por eu ter ajudado Levy para que ela viesse também. Vingança.

— Por que a Lucy também não entra? — ele questionou, fazendo-se de inocente.

— Pode ser uma boa ideia – Levy emendou.

— O que vocês estão aprontando? — Lucy pediu, franzindo o cenho.

Soltei um suspiro, vendo que não haveria modo de deixá-la de fora.

— Se ele arranhar alguma das duas, você que se explique para Rogue – falei, batendo com o dedo indicador no peito de Gajeel.

— Arranhar?! — Lucy exclamou.

— Natsu adotou um gato – Levy respondeu, erguendo Lily – igual ao Lily.

Ignorando todos eles, finalmente abri a porta do quarto. Como não era um aposento da Ala Real, ele não possuía vários cômodos. Era composto simplesmente pela área principal que era o quarto em si, com a espaçosa cama, um sofá, um espelho de corpo inteiro e um longo armário que estava praticamente vazio. O outro cômodo era o banheiro, tão simples quanto Rogue pode providenciar a pedido meu. Dado ao meu comportamento enérgico e um pouco de desastre, certamente metade de toda aquela mobília estaria quebrada em uma semana, caso se assemelhasse aos demais banheiros privativos.

No meio da cama, deitado em uma bola, estava o gato resgatado. Sua pelagem era azul clara, com manchinhas brancas no peito, patas e ponta do rabo. Uma de suas orelhas estava cortada e havia uma cicatriz em sua barriga. A meu ver, ele era lindo, especial e único. Posso ter dito a Gajeel que havia acolhido ele por não ter mais opções, mas a verdade era que acabei criando um vínculo com ele.

— Hey, carinha – saudei com voz suave, fazendo com que ele abrisse os olhos – trouxe algumas visitas para você. Espero que não arranhe eles, seria desrespeitoso – completei assim que vi seus olhos ficarem afiados assim como as garras.

Coloque-me no chão, por favor, Levy – Lily pronunciou-se, chamando a atenção do outro para si.

Lily andou de modo digno até a cama e sem medo algum, subiu bem perto do outro ocupante.

Sou Phanterlily, amigo e protegido de Gajeel RedFox, aquele rapaz ali de cabelo preto. Também sou amigo dos demais daqui, como Levy, a moça de cabelo azul, Lucy, a moça de cabelo loiro e também de Natsu. E você? Como se chama?

O outro gato olhou todos com calma. Nesse momento eu já tinha uma leve certeza de que ele não arranharia os demais.

Eles são confiáveis? — respondeu com outra pergunta. Sua voz era infantil.

Não consigo imaginar pessoas melhores – Lily garantiu, dando um sorriso felino.

Me chamo Happy – ele respondeu, finalmente dando-me seu nome.

Sorrindo, cheguei mais perto dele e dei uma leve coçada atrás de suas orelhas.

— Olá Happy! — Lucy inclinou-se, sorrindo.

Happy olhou para ela por longos segundos, e então saltou no ar. Meu grito ficou preso na garganta com toda a cena que se seguiu. Em vez de arranhá-la como todos supomos, ele transformou-se no ar e abraçou a loira com força.

Meu rosto refletia o choque de Levy e Gajeel ao ver qual a segunda forma de Happy. Era um garotinho de cabelo curto e azul igual sua pelagem. Ele mantinha os braços envoltos na cintura de Lucy e a cabeça enterrada em seu peito. A Princesa por sua vez, abraçava-o de volta com uma mão e com a outra fazia-lhe afagos na cabeça.

Eu gosto dela – Happy comentou, a voz abafada por ainda pressionar a cabeça nos seios dela – ela me lembra a minha mãe.

Lucy ficou vermelha dos pés a cabeça, olhando-me assustada.

— Agora ele tem pai e mãe – Gajeel comentou em tom neutro para não complicar-se com Happy, mas seu olhar me mostrava a brincadeira dirigida a mim.

— Igual Lily – retruquei.

Levy ficou rubra e Gajeel fechou a cara.

— Nós trouxemos um pouco de comida para você, Happy – Levy anunciou, pegando a bandeja das mãos de Gajeel que ainda me fulminava com os olhos.

Com isso o metamorfo deixou de abraçar Lucy e fixou os olhos em Levy.

Seu cabelo é igual ao meu— ele apontou, pegando um sanduíche da bandeja.

— Sim – ela respondeu, sorrindo.

Mas, eu não lembro de você no cativeiro— Happy estava fixado nos fios azuis dela – me lembro de todos que eles pegaram, mas você não estava lá.

— Como assim? — Lucy foi quem perguntou.

Então você é a pessoa de quem eles comentavam.

Todos no quarto ficaram olhando para Happy, tentando entender suas palavras. Aproximei-me dele, colocando uma mão em seu ombro.

— Tem relação com o motivo de terem lhe prendido?– perguntei.

Happy sentou-se no chão e eu lhe segui, sentando-me ao seu lado. Logo depois todos também fizeram o mesmo, criando uma pequena roda ao redor do metamorfo. Lily tinha descido da cama e se encontrava entre Gajeel e Levy.

Tem – ele respondeu, as pequenas mãos tremendo levemente.

Instintivamente peguei uma delas, e vi que Lucy pegou a outra. Happy soltou um suspiro como se estivesse aliviado e se encostou em minha perna.

— Se quiser falar sobre isso outra hora, entenderemos – a Princesa lhe assegurou.

Gostei de vocês – falou, erguendo os olhos, dando um curto sorriso – quero contar.

— Como queria fazer – confirmei.

Happy tomou um longo fôlego e fixou-se na bandeja posta no meio da pequena roda.

Fui raptado pelos malvados enquanto estava nessa forma. Eles estavam raptando todas as pessoas que tinham cabelo azul, pois estavam seguindo uma pista de que um homem com esse tipo de cabelo havia encontrado a cura para a doença e seus descendentes tinham essa informação também. Foi uma caça por todo o Reino. Fui um dos primeiros a ser preso. Vi o cativeiro se enchendo, mas ninguém sabia dessa tal cura. Decidiram usar-nos como fontes já que não servíamos ao que queriam – ele soltou um pequeno riso amargo – Quanto a mim, nem fonte poderia ser, pois metamorfos não tem um centro vital separado do mágico para isso. Fui deixado naquela cela como atração, pois não podiam me soltar e nem me usar. Por conta disso fiquei sabendo de várias coisas, pois era ignorado como parte do ambiente, então não se importavam em falar as coisas perto de mim. Assim soube dos motivos dos raptos, e também que só havia mais uma pessoa em Fiore com essa tonalidade de cabelo. A garota do Príncipe – Happy fitou Levy ao final do seu relato.

Lucy tinha o semblante triste pelo que Happy havia passado. Ela envolveu-o com os braços, demonstrando o carinho que tinha lhe faltando por todo esse tempo. Happy por sua vez voltou a sua forma de gato, provavelmente pelas memórias ruins de quando estava em forma de garoto, e enroscou-se no colo da Princesa.

— Então o ataque ao Castelo durante o Baile não foi apenas para raptar Lucy e Levy como moeda de troca – Gajeel comentou mais para si que para nós.

— Infelizmente para eles eu também não sei de cura alguma – Levy sussurrou, abraçando os joelhos.

Estava abrindo a boca para soltar alguma piada e melhorar o clima do local, quando Happy soltou um lamurio agudo. Rapidamente voltei minha atenção para ele, notando que ele batia com as patinhas no peito de Lucy.

— Lucy! — Levy gritou, jogando-se na amiga.

Foi então que notei um filete de sangue escorrendo por seu nariz.

Notas finais
E ENTÃO? O QUE ACHARAM! Ok, desliguei o CapsLock, mas é que estou muito animada com o andar da fanfic!! Estou esperando ansiosíssima as reações de vocês em! Quero agradecer a todos que vem favoritando e comentando em Sigilo, vocês fazem o meu dia incrivelmente feliz. Amo todos vocês! Bem... até o próximo pessoal! Beijos.