Sigaretta
1 Capítulo Único
A beira de um penhasco tinha um homem preste a se enforcar, a plataforma estranhamente se sustentava na superfície arenosa do lugar e cadeira cumpria seu papel de manter Enrico ainda vivo. Puxou um cigarro do seu maço e olhou para o céu e mar, eles pareciam infinitos e ele logo seria parte deles, poderia finalmente ser livre.
O sol se punha e a hora que Enrico escolhera parecia chegar, muito embora nem ele mesmo soubesse a hora, só sabia que haveria de chegar e ele estava pronto para fazê-lo. O tempo passava e o maço se esgotava, a dor excruciante batia em seu peito e parecia que já era tempo de transformar pensamento em ato e ato em fato e então ele se desprendeu do banco para se tornar uno com o universo.
Teria assim acabado a vida dele se a plataforma não tivesse quebrado, fazendo com que alguns pedaços dela e o banquinho caíssem ladeira abaixo. Em meio aos destroços, o homem fumava seu último cigarro e chorava expurgando toda a dor e frustração da vida que tivera, a fumaça dançavam ao seu redor e envolvia-o em seus braços.
Repentinamente toda a paisagem começou a tremer, a realidade foi rachando e chegou num ponto em que ele mesmo acordou. Se viu em uma maca, enquanto os enfermeiros se preparavam para mais uma rodada do desfibrilador, gargalhou como nunca e então tudo era reticências.
“Com o suor do teu rosto comerás teu pão, até que te tornes ao solo. Pois dele foste tirado. Pois tu és pó e ao pó tornarás.” Gênesis 3, 19
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