Sidle
7 Capítulo 7
Eu estava arrependida por ter aceitado o convite de Steven, eu realmente estava cançada e ir para a cama mais cedo não seria má idéia. Mas na hora eu só queria que Grissom visse que eu não estaria lá para ele o tempo todo, que existe um mundo lá fora para mim e mesmo que eu queira insistir em parar no mesmo erro as coisas acontecem e quando nos damos conta já pode ser tarde de mais.
Peguei o telefone e liguei para Steven, eu não seria uma boa companhia naquela noite. Chamou uma, duas, três vezes. Ouvi tocarem a campainha e fui atender.
- Sara?! — Sorriu ao me ver em uma camisa para pessoas com o triplo do meu tamannho. — Joguei o telefone no sofá e ele percebeu quem o chamava no celular.
- Hãm... oi. Me desculpe — Olhava para a minha roupa — Eu não me sinto muito bem, estou meio cansada. — Forcei um sorriso.
- É uma pena, eu queria a sua companhia essa noite. — Fez uma carinha que dava pena em qualquer um. — Já jantou? podiamos pedir uma pizza.
- Não.
- Entendi, não me quer por perto.
-Não, não é isso, quiz dizer que ainda não jantei. Pizza é uma boa idéia.
- Dei passagem para ele entrar. — Você fique a vontade que eu vou tirar esse roupa.
- Sorriu — Digo, vou trocar de roupa.
- Não precisa Sara. Você está linda. — Observava minha estante com livros. — E... você está em casa não precisa ser tão formal.
- Acho que você tem razão.
##
Comiamos a pizza enquanto assistiamos a um filme sentados no chão com várias almofadas espalhadas, a luz estava apagada, apenas a luminosidade que era feita pela televisão clareava o ambiente.
- Você realmente não está chateado?
- Não. — Comecei a falar qualquer coisa mas fui interrompida. -Shiiii conversar durante a seção é feio. — Mordeu a pizza.
Eu gostava do jeito como ele fazia eu me sentir bem, era um homem direto e sem rodeios. Mas eu não sou do tipo de mulher que fica confundida com ele. Acho que após tantos anos de tentativas frustradas é meio estranho quando outra pessoa toma todas as atitudes da situação. Com Grissom eu tinha que está sempre tentando, dando o primeiro passo, repetindo, tentando mais uma vez... eu o decifrava de pouco a pouco, lendo um olhar aqui, interpretando uma palavra ali... Já Steven era aberto de mais, não esperava que eu fizesse uma pergunta para me contar o que eu queria saber. Mesmo sendo o seu pior defeito, o que mais me atraia em Gilbet Grissom era sua particularidade, montar o quebra- cabeça que ele era por muitas vezes foi minha maior diversão.
- Se não se importa, vou aumentar o volume.
- Tudo bem. — A distância até a tv era curta então ele foi agaixado. Quando voltou retirou a almofada que estava entre nós e sentou bem próximo a mim.
- Está sujo aqui. — Se aproximou e retirou alguma sujeirinha que estava no meu rosto. — Sorri
- Shiiii falar durante a seção é feio. — Brinquei com ele.
- Mas o filme já acabou... posso falar agora?
- Huhun
[...]
- Seu primeiro nome é Simone ?! — ri descontroladamente
- É, sabe, familia italiana... Mas... me chame de Simone e eu não atenderei.Meu nome é Steven, ou coisa parecida.
- Parece o Grissom fazendo uma citação.
- Grissom, Grissom... já sei muito sobre ele. — Meu riso congelou. — Ele parece está presente aqui, como eu e você.
- Me desculpe. Eu...
- Ele é especial para você...?Eu não quero forçar nada...
- É. Eles são minha familia.
- Não é disso que eu falo...
- Não — suspirei. — Nada desse tipo
- Então eu posso...
Não senti borboletas de neve em minha barriga, nem nada do tipo. Foi um beijo sem sentimentos de minha parte.
- Eu queria tentar de verdade com você.
- Steven, porque comigo? Porque você acha que gosta de mim o suficiente para tentar?
- Porque... é porque você... você é diferente.
- Isso é muito vago.
- Eu gosto de você e isso basta pra mim.
- Para mim não basta. Eu... se não se importa, eu estou realmente cansada.
O levei até a porta.
- Então tchau Sara. Acho que o problema sou eu e não meus amores problemáticos.
- Não. O problema sou eu... problemática.
- Que seja. — Se aproximou me dando um pequeno beijo nos lábios, eu não recusei, me sentia em falta com ele. — Então, adeus.
- Até um dia.
- Boa sorte.
Fiquei o observando até que ele entrasse no elevador. Eu estava com raiva de mim por ser tão eu. Porque eu não podia tentar... O que eu queria que ele falasse?! Que eu sou .... sou... sei lá! eu acho que eu queria que ele falasse o que Grissom diria. Mas o que ele diria? Essa era a questão, ele não diria. Nunca disse nada. Tentei dormir. Sem sucesso, aquela pergunta não me saia da cabeça. Quando o que queremos fazer não é o que devemos, tudo está ao alcançe. Peguei o celular que estava bem próximo a cama.
- Grissom — Afundei minha cabeça no travesseiro ao ouvir sua voz.
- Oi... eu só liguei porque...
- Está tudo bem Sara?
- Sim. Eu só queria te perguntar uma coisa, mas se não quiser responder tudo bem. Eu preciso disso.
- Então pergunte...
- Você... Porque gosta de mim o tanto suficiente para não tentar?
- Sara... hã.. — Ele gaguejava.
- Se não responder tudo bem.
- Porque o jeito... que você arruma seu cabelo, você procura o efeito que o mundo não quer reparar, mas... não tem sucesso. E o tempo que demora para decidir se aquilo que está ouvindo.... é convincente para...para poder concordar, e me deicha esperando... Isso me faz ter o suficiente para não tentar.
- Porque Grissom? — Algumas lágimas davam o ar da graça em meu rosto.
- Porque diante dessas coisas eu não me sinto bom o bastante para você.
- Isso é ridiculo Grissom, eu não sou perfeita. Não sou.
- Você está chorando Sara... eu não queria te fazer triste.
- Grissom ... triste é não chorar, como você, que fica ai parado igual a uma pedra.
- Me perdoe. — disse baixo
- Sei te perdoar o que você não me dá. Me desculpe por ter ligado, eu não devia.
Notas finais
Vlw
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