Sidle
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Estou juntando eles, tipo 2 em 1.
No dia seguinte acordei um pouco tarde, estava com uma vontade enorme de ir embora daquela lugar, tudo naquela cidade me parecia vazio, acho que pelo motivo que me levou até lá. Pensei seriamente em antecipar minha volta, Fui a São Francisco para vê-la e isso eu já havia feito. Minha presença ali não mudaria em nada a situação em que ela se encontrava. Por outro lado, eu não queria deicha-la sozinha naquele hospital, sem ninguém para cuidar dela, Sabia perfeitamente como era ser sozinha e não desejava isso a ninguém, nem mesmo a ela que foi responsável por parte da minha solidão.
Chequei meu celular e vi que havia várias ligações não atendidas, todas do laboratório. Resolvi não retornar já que estava fora da cidade e se estivessem precisando da minha ajuda eu não poderia atende-los. Fui até o Hospital para saber notícias de Laura, nenhuma foi animadora.
[...]
- Ela parece mais pálida, se isso é possivel. — estava próxima a ela.
- Sara... Sabe, em casos como o dela não costumam acontecer melhoras. — Steven disse calmo. — Eu não gosto de dizer isso Sara, mas é necessario.
- Eu sei, tudo bem. — Ficamos em silêncio por um tempo. — Tenho que ir, tchau.
- Tchau Sara. — Ele pronunciava meu nome mais que o necessario.
Eu já estava fora do quarto quando ouvi ele chamar pelo meu nome. Olhei para ver o que ele queria.
- Você já almoçou? — Não deu tempo de responder. — Gostaria de me fazer compania ?
- Eu não sei, acho que... — Queria ficar sozinha mas não queria dizer não.
- Vamos, faz bem sair desse ambiente. — Ele era insitente.
Não consegui dizer não para ele, era só um almoço. Fomos em um restaurante próximo ao hospital, não era muito movimentado mas era bastante aconchegante. Os pedidos já haviam chegado, a conversa estava distraida.
[...]
- Então seu trabalho toma muito tempo. Seu namorado não se importa?
- Não... na verdade eu não tenho um. Se tivessemos alguém o trabalho iria ser um agravante.
- Como sabe que eu não tenho ninguém? — Perguntou animado.
- Por isso. — Apontei para a mão dele mostrando a ausência de uma alinça.
- Muitos casais não usam alinça... — Tentava ser esperto.
- Ok. — O analisei um pouco . — Não parece ter uma mulher na sua vida, sua barba está para fazer. — Apontei para a roupa dele. — Tem uma mancha na sua camisa.
- Onde? — Ele procurava.
- Ali — apontei. — Viu só, você nem sabia, isso é o tipo de coisa que não passa despercebido pelos olhos feminino... uma namorada notaria isso.
- Você venceu — Levantou as mãos. — Como uma mulher como você não tem ninguém no coração?
- Eu não disse que não tenho nínguém no meu coração... Eu é que não estou no coração de ninguém...
- Bom, isso é simples... é só você deixar... — Tinha o olhar fixo.
- Não acho que seja uma boa hora para me envolver com alguém.
- Quando for a hora, estou na fila. — Sorriu. — O que foi?
- Queria que algumas pessoas fossem tão diretas como você. — Sorri
- Vou tomar isso como um elogio.
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Eu estava vendo um filme que passava na tv quando meu celular tocou, já era tarde então imaginava quem poderia ser. Ignorei o toque que ele fazia. Não estava com sono, e também não estava prestando atenção no filme. Eu me sentia incomodada naquele quarto de hotél. Olhei pela janela, a rua não estava muito movimentada, decidi que iria voltar ao hospital. Liguei para a recepção e pedi que chamassem um táxi para mim. Peguei um casaco e desci. Fiquei esprando pelo táxi em frente ao hotél, sentada na calçada.
Não parei na recepção, fui direto para o segundo andar, pela hora não estava no horário de visitas então preferi não me arriscar, fiquei sentada na cadeira mais próxima ao quarto. Fiquei ouvindo música para ajudar a passar o tempo, quando peguei meu celular para vê as horas vi que tinha várias mensagens do pessoal do lab. Fechei meus olhos para me concentar na música.
Alguns minutos depois havia um grande movimento no corredor, abri meus olhos automaticamente e vi a porta do quarto aberta, lá dentro consegui ver várias pessoas, entre elas o Steven . Me levantei indo em direção ao quarto mas a porta foi fechada antes que eu a alcançasse. Quando me virei Luci estava vindo em minha direção, pedi informções a ela.
- Eu não seu querida. Assim que eu souber te aviso.
Ela saiu apressada entrando no quarto e fechando a porta novamente. Eu não sabia o que fazer. Estava andando de um lado para o outro quando ouvi meu celular tocar. O atendi.
- Griss...
- Está chorando Sara? — Não consegui disfarçar. — O que está acontecendo?
- Ela não está bem Griss, eu vim vê-la.
- Quem Sara? onde você está?
- Minha mãe. Ela não vai resistir. — Eu chorava mais — Eu sabia que não deveria ter vindo.
- Calma Sara. Onde você está? Eu vou até ai.
- São Francisco. — Vi Luci saindo do quarto, ela parecia está me procurando. — Tenho que desligar.
Fui até Luci, ela tinha uma expressão muito conhecida no rosto, a mesma que costumamos usar para falar com os parentes das vítimas. Eu já sabia oq ela iria me dizer.
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Eu estava na direção do hospital assinando alguns papéis para a liberação do corpo. Era estranho, eu via aquilo todos os dias, pessoas fazendo as mesmas coisas que eu fazia ali. Me parecia tudo tão normal, não era como se aqueles papéis fossem um atestado de ausência de vida. Ouvi alguém me chamar pelo meu nome, me virei para vê quem era.
- Quando ela deu entrada no hospital estava trazendo isso. — Luci me entregou uma bolsa. — Deve ter algum endereço ai dentro, ela vai precisar de uma roupa.
- Obrigada. Ainda não tinha pensado nisso. — Abri a bolsa procurando alguma coisa. -Quem a trouxe para o hospital?
- Não sei direito, acho que ela passou mal na rua. Alguém viu e a trouxe para cá.
- Acho que esse é o endereço dela- Retirei da bolsa uma conta de luz. — vou verificar.
Depois de assinar todos os papéis necessários fui tomar um táxi para me levar até o endereço que eu havia encontrado na bolsa. Dei o papel com o endereço para o táxista, ele me fez algumas perguntas, era um senhor muito simpático. Não demorou muito até chegarmos no destino. Era um comjunto de casas até agradável. Tinha um homem na frente de uma delas, fui falar com ele. Ele me mostrou a casa em que ela morava, disse que ela era uma pessoa sozinha, não trabalhava e saia apenas para pagar as contas. Falou também que todo mês chegava um envelope contendo dinheiro para ela.
A casa era bonita por fora, mas por dentro era sem vida, as paredes tinham uma cor escura, os móveis eram de uma cor opaca, dava a casa um ar sombrio. No chão havia vários tapetes, e muitos vasos de flores espalhados pelos cantos. O armário da cozinha estava enferrujado, em cima da mesa havia algumas facas, estavam ordenadas por ordem de tamanho. Fui até o quarto, não tinha muitos móveis, apenas o guarda-roupa, a cama e um criado mudo ao lado dela. Tinha uma foto em cima dele, estava rasgada mas eu sabia quem estava faltando nela. Na foto eu estava ao lado do Marc, meu irmão. Eu devia ter uns seis ou sete anos quando tiramos ela. Não queria ficar naquela casa por muito tempo, peguei uma roupa para levar a funerária e sai dali, aquele lugar era triste.
O enterro aconteceu ás 15:00 da tarde, eu optei por não ir, não queria que minha última lembrança dela fosse dentro de um caixão sendo posta debaixo da terra. Ela não tinha amigos, acho que além do coveiro não apareceu nínguém. Enquanto ele acontecia fui até o hospital para agradecer Luci por tudo, ela foi muito gentil, e eu precisava saber uma coisa. Era sábado, Ecklie havia me dado apenas três dias fora do lab, então eu teria que voltar no dia seguinte. Quando cheguei no hospital não demorou muito até que eu a avistasse, me aproximei dela.
- Ainda por aqui querida. — Ela parecia surpresa.
- Eu voltei para... queria te agradecer por tudo. Foi muito gentil da sua parte ligar me avisando.
- Imagine. Um telefonema, não fiz muita coisa.
- Eu nã sabia que ela tinha meu número. — Pausei. — Nunca me ligou.
- Não, não. No dia seguinte ao que ela deu entrada no hospital, um homem veio falar comigo. Ele era alto, forte, muito educado. Pediu para que eu ligasse para o número que ele havia me dado. Disse que a pessoa saberia o que fazer, a única informação que me deu foi o seu nome, ele disse que o número pertencia a Sara. É só o que consigo me lembar.
- Mas ele não disse qual era seu nome? Ou, a relação dele com minha mãe...
- Não, a conversa foi breve,sem apresentações. Sinto muito.
- Tudo bem, ajudou bastante. — Olhei para o relógio na parede. — Tenho que ir, vou passar no cemitério.
Nos despedimos formalmente, então eu fui embora. Tentava pensar em quem havia dado meu número para aquela mulher, porque a própria pessoa não me ligou. Cheguei a pensar que fosse alguns amigos do meu antigo emprego, mas desisti da idéia quando lembrei que provávelmente eles não tinham meu número, pararam de me procurar quando passei a não responder os emails, cartões de natal, e coisas do tipo que eles me mandavam. Não era difícil alguém que trabalhava no departamento de policia conseguir um número, mas eles não fariam isso, e se fizessem não timham porque não falar diretamente comigo. Não descartei a idéia de que Marc poderia ter feito isso, desde quando fomos mandandos para orfanatos diferentes não tinhamos contato. Nunca soube onde ele estava, ou como estava, mas a idéia me parecia a mais confiável.
Quando cheguei no cemitério pedi informação ao porteiro, ele apontou para um túmulo, ficava bem longe de onde eu estava, aquele portão era o mais distante. Quando olhei para a direção em que ele indicava vi um homem com as mesmas descrições que Luci havia me dito. Em um impulso eu gritei.
- Marc.
O homem se virou para me olhar, estava em pé com as mãos no bolso, quando me viu pareceu que estava com um pequeno sorriso nos lábios. Olhando para aquele homem, eu tinha certeza de que era meu irmão. Não era mais o muleque que eu me lembrava, tinha o cabelo mais curto, estava alto, bonito. Fiquei parada olhando para ele, não acreditava que depois de tanto tempo ele estava ali, tão perto de mim. Sai andando em sua direção, aumentei os passos quando vi que ele estava indo embora.
- Marc, espera. — Eu gritava mas ele não me atendia. — Marc.
Quanto mais eu aumentava os passos mais ele acelerava em direção a entrada principal que ficava mais perto do local onde ela estava enterrada. Fiquei confusa, não sabia por que ele não queria me vê, falar comigo. Eu sentia tanto a falta dele, queria abraça-lo. Mas não parecia o mesmo da parte dele , ele não queria me vê, não tinha saudades. Desisti de grita-lo quando ele atravessou o portão, fui andando mais devagar em direção ao túmulo, tentava botar meus pensamentos em ordem, algumas lágrimas já caíam dos meus olhos.
Quando cheguei onde ela estava me sentei na grama, ainda estava com o pensamento em Marc. Não entendia aquela atitude que ele teve. Peguei uma única rosa que havia em cima da lápide de mármore, ele devia a ter colocado ali.
- Rosa azul, a sua preferida. — Eu falava como se ela pudesse me ouvir. -Vim me despedir, amanhã estou voltando para casa. Eu fui até a sua, encontrei isso lá.
- Retirei da minha bolsa a foto que estava na casa. — Me lembro desse dia.
-Você acha que ela vai gostar papai ? — Lhe mostrava um porta retrato
- Sim, é bonito. O que acha de tirarmos uma foto para colocar nele ?
-Eu não sei — Pensava um pouco. — O Marc também?
- Sim, o Marc também.
- Mas ele está sujo.
- Não faz mal. — Olhava o menino que brincava na terra.
- Foi um dos poucos dias, se não o único em que aparentamos ser uma família.
- Fiquei em silêncio por um tempo. — Não vai mais precisar dela, vou leva-la para Vegas comigo. Eu... eu moro em Vegas. — esperava como se ela fosse dizer qualquer coisa. — Lá é bonito. Trabalho no departamento de polícia, sou uma perita forense.
- tomei folego. — Estranho não é, a morte sempre presente na minha vida. Acho que já me acostumei com a idéia. — Passei a mão sobre a lápide. — Me formei em física na universidade de Harvard. Não tive nínguém na minha formatura. — Nesse momento as lágrimas começaram a cair em maior quantidade. — Eu queria que estivesse lá, mas você não estava, também não estava quando tive meu primeiro namorado. Nunca nínguém estava quando eu precisei.
Senti alguém se sentando ao meu lado, abaixei minha cabeça, não queria que me vissem chorando. Não por ela. A pessoa me puxou para perto dela, me envolvendo com um dos braços. Me virei para vê quem era, senti um certo alívio em saber que ele estava ali.
- Grissom... por que está aqui? — Minha voz saiu baixa.
- Eu disse que viria até onde você estava. — Se referia ao telefonema.
- Não precisava, eu... eu não... — Tentava enchugar as lágrimas.
- Não precisa dizr nada Sara. -Ele tinha um tom suave.
Me agarrei a ele como faz uma criança assustada. Ele me acolhei em um abraço enquanto eu chorava. Nunca me importei de demosntrar minhas fraquezeas a ele. Não contei minhas lágrimas mas milhões delas cairam. Ficamos ali sentados na grama, eu chorando e ele me acolhendo em seus braços, tentando amenizar o que eu estava sentindo. Houve uma hora em que as lágrimas secaram, e tudo o que eu queria era sair daquele lugar, não precisei dizer nada. Grissom me levou de volta para o hotél.
Notas finais
bjão
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