Sidle

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Muito obrigada pelos Reviews. Todos eles.
Bjos

## 2 Meses Depois

Sentada ali sozinha, com aquele envelope em minhas mãos, eu tinha insegurança, eu tinha medo. Me sentei de costas para a porta, se alguma lágrima caisse de meus olhos ninguém veria. Respirei fundo. Abri.

A primeira coisa que retirei lá de dentro foi o que aparentemente seria um pedaço de papel. Era uma foto, ou melhor, um pedaço de uma foto. Estava em mal estado, parecia ter sido dobrada . Não estava bem conservada como a que encontrei na casa de Laura, apesar dos dois pedaços fazerem parte da mesma foto. Era ele quem estava faltando, o homem era exatamente do jeito que eu me lembrava. Cabelos castanhos, fisionomia cansada, talvez por causa da bebida, e sempre aquele meio sorriso para completar a aparência desprezível. O pai que eu não desejaria a ninguém.

Há muitos anos atrás, prometi a eu mesma de que nunca mais iria derramar uma lágrima sequer por aquele homem. Ele nunca mereceu esse gesto, mas promessas são quebradas. Não pude segurar uma lágrima que escorreu pelo meu rosto, sequei-a com a mão. Não consegui conter as muitas outras que vieram quando vi o que ainda tinha dentro do envelope. Uma caixinha. Analisei o envelope na esperança de encontrar mais alguma coisa, uma carta por exemplo. Mas nada encontrei.

Abri a caixinha com cuidado, não me lembrava direito daquele dia, mas naquele momento as lembranças vieram como uma enchurrada.

-Eu quero ficar com meu irmão.

- Eu sei querida, vamos fazer o possível.

- Mentira. Me solta. — Me rebatia contra a mulher que me segurava, consegui me soltar e fui correndo até o outro lado do corredor.

- Sara. — Marc me abraçou — Não quero ir Sara.

- Eu também.

- Venha. — A mulher que antes parecia doce, me puxou em um jesto agressivo, nos separando do abraço.

- Eu já disse que não vou. Quero morar com meu irmão. — Chorava insistentemente.

-Faz alguma coisa Marc.

- Solta ela. — Gritou.

Em resposta a mulher saiu em passos muito largos, me puxando, eu estava um pouco atrás já que não conseguia acompanhar seus passos. Na primeira oportunidade me soltei novamente, indo mais uma vez até Marc.

- Vem comigo Marc.

- Ele não pode meu anjo. -Disse uma mulher que havia chegado a pouco tempo. Era a assistente social que cuidaria de Marc.

- Vamos Sara! não temos tempo. — Iria me puxar novamente se não fosse o jesto da outra assistente pedindo para que ela esperasse.

- Sara, vai ficar tudo bem. Acredite.

- Mas, nós não vamos mais nos ver. — Balançou a cabeça positivamente. — E quando sentirmos saudades?

- Me dá isso. — retirou uma pulseira que eu tinha no braço. — Pronto. Se eu sentir saudades, tenho isso. — Balançava a pulseira no ar.

- Tá bom... agora é a sua vez.

- Eu... bom... — Enfiou a mão no bolso a procura de algo. — Eu não tenho nada.

- Me dá qualquer coisa.

- Só tenho isso. — Me deu um abraço apertado.

- Você não vai morrer vai? — eu disse enquanto ainda nos brassávamos.

- Não!

- Mas... ele morreu... como vou saber?

- Hã... eu... eu te devolvo a pulseira, é sua. — A guardou no bolso

- Esta na hora, vamos. — A mulher saiu me puxando pelo braço, para ter certeza de que eu não iria me soltar. Olhei para trás, mas Marc já tinha ido embora.

Eu chorava, era como se minhas lágrimas levassem toda a minha tristeza embora. Todos eles morreram. Todos. Eu fui a única que presenciei a partida de cada um. Como ele pode fazer isso comigo. Se ele ao menos tivesse se despedido de mim, um último abraço talvez. Tudo o que me restou foi a certeza de que eu estava sozinha, definitivamente. Tentei interromper o choro quando ouvi passos próximos a mim.

- Algum problema?- se sentou ao meu lado.

- Não sei porque ainda pergunta . Eu sempre tenho problemas. — Virei o rosto para não encará-lo.

- Quer me dizer o que houve?

- Marc. — Lhe mostrei a pulseira. Ele... está morto.

- Tem certeza disso? — Não entendeu muita coisa.

- Tenho... não sei...eu queria não ter. — Voltei a chorar como antes.

- Sara... — Tentou me abraçar mas eu não deixei.

- Para Grissom! eu não quero a sua piedade, nunca quis

- Não é isso .

- Se não é piedade, eu não quero isso seja lá o que for.

- Me deixa cuidar de você... Não está bem.

- E amanhã,Quem vai cuidar de mim? Vou ter que esperar até a próxima tragédia para ter um abraço seu? Assim eu não quero.

- Não Sara. — Levantou meu rosto para que eu o olhasse.

- Então... prova. — Me aproximei. — Não consegue não é.

Ficamos ali, sentindo a respiração um do outro durante algum tempo.

- É alguma coisa que eu esqueci da fazer? me diga.... para que eu possa entender.

- Falei baixo.

- Você merece o melhor... que não sou eu.

- Eu não procuro a perfeição Grissom.

- Mas você a merece.

- Mas eu não a quero. Você está me quebrando, todos os dias, mas eu não vou ficar aqui assistindo isso. — Me levantei e sai daquele lugar. Pela primeira vez eu não queria está perto dos olhos azuis de Gilbert Grissom

Notas finais
OBS: mudar a fonte é triste! Toda hora dá erro.
q saco.
Ah, só faltam 2 capitulos pra acabar, como um é muito pequeno eu vou postar os dois no mesmo dia.
cheguei ao fim... uffa