Sick

19 Capítulo Dezenove


Notas iniciais

Oks, me desculpem. A fic devia ser uma comédia romantica/drama, como eu tinha postado da primeira vez no orkut, Q Mas eu devo ter me confundido na hora de arrumar as coisas, e só vi agora :xx Vou postar o final agora, e logo depois o epílogo por que se não não tem graça e tal. n_n'

Era domingo, e o dia estava lindo. Era um daqueles dias frios, porém sem uma única nuvem no céu, e com um sol brilhando forte no céu, sentindo-se incapaz de aquecer a terra. Um daqueles dias que você está com frio demais pra sair da cama, porém o dia está lindo demais para que você permaneça nela.

Para Frank aquela simples quarta-feira tinha um significado especial. No dia anterior, terça-feira, fazia um ano e seis meses que ele descobria sua doença. Ele gostava de se referir aquele dia como o primeiro que ele roubou da morte. Aquilo deu um sopro de esperança no garoto, e ainda que magro e pálido, seu sorriso e seus olhos brilhando o tornaram mais bonito do que Gerard lembrava de vê-lo em muito tempo.

Linda chamou toda a família para um almoço em comemoração. Gerard e Frank passaram a manhã cozinhando, e por volta do meio dia a casa estava cheia de tios e tias parabenizando o garoto, dizendo para que ele tivesse forças para roubar mais dias da morte.

Linda estava radiante, Gerard podia ver como aquele simples dia a mais em suas contas tinham dado um sopro de esperança na mulher. Mas, embora ele quisesse, ele não queria se enganar.

Conhecia muito bem a velha expressão que diz que a saúde faz uma visita antes que a morte chegue e leve a pessoa enfim. Não podia deixar de sorrir pela felicidade de Frank, enquanto usava sua câmera para filmar mais aquele momento importante.

Aproximou-se de Gerard – lentamente, que era apenas assim que seu corpo o permitia andar agora – e selou seus lábios nos dele, sentando-se em seu colo em seguida. A câmera permaneceu ligada, ainda que desapercebida.

- O que você tem? – perguntou baixinho, passando seu braço pelo pescoço do maior.

- Eu... só não consigo deixar de me preocupar.

- Gerard, alegre-se, este é só o primeiro dia que eu...

- Aí é que está o problema, Frank, é o primeiro dia e quem me garante que não é o último. O único? Eu tenho medo, por que pode ser a ultima vez que tenho essa discussão com você, a ultima vez que você me abraça, a ultima vez que fala comigo... – mordeu o lábio inferior – agora é realmente que começa esse negócio de como se fosse o último

Frank respirou fundo e se levantou, puxando a mão de Gerard, indo em direção ao quarto.

- Vem, quero falar com você – murmurou.

O menino fez Gerard sentar-se na cama e sentou ao lado dele, ainda segurando as mãos do maior.

- Olha, Ger, o que mais me preocupa, e você sabe disso, é o depois. Eu sei que não estarei mais aqui, e esse é o problema – ele respirou fundo – um ano e meio é o bastante para você se acostumar com a idéia de que vai morrer, mas nem de longe é o bastante para que eu me acostume com a idéia de você daquele jeito de novo.Eu tenho medo do que pode acontecer com você depois. Que todas aquelas coisas voltem, sabe?

Gerard sabia do que ele estava falando, ele ainda se lembrava do médico dizendo, quase dois anos atrás, que aquelas doenças eram comuns em pessoas que “sofreram uma mudança significativa em sua vida”. E ora, perder Frank era uma mudança bastante significativa.

- E eu juro, mas juro mesmo, que vou voltar para puxar seu pé de madrugada se você for parar em uma clínica psiquiátrica – Gerard riu e murmurou que, se fosse assim, ele iria de vez para o manicômio – Não seja idiota, Gerard! E agora não é hora para brincadeiras, o negócio é sério – Gerard assustou-se ao ouvir essas palavras da boca de seu pequeno – você vai ter que me prometer que vai tentar levar uma vida normal depois que...

- Isso é impossível, Frank – você pode achar estranho os dois conversarem sobre morte assim, calmamente, como se falassem do tempo. Mas é como Frank disse: “ um ano e meio é o bastante para você se acostumar com a idéia de que vai morrer”.

- Gerard, olha – Frank inclinou-se para frente, esticando a mão direita e passando os dedos agora muito magros pelas bochechas do maior – é como um último pedido, você não vai me negar um último pedido, anh? – o garoto selou seus lábios nos do outro – Olha, eu cumpri minha promessa, não cumpri? Eu fui um bom garoto, e fiz tudo que estava ao meu alcance para não morrer, mas infelizmente, não foi possível. Mas eu fiz minha parte, não fiz? Então, se não por você, então por mim. Promete pra mim?

- Frank, eu queria. Eu realmente queria. Mas não dá, eu sei que não dá – ele tentou passar toda a angustia que sentia naquela frase, na esperança que Frank não o obrigasse a prometer aquilo que ele temia que não pudesse cumprir. Não funcionou.

O garoto levou as mãos à parte de trás da cabeça, abrindo o fecho de uma corrente que ele usava ali há alguns anos.

- Lembra o que me disse quando me deu isso – disse, deixando a corrente pender, como Gerard fizera uma vez – falou que era para que eu lembrasse-me de você, e para dar sorte – ele abriu a mão de Gerard, colocando a corrente ali e fechando-a logo em seguida – eu sempre vou estar com você, Ger, sempre. Eu prometo que quando precisar, é só você me chamar. Agora, por favor, promete pra mim que não vai me matar aí dentro e vai continuar vivendo feliz como eu quero que faça?

Gerard engoliu em seco. Ele sabia que a partir do momento que dissesse que prometia, a promessa o perseguiria para sempre. E ele sabia que não podia cumpri-la. Sabia que não podia esperar que um simples colar, que fotos e lembranças tomassem o lugar do seu pequeno.

Mas ele sabia também que o seu pequeno não o deixaria em paz se não o fizesse. E ele não prometeu da boca para fora. Ele realmente, como dizia Frank, faria tudo que estivesse ao seu alcance para cumprir a promessa. Seria um bom garoto. Mas talvez , infelizmente, não fosse possível.

- Tudo bem, eu prometo – arrancou um sorriso de Frank, que o ajudou a colocar a corrente, e depois apenas permaneceram juntos, naquele momento que eles sabiam que, infelizmente, não duraria para sempre.

Naquela noite Frank foi ligado novamente aos seus aparelhos, na cama de hospital que ocupava seu quarto agora. Gerard dormia na sala e Linda em seu quarto, mas os dois acordaram subitamente quando o monitor de batimentos cardíacos parou de apitar seguidamente, produzindo agora um único e triste som – sem pausas -, indicando que algo estava errado.