Sick

9 Capítulo Nove


Notas iniciais
Ok, esse capítulo é um pouco monotono por ser a consulta do Gerard com o psiquiatra e tal, mas ele é importante pra fic, então relevem. C:
Quando chegou a quinta-feira, Frank acordou no horário de sempre, se arrumou, esperou a mãe sair para o trabalho, e ao invés de ir para escola, apenas atravessou a rua e foi para o apartamento do quinto andar. O médico disse a Gerard que viria as dez.

Esperaram sentados na sala, assistindo desenhos. Frank tentava distrair o namorado, que por sua vez estava nervoso. Por vezes arrependia-se do que fizera, pensava que era ridículo, que ele tinha deixado as pessoas o convencerem de que ele era louco, mas ele não era. Depois, uma outra parte da sua mente lembrava-se de Frank, de que o garoto estava ao seu lado, e que ele precisava fazer isso por ele. Por ele e por si mesmo, por que não podia suportar levar uma vida assim e exigir que um garoto como Frank fizesse o mesmo.

Depois de mais de uma hora de espera – por que os médicos sempre se atrasam – o interfone tocou. Gerard estava com os olhos parados, e ainda em seu conflito interior, por isso Frank foi atender. Disse a Tom que o médico poderia subir. Antes de abrir a porta, teve que despertar Gerard, e ficou pensando como seria se ele não estivesse ali.

O maior foi receber o médico, embora tivesse uma expressão mais maluca do que nunca. Frank estava atrás dele.

- Bom dia Sr. Way – o médico era um homem de seus quarenta e poucos ou início dos cinqüenta. Seu cabelo era grisalho e tinha rugas de expressão fundas em volta dos olhos e da boca. Vestia branco e carregava uma maleta preta. Sorriu para Gerard, depois percebeu Frank e franziu o cenho – Bom dia...?

- Frank – garoto estendeu a mão, coisa que Gerard não fizera em seu ataque de pânico – Frank Iero. Sou amigo do Gerard, achei que ele não deveria estar sozinho.

- Entendo – sorriu. Depois avistou a caixa com luvas e máscaras, acompanhada de uma pia e um frasco de álcool, coisa que com certeza não se encontra no meio do corredor de uma casa. Frank, entendendo a indagação silenciosa do médico, interviu:

- Seria bom se o senhor... Hm... Lavasse as mãos com álcool e usasse luvas. É tipo... Uma regra ou...

O medico sorriu, colocando a maleta na mesma poltrona que um dia Frank largara seu travesseiro, e encaminhou-se para a pia. Depois de cumprir a ‘regra’, Gerard, que acordara do seu transe, acompanhou-o a sala. O médico sentou-se em uma poltrona, enquanto Frank e Gerard estavam no sofá.

- Então... – começou o médico.

Gerard respirou fundo e narrou toda a história. Falou de como sempre acreditara estar doente, como fora uma criança depressiva e ansiosa, como os pais não acreditavam nele... Contou como as coisas pioraram depois da morte dos pais, do que as pessoas diziam, do por que ele não acreditava nelas, explicou os remédios que tomava, narrou sua rotina de limpeza e não omitiu o fato de não sair de casa a mais de cinco anos. Por vezes o médico anotava coisas em sua prancheta, sorria ou enrugava a testa, mas não fez comentário nenhum.

Depois de toda a narrativa de Gerard, ele suspirou, analisou suas anotações, cruzou as pernas e descansou os braços por cima delas. Pigarreou.

- Bem, pelo que vejo o senhor apresenta Hipocondria, Transtorno Obsessivo Compulsivo, o vulgo TOC, e Síndrome do Pânico. – Gerard deixou a boca abrir, e o médico sorriu – calma, não é assim um bicho-de-sete-cabeças. De certa forma os três se interligam, principalmente no seu caso.

“A hipocondria é o que faz com que você acredite estar doente. Acho que o seu médico deveria dar mais valor ao seu testemunho, pois em geral, os sintomas descritos pelo paciente são reais, eles apenas os interpretam como ‘câncer’ ao invés de um simples resfriado. O TOC é o responsável por sua mania de limpeza, o que, de certa forma você ligou a hipocondria. Seu medo das... bactérias, que causam as doenças. O TOC não passa de uma obsessão ou compulsão, como diz o nome, muito grave. A Síndrome do Pânico é o que te impede de sair de casa. Na verdade, o que acontece é que você transferiu toda a dor e sofrimento pela morte dos seus pais para o medo de doenças. Algo muito comum.

Alguma pergunta?”

- Isso significa que eu sou mesmo louco? – Gerard disse, sem humor em sua voz.

O médico sorriu:

- Na verdade não, Sr. Way. A hipocondria, o TOC e a Síndrome do Pânico são muito comuns. Em geral, 5% dos pacientes têm hipocondria. É tão comum que a maioria dos clínicos gerais pode diagnosticar... Seu médico já te avisou, não? – Gerard assentiu — Quanto ao TOC, todos nós temos o risco de 2% de apresentá-lo durante nossa vida. E é muito mais comum em pessoas por volta dos vinte anos, e que sofreram uma mudança significativa em sua vida. – O médico prosseguiu – Cerca de 2% da população apresenta a Síndrome do Pânico também. Você não é tão minoria assim.

Isso, de certa forma, fez Gerard se sentir melhor. Permaneceu pensando nas coisas que o médico falara enquanto o mesmo fazia anotações e abria livros. Frank estava inquieto em seu lugar. Sentia-se feliz por Gerard ter procurado tratamento, pelo médico ter diagnosticado, e por ter dito aquelas coisas que, aparentemente, o fizeram se sentir melhor consigo mesmo. Mas ele ainda não respondera o que ele mais queria saber:

- Senhor, com licença – Frank se atreveu – e o... Tratamento?

- Ah, não se preocupe, todas as doenças tem tratamento, que trará uma melhora significativa para o seu... Amigo. Só estou olhando umas coisas... — fez uma pausa, folheando as anotações, depois se virou para os dois e respirou fundo – Bem, te darei um antidepressivo, pra agir contra sua ansiedade. O que acontece é que, para aliviar sua ansiedade, você acaba pesquisando sobre doenças, focando seus pensamentos nos sintomas, na sujeira... Sem ansiedade será mais fácil esquecê-los. Aconselho-te a parar de tomar aqueles remédios, a não ser os que foram indicados pelo seu médico.

Frank sorriu e Gerard grunhiu algo em desaprovação. O médico ignorou e continuou:

– Também começaremos com uma terapia chamada Cognitivo-Comportamental. Ela se foca nas conexões entre a sua imagem de si mesmo e da sua situação, e como isso afeta o seu modo de agir. Exemplo: seu modo de se ver, doente, modifica o modo como você age. – Gerard assentiu – Tentaremos identificar seus padrões de pensamento, e corrigi-los. Diferente de uma psicanálise, nós analisaremos os sintomas juntos.

Depois de mais algumas observações e perguntas o médico saiu, deixando a receita médica e prometendo voltar na próxima quinta-feira para o início da terapia.

- Antes de o senhor ir, quero te fazer uma pergunta – o médico, já na porta, virou-se para Frank – o Gerard está sempre achando que eu estou doente...

- Hipocondríacos só vêem em si mesmos as doenças, Sr. Iero, talvez devesse confiar mais nele – e sorrindo, desapareceu pela porta.