Sick
12 Capítulo Doze
Sabendo que de nada adiantaria continuar na janela, começou a andar em círculos pelo apartamento. Reviver toda aquela dor na infância não era nada confortável, ainda mais se a pessoa era Frank. Lagrimas escorriam sem parar pela sua pele branca e tudo que ele conseguia dizer ainda era:- Eu sabia, eu sabia, sempre soube...Repreendeu-se incontáveis vezes por não ter obrigado seu pequeno a procurar um médico, por não ter insistido. Sentiu-se culpado, imensamente culpado, por ter acreditado que era coisa da sua cabeça, por não ter ouvido o médico, cujo fantasma da voz ecoava em sua mente agora ‘Hipocondríacos só vêem em si mesmos as doenças, Sr. Iero, talvez devesse confiar mais nele’.
Permaneceu em agonia pelo que pareceram horas, até não se agüentar mais e pegar o telefone.- Por favor, gostaria de ter minha ligação transferida para Hospital Municipal – a voz anasalada do outro lado da linha confirmou, e então uma musica começou a tocar. Depois de alguns minutos, alguém atendeu. Nervoso, perguntou:- Tem algum Frank Anthony Iero internado neste hospital?Ouviu barulho de dedos digitando rapidamente em um teclado, e então o homem do outro lado respondeu que sim, no momento o menino fazia exames e seria transferido para o quarto onde passaria a noite. Quarto 374.Gerard desligou o telefone e respirou fundo. Não tinha escolha. Sabia que não estava pronto pra pisar em um hospital, o lugar mais cheio de doenças que ele podia ir, mas ele não tinha realmente escolha.Tinha que ver Frank, tocá-lo, sentir que estava bem e vivo. Segurar sua mão e saber se o que ele tinha era grave. Apertou novamente o botão talk no telefone, discando o numero de Mikey em seguida.Pediu que este lhe emprestasse o carro e o motorista, dizendo que explicava tudo depois. O irmão achou tudo muito estranho, mas mesmo assim concordou, e depois de desligar o telefone, pediu que o motorista pegasse Gerard em seu apartamento.Quando o motorista estacionou na frente do hospital eram quatro horas. Gerard respirou fundo, pediu ao motorista que esperasse ali, e manteve o rosto de Frank em sua mente para ter forças para adentrar o hospital. Depois de conversar com a recepcionista, foi informado de que Frank continuava fazendo exames, e que sua mãe aguardava em uma pequena sala de espera.Encaminhou-se para lá, pensando se a mulher teria coragem de fazer outro escândalo daqueles em um hospital. A sala estava vazia, exceto por Linda, que tinha os olhos fechados e a cabeça para trás, apoiada na parede. Seu rosto estava inchado e vermelho, ainda um pouco molhado.Gerard tentou não fazer barulho ao caminhar até ela, mas quando estava próximo ela abriu os olhos e encarou-o. Fechou-os de novo, as sobrancelhas unidas, e murmurou:- Que é que você faz aqui?Gerard sentou-se ao lado dela e fixou seu olhar em um ponto na parede a sua frente.- Queria saber como ele está.- Eu não sei – ela murmurou, a voz fraca.Linda não parecia estar com raiva do homem ao seu lado. Talvez apenas estivesse preocupada demais com seu filho para se lembrar do porquê de não gostar dele, se é que havia um porquê.Deixou seus pensamentos vagarem, dando-se conta do quão agradecida ela devia estar por Gerard ter salvo seu filho. E, se ele falasse a verdade, da segunda vez. Lembrou-se de Frank defendendo o homem, e aos poucos foi se convencendo de que, afinal, Gerard não era mal.Não se sabe ao certo por quanto tempo permaneceram em silêncio até que linda o quebrasse com um fraco ‘Obrigada, e me desculpe’ antes que perdesse sua coragem.- Está tudo bem, não existe motivo para se desculpar ou agradecer.- É claro que existe – e você pode imaginá-la dizendo essas palavras com um tom indignado na voz, mas a verdade é que não havia emoção em sua voz e nem na de Gerard. As duas vozes eram fracas e eles nem ao menos se olhavam; apenas encaravam a parede – você o salvou duas vezes, e nas duas tudo que eu fiz foi culpá-lo.- Se isso a faz feliz: está desculpada. E de nada.- Faz, obrigada. – Linda suspirou – então, por que resolveu sair de casa? – ela não realmente queria saber, mas precisava quebrar a tensão do lugar. Não agüentava mais aquela espera.- Frank me obrigou – os dois riram, sabendo da influencia que o pequeno facilmente tinha sobre as pessoas – mas ele tem sido muito bom, sabe? Convenceu-me a procurar tratamento.- Que ótimo. Então ele vai... muito a sua casa?- Todos os dias depois da aula.- Isso explica a louça não lavada – ela ergueu as sobrancelhas e Gerard riu fraco – e vocês fazem o que?- Jogamos xadrez, desenhamos, assistimos filmes, tomamos café...- Parece bom.O silêncio estava quase dominando-os de novo, mas Gerard resolveu aproveitar o aparente clima amigável.- Sabe, Sra. Iero, seu filho me faz muito bem. Eu realmente o amo.Linda assentiu, e só depois de alguns minutos é que realmente foi pensar no significado daquelas palavras. Franziu o cenho e pela primeira vez virou-se para encarar Gerard nos olhos.
- Você quis dizer que...- Isso.- Oh. Isso muda tudo. O que você...?- Sr. Iero, por favor, não complique as coisas. Eu já disse que não fiz nada com seu filho... só aconteceu.- Você é um homem. Meu filho também. E... você é pelo menos dez anos mais velho que ele.- Eu sei.Talvez por estar nervosa com todos os recentes acontecimentos, tudo que Linda fez foi virar-se para frente de novo e voltar a encarar a parede.
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