Shugo Chara... Ao Contrário?!
20 Capítulo 20 - Declaração Inesperada
Notas iniciais
Capítulo tenso, crianças... por favor aguentem, porque depois sempre melhora!
Boa leitura^^
Após o "pequeno incidente" daquela manhã, Tadase finalmente desocupou o banheiro, e os outros se revesaram para tomar seus banhos antes de partirem novamente em viagem. Rima e Utau ocupavam-se em garantir que teriam comida suficiente para levar dessa vez, já que não queriam passar fome de novo, e não sabiam quando seria a próxima vez que teriam oportunidade de comer alguma coisa decente, e quando estavam terminando de arrumar tudo, Tadase ocupou-se de passar em todos os quartos, chamando os companheiros de viagem e avisando que estava na hora de partirem.
– Vamos, vamos, apressem-se, plebeus! — Tadase gritava em seu tom autoritário, escancarando cada porta pela qual ele passava — Está na hora de partirmos, vamos logo ou deixarei vocês aí!
Tadase passou por uma porta à direita, abriu-a com violência, e viu Yaya pulando em cima de Ikuto alegremente como se este fosse um cavalo-humano, enquanto o pobre neko miava desesperadamente por ajuda. Tadase fingiu não notar, e apenas mandou que eles se apressassem, fechando a porta de novo. Na porta seguinte, viu Kairi ajoelhado no chão, rastejando como um inseto, à procura de seus óculos, que estavam caídos bem atrás dele. Tadase também fingiu não notar a cena, mandou que ele se apressasse e seguiu em frente. E ao escancarar a porta seguinte, deu de cara com Amu, mas não pôde ignorar a cena dessa vez: Neste momento, a garota esta se trocando (não me pergunte como, já que nenhum deles trouxe uma muda de roupa extra) e vestia apenas a saia vermelha de seu uniforme, enquanto segurava frouxamente uma blusa branca à sua frente, sem usar nenhuma peça de roupa superior a não ser o sutiã. Tadase ficou encarando-a um tanto abobalhado por vários segundos, seu rosto tingindo-se de vermelho tão rapidamente quanto um semáforo muda de cor, enquanto Amu o encara meio que em estado de choque, sem conseguir falar, piscar, andar, nem mesmo gritar. Vários segundos depois, Tadase recuperou a fala, e disse:
– Opa, porta errada! — ele desviou o olhar mais que rapidamente, e já ia bater a porta na cara da garota seminua e sair correndo dali, quando a própria Amu segurou seu braço, detendo-o
– Aonde pensa que vai? Acha mesmo que pode sair numa boa depois de ter me visto assim? — Amu indagou ainda segurando-o com firmeza pelo pulso com uma das mãos, enquanto tentava encobrir o busto com a outra
– É que... eu... e-eu não estava procurando você! Eu estava.. err... e-estava procurando a Utau, é isso! Ela disse que iria arrumar a comida pra viagem, e... e-eu queria checar se ela estava fazendo seu trabalho direito, mas errei de porta, foi só isso! — Tadase soltou a primeira desculpa que lhe veio à mente, ainda evitando ao máximo olhar para a garota despida
– Se estava querendo ver se a Utau estava mesmo arrumando a comida, você não deveria estar na cozinha ao invés de estar aqui no segundo andar? — Amu indagou erguendo uma sombrancelha — Não minta pra mim, meu Rei... você estava querendo espiar enquanto eu me trocava, não era?
– Claro que não!!! — Tadase finalmente encarou-a, embora se forçasse a não olhar para nada além do rosto da Coringa — Que absurdo, um Rei jamais faria algo tão indigno quando espiar uma garota se trocando!!
– Ah, sério? Mas não é exatamente isso que você está fazendo agora mesmo, Majestade? — Amu comentou um tanto sarcástica
– Eu...! E-Eu não fiz isso porque quis... f-foi um acidente! — Tadase balbuciou nervoso, querendo sair dali o quanto antes — Me solte de uma vez e termine de se vestir, vamos! Temos que partir depressa! — ele tornou a desviar o rosto da garota e puxou seu braço de volta, tentando se soltar do aperto da garota, mas era inútil. Seu caráter mimado e arrogante de Rei continuava presente nele, mas a força vinda do Chara Change não. Amu o segurou com a outra mão também, impedindo o garoto de sair dali
– Você não vai sair assim numa boa como se nada tivesse acontecido. Você me deve ao menos um pedido de desculpas, não acha?? — Amu falou, tentando disfarçar seu embaraço com arrogância, e por algum motivo fazendo de tudo para impedir o garoto de sair dali
– Eu não vou me desculpar por uma coisa que não foi minha culpa! Já falei que foi um acidente, agora me solte, vamos!
– Já falei que não solto até você pedir desculpas!!
Tadase puxava seu braço de volta inutilmente, enquanto Amu ainda tentava mantê-lo ali, segurando o garoto com todas as suas forças e puxando seu braço como se estivessem em um jogo de cabo de guerra. O resultado foi que, quando Tadase finalmente conseguiu soltar-se da menina, acabou tropeçando com o impulso repentino, e caiu esborrachado no chão por cima de Amu.
Seus corpos estavam muito próximos, seus rostos perto demais um do outro. Mesmo que quisesse, Amu não poderia sair daquela situação sem que Tadase se levantasse primeiro. Estavam tão perto um do outro que Tadase podia sentir perfeitamente todas as formas do corpo semi-despido dela, tocando no seu. Ele abriu a boca uma ou duas vezes pra dizer alguma coisa, mas simplesmente não sabia o que dizer nesse tipo de situação. Queria levantar-se e acabar logo com aquilo, mas seu corpo estava completamente paralizado com o choque.
– E então? Não vai me dizer que isso também foi um acidente, vai? — Amu perguntou quando finalmente recuperou a fala
– Isso...! I-isso só aconteceu porque... p-porque você não quis me soltar! Você ficou puxando meu braço, e eu tropecei, e... a culpa é sua, ouviu?! — Tadase gaguejou nervoso, por algum motivo sem conseguir tirar seus olhos dos da garota embaixo dele
– "Culpa minha"? — Amu repetiu — Ah, ahh... que Rei mais irresponsável você é, Majestade. Não pede desculpas pelos seus erros e ainda joga a culpa nos outros... sabe, qualquer um que chegasse agora e visse essa cena, pensaria que você está tentando abusar de mim ou coisa parecida.
Se foi coincidência ou não ninguém sabia, mas nesse exato momento, alguém realmente passava pelo corredor e parou diante da porta, ainda escancarada, vendo a cena. Na posição em que estava, Tadase não pôde ver a pessoa, pois estava de costas para a porta, mas Amu sim pôde vê-la claramente. E, dando-se conta disso, continuou:
– Mas sabe, meu Rei... se é isso que você quer fazer, vá em frente. Eu não me importo
– O que...?! Q-Que está dizendo Amu?! — Tadase perguntou aparvalhado, seu rosto novamente mudando de cor tão rápido quanto um semáforo — Quer dizer que você... você não se importaria se eu...?
– É isso mesmo. É isso que você quer, não é? Afinal, foi por isso que você veio até o meu quarto — Amu prosseguiu, fazendo o possível para deixar a vergonha de lado. Se aquilo realmente funcionasse, esse "pequeno sacrifício" não seria nada no futuro — Eu não esperava por uma coisa dessas assim de repente, mas... se for com você... então, eu não me importo, meu Rei.
Antes que Tadase pudesse absorver o sentido daquelas palavras, Amu atirou seus braços ao redor do pescoço dele e, puxando-o mais para perto, roubou-lhe um beijo. O garoto estava tão abismado com a repentina investida da garota que ficou completamente sem ação, não conseguindo nem resistir, e nem retribuir ao beijo. A pessoa que ainda os observava da porta também ficou em choque por alguns segundos, mas assim que se recuperou, saiu correndo dali sem dizer nada.
E na escada que levava ao primeiro andar...
– Ei, Fujisaki! Se apresse, já está na hora de irmos! Já acordou a Hinamori? — Kukai perguntou ao avistar a amiga, mas ela passou direto por ele, ignorando-o — Ei, Fujisaki, eu falei com você! — Kukai chamou mais alto, indo atrás dela — Eu pedi pra você ir chamar a Hinamori, o que pensa que está fazendo??
– Estou fingindo que não vi uma cena desagradável — ela respondeu sem encará-lo, ainda andando mais depressa do que o necessário
– "Cena desagradável"? Do que está falando?! — o Ex-Valete indagou confuso
– Como eu disse, eu não vi nada e não sei de nada. Se quiser saber, vá ao segundo andar e veja você mesmo — ela apertou o passo e dirgiu-se ao jardim, resolvendo esperar pelos outros lá.
Kukai acabou ficando curioso com a breve conversa, e decidiu ir até o segundo andar ver do que a amiga falava. Chegando lá, logo deu de cara com a porta ainda escancarada, mostrando claramente a cena de Amu e Tadase ainda se beijando. Ao contrário da Ex-Rainha, Kukai não fez questão nenhuma de esconder que havia presenciado aquilo. Ele apontou descaradamente para os dois e gritou:
– Ahhh!! Mas o que vocês pensam que estão fazendo sozinhos em um quarto com a porta aberta, se pegando numa hora dessas, seus pervertidos???!!
Como se fosse um ímã, o grito de Kukai, que por acaso continha a palavra "pervertidos", atraiu magicamente Utau e Rima, que também chegaram à tempo de testemunhar a cena.
– O que, o que? Quem é que é o pervertido aqui?? — Rima indagou animada, espiando pela porta
– Quem é que está pegando quem, hein?? — Utau completou, olhando por cima da cabeça da Rainha
– Kyaaaaaa o Tadase e a Amu estão se agarrando no quarto com a porta abertaaaa!!! — as duas loiras gritaram escandalosas, imitando a ação de Kukai e apontando descaradamente para a cena.
E como não podia deixar de ser, os gritos escandalosos de Utau e Rima logo atraíram mais pessoas: Logo Ikuto surgiu à porta do quarto, seguido de perto por Yaya, que por algum motivo estava agarrada à sua cauda.
– Miaaaau!! Vejam só o que temos aqui ~nya!! — Ikuto exclamou, surpreso também — Eu podia jurar que o Reizinho estava no maior clima com aquela Ex-Rainha, mas pelo visto me enganei ~nya...
– É verdade, bem lembrando, Ikuto! — Utau exclamou — O que você pensa que está fazendo, Tadase?! Você gosta da Amu ou da Nadeshiko afinal, hein?!
– Ahh dá um desconto, Utau, afinal, o Tadase é homem, ele só está seguindo seus instintos ~nya — Ikuto falou aquilo como se fosse uma profunda filosofia de vida, e levou um tapa na cabeça dado por Utau, ao mesmo tempo em que ganhou um pisão no pé dado por Rima — Miaaau! Isso dói!! Vocês são muito violentas ~nya! Aff mas por que tinha que ser justo a Amu ~nya?! Tem tantas garotas aqui, você bem que podia ter escolhido alguma outra ~nya...
– É verdade, não pensei que o Rei faria uma coisa dessas com a Am... kyaaaa ele tirou a roupa dela!!! — Rima gritou de repente ao perceber que a amiga estava sem blusa, apontando descaradamente
– Cadê?? — Ikuto olhou com mais atenção — OMG é verdade!! Você não perde tempo, hein Reizinho?! Nyahahaha!!
– Nee o que o Rei e a Amu-neesan estão fazendo? — Yaya perguntou, apontando curiosa para a cena — Eles estão brincando de quê? Parece tão divertido, Yaya quer brincar também!
– Ahh droga! Você ainda não pode ver essas coisas, Yaya!! — Kukai fez mênção de tampar os olhos da menina e a colocou no colo, levando a Às pra longe dali.
Depois daquela confusão de berros, o Rei e a Corigna obviamente notaram que foram descobertos e logo se separaram. Tadase se levantou na velocidade da luz, e tentou pensar em algo que pudesse explicar aquilo, mas nada vinha a sua mente. Amu também se levantou, parecendo mais preocupada em esconder os seios desprotegidos do que com o fato de terem sido vistos.
– E então, não vão dizer nada não, ô casal de pervertidos?? — Rima indagou de forma autoritária, colocando as duas mãos na cintura
– Não há que possamos dizer... não importa o que a gente fale, vocês jamais acreditariam que foi um acidente, mal-entendido, ou coisa do tipo, não é? — Tadase falou o óbvio
– É... não mesmo — os outros responderam juntos
– Então não há nada pra ser dito — o Rei falou, tentando se conformar — Agora já chega disso, vamos partir de uma vez que é melhor. E Amu... precisamos conversar sobre isso, você sabe
– É, eu sei. Já vou resolver isso, deixa só... eu me vestir primeiro — ela virou de costas para os outros, um tanto envergonhada
– Depois dessa cena não sei o que resta pra vocês conversarem ~nya... — Ikuto comentou com uma risadinha maldosa
– Bem, vocês conversam no caminho, agora nós realmente precisamos partir — Utau falou, forçando-se a ficar séria — Vamos lá gente, vamos sair daqui e reunir os outros, depressa!
Os três retiraram-se do quarto, deixando Amu e Tadase sozinhos, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
Enquanto isso, em frente à casa...
– Por que... por que eu fugi de novo? Por que saí correndo daquele jeito quando vi os dois juntos...? E por que... por que eles estavam fazendo aquelas coisas? Por que eles estavam se beijando? Por que o Hotori-kun estava em cima dela daquele jeito, e estava até tirando a roupa dela se... se ele disse que me ama...? — Nadeshiko perguntava para si mesma, sentada sozinha em uma pedra no jardim — O que é isso que estou sentindo... sinto uma dor horrível no peito, uma vontade tremenda de chorar, um desejo descomunal de arrebentar a cara daqueles dois, e um ódio enorme que jamais pensei que sentiria pela Amu-chan. Eu estou... com ciúmes? É claro... isso deve ser ciúmes. Por que ele fez aquilo afinal? Mesmo depois de tudo o que ele falou pra mim... Hotori-kun disse que me amava, e mesmo depois de ter me beijado, me tocado, e todo o resto, ele... acabou escolhendo a Amu-chan no final, não é? É claro que ele iria escolher a Amu-chan... eu já sabia disso. Não posso competir com uma garota de verdade, isso é ridículo. Eu sempre, sempre soube... sempre soube que o Hotori-kun gostava dela. Quando sairmos desse mundo e voltarmos ao normal, eles muito provavelmente começarão a namorar, isso se já não estiverem namorando agora. O próprio Hotori-kun admitiu... que o "eu" verdadeiro dele gosta da Amu-chan, e não de mim. Eu já sabia que ia acabar assim. Eu só... não pensei que fosse acontecer tão rápido... nem que doeria tanto. O Hotori-kun de agora havia dito que me amava, então... eu esperava que, pelo menos enquanto estivéssemos aqui, ele continuaria gostando de mim. Mas eu o rejeitei mais de uma vez, então... talvez por isso ele tenha desistido e resolveu partir pra outra. Mas foi tão rápido... ele realmente pode se apaixonar por outra pessoa tão depressa assim? Há poucas horas atrás ele disse que me amava, e agora há pouco estava agarrado aos beijos com a Amu-chan... ahh me sinto tão idiota... eu não devia ter acreditado naquele monte de baboseiras, é claro que ele iria escolher a Amu-chan no final!! Me sinto uma tola que foi iludida e enganada... alguém que foi usado e jogado fora depois de não ter mais serventia... me sinto tão... traída.
– O que está resmungando aí, Ex-Rainha? Não é um hábito muito saudável falar sozinha.
Nadeshiko sobressaltou-se ao ouvir aquela voz, e se levantou mais que depressa. Felizmente, era apenas o Ex-Valete Sanjou Kairi, que aparentemente a observava já tinha algum tempo.
– Sanjou-kun... não é nada, só estava pensando em voz alta — ela tentou forçar um sorriso, mas era impossível, ou ela fazia um esforço pra sorrir, ou forçava-se a não chorar. Por fim, acabou escolhendo a segunda opção
– Pois me parecia ser muito mais do que isso — Kairi comentou, sentando ao seu lado — Eu soube da cena de agora a pouco, os outros não páram de comentar... era sobre isso que você estava pensando, não era?
– Você é esperto... não é à toa que foi escolhido pra ser um Guardião — Nadeshiko comentou, ainda tentando forçar um sorriso
– Então é isso que está te incomodando, não é? — Kairi perguntou astutamente — Nee, você é originalmente um garoto, certo?
– Sou sim
– E a Coringa e todos os outros já conheceram o seu lado garoto, não é?
– Bem, sim... embora alguns deles pensassem que meu verdadeiro eu masculino e o meu disfarce feminino fossem irmãos gêmeos e não a mesma pessoa, mas... aonde está querendo chegar?? — a Ex-Rainha perguntou, estranhando o rumo da conversa
– Me desculpe se eu estiver enganado, mas eu preciso perguntar isso — Kairi falou sério, encarando-a — Como você nasceu um garoto, eu acredito que ainda pense como um. E você parece que foi um Guardião por bastante tempo, então deve conhecer a Coringa e os outros melhor do que eu, já que conviveu mais tempo com eles, então... bem... o que estou querendo dizer é... por acaso você... você gosta dela?
Nadeshiko paralizou de repente, um tanto chocada e confusa com aquela pergunta.
– Quer dizer da Amu-chan? Acha que eu gosto dela?? — ela repetiu por fim, ainda um tanto incrédula — Não, não mesmo. Daonde foi que tirou isso?! Por acaso parece que eu gosto dela??
– Não exatamente, mas... — Kairi fez uma pausa, tentando encontrar as palavras certas — Bem, eu soube que vocês ficaram muito íntimos na época em que ela entrou pros Guardiões. E sempre que vê a Coringa e o Rei juntos, você age de modo estranho, como se estivsse irritado ou com ciúmes, então eu pensei...
– Ahh, isso — Nadeshiko finalmente compreendeu o ponto de vista dele — É, olhando por esse ângulo, talvez pareça mesmo que eu goste da Amu-chan... eu mesmo cheguei a pensar assim por algum tempo. Mas, não, não é da Amu-chan que eu gosto
– Então por que você parece ficar com ciúmes quando a vê junto com o Rei...?
– Sanjou-kun, por que está me fazendo todas essas perguntas? — Nadeshiko respondeu a pergutna dele com outra pergunta — Por acaso você gosta da Amu-chan?
– O que?! — o rosto do garoto mudou de cor rapidamente como se fosse um semáforo — Eu... e-eu não... n-não disse que gosto... quero dizer... isto é...
– Tudo bem, não precisa me responder se não quiser — Nadeshiko apressou-se a dizer, deduzindo sozinha a resposta daquela pergunta. Não queria ter que forçar um garoto que ela mal conhecia a falar de seus sentimentos, quando ela mesma não queria falar sobre os seus — Afinal, é uma pergunta muito pessoal, e nem somos tão íntimos assim. Mas, se esse for o caso, não precisa se preocupar. No passado, Amu-chan foi minha melhor amiga e nada mais do que isso, mas acho que nem isso ela é mais... você sabe, essa versão "Cool and Spicy" que ela tem agora me odeia mortalmente, e também não posso dizer que gosto dela do jeito que está agora. Na verdade acho bem irritante. Então... quero dizer... digamos que não é comigo que você precisa se preocupar.
Nesse momento, os outros apareceram à porta, finalmente deixando a casa.
– Ahh então é aqui que vocês estavam! — Rima exclamou ao avistá-los — Já abastecemos tudo quanto é bolsa com toda a comida que podemos e que não podemos carregar, não vamos passar fome nem tão cedo! E então, prontos pra partir?
– Claro, quanto mais rápido, melhor — Nadeshiko concordou, evitando encarar o garoto loiro que vinha logo atrás da Rainha. Ela acabou andando na frente, e o grupo a seguiu.
O grupo recomeçou a caminhada, andando um tanto depressa demais por conta da Ex-Rainha que andava na frente, quase correndo, numa tentativa tola de ficar o mais afastada possível de Tadase. Não queria falar com ele, não queria olhar pra ele, não queria nem lembrar que ele estava logo atrás dela, não enquanto não conseguisse organizar seus pensamentos e acalmar seus sentimentos. Obviamente, graças à sua infantil tentativa de fingir que o Rei não existia, ele acabou percebendo a frieza da falsa garota e exclamou:
– Ei, Nadeshiko! Quer parar de andar com tanta pressa?? Temos o dia inteiro pela frente, não precisa sair correndo às pressas feito uma desesperada!
Isso só fez com que a Ex-Rainha apertasse ainda mis o passo, ignorando-o completamente.
– Ei, você me ouviu, Nadeshiko?! Pare de fingir que está surda e ande mais devagar!
Novamente ela fingiu que não estava ouvindo, andando ainda mais rápido. Tadase finalmente se irritou e, correndo até alcançá-la, segurou-a pelo pulso.
– Eu estou falando com você! Quer parar de me ignorar, sua insolente?!
– Ah, ahh... tem uma coisa asqueirosa grudada no meu braço, que nojo! Alguém pode tirar isso de mim?? — Nadeshiko exclamou mais alto do que o necessário, olhando para todo lado, exceto na direção em que Tadase estava
– Do que foi que você me chamou sua desaforada?! — o Rei exclamou indignado
– Eu disse que tem uma coisa asqueirosa segurando meu braço — ela repetiu, finalmente encarando-o — Será que dá pra me soltar??
– Não até você me dizer porque está agindo assim!
– Eu não tenho que te dar satisfações! Agora tire a mão de mim, vamos! — sem pensar duas vezes, ela acertou um tapa no rosto dele com a mão livre. Tadase levou a mão livre ao próprio rosto, no lugar onde ela acertara o tapa, e voltou a encará-la, aparentemente sem se deixar abalar
– Que tapa mais fraco... você bate feito uma mulher — Tadase falou, encarando-a nos olhos, ainda segurando o braço dela
– E... e o que tem isso, hein?! É isso que eu sou agora, não é?? Uma mulher... — Nadeshiko rebateu, um tanto assustada pelo tapa não ter surtido efeito
– Sim, você é uma mulher por completo agora. Nesse momento, não resta um resquício sequer de Fujisaki Nagihiko em você — Tadase afirmou, aumentando ainda ainda mais a frustração que a falsa garota sentia
– Ora, e daí?! E daí que sou uma garota agora... e daí se não resta mais nem a sombra de Fujisaki Nagihiko em mim?! Isso não é da sua conta, então não se meta! Agora me solta de uma vez!! — Nadeshiko deu um pisão no pé do loiro com toda a força que tinha, que soltou uma exclamção de dor e finalmente largou o braço dela
– Aaaaai!! Ora sua insolente, como se atreve a fazer isso com um Rei?! — Tadase exclamou furioso, pulando num pé só — Toma isso pra você aprender!!
Tadase chutou o tornozelo dela, fazendo a Ex-Rainha perder o equilibrio. Ela tropeçou em uma pedra com o mesmo tornozelo em que recebera o chute, e caiu sentada no chão.
– Ei, Tadase! Não acha que foi muito longe não?? — Kukai exclamou, assustado com a repentina briga
– É verdade, é verdade! Não se faz isso com uma garota ~nya! — Ikuto apoiou, com o semblante sério, coisa que não combinava com ele
– Mesmo ela não sendo uma garota de verdade, você passou dos limites, Rei — Kairi comentou, ajeitando os óculos
– O que estão dizendo?! Foi ela quem começou, a culpa é dela! — Tadase gritou ultrajado
– Mas você não devia bater numa garota! — Rima exclamou — Não importa se ela é uma garota de mentira ou de verdade, você não devia ter chutado a Nadeshiko!
– Você tá legal Onee-niisama? — Yaya perguntou preocupada, estendendo sua pequena mãozinha para ajudá-la a levantar
– Estou bem. Não se preoc... aaaai, eu não estou bem não!! — Nadeshiko tentou se levantar, mas caiu outra vez ao tentar apoiar a perna chutada no chão, gritando de dor
– O que foi que houve Onee-niisama? Se machucou? — Yaya tornou a perguntar
– Acho que... torci o tornozelo — ela respondeu, tentando reprimir uma careta de dor — Não consigo levantar... vão na frente sem mim, eu alcanço vocês depois
– O que está dizendo Fujisaki?! Não vamos te deixar sozinha aqui! — Kukai exclamou sério — Estamos no meio de uma batalha pra recuperar nosso Shugo Charas, e precisamos da ajuda de todos os jogadores pra vencer essa partida!
– Isso aqui não é um jogo de futebol, Kukai — Utau comentou com uma gota na cabeça
– Ah, você entendeu o que eu quis dizer! — o ruivo exclamou — Jogo ou não, estou falando que precisamos da ajuda de todos pra conseguir vencer essa batalha, e não vamos deixar nenhum companheiro pra trás!
– Então eu sou um soldado de guerra morto em combate. Não posso prosseguir, só iria atrasar vocês desse jeito. Me deixem aqui e prossigam sem mim — ela falou, ainda encarando o tornozelo machucado
– Não seja burra! Mesmo que fizessemos isso, não adiantaria de nada! Precisamos estar todos juntos até o fim, ou aquela otaku maluca não vai devolver nossos Shugo Charas, já esqueceu?? — exclamou Utau exasperada
– Onee-niisama... Yaya não quer continuar sem você, Onee-niisama! Não abandone a Yaya! — a pequena Às choramingou, se agarrando a um dos braços da Ex-Rainha
– Mas eu não consigo me levantar, que dirá andar sozinha. Não posso prosseguir desse jeito
– Ora, isso é o de menos! — Kukai tentou animá-la — Pra tudo tem um jeito, e nós faremos você prosseguir conosco, você vai ver!
Por fim acabou sendo resolvido que seria melhor se alguém a levasse até que o tornozelo da falsa garota melhorasse, e agora Kukai carregava Nadeshiko nas costas, aparentemente sem se importar com isso.
– Gomen nee Souma-kun... por você ter que me carregar desse jeito — Nadeshiko desculpou-se sem graça, com os braços ao redor do pescoço dele, sentindo-se um tanto culpada pelo amigo ter que carregá-la
– Ah, imagina, você é bem mais leve do que parece! — Kukai exclamou sorrindo — Além do mais, esse é o dever de um cavalheiro, certo? Ajudar donzelas indefesas!
– Ano nee Souma-kun... eu agradeço a ajuda e tudo o mais, mas você sabe que está me ofendendo, me chamando de donzela assim, não sabe??
– Hein?! Ah, é... — por um momento Kukai pareceu se esquecer de Nadeshiko não era uma garota de verdade — Hahahahaha foi mal, foi mal, saiu sem querer... bom, de qualquer forma, você sendo um garoto ou uma garota, não importa, amigos devem ajudar uns aos outros! Embora eu ainda ache que o Tadase é quem devia estar te carregando depois do que ele fez com você... — ele olhou de esguelha para o Rei, que observava os dois com atenção. Parecia querer dizer alguma coisa, mas não sabia bem o quê
– Até parece. Ele é menor do que eu, não aguentaria nem dois segundos — Nadeshiko resmungou, evitando olhar para Tadase
– Mas ele te deve ao menos um pedido de desculpas! Afinal, é por culpa dele que a sua perna ficou assim machucada! — Kukai insistiu
– Não importa. Não quero ouvir as desculpas dele, isso não vai fazer minha perna parar de doer
– Vocês querem parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui?! — Tadase ralhou incomodado — Eu não tenho que pedir desculpas pra ninguém, foi ela quem começou com isso quando me agrediu!
– É, mas acontece que, mesmo depois daquele pisão, você continua perfeitamente bem, e é ela quem não consegue andar agora, Majestade — observou Kairi
– Mas sabe, mesmo antes de vocês começarem se a chutar, ela já parecia bastante furiosa... o que foi que você fez pra deixá-la assim tão zangada ~nya?? — Ikuto indagou curioso
– Eu não fiz nada! — Tadase defendeu-se prontamente, ao mesmo tempo em que passava depressa os acontecimentos daquela manhã mentalmente. E então lembrou-se da cena mais recente antes deles deixarem o casarão — Ei, Nadeshiko... poderia ser que... por acaso você... você viu aquilo??
– Vi o que? — Nadeshiko indagou, virando a cabeça pra trás de modo que pudesse encará-lo, fingindo que não sabia do que ele falava
– Sabe, quando... q-quando eu estava chamando todos pra partirmos essa manhã, eu... bem... — Tadase não soube como continuar a frase, questionando-se se a garota realmente não sabia de nada
– Do que está falando afinal?
– Não... n-nada. Se você não viu, então deixa pra lá — Tadase desviou os olhos dela, ainda pensativo
– Escondendo as coisas uns dos outros? Esse é o primeiro passo para desavenças em grupo.
O grupo parou de discutir ao ouvir aquela voz terrivelmente familiar. Automaticamente olharam para cima e depararam-se com sua tão conhecida tela gigante flutuante, exibindo uma garota ruiva com cabelos compridos e trajando um vestido estilo gothic lolita, sorrindo maldosamente para eles.
– Sabem, quando se viaja em grupo por muito tempo, é inevitável que hajam desavenças. E esses desentendimentos, ainda que pequenos no início, levam a sérias discussões, que geram conflitos e brigas, que geram traição, e que finalmente leva à separação do grupo. Se vocês se separarem agora, não conseguirão recuperar seus corpos e personalidades originais, e nem seus Shugo Charas. O que seria uma pena, já que vocês chegaram tão perto — Tennousu Shiori falou, sorrindo malignamente para eles — Bom dia, meus adoráveis brinquedinhos! Sentiram minha falta?
– Nem um pouco ~nya — Ikuto miou em resposta — Não tem ninguém aqui brigando não, então pare de semear discórdia, sua garota dissimulada ~nya!
– Oh, sério? Pois eu sim senti muita falta de vocês! Bom, na verdade nem tanta, já que estive observando vocês o teeeempo todo! Vocês se divertiram bastante na minha ausência hein hahahahaha!!
– "Esteve nos observando"? — repetiu Ikuto — Se estava mesmo nos observando esse tempo todo, então... significa que voocê também estava nos espiando enquanto dormíamos, tomávamos banho, e todo o resto ~nya...?
– Ora, não seja ridículo, Ikuto-kun! Eu também preciso dormir e descansar, sabe, não sou de ferro — a garota da Easter desconversou
– E no fim das contas ela não respondeu a pergunta ~nya — Ikuto comentou com uma gota na cabeça
– Bom, meus queridos brinquedinhos, hoje vim lhes informar que vocês finalmente estão bem perto de alcançar seu objetivo! — Shiori tornou a mudar o rumo da conversa — Vêem esse Castelo negro e sombrio com um portão enorme à sua frente? Eu estou agora dentro dele, vocês só precisam conseguir entrar.
O grupo olhou à frente e viram que de fato havia um Castelo diante deles. Era surpreendente que só tivessem reparado agora, visto que o Castelo era tão grande.
– Uau, que Castelo enorme! — exclamou Kukai
– Realmente impressionante... e parece ser o único caminho que temos a seguir, visto que a estrada termina aqui — Kairi comentou ajeitando os óculos
– Ora, sério que vocês só viram agora? A discussão devia estar boa mesmo hein?! — Shiori comentou
– Bom, então vamos logo com isso, o que teremos que fazer pra entrar ~nya? — Ikuto perguntou, um tanto animado demais — Jogar pocky game de novo? Por favor deixa eu jogar dessa vez ~nya!
– Nada disso! Lamento, mas a rodada de pocky game acabou — Shiori respondeu, e Ikuto soltou um miado desanimado — O que vocês devem fazer é simples: Uma declaração de amor!
– O QUEEEEEEEEEEEEEE??????!!!
– Isso mesmo, uma declaração de amor! — Shiori repetiu animada — Sei que muitos de vocês estão apaixonados, mas não admite... então eu quero que um de vocês se declare! Pode ser qualquer um, vocês escolhem. Então, enquanto eu não ouvir a declaração, e a resposta, é claro, o portão não vai se abrir!
Shiori pôs-se a observar o grupo em silêncio, sorridente e ansiosa como de costume. Todos ali começaram a encarar uns aos outros, constrangidos demais para falar alguma coisa. E quando Shiori estava começando a perder a paciência e estava prestes a reclamar da demora, Amu falou:
– Bom, já que ninguém vai, então... e-então eu falo
– Ehh?! Você, Coringa?? — Shiori pareceu um tanto desnorteada — Não pensei que você tivesse algo a falar... bem, isso pode ser interessante, vá em frente! Ah, e os outros, nada de interromper, ou ela será desclassificada e outra pessoa terá que se declarar no lugar dela, ouviram?!
– Bom, eu... acredito que o que eu vou falar aqui não seja segredo pra ninguém, mas vou falar assim mesmo — Amu respirou fundo, tentando reunir coragem. Ela encarou Tadase e continuou — Sei que já te disse isso uma vez, mas quero dizer de novo. Eu... amo você, Tadase. Sempre gostei de você... mesmo quando era aquela Amu bobalhona e sem graça, eu já te amava. Você me rejeitou uma vez, mas, naquela época, nós mal nos conhecíamos. Então, pouco tempo depois, eu entrei pros Guardiõs, nós nos tornamos amigos e passamos a conviver juntos todos os dias... e eu tive esperanças de que seus sentimenos por mim mudassem aos poucos. Mesmo a minha personalidade tendo mudado desse jeito, eu ainda amo você. Mas preciso saber se meu amor é unilateral, ou se tenho alguma chance de ser correspondida. Então me diga, Tadase... ou melhor, meu Rei. O que você sente por mim?
Amu forçava-se a encarar o Rei, torcendo as mãos uma na outra nervosamente, enquanto sentia seu rosto esquentar cada vez mais. Tadase estava um tanto chocado com aquela declaração repentina. O "outro Tadase" teria adorado ouvir aquilo, mas ele não sabia o que fazer. Enquanto pensava em alguma boa resposta, ouviu-se uma interrupção:
– Por que... por que eu tenho que ouvir essas coisas? — Nadeshiko deixou escapar, no que ela pretendia ser só um pensamento, mas acabou saindo em voz alta — Eu não preciso ficar aqui escutando isso. Me deixe descer Souma-kun, vou sair daqui, e é agora!
– Ei, espera aí Fujisaki! Você ainda está machucada, não pode sair andando sozinha! — o ruivo tentou mantê-la em suas costas, com certa dificuldade, visto que a garota começara a se debater
– Mas eu não quero ouvir isso! Não quero ouvir a resposta! Me deixe ir embora por favor!!
– Mas você ainda não consegue andar sozinha, como pode querer que eu te coloque no chão se nem andar você consegue?! — Kukai exclamou
– Não importa, eu vou rastejando se for preciso, mas não quero ficar ouvindo isso!! — Nadeshiko respondeu com a voz embargada, lutando contra as lágrimas. Por que ela tinha que passar por isso afinal? Sabia muito bem que Amu e Tadase se gostavam, e que um dia acabariam ficando juntos, mas não imaginou que isso aconteceria tão rápido... muito menos que doeria tanto. Ela se abraçou ao pescoço de Kukai com mais força, deixando escapar uma lágrima solitária
– Ei, Fujisaki... você está bem? — o ruivo perguntou preocupado, ao sentir a lágrima escorrer pelo pescoço ele
– Não, eu não estou bem... eu não quero... ter que ficar ouvindo isso
– Concordo — intrometeu-se Ikuto, com as duas mãos apoiadas na cabeça — Também não quero ter que ouvir isso ~nya — ele miou aborrecido, e um tantinho solidário à falsa garota — Estou quase me retirando, e de quebra, levando essa menina falsa pra longe comigo... ninguém merece ter que ficar ouvindo isso ~nya
– Quietos!!! — Shiori berrou impaciente — Quero ouvir a resposta do Chibi King, então calem a boca!!!
Eles conformaram-se e voltaram a se calar. Depois de muito pensar, Tadase respirou fundo, e disse:
– Sabe, talvez tenha sido bom você me dizer isso... principalmente depois do que aconteceu hoje de manhã — ele forçou-se a encarar Amu, sentindo seu rosto esquentar cada vez mais — Se eu ainda fosse aquele antigo Tadase... o Tadase ingênuo e inseguro que você conheceu, eu provavelmente estaria muito feliz agora. O Tadase de antes realmente te amava, e muito, então ele poderia tranquilamente corresponder aos seus sentimentos. Mas, assim como todos aqui, eu mudei, e minha personalidade está diferente da de antes. O Tadase de agora ama... ama outra pessoa, que não é você. Isso é complicado, porque... o Tadase de antes realmente te amava, mas a pessoa que sou agora gosta de outra pessoa... o fato de eu conseguir dizer isso tão claramente agora é a prova de que realmente não te amo nesse momento. Isso é estranho porque, mesmo sabendo que o "Tadase de antes" e o "Tadase de agora" são a mesma pessoa, é como se eu fosse uma pessoa completamente diferente da de antes. Eu não posso te dar uma resposta positiva agora, porque o "eu" de agora não te ama. Mas o "eu" de agora está prestes a desaparecer, e muito em breve, quando recuperarmos nossos Shugo Charas, eu também voltarei a ser aquele Tadase doce e inocente de antes, que gostava tanto de você. Então... eu espero que você possa esperar até que eu volte ao normal. Eu não sei se, quando eu voltar a ser o que era antes, eu voltarei a te amar, ou se manterei os sentimentos que tenho agora, mas... eu só vou poder te dar uma resposta definitiva depois que confirmar os sentimentos do meu "eu" verdadeiro. Então, eu lamento, mas você terá que esperar mais um pouco
– Entendo... bem, acho que é justo — Amu sorriu sem graça — Mas não se esqueça, meu Rei, assim que voltarmos ao normal, eu vou cobrar essa resposta, ouviu?!
Tadase acenou a cabeça em sinal positivo, sorrindo, e Amu retribuiu o sorriso. A maioria ali soltou uma risadinha de deboche, ou gritou um "kyaaa!" escandaloso. Ikuto xingou em voz baixa, desviando o olhar da cena com cara enojada, e Nadeshiko também olhou pro outro lado, forçando-se a não chorar.
– Kyaaaa que lindoooo!!! Kawaii, kawaii, kawaiiiiiii!!!! — Shiori pulava no mesmo lugar, mais eufórica do que nunca — Foi muito melhor do que imaginei, sabia que essa prova seria de arrasar!!! Muito bem então, vocês têm permissão para entrar! Mas não vou dizer aonde estou, vocês terão que me encontrar por conta própria. Boa sorte, meus adoráveis brinquedos... nos vemos em breve.
Shiori acenou animadamente, voltando a exibir um sorriso maligno. Poucos segundos depois, a tela piscou e desapareceu. Logo em seguida, ouviu-se um sonoro rangido e o portão se abriu, dando passagem ao grupo.
– Nee Shiori.. tem certeza de que não tem problema ter deixado eles prosseguirem assim tão facilmente?? — sua Shugo Chara indagou, surgindo das sombras, séria como sempre
– Ora Mabo-chan, você estava aí? — Shiori falou ao avistar sua Chara — Até estranhei você não ter feito nenhuma objeção dessa vez, geralmente você sempre tem reclamações a fazer... pensei que tinha ido dar uma volta
– Mesmo que eu me opusesse, não adiantaria de nada, você nunca me ouve mesmo. E não faça perguntas tolas, eu sempre estou ao seu lado, você sabe disso — Maboroshi respondeu — Não importa se as coisas que você faz são boas ou ruins, eu sempre estarei com você
– O que está tentando dizer Mabo-chan??
– Estou dizendo que, já que você resolveu aprisionar aquelas crianças e raptar esse monte de Shugo Charas, então leve essa historia à sério até o fim! Você só está brincando com eles! Tem certeza de que pode deixar eles prosseguirem assim numa boa? Eles ja foram longe demais!
– Ah, relaxa, você se preocupa demais, Mabo-chan! Nós sabíamos desde o começo que acabaríamos nos encontrando com eles frente à frente uma hora ou outra, eu não poderia mantê-los aprisionados pra sempre afinal — Shiori respondeu despreocupadamente — Não importa que eles acabem nos encontrando ou que estejam em maior número, eles não passam de um grupo de crianças estranhas com personalidades alteradas afinal. E se já chegaram ao cúmulo de brigar entre si, uma hora ou outra o grupo vai acabar se separando. Se eles brigarem e cada um for pra um lado, eu não devolverei os Shugo Charas de nenhum deles, simples assim
– Mas Shiori, ainda assim é perigoso! Eles são muitos, e se tivermos que lutar contra eles...!
– Daijobu, daijobu, Mabo-chan! — Shiori a interrompeu sorridente, dando de ombros — Já te falei que, mesmo eles estando em maior número, não poderão ganhar do jeito que estão. Além do mais, enquanto eu tiver você ao meu lado... eles simplesmente não têm a menor chance de vencer.
*** Próximo Capítulo: Frente a Frente com a Inimiga ***
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