[Fukuya P.O.V.]

–Nha, estou exausta! -Resmunguei me jogando sobre a cama. Esse com certeza fora o pior dia da minha vida!

–Foi tão divertido, tinha tantos jogos naquele fliperame, eu quero ir mais vezes. -Disse Sasami batendo palmas e dando rodopios de alegria.

–M-Meu encontro, meu primeiro encontro...Foi arruinado! -Resmunguei, enfiando a cara entre dois travesseiros.

–Não fique triste, Fu-chan, da próxima vez dará tudo certo, você verá. -Disse Sakura tentando me consolar.

–Isso se você não tiver que purificar mais X-Tamas, Joker-san. -Disse uma voz masculina misteriosa, de repente.

–KYAAAAAH! -Exclamei, levantando a cabeça e vendo o garoto estranho que tinha encontrado tocando violão no parque e que vi hoje, com os X-Tamas. Sorte que minha mãe não estava em casa agora, senão ela provavelmente viria aqui ver o que está acontecendo. -O-O que você está fazendo aqui, seu maluco?! -Perguntei, agarrando meu pesado abajur, preparando-me para me defender daquele psicopata pedófilo desgraçado que entrara no meu quarto.

–Esse não é o melhor jeito de receber visitas, mocinha. -Disse o garoto de jogando em minha cama.

–Saia já daí! -Disse pegando-o pela camiseta e jogando-o no chão, com toda a minha força.

–Acalme-se, eu só vim fazer uma pequena cortesia. Ainda gosta de rock n' roll? -Perguntou ele se levantando e pegando o violão, que tinha colocado sem que eu nem percebesse, atrás do meu pufe cor-de-rosa.

–O-O que tem de cortesia nis...

–Eu só estou querendo me desculpar por estragar seu encontro, baixinha. -Disse o garoto me puxando pela mão, fazendo-me cair sobre ele, com nossos olhos colados uns nos outros.

–Sem perdão! -Disse, pegando-o pelo braço e puxando-o para a frente e depois lançando-o longe, jogando-o sobre meu pufe. -Saia já do meu quarto seu pervertido maluco! -Exclamei abrindo a janela do meu quarto, fazendo sinal para que o garoto fosse embora.

–Eu só irei embora se me disser o seu nome, Baixinha-chan... -Disse o garoto sentando-se no pufe e me olhando com cara de provocante. Agora eu podia vê-lo melhor do que mais cedo e naquele dia que o vi no parque. Tinha cabelos desgrenhados e verdes, de tom bem escuro. Usava uma camisete meio rasgada, com uma camisa xadrez por cima e bermudas rasgadas. Nos pés, usava tênis ao estilo skatiska. Tinha jeito de mauricinho que queria bancar o bad boy.

–T-Takishima...Takishima Fukuya. -Disse, sem acreditar que tinha sido dominada tão fácil por aquele joguinho daquele pervertido.

–Eu sou Hanazono. Hanazono Shirou. -Disse o garoto colocando o violão nas costas e se aproximando de mim.

–V-Você não disse que ia embora? -Perguntei, sentindo de repente um estranho nervosismo. Por que eu estava tão ansiosa para que ele fosse embora, mas ao mesmo tempo, não queria que ele fosse? Por que?

–Eu disse que iria te compensar por ter estragado o encontro com o garoto. Então, vamos dar uma voltinha, Fukuya-san! -Disse Shirou me pegando no colo de repente e saltando a janela comigo nos braços.

–AAAAAH, ME PONHA NO CHÃO SEU MALUCO! -Disse, desesperada, temendo o que ele faria comigo naquele momento.

–Acalme-se, eu só quero te mostrar o melhor lugar da cidade. Segure-se firme. Sanji, chara change! -Disse ele para seu guardião chara. Era um pequeno garoto de cabelos loiros, com um capuz, e roupa ao estilo elfo: uma blusa verde meio aberta na frente, uma bermuda marrom, botas marrons com estranhas asas nelas. De repente, só pude perceber que Shirou e eu estávamos a uma imensa altura, podendo ver a cidade toda de onde estávamos.

–KYAAAAH, EU QUERO DESCER, EU QUERO DESCER! -Exclamei esperneando nos braços de Shirou.

–Pare com isso, vou te derrubar assim! Apenas pare e olhe. -Disse Shirou ao meu ouvido, tentando me tranquilizar. De repente, senti como se a voz dele fosse algo totalmente diferente de qualquer outra que já tinha ouvido antes. Era suave, forte e tão doce em certos momentos.

–I-Incrível... Quantas luzes! -Disse, espantada com a luminosidade da cidade. Havia luzes de placas, carros, lojas, outdoors, era tudo tão misterioso e lindo.

–Eu disse que aqui é a melhor parte da cidade. E aqui é perto das estrelas também. -Disse Shirou olhando para cima com a cabeça, me mostrando um belo tapete de estrelas, brilhando como diamantes transparentes.

–Tão lindo! -Disse, encantada com tantas luzes, tanto abaixo quanto acima de mim.

–Eu sou tão chato assim agora? -Perguntou Hanazono parecendo estar me jogando uma cantada barata.

–Claro que sim! Você me tirou do meu quarto a força, me deu um susto daqueles e ainda por cima estragou meu encontro com o Taichi-kun. -Disse, contrariando o que meu coração acelerado e meu rosto corado me diziam.

–Okay, pelo jeito acho que vamos ter que voltar. Ou prefere cantar alguma coisa antes de voltar? -Perguntou ele se lembrando possivelmente daquele dia em que acabei cantarolando um trecho de Sweet Child O'Mine quando o encontrei no parque.

–Por acaso já ouviu uma música chamada Star of Bethlehem? -Perguntei, me lembrando de ter ouvido uma vez essa música, entre os velhos discos que meu pai coleciona com tanto carinho.

–Esse é bem antiga. Mas eu conheço sim, foi uma das mais difícies para aprender a tocar. -Disse Shirou observando as estrelas atentamente. Olhei-o atentamente agora, ele era realmente um garoto lindo. Era como se ele todo fosse coberto por uma magia estranha que me fazia olhá-lo sem parar.

–Ain't it hard when you wake up in the morning and you find out that those other days are gone? All you have is memories of happiness, lingerin' on. -Cantarolou Shirou lentamente, criando seu próprio ritmo para a música.

You might wonder who can I turn to on this cold and chilly night of gloom? The answer to that question is nowhere in this room. -Cantarolei seguindo o ritmo que Shirou criara.

All your dreams and your lovers won't protect you, they're only passing through you in the end. They'll leave you stripped of all that they can get to, and wait for you to come back again. You might wonder who I can turn to on this cold and chilly night of gloom? The answer to that question is nowhere in this room. Yet still a light is shining from that lamp on down the hall. Maybe the star of Bethlehem wasn't a star at all... -Cantarolamos juntos, até o fim da música, ficando com os olhos grudados uns nos outros, ele observava cada mínima luz que surgia refletida em meus olhos, eu repetia sua ação, vendo apenas a minha figura refletida nos olhos dele.

–H-Hanazono-san, me leve logo para casa, minha mãe já deve estar voltando das compras! -Disse, tentando quebrar aquele estranho clima que havia de repente surgido entre nós.

–Pode deixar senhorita cantora. Segure-se firme! -Disse Shirou dando um imenso salto, fazendo surgir imensas asas em seus pés, que o faziam ter uma velocidade assustadora. Segurei firme em seu pescoço, com medo de que ele me soltasse, apesar de acreditar que ele não faria isso. -Chegamos. -Disse ele percebendo que estava com meus olhos fechados de medo. Abri-os lentamente para ver se este não estava apenas blefando, mas era a mais pura realidade. Eu estava agora em segurança em meu quarto, sem ver mais nenhuma luz do alto ou algo assim.

–V-Valeu pelo passeio... -Disse um pouco sem graça, descendo do colo dele e segurando sua mão, em gesto de agradecimento. Era tão quente e macia...

–De nada. Até, Fukuya-san! -Disse ele dando um salto e saindo pela janela.

–Eu não sabia que estrelas eram tão bonitas. -Disse Matsuri observando as estrelas sentada no parapeito de minha janela.

–Sim, são lindas... -Disse observando-as, hipnotizada, parando ao lado de Matsuri e de minhas outras shugo charas. As estrelas eram realmente lindas, mas eu nunca pensei que pudessem ser tão bonitas vistas de perto. Ainda mais com aquele garoto. -Shirou-san... Valeu pelo passeio. -Disse dando um sorriso e olhando para um imensa constelação em forma de coração, sentindo meu coração bater forte como nunca antes.

[Sora P.O.V.]

–Shirou! P-Por que você foi atrás daquela garota?! Por que?! -Exclamei, atirando um imenso vaso que tinha no corredor que dava ao meu quarto em direção aquele imbecil.

–Fui simplesmente me desculpar, eu sei que garotas ficam sentidas quando tem encontros estragados. -Disse Hanazono com deboche.

–Aquilo não me pareceu um pedido de desculpas, pareceu mais um encontro. -Disse, tentando disfarçar meu rosto vermelho de raiva e de... Não, ciúmes não, jamais!

–Era o que eu devia a ela. E posso dizer, se não estivesse no mesmo barco que você, eu iria realmente atrás dela. -Disse Hanazono saindo caminhando calmamente.

–D-Desgraçada...P-Por que ela tem tudo? Por que ela é mais forte que eu? E por que o Hanazono gosta tanto dela, mesmo conhecendo-a há pouco tempo?! Takishima Fukuya...Eu te declaro guerra! -Disse, tomada por uma imensa raiva. Sim, agora eu realmente iria começar a luta para valer. Eu, Ichinose Sora, declaro a partir de hoje que eu serei a única pessoa que derrotará Takishima Fukuya. A ÚNICA!

Continua