Shugo Chara After Party!
7 Chiharu e os Guardiões
[Sora P.O.V]
-Por que você está aqui? Eu não te mandei desaparecer?! -Exclamei, vendo que a odiada criatura que eu era obrigada a aceitar como meu suposto eu estava me seguindo.
-Sora-chan, não fale assim com a Chiharu, ela promete não te atrapalhar. -Disse a irritante shugo chara tentando de alguma forma me convencer a ficar com ela.
-Você não quer me atrapalhar, não é? Então, fique longe de mim, LONGE! -Exclamei, batendo a porta do quarto e deixando a pequenina garota presa do lado de fora, provavelmente ela me espionaria pelo buraco da fechadura. Dane-se, eu não me importaria, contanto que ela não se aproximasse de mim. Eu não podia acreditar que tinha um suposto eu tão inútil e fraco.
-Mestra, parece que alguns X-Tamas pareceram na Seyou. Vamos lá ver? -Disse Hokuto tentando me fazer pensar em outra coisa.
-Sim, Hokuto. Eu agora também tenho que deixar algo com eles... -Disse em tom de mistério, planejando a forma que poderia finalmente me livrar de minha desagradável Chiharu.
[Fukuya P.O.V.]
-Pessoal, pessoal! -Disse uma voz feminina, que nunca havia ouvido antes. Vinha do meio das árvores que estavam atrás de nós.
-Amu-chan, pensei que não viria. -Disse Tadase quando uma garota com roupas de líder de torcida se aproximou dele. Esta tinha cabelos rosados e olhos dourados. No peito, balançava um cadeado em forma de coração, que cintilava como uma verdadeira jóia. Por um momento, me esqueci até de pensar no nome dela. Mas depois, ao ouvir o eco de "Amu-chan" entrar em meus ouvidos, percebi que se tratava da antiga Joker da Seyou, a Amu de quem Yaya, Rikka e Hikaru comentavam volta e meia.
-Pessoal, aquela ruiva estranha que atacou o Yukizaka-kun estava aqui. Ela apareceu do nada quando eu tinha acabado de chegar e a luta tinha acabado. Ela me entregou isso. -Disse Amu abrindo suas mãos e mostrando um pequeno ovo branco com um coração alado de belas asas douradas.
-Um ovo do coração? Onde será que ela...
-Socorro, me tirem daqui! -Excmaou uma voz meiga seguida de um barulho de algo que batia na casca do ovo, tentando abrí-lo.
-Tem alguma coisa presa no ovo! -Disse Taichi.
-Tire a fita isolante. -Disse Rima apontando para o X de fita isolante sobre o ovo, que parecia fechá-lo. Amu puxou a fita rapidamente, arrancando-a.
-Ufa, como é abafado dentro desse ovo! -Disse uma pequena garota de cabelos acinzentados, com imensos laços cor de rosa nos cabelos. Usava um vestido branco de alcinhas finas, num dos pés usava uma tornozeleira prateada com um símbolo de coração, na outra, uma sandália estilo gladiadora.
-Q-Quem é você? -Perguntou Rikka ao ver a pequena garota saída do ovo.
-Eu? Sou Chiharu, a suposta eu da Sora-chan! Aliás, onde a Sora-chan está? -Disse a pequena garota sorrindo de maneira radiante.
-Sora? Quem é essa? -Perguntou Hikaru, não fazendo a mínima idéia de quem poderia ser a tal Sora.
-Sora é minha dona! Ela é uma garota cruel, fria, mas no fundo, sei que ela é sensível e amorosa. Eu sou a parte bondosa dela. Mas, digam-me, onde está a Sora-chan. -Disse Chiharu, esperançosa. Por um momento, parei para pensar quem seria a tal Sora. Aos poucos, como Amu havia dito que uma ruiva misteriosa havia deixado o ovo com ela, comecei a imaginar o rosto da ruiva maluca que me atacou hoje de manhã, na rua, quando Sakura nasceu.
-Chiharu! Sua dona é ruiva, por acaso? -Perguntei, tentando encontrar alguma maneira de ligar aquela meiga chara a ruiva que me atacou hoje.
-Sim. Ela tem cabelo bem comprido, olhos vermelhos, usa normalmente um casaco comprido e luvas. Ela é assim, olhem! -Disse Chiharu pegando um graveto e começando a desenhar o rosto de sua dona no chão.
-N-Não pode ser! -Exclamou Yaya espantada. Realmente, a ruiva que lutou comigo hoje era também a dona de Chiharu. Mas por que ela deixou a pobre presa dentro do ovo e entregou a Amu-san? Por que?
-Chiharu... A sua dona... Ela te deixou aqui. -Disse Amu tentando controlar suas emoções, parecia que a qualquer momento ela iria cair no choro. De certa forma, compreendo, afinal, a partir do momento que nossos supostos eu nascem, acabamos nos apegando a eles.
-Como assim? A Sora-chan é uma boa pessoa. Ela não faria isso com a Chiharu... -Disse Chiharu murchando aos poucos, parecendo ficar cabisbaixa. Sim, Sora, a tal ruiva a abandonou. Por dentro, eu sentia meu coração pegar fogo. Como poderia ser tão cruel a ponto de abandonar sua própria shugo chara? Como?
-Chiharu, fique comigo e com as minhas shugo charas! -Disse, tentando de certa forma acolhê-la. Eu sentia que não devia deixá-la sozinha, afinal, eu queria que ela voltasse para a Sora, mesmo não gostando daquela ruiva idiota.
-Eu nunca ficaria com a inimiga da Sora-chan! -Disse Chiharu fechando a cara e virando o rosto para outra direção.
-Inimiga? Mas eu mal conheço a Sora-san. -Disse, tentando parecer tranquila, quando na verdade, estava a fim de pegar aquela coisinha e espremê-la. Como ela poderia negar minha oferta?!
-Mas a Sora-chan disse uma vez, quando eu estava escondida observando-a, que tinha que impedir que a Joker ficasse com os Guardiões, porque senão alguém pagaria pelo erro dela. -Disse Chiharu me deixando abalada. Pagar? Como assim? O que acontecia com essa garota para que ela fosse ser punida por alguma coisa? Quem é realmente essa Sora? Será que ela é realmente a garota que nos atacou?
-Chiharu, aceite ficar conosco. -Disse tentando convencer que a pequena garota ficasse. -Eu posso ser inimiga da Sora-san, mas vou te ajudar a voltar pra ela! E vou me tornar amiga dela! -Disse, expondo finalmente alguma opinião concreta. De certa forma, eu queria ajudar a Chiharu a voltar para Sora. Queria ver a Chara Nari das duas, vê-las se dar bem, queria saber que tipo de pessoa é essa Sora.
-O-Okay, mas só aceitarei porque você disse que vai me fazer voltar para a Sora-chan. -Disse Chiharu cedendo e tentando ocultar um sorriso. No fundo, ela estava feliz por ter alguém querendo ajudá-la, só não queria mostrar.
-Isso me lembra até a Eru... -Disse Amu voltando a sua forma normal. Agora pude reparar como ela era sem a chara nari. Tinha cabelos de comprimento médio, mais ou menos abaixo do ombro. Usava uma presilha em forma de X na cor vermelha, a única coisa vermelha em seu uniforme, que era composto de uma saia preta com detalhes em xadrez em cinza. Na parte de cima, uma camisa branca e por cima desta, um casaco preto com um símbolo de uma cruz no bolso, no pescoço, ela carregava o tal cadeado que haviam comentado comigo, o Heart Lock.
-Sim... Amu-chan, se incomoda se eu te acompanhar até em casa? -Disse Tadase.
-N-Não, não me incomodo... É, vamos, Tadase-kun? -Disse Amu corando forte. Será que ela e Tadase estavam saindo? Bem, só sabia que eles usavam o uniforme da mesma escola, só isso.
-Rima, posso dormir na sua casa hoje? -Perguntou Yaya choramingando como um bebê.
-Eu tenho que ver com meus pais primeiro, deixa eu telefonar. -Disse a loirinha, pegando seu celular no bolso e começando a buscar o telefone dos pais na agenda. Rima usava uma saia de cintura alta na cor bege, com babados brancos e uma camisa branca, com o detalhe de uma flor no bolso da camisa, símbolo da Academia para Meninas Saint Lucy. -Meus pais deixaram. Vamos, Yaya. -Disse Rima secamente, arrastando Yaya pelo braço.
-Pessoal, eu também vou indo, meus pais devem vir me pegar logo. Até amanhã! -Disse Rikka saindo correndo em direção ao Jardim Real, para pegar a mochila que havia deixado lá.
-Eu também vou indo, logo meu avô mandará o motorista para me buscar. Até amanhã, Takishima-san, Yukizaka-san. -Disse Hikaru saindo caminhando lentamente, com sua mochila preta nas costas.
-Vamos? -Perguntou Taichi. Agora é que finalmente havia reparado que estava sozinha com ele. Meu coração imediatamente começou a disparar, como se fosse uma bomba relógio. O ar faltava, eu não conseguia dizer nada.
-V-Vamos... -Disse com dificuldade, tentando abaixar a cabeça e esconder meu rosto corado com minha franja.
-Takishima, você está meio vermelha, está com febre? -Perguntou Taichi levantando minha franja e colocando a mão em minha testa. -Melhor medir assim. -Disse ele segurando minha franja e erguendo a sua com a outra mão, a direita, que estava livre e encostando a testa na minha. Senti meu rosto enrubescer como se fosse um vulcão perto da erupção. Os olhos dele junto aos meus, o ar que ele respirava tocando meu rosto, a boca dele próxima a minha...
-Ah, eu me lembrei que tenho que passar num lugar aí! A-Até, Yukizaka! -Exclamei saindo correndo feito louca, saindo daquela situação constrangedora. Droga, por que ele tinha feito aquilo? E por que meu coração estava tão acelerado com tudo aquilo? Por que?
-Ei, tem alguém tocando violão em algum lugar. -Disse Matsuri indo em direção a um ruído baixo, que vinha da direção de um parque estadual ali por perto.
-Matsuri! Ah, droga! -Resmunguei indo atrás dela. Aos poucos, a medida que me aproximava do local de onde vinha o som, podia sentir as notas estremecerem meu corpo. Era uma música de rock n'roll, eu sabia disso. -Oooh, sweet child o'mine... -Cantarolei, sentindo o ritmo tomar conta de meus ouvidos e vir a tona em meus lábios.
-Que voz suave. Você poderia ser cantora. -Disse uma voz masculina grave. Atrás dela, se escondia um garoto de cabelos esverdeados. Era alto, parecia trajar o uniforme da mesma escola que Amu e Tadase. Tinha cara de playboy.
-N-Não diga bobagens, eu só cantei porque lembrei que você estava tocando essa música. -Disse virando a cara para ele e fazendo biquinho.
-Okay, okay, eu já ia embora mesmo. Ah, e cuidado, é perigoso ficar conversando com estranhos, pirralhinha. -Disse o garoto colocando o violão na bolsa e saindo com este preso as costas, com ar de arrogante. Tinha razão, um playboy.
-Ele é bem gatinho. -Disse Chiharu. Até tinha me esquecido por uns instantes que ela estava comigo.
-E ele gosta de rock! -Exclamou Matsuri, com seus olhos brilhando num misto de admiração e amor.
Ora, vamos, se ficarmos aqui enrolando vou chegar tarde em casa! -Disse bufando e saindo a frente.
-Espera, Fuku-chan! -Disse Matsuri indo atrás de mim, retornando por um rápido período de tempo para puxar Chiharu, que estava distraída olhando para alguma coisa por ali.
É estranho, eu sempre ouvi aquela música em casa, mas nunca senti esse arrepio todo. E eu também sempre vi meu pai tocar essa música para mim, mas nunca fiquei desse jeito. Acho que aquele playboy tem algum talento com isso, sei lá. E aquele idiota do Taichi, por que ele fez aquilo? Eu achei que fosse morrer! Só de pensar, meu coração acelera como nunca antes, é como se ele estivesse aqui, com a testa encostada na minha. O que seria essa sensação?
Continua
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