Shtorm

1 O mundo não é um mar de rosas


Notas iniciais
tentei fazer uns dramas, mas ficou só no tentar

O dia estava agressivamente frio. Tanto que mesmo dentro de casa, e esta sendo climatizada, Georgi evitava passar pelos pontos frios que havia nela. Somente um louco sairia num tempo daqueles. Por isso quando o som estridente da campainha ecoou pela sala, Georgi ficou bem surpreso.

Não fazendo ideia de quem encontraria na porta, ajeitou o marca-página no livro e se levantou. Claro que em nenhum momento cogitou a possibilidade de ser Victor e ao vê-lo quase congelado na entrada, sua primeira reação foi arrastá-lo para a sala sem fazer quaisquer perguntas. As roupas úmidas foram sendo tiradas e jogadas no chão durante o curto trajeto até a poltrona onde estava há pouco.

Quando o corpo esguio estava bem apoiado na poltrona com um Georgi atencioso massageando suas pernas nuas e pés – ele ficou apenas com a cueca e uma camisa de manga até o cotovelo – foi quando as perguntas vieram. E junto com elas veio também um olhar preocupado, pois foi meio impossível não notar a bochecha inchada e roxa de Victor. Isso sem mencionar a ausência de, pelo menos, metade dos fios longos.

— O que aconteceu? — parou um pouco a massagem para passar os dedos na parte do cabelo que tinha sido rudemente cortado.

Victor deu um sorriso melancólico.

— Eu contei pra eles.

Não foi preciso mais palavras para Georgi entender que ele falava dos pais e que a conversa possivelmente tinha sido sobre sua sexualidade.

— Por que? — perguntou, abarcando as mãos trêmulas do outro rapaz.

Victor suspirou.

— Minha mãe estava noutro discurso homofóbico e eu não aguentei. Joguei toda a verdade na cara deles e, bem, o resultado foi esse.

Georgi olhou bem fundo nas íris azuis, preocupado com o emocional dele. Victor podia não estar chorando, mas em seus olhos havia uma tempestade tão ou mais terrível que aquela que se passava lá fora.

Saiu brevemente do cômodo depois de dizer que prepararia a banheira e logo voltou para buscá-lo. Massageou-o por mais um tempinho antes de guiá-lo para o banheiro.

— Entra comigo... — pediu Victor segurando o braço de Georgi quando ele estava prestes a sair.

Pretendia lhe dar um pouco de privacidade durante o banho, mas ao que parecia não era o que Victor desejava. Anuiu então, entrando também no banheiro e retirando as próprias roupas. Entrou primeiro na banheira, se encostando numa das extremidades para só depois estender a mão convidando o outro. Entendendo o recado, Victor entrou na água aquecida e se acomodou entre as pernas dele.

— Quer conversar?

Victor apoiou-se melhor no peito de Georgi, respirando fundo. A água estava na temperatura ideal, sentia o cheiro dos seus sais de banho preferidos e a companhia deixava tudo melhor. Seus problemas de repente não pareciam tão ruins.

— Agora não. Eu... só quero relaxar no momento.

— Certo, então eu te farei relaxar. — disse, depositando beijos suaves no pescoço e fazendo movimentos circulares com os polegares na cintura alheia.

O resto do dia foi cheio de mimos de ambas as partes. Georgi, inclusive, aproveitou para consertar o corte dos fios prateados. Também preparou canecas de chocolate quente e serviu de apoio para as lágrimas de Victor depois de um filme sobre a lealdade de cachorros. Claro que Georgi sabia que havia mais motivos para aquelas lágrimas do que o final triste do filme, mas ele esperaria pacientemente pela iniciativa de Victor para conversar. Não importava o quanto demorasse ou quanto fosse pesada a carga, Georgi estaria ali para apoia-lo e ajudá-lo a se reerguer. Assim como a recíproca também era bem verdadeira.

Notas finais
pra mim Georgi tem mega cara de gente que manja mexer em cabelo e maquiagem asdkjnasdjoads
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!