Shower

3 The Boy In My Room


Notas iniciais
Gente perdão a demora, eu fiquei escrevendo outras fanfic e postando somente no Spirit que não notei que tinha um projeto aqui no Nyah. Quando eu vi o arquivo quase morri e vim postar o capítulo, perdão, não vai se repetir. Pretendo postar agora todo fim de semana ou a cada duas semanas. Obrigada a quem comentou no último capítulo e está acompanhando! Bjs!

O Garoto Em Meu Quarto

—Então, você é a mais nova aluna que vai ter o dinheiro sugado por essa merda?

Annabeth arqueou as sobrancelhas, vendo a garota jogar sua toalha molhada na própria cama e adquirir um sorriso arrogante. Os dentes brancos perfeitamente alinhados faziam contraste com as inúmeras argolas aleatórias e descombinadas na orelha da garota.

—Aparentemente sim.

A morena alargou o sorriso, encostando os quadris no batente da porta, para logo revirar os olhos e se jogar na própria cama, sendo totalmente contraditória consigo mesma.

—Bem, você não ferra a minha vida e eu não ferro a sua, pode ser?

A loira arqueou as sobrancelhas chegando a uma breve conclusão sobre a Grace: provavelmente era uma garota mimada que para chamar atenção do pai se envolveu com drogas e acabou parando ali. Obviamente, a primeira impressão da Chase sobre a garota fez ela criar uma careta de degosto e dar os ombros, indiferente.

Annabeth não era do tipo sociável. E aparentemente sua companheira também não pois em questão de instantes ela poderia perceber que a Grace já havia entrado em sono profundo.

Suspirou, vestindo sua camisola comportada. O tecido ia até a metade de suas coxas e era pálido e sem graça. Ela se jogou na cama e adormeceu.

Quando acordou sentiu seu corpo implorar pela cama. Mas a mente da garota a forçou levantar e ir ao banheiro. Ela, como sempre acordou uma hora e meia antes do comum. Escovou os dentes, fez o habitual rabo de cavalo. Na cama, tratou de passar impecavelmente sua camiseta de botões e sua saia. Vestiu o uniforme, as meias brancas que iam até a canela e depois o saltinho preto polido.

Em algum momento disso viu a Grace se levantar e se arrastar até o banheiro. Em questão de instantes a garota voltou para o quarto, fazendo uma careta com o uniforme da menina.

—Você está parecendo uma Freira.

A garota loira ergueu os olhos. Thalia Grace era peculiar. Ela usava a camiseta branca arregaçada nas mangas e com alguns inacreditaveis centímetros mostrando sua barriga lisa. A saia era curta, quase um palmo, a meia ia até depois do joelho e contra todo o regulamento da escola em relação a uniforme ela usava cortunos encardidos de terra.

—E você parece uma Prostituta Estudantil.

A morena riu debochada. Annabeth a ignorou, usava sua boa educação e cordialidade com pessoas que ela julgasse dignas de tal. Thalia Grace merecia tudo, menos sua simpatia.

—Gostei.

Annabeth continuou juntando seu material, não suportava pessoas estúpidas como a Grace se mostrou nas poucas palavras que ambas trocaram. Na sua antiga escola, era cheia de pessoas assim e isso era a razão da garota se tornar a excessão.

Dois toques na porta fizeram a Grace parar de analisar a loira a sua frente e ir abri-la. Ela revirou os olhos com degosto para a garota a sua frente.

—Reyna.

A morena fez uma careta para a Grace, como se tivesse expriementado algo azedo. Logo, a analisou dos pés a cabeça.

—Você não pode sair assim.

A Grace fez revirou os olhos, pegando sua bolsa pichada da cama e se voltando para a porta novamente.

—E por que não?

A Reyna bufou com o cínismo presente no olhar azul intenso destacado pela maquiagem escura. Todo ano tinham aquela mesma discussão, e todo ano era ignorada.

—Isso é uma escola, não pode andar por aí se portando como uma vadia.

Thalia sorriu, passando pela garota com desdém.

—Ramirez, eu sou uma vadia. E a loirinha, que você veio bancar cão de guarda, concorda.

Reyna bufou enquanto observava a Grace atravessar a porta começar a andar pelos corredores. Logo seus olhos voltaram para o interior do quarto. A garota loira colocava seus livros em sua mochila e tinha ignorado toda a conversa que ocorreu na porta do seu quarto.

Quando se aproximou da porta, apenas arqueou as sobrancelhas para a morena que a observava.

—Sou Reyna Ramírez.- ela estendeu a mão educadamente- Sou a representante e inspetora do último ano. Eu vim mostra-la a escola como fui instruída, espero que não se incomode.

Annabeth analisou a garota a sua frente. A postura perfeita, as roupas impecáveis e a trança de lado, escura e perfeitamente arrumada. Aceitou a mão.

—Sou Annabeth Chase, obrigada.

Reyna sorriu e fez sinal para que a loira a acompanhasse. A Chase apenas a seguiu, vendo uma confusão feminina pelo dormitório. As garotas, algumas ainda de pijama, passavam entre si apressadamente e as vozes femininas soando alto e ao mesmo tempo fez a loira revirar os olhos.

—Queria dizer que não é essa bagunça todo dia mais estaria mentindo.

Annabeth deu os ombros.

—Eu me acostumo.

Reyna a observou, ainda guiando a loira.

—E com Thalia? Você se acostuma?

A Chase fez uma careta quando a Ramírez comentou sobre sua colega de quarto problemática.

—Com esforço pode ser tolerável. Ela não é punida pela maneira que se porta?

Reyna deu um sorriso infeliz.

—Thalia é um caso complicado. Seu pai recebe as advertências sobre as atitudes dela porém nunca temos retorno, então ela se vê no direito de fazer o que quiser.

A loira arqueou as sobrancelhas para a morena ao seu lado. Logo viu uma confusão em massa de alunos assim que adentrou o refeitório na companhia da Ramirez.

—Psnsa em entrar em um clube, Annabeth?

A loira mordeu os lábios enquanto pegava ovos mexidos e era acompanhada ao lado da fila por Reyna.

—Depende. Quais são as atividades?

A morena pondeirou, aceitando a salada de frutas que a servente ofereceu.

—Bem, temos basquete, natação e teatro, que são os com mais participação. Mas também tem o xadrez, literatura e arte.

A garota loira assentiu acompanhando a garota até uma das mesas mais afastadas e discretas.

—Xadrez e arte é interessante.

A garota sorriu levemente.

—Certo, depois do período de aula eu comunico seu nome aos representantes do clube e te passo a ficha.

A loira assentiu enquanto comia uma garfada do seu café. Era até agradável o gosto, se desprendendo totalmente do mito de "A comida da cantina é uma droga".

Notou a Ramírez a observando e ergueu os olhos cinzas para a garota que tinha um brilho curioso.

—Qual é o problema?

A morena deu os ombros, ajeitando a coluna.

—Nenhum. Só me pergunto, o que alguém como você faz aqui.

A loira arqueou as sobrancelhas.

—Como assim?

Reyna deu os ombros.

—Os alunos daqui só estão aqui por que fizeram alguma coisa que envergonha ou constrange seus pais milionários. Talvez, envolvimento criminal, drogas e coisas do gênero. Quando se vê que perdeu o controle do filho, é só manda-lo pra cá. Mas, parece que esse não é seu caso.

Annabeth encarrou seu prato.

—Bem, as aparências não fazem jus a realidade. Afinal, você também não parece ser o caso e está aqui.

A morena adquiriu uma expressão amarga.

—Digamos que eu sou uma excessão. Meu pai morreu e nunca conheci minha mãe. Minha irmã…- a garota suspirou- …teve problemas. E como não tinha ninguém de maior para cuidar de mim me jogaram aqui.

A loira ficou pensativa com a naturalidade com que a outra garota abordou o assunto.

—Entendo.

A menina deu um sorriso simples e tratou de mudar de assunto. Tomaram o café normalmente, Reyna explicou sobre a grade curricular e sobre o estilo dos professores. Annabeth gostou da companhia da garota, ela era séria e focada além de ter um bom gosto para literatura e música.

Quando deu o sinal, ela tratou de ir para a sala que foi indicada por Reyna, visto que a morena morava em outra ala, ou seja, com outros horários.

Chegou na sala praticamente vazia, apenas alguns pequenos grupos de amigos reunidos. Se sentou na primeira carteira e se ocupou com o livro que pretendia finalizar antes da semana acabar.

Aos poucos a sala foi sendo preenchida. Conseguia ver nitidamente sua colega de quarto no fundo da sala, ocupada em conversar irritada com um rapaz loiro enquanto tinha os pés em cima do colo de um moreno, que observava tudo de fones e expressão de indiferença. Deus, de tantas garotas para ela dividir o quarto seria justo com aquela mais complicada e indecente.

Logo um homem entrou na sala, em sua meia idade, tinha uma barba desgrenhada e usava óculos meia lua, assim como utilizar cadeiras de rodas. Ele sorriu levemente quando todos os alunos, ao notarem sua presença, se sentaram imediatamente e fizeram silêncio.

Ele alargou o sorriso.

—Parece que ano passado aprenderam a lição. Bem alunos, espero que tenham tido ótimas férias. Quero dizer que estou lisonjeado por dar início a primeira aula do ano de vocês e espero que durem até o final delas.

Isso fez alguns alunos soltarem murmurinhos infelizes e outros rirem baixo.

Annabeth apenas avaliou a postura do homem. E após alguns minutos de aula concluiu que ele de fato tinha uma mente brilhante. E por alguma razão, desconhecida por ela como novata, os alunos impossivelmente estavam em silêncio e prestando atenção. E os que não faziam isso, dormiam.

De todas as aulas do dia, a que tinha o Quiron como professor foi a melhor. Ela concluiu história como sua matéria favorita e abandonou seu antigo gosto por matemática depois das aulas com o homem.

Por outro lado, Dédalo, o professor de matemática era bastante interessante na verdade. Os olhos eram claros e ele tinha os fios levemente grisalhos, apesar de sua aparência o entragar aos trinta carregando uma beleza levemente perceptível. A sala de aula dele era bagunçada e descontrolada, ou seja, ele só dava aula para quem queria. Depois da aula, a loira se aproximou timidamente para tirar algumas dúvida fazendo o homem sorrir entusiasmo afinal, era raro ter alunos tão interessados nas aulas com dúvidas que fizessem ele próprio se questionar.

Quando chegou a tarde, Annabeth e Reyna se apossaram da biblioteca. Esse era o local do internato mais interessante. As inúmeras fileiras de estantes de madeira altas eram preenchida por livros que a Chase sequer ouvirá o nome. Reyna puxou a garota até um pequeno grupo em um canto, sentados no fundo da biblioteca. Annabeth nunca foi de socializar porém percebeu que quase todos ali sofriam com o mesmo problema assim que os deles estranharam a desconhecida.

—Gente, essa é Annabeth Chase, novata do terceiro ano. Annabeth, essa é Hazel do primeiro. Aqueles são Leo, Frank e Octavio do segundo e aquela é Silena do terceiro.

A loira acenou timidamente. A primeira a se pronunciar foi Silena, que sorriu abertamente. A garota era extremamente bonita e de longe podia notar horas trabalhadas em contorno e iluminação de pele.

—Deus, sei que é indelicado, mas seu cabelo é natural? Ele é tão clarinho!

Annabeth apenas assentiu, passando as mãos pelas medechas. Não sabia como reagir ao receber elogios, mas nunca gostou da cor do cabelo. Ele não era loiro vivo e marcante, apenas algo pálido e opaco.

—Você é de onde, Annabeth?

Ela olhou para o suposto Léo. O rapaz tinha uma aparência magra e tinha orelhas ponte agudas de elfo.

—Eu nasci na Califórnia.

Ele alargou o sorriso.

—Bem, eu sou de Novo México. Hazel do Alasca, Frank Alabama, Reyna da Costa Rica, Silena de Nova York e Octavio da Califórnia também.

Annabeth sorriu incerta e levemente deslocada. Silena suspirou.

—Leo, aprenda a falar com calma pelo amor de Deus. Está assustando a menina!

Ele revirou os olhos.

—Silena, todo mundo sabe que você só está aqui por que quer sair com meu irmão e acha que se parecer inteligente ele vá te notar.

A garota ficou vermelha e olhou com raiva para o rapaz, dando um peteleco na cabeça dele.

—Idiota.

Isso causou risos nos presentes.

—Hm, Annabeth.- a voz baixa e tímida de Hazel a chamou- Com quem você divide o quarto?

Reyna que foliava um livro bufou, respondendo pela loira.

—Thalia Grace.

Isso fez alguns soltarem suspiros de degosto e outros darem os ombros indiferentes.

—Por que não gostam dela?

Léo tomou a frente, o único sorrindo abertamente.

—Eu gosto dela. Ela é gente boa e descolada. Porém, tem fatos entre nós dois que destruíram nossa relação.

Reyna mordeu os lábios irritada, dando um tapa na cabeça de Leo.

—Essa relação se resume ao fato que você levou um fora dela.

Ele resmungou algo sobre como todo mundo o batia.

—Ela é complicada -Silena se pronunciou- Confesso que queria ter metade da coragem dela para ousar em relação ao uniforme da escola. Sério, ele é horrível. Mas não tenho nada contra a Grace, gosto dela até.

—Deuses, vocês vão continuar falando?

Octavian disse pela primeira vez, ele absorto em seu livro fez uma expressão irritadiça para os colegas que reviraram o olhos com a atitude do loiro.

—Cale a boca Octavian.

Frank deu uma risada anasalado levemente quando ouviu o xingamento de Reyna. Logo, Hazel olhou para a garota loira.

—Bem, eu só posso te sugerir que não se envolva muito com ela.

Reyna suspirou enquanto concordava, voltando a atenção para Levesque.

—Ela e seu irmão ainda…?

A menina deu os ombros.

—Não sei. Eu não vi ele nas férias e ontem quando fui conversar com ele, bem, não foi muito agradável para eu perguntar sobre isso.

Reyna assentiu enquanto endireitava a coluna.

—Bem Annabeth, só não arrume problemas com ela e poderá ter um ano calmo. Não dizendo que ela é perigosa, mas sua companhia pode ser problemática.

A loira suspirou, assentindo.

A semana havia passado rapidamente. Annabeth se acostumou com a grade curricular da escola e logo se adaptou ao sistema de ensino. Durante as tardes se encontrava frequentemente com aquele grupo de leitura que Reyna havia lhe apresentado. Descobriu que Leo, o rapaz que havia conversado, era extremamente engraçado e tipicamente dava em cima de todas as meninas, mesmo recebendo inúmeros foras. Frank era tímido, era frequentemente visto de bochechas coradas, o que não fazia jus ao corpo alto e musculoso do rapaz. Já Hazel era uma garota baixinha e morena, que assim que Reyna finalizasse o ano ela iria assumir o cargo no Grêmio da escola. Julgou Silena complexa, tinha momentos de futilidade e outros intelectuais. Era dois extremos ao mesmo tempo. E curiosamente, o único membro na qual não se deu bem foi Octavian, alguém extremamente irritante ela concluiu. Estava contente com sua situação, não era destacada porém nem apagada. Tinha pessoas para almoçar junto pelo menos.

Sua relação com Thalia se resumia a apenas uma ou outra palavra trocada diariamente, fora as pequenas discussões sobre como a morena era relaxada e deixava suas coisas espalhadas. Aceitou o concelho dado por Reyna e estava se dando bem com isso. Nos primeiros dias de aula notou que a maior parte da companhia da Grace era composta por meninos. Sabia vagamente que ela namorava um cara, porém nunca soube quem ele era pessoalmente, visto que a todo momento ela estava abraçada ou conversando intimamente com outros rapazes.

Naquela noite ela havia acabo de ler "Lolita". Na sua mesa, apenas a luz da sua iluminaria estava acessa e mesmo a alguns metros da morena, podia ouvir os headfones no máximo e constatou que isso era um sinal que a Grace estava dormindo. Thalia sempre dormia ouvindo música alta.

Logo, foi até o banheiro e se despiu, tomando um banho de água fervente pensativa sobre sua leitura.

Era sexta-feira, alguns alunos iam para casa nessa ocasião e só voltavam no domingo. Mas esse não era o caso da loira, que pretendia passar seu fim de semana desenvolvendo seu projeto de química. Thalia também não ia para casa aos finais de semana.

Com um murmuro de desgosto ela saiu da banheira constatando que havia ficado mais quarenta minutos imersa na água. Seus cabelos estavam molhados e incharcados quando ela se enrolou na toalha branca. O azulejo era frio fazendo um arrepio percorrer pela espinha da loira assim que ela colocou seus pés nele.

Por descuido, deixou sua roupa de dormir em cima da cama, não se importando visto que Thalia deveria estar dormindo feito uma pedra.

Saiu em passos cuidados para não acordar a garota tendo os olhos cinzas acima cama dela. Assim que notou a ausência da morena na cama se questionou onde ela estaria sendo que já se passava das dez da noite.

—Nossa, Thalia não me disse que você era a acompanhante de quarto dela.

A loira sentiu o sangue gelar com a voz rouca e masculina que soou. Ergueu os olhos para o rapaz que estava sentado em sua escrivaninha. Ele tinha os pés na mesa e foliava o livro que ela tinha acabado de terminar de ler. O cabelo escuro e bagunçado, o brinco pequeno na orelha esquerda e os olhos intensos e verdes. Tudo isso foi a causa do pequeno colapso nervoso mental da Chase.

Ele usava uma jaqueta, tênis surrados e a analisava dos pés a cabeça fazendo o rosto da garota pegar fogo. Os olhos cinzas o fitaram com raiva e frustração enquanto juntava a toalha mais ao corpo.

—Quem é você!?

Ele mordeu os lábios, ignorando totalmente a nudez parcial da garota, se levantou e se aproximou em uma distância segura dela. Esticou a mão para a Chase e deu um sorriso perfeitamente sacana que fez todos os pelos da loira se arrepiar.

— Eu sou Percy Jackson. E você loirinha?

Notas finais
Obrigada a quem leu até aqui! Por favor, se quiserem que a fic continua comentem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.