Show me Love
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Percy bufou e fechou as portas da sacada com toda a força que lhe era possível. O blindex quase quebrou, mas foi o quase necessário para descontar a raiva que o garoto sentia. Odeiava sua casa. Odeiava seu pai. Odeiava a cidade. E, principalmente, odeiava sua vida.
Vestiu um jeans surrado, seus habituais Vans e uma jaqueta corta-vento, já que estava frio e resolveu sair para espairecer um pouco. Claro, foi no único lugar que sentia afeto naquela cidade, o Central Park. O lugar lhe trazia boas lembranças, uma velha, boa e tão conhecida nostalgia. Ele adorava respirar o ar puro e tomar uma casquinha de sorvete.
Dirigiu-se para o local em que o vendedor de sorvete costumava estar, mas não havia ninguém lá, como de hábito. Era inverno. Claro, a paisagem branquinha deixava tudo muito acolhedor, mas ele sentia falta de poder correr pelo gramado com seus balões. Mas ele adorava o inverno mesmo assim.
A verdade é que ele adorava tanto o lugar que nem queria voltar para casa e encontrar o mesmo ambiente: seu pai e sua madrasta, aquela gritaria constante e todos o culpando por tudo. Aquele era o motivo por qual sentia ódio mortal do pai: Anfitrite. Sua madrasta. Ela era uma completa idiota, e eles eram um casal de idiotas. Após três meses do óbito de Sally, mãe de Percy, Poseidon se casou com a megera dando a desculpa que "não poderia ficar sozinha para sempre" ao filho, que, ainda criança, ficou confuso, mais aceitou. No primeiro mês, ela fez de tudo para agradar Percy.
E desde então faz de tudo para queimá-lo para o pai. E o "coroa" acreditava em tudo, sem deixar nenhuma palavra. Na verdade, Percy não sabia se ele acreditava ou se fazia de idiota. Ou os dois.
Continuou caminhando pelo parque até achar o banco que ele e sua falecida mãe costumavam se sentar enquanto tomavam sorvete e conversavam. Ele sorriu, mas teve o flashback da morte da sua mãe. Estava prestes a desmaiar quando uma loira chegou.
– Meus deuses! Está bem? — Perguntou a loira.
Mas não obteve resposta. Porquê Percy caiu no chão, inerte. os olhos fixos no banco. Os flashbacks horríveis dançando na sua cabeça. Ele sabia o que viria depois. A sensação horrível de asfixia. Os tremores. E no final, o desmaio.
Mas aconteceu uma coisa inédita naqueles anos de tormento. A loira entrou na sua frente, e com um simples gesto de dar tapinhas do seu rosto o garoto acordou de sua transe, se sentindo tão bem, como nunca havia se sentido a muitos anos.
A garota suspirou, aliviada e o ajudou a se sentar no banco.
– Obrigado. — Disse Percy, respirando com uma certa dificuldade. — Desculpe por isso, você pode ir se quiser. Vou ficar bem.
– Claro, porquê uma pessoa que tem um piripaque vai ficar bem de uma hora para outra, certo? — Questionou a loira. — Vou ficar e me certificar que estará bem. Aí, vou me livrar do peso na consciência de poder ter te matado.O que aconteceu?
– Olhe, é complicado. É provável que você nem entenderia oque foi isso. Mas sim, eu juro que ficarei bem, você pode ir. — Afirmou Percy.
– Certo. Sou Annabeth, e você...?
– Percy. Percy Jackson. — Respondeu.
Eles trocaram um breve aperto de mão.
Aquela loira tinha mexido com ele, era encantadora. E no momento, essa era a única coisa que o garoto podia afirmar.
Se virou e fez o caminho contrário, voltando para o seu não tão doce lar. Tocou a campainha da porta da frente e, para sua alegria, quem atendeu foi um dos vários criados. Anfitrite adorava ter vários, e sempre os maltratava. Percy a odiava ainda mais por isso.
– Boa noite! — Saudou Percy. — Poseidon e Anfitrite estão?
– Boa noite, senhor. Poseidon e Anfitrite saíram para resolver alguns negócios e vão ficar para o jantar. Mandaram avisar que só voltam tarde da noite. — Respondeu o empregado.
Percy suspirou, aliviado e agradeceu o empregado. Foi para cozinha e abriu a geladeira enorme. Pegou chantilly, biscoitos recheados de chocolate e refrigerantes e subiu para seu quarto. Comeu até se sentir satisfeito e arrumou seus materiais para amanhã.
De certo modo, estava deprimido porque as aulas começavam no dia seguinte, e ele não sabia o que esperar.
Lembrou da loira, Annabeth, mais cedo no parque e suspirou. Se jogou na cama king-size e seu último pensamento antes de apagar foi:
"Porquê a vida e o amor tem de ser tão difíceis?"
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