Show Me Who You Are
3 Uma garota gaga e pervertida com sérios problemas de equilíbrio.
Notas iniciais

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Ally Dawson
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Pânico.
Era o sentimento que me preenchia no momento. Talvez eu devesse acrescentar vergonha também.
E sim, eu ainda não saí de cima de Austin Moon.
A única coisa que eu fazia era ficar encarando aqueles lindos olhos castanhos claros. Ele não demonstrava nenhuma expressão, apesar de ter uma garota na qual ele nunca viu na vida deitada em cima dele. Já no meu rosto, dava para perceber de longe o nervosismo estampado nele. Meu rosto estava queimando, e ao que tudo indica, eu estava mais vermelha do que um pimentão, e estava quase indo para a escala do roxo.
– Desculpe, mas dá para sair de cima de mim? – ele disse, tentando ser simpático. Em seguida, sorriu de lado. Um sorriso completamente forçado. Porém, ainda era lindo.
– Hã... e-er... – eu não conseguia dizer mais nada. Era como se as todas as palavras tivessem se tornado impossíveis de pronunciar – C-cla... cl-a...
Após uma tentativa fracassada de dizer alguma coisa, achei que a melhor coisa era ficar quieta. Assim que saí de cima dele e fiquei de pé, comecei a encarar meu all star como se ele fosse a coisa mais interessante do mundo. A última coisa que eu queria era ter que ficar encarando ele, depois do mico – tá mais para king kong- que eu acabei de passar. Eu estava morrendo de vergonha.
Quando ele já havia se levantado e se recomposto, me atrevi a olhar para ele. Ele mexia um pouco as costas e fazia pequenas caretas, como se aquela região doesse conforme ele se mexesse. Não pude deixar de reparar que ele possuía um corpo altamente definido – e extremamente sexy. A regata branca que ele usava não ajudava em nada. Não que eu estivesse pensando em coisas pervertidas. Não, claro que não. Porém, me arrependi completamente de meu ato quando vi que seu olhar estava diretamente voltado para mim. Não corar naquela hora foi impossível. Abaixei minha cabeça o mais rápido possível e comecei novamente com a divertida tarefa de encarar meu all star. Definitivamente, hoje não era o meu dia.
– Senhorita, poderia fazer o favor de sentar-se? –disse uma mulher que estava ali no meio do ginásio também, junto com outras pessoas que julguei serem a parte docente da universidade. Ela parecia estar calma e não se importando nem um pouco de uma das alunas ter acabado de derrubar o queridinho de Hollywood.
Assenti de uma forma meio – completamente- tímida e fui na direção em que ela apontava, que eram as arquibancadas. O pior de tudo era ter que ver todos os pares de olhos daquele local me encarando, observando cada movimento que eu dava. Talvez alguns achassem que eu passaria vergonha de novo... É, eles estavam certos.
Quando eu já estava chegando perto das arquibancadas, eu tropecei nos fios que conectavam o microfone ao amplificador. E o pior de tudo foi que dessa vez não tinha um corpo altamente definido –e extremamente sexy- embaixo, para eu não dar de cara no chão.
Dessa vez, quando eu caí, dei de cara no chão mesmo.
Assim que senti o piso gelado encostando no meu corpo, comecei a pensar o que havia de errado com os meus pés hoje. Levantei, totalmente sem jeito e envergonhada, e comecei a caminhar novamente em direção a arquibancada. Era impossível não ouvir os risos que algumas pessoas não faziam nem questão de disfarçar.
Sentei na parte mais alta da arquibancada, onde não tinha quase ninguém, no canto. Meu único desejo era que esse dia acabasse o mais rápido possível. Nada saiu como eu havia planejado. Na minha cabeça, eu acordaria, iria direto para a faculdade sem atrasos, não teria quase nenhum contato com qualquer outra pessoa, terminaria as aulas e voltaria direto para o meu apartamento, onde eu ligaria para a minha mãe e contaria o quanto o primeiro dia na McKinley foi maravilhoso e de quanto eu estava gostando de morar em Miami.
Sou tirada dos meus pensamentos quando percebo uma pessoa me cutucando. Olho para o lado e veja que essa pessoa é a mesma garota ruiva que havia tentado falar comigo no elevador, hoje mais cedo. E agora, o que eu falo para a garota? Eu não falei nem um oi direito para ela. Ela me lança um sorriso e tento correspondê-lo, totalmente sem êxito.
– Ah, hoje cedo, quando você saiu às pressas do elevador, deixou cair isso da sua mochila. – a garota disse, me entregando um caderno marrom no qual eu reconheceria em qualquer lugar. Era meu diário. Então foi lá que eu perdi?
Olho para a garota e acho que pela primeira vez hoje, dei um sorriso sincero. Com todo esse negócio de tombos e micos, eu tinha esquecido de que o estava procurando. Porém, logo me veio o medo de que ela pudesse ter lido alguma coisa que estava escrito ali dentro.
– E eu não li nada, se é o que está pensando. – ela diz, com um tom divertido, como se lesse meus pensamentos.
Assenti e de repente, me veio na cabeça de que uma hora ou outra eu precisaria conversar ou ter pelo menos um colega aqui na McKinley, apesar de eu gostar muito do meu espaço pessoal. Vamos lá, Ally, seja mais sociável. Você consegue.
– Allycia. – ela pareceu não entender de imediato — Sou Allycia Dawson. Mas pode me chamar de Ally.
– Bom, meu nome é Katherine, mas acho que você já sabe disso porque eu havia falado no elevador. – na verdade, eu tinha me esquecido o nome dela, mas claro que eu não disse isso.
Lhe lancei mais um sorriso fraco, do qual ela retribuiu – ela gosta muito de sorrir -, e voltei a olhar para frente. Apontei para aquela mulher que tinha me dito para sentar na arquibancada e Katherine disse que aquela era a Srª Morian, a diretora e dona da McKinley. Ela disse que essa instituição já está na família dela há décadas, e apesar da cara de brava, no fundo é uma diretora bem legal. Bom, pelo jeito como ela não brigou e nem falou nada por eu ter caído em cima de seu convidado especial – creio eu que o Austin Moon veio aqui por algum motivo importante, afinal famosos não saem por aí visitando colégios e faculdades apenas porque querem-, vou acreditar que ela é legal mesmo.
– Como eu estava dizendo, antes de sermos interrompidos – nesse momento, Srª Morian me encara por um breve momento, porém ela estava séria e confesso que seu olhar me assustou, tanto que eu até me encolhi um pouco – esse ano teremos uma grande ajuda. Eu e os outros mentores e professores da McKinley decidimos que seria melhor se vocês tivessem um modelo, uma inspiração, digamos, para ajudá-los por aqui. Alguém que, apesar de ser tão novo, já contém muita experiência e tem muito a ensinar para vocês, estudantes. Vocês terão aulas com ele, na qual ele será seu professor e tentará ensinar a vocês o máximo que puder. Ah, será que eu já mencionei que ele é famoso? – completa a diretora, deixando todos os alunos bem mais agitados.
Um falatório começou. Na verdade, eu acho que seria bem interessante se tivéssemos uma pessoa do ramo musical que é reconhecida. Certamente, será muito mais fácil de aprender e...
Oh, não.
Não pode ser quem eu estou pensando que é. É muito azar, só pode.
– E ele é Austin Moon! – finaliza a diretora.
Uma confusão começou. Muitas alunas – que agora, mais pareciam adolescentes em plenos treze anos — começaram a gritar feito um bando de malucas. Alguns garotos bufaram, talvez eles preferissem a Megan Fox no lugar do Austin Moon. Alguns estudantes, que pelo que percebi eram gays, começaram a gritar mais alto que as garotas, se possível.
Parei para analisar a situação. Austin Moon seria meu professor. E agora?!
Eu caí com tudo em cima dele, fiquei o equivalente a sei lá quanto tempo paralisada sem mexer uma parte do corpo ainda em cima dele, nem um pedido de desculpas eu falei para ele, comecei a gaguejar e falar coisas sem nexo, fui pega no flagra por ele enquanto analisava seu corpo como se eu tivesse visão de raio x, e depois caí com tudo novamente, porém dessa vez no chão.
No mínimo, ele deve achar que eu sou uma garota gaga e pervertida com sérios problemas de equilíbrio.
É, foi essa a primeira impressão que eu passei para meu novo professor.
[...]
Droga de ônibus.
Depois que a diretora revelou que teríamos um professor famoso, foi muito difícil acalmar todos aqueles estudantes. Depois de conseguir e depois de dar seus avisos finais, ela disse que hoje só teríamos aula no período da manhã, mas amanhã teria aula normal. Assim que saí do ginásio, fui para a minha primeira aula, que era História da Música. O professor era um homem que aparentava ter seus quarenta e cinco anos, e era chamado de Sr. Hierro. Graças a Deus não tivemos que nos apresentar ou fazer qualquer coisa do tipo. Apesar de que eu acho que já estou conhecida na faculdade inteira, pois assim que entrei na sala, os murmúrios e os risos começaram.
“Aquela dali não é a estabanada que caiu em cima do Austinho?”
“Mas que garota tonta!”
“Ah, como eu queria ter a sorte dela.”
“Certamente, ela tem algum problema para andar.”
“Mas por que ela não agarrou ele de uma vez? Se eu tivesse no lugar dela.”
“Aposto que fez isso só pra chamar atenção no primeiro dia.”
Essas e outras coisas absurdas eu tive que aguentar até o final daquela aula. Depois, fui para a aula de prática instrumental. Tenho que dizer que essa aula foi bem melhor do que a primeira. A professora se chamava Emma, e nem se importava de ser chamada só pelo primeiro nome. Era ruiva e parecia ter menos de trinta anos. Além de ser bem divertida, o que fez a aula passar bem rápido. Só ficamos conversando e ela perguntou quais instrumentos musicais sabíamos tocar. Respondi que sabia tocar violão, violino e o meu favorito, o piano. Emma disse que tem um bom pressentimento de mim e que mal pode esperar para me ouvir tocando. É, eu toco se minha vergonha deixar.
Depois, almocei em uma lanchonete perto da McKinley mesmo. E agora, aqui estou eu no ponto de ônibus esperando passar outro, porque o que eu ia pegar já passou. E eu não faço a mínima ideia que horas passa o próximo.
Fiquei uns quarenta minutos ali esperando até que cansei. Meu apartamento não ficava tão longe da McKinley, então resolvi ir andando mesmo.
Já eram quase três horas da tarde e faltava umas duas quadras para mim chegar. De repente, alguma coisa começou a vibrar dentro da minha mochila. Peguei e vi que era minha mãe me ligando.
– Alô?
– Ally, filha, tá tudo bem? – pergunta Penny. Pelo seu tom de voz, dava pra ver que ela estava ansiosa.
– Tá sim, mãe. Agora tô voltando para casa. Acabei de sair da McKinley.
– Me diz, como foi o primeiro dia de aula?
– Ah, mãe, ele foi um...
Eu já ia começar a desabafar com ela e dizer que meu primeiro dia foi um completo desastre. Eu estava falando ao celular e estava pronta para atravessar a rua, mas a tonta aqui não percebeu que um carro vinha do outro lado. A única coisa que escutei foi um forte barulho de pneus cantando no asfalto. Meu celular caiu no chão quando vi quem era o motorista, que no momento estava vindo tirar satisfações com uma pedestre muito irresponsável — no caso, eu. Simplesmente travei e tranquei a respiração.
Não é possível.
A vida só pode estar tirando sarro de mim, sério.
– VOCÊ NÃO OLHA POR ONDE ANDA, GAROTA?! – grita um Austin Moon, saindo de dentro do carro, totalmente enraivecido.
Oh, droga.
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