Notas iniciais
Desculpem, minha mãe estava doente e eu tive que dar uma de enfermeira ): Espero que gostem!

Valle POV

-Você entendeu alguma coisa? – perguntei.

-Não – Harry respondeu -, e você?

-Eu não entendi foi nada! – ri.

Harry tinha me ligado mais cedo, disse que queria conversar. Eu estava no meio de um exercício no teatro quando meu celular tocou (claro que eu tomei uma brande bronca por isso!). Ele foi me buscar no teatro e me trouxe pra cá, liguei pra Sam para não deixar ela preocupada. Obvio que eu não esperava topar com ela (com o Lou!) aqui.

-Então, o que me diz? O seu bromance e o meu bromance?! – Harry riu.

-Ora por favor! – falei – Sam não é uma garota fácil!

-Louis também não... Mas ele é uma ‘pessoa difícil’. Você deve estar com fome né. O que quer comer?

-Tá pensando que eu sou como o Niall? Que tenho fome o tempo todo? Chateada! – Ok, eu estou faminta! E isso só foi mais confirmado ainda quando meu estomago roncou alto. Me mexi desconfortavelmente de um lado para o outro na cadeira. Harry me olhou com cara de espanto – Certo! Vamos comer!

Eu não pedi muita coisa, foi só um muffin de chocolate, dois coockies de castanha, um sanduíche vegetariano e chá verde. Harry pediu a mesma coisa, só que capuccino em vez de chá.

A garçonete trouxe nosso enorme pedido em duas bandejas e as deixou sobre a mesa.

-Bon appétit! – Harry disse.

-Mercie! – eu disse — Bon appétit à vous aussi!

-Você fala francês?! – Harry falou animado.

-Bom... Não! – ri – Eu tinha aulas quando era criança, mas nunca levei muito jeito pra coisa. A Sam sim, ela fala muito bem! Ela tentou me ensinar um milhão de vezes, só que eu nunca aprendi – disse mordendo o muffin.

-Você come mais que o Niall, como isso é possível? – ele riu.

-Essa é uma excelente pergunta! – mordi o muffin novamente – Sinceramente, não tenho idéia! Eu amo comer... acho que isso.

-Bom, e alem de comer? O que mais você “ama” fazer? – perguntou.

-Ãhm... Deixa eu ver. Sam e eu somos atrizes sabe. Adoramos fazer cenas em casa, ainda por cima brigas.

-Consigo imaginar você e Sam discutindo dramaticamente do nada – ele parou por u momento e depois começou a rir.

-É, bem isso que você deve ter imaginado mesmo – falei – Nós somos amiga há tanto tempo que nem combinamos mais as cenas. O que mais... Eu adoro pintar e desenhar, eu pintei quase todos os quadros do apartamento. Acho que só... Ah! Eu também amo cantar! Exatamente por esse motivo que eu prefiro fazer musicais.

-Você canta?! – concordei com a cabeça – Você tem que cantar pra mim!

-O que? Agora? Não! – falei rindo – Não estou com inspiração o suficiente para isso! – Eu mereço um Oscar pra melhor atriz dramática! Meu Deus!

-Ora, só uma musiquinha pequenininha! – balancei a cabeça negativamente – Nem cantarolar?

-Quem sabe outro dia? – ri.

-Você me deve uma musica! – ele estreitou os olhos pra mim – Você é bem espertinha!

-Aprendi com a Sam – disse levantando os ombros – Foi só uma das coisas que ela me ensinou.

-A é?! E o que mais ela te ensinou? – Hazz falou em um tom malicioso.

-HÁ-HÁ! Espertinho! – falei — Sam me ensinou varias coisas! Ela é bem esperta! Me ensinou a dançar – Nada bem admito, não levo jeito para isso -, cozinhar – Mas prefiro que ela faça isso pra mim! – e andar de bicicleta – SIM MUNDO, EU NÃO SABIA ANDAR DE BICICLETA! – Ela até tentou a me ensinar a dirigir! Só que passei bem longe de aprender! – rir.

-Ela não era uma boa professora?! – riu.

-Pior que ela é uma ótima professora! – falei – Eu que não aprendi mesmo!

-Ah! Eu te ensino! – falou.

-Jura mesmo?! – falei animada pegando as mãos dele em cima da mesa.

-Sim, juro! – ele riu – Assim que sairmos daqui eu te ensino.

Continuei comendo enquanto Harry me observava.

-Que foi? – perguntei de boca cheia.

-Nada – ele disse — Você e Sam se dão bem não é?!

-Se nos damos bem? – ri – É lógico que sim! Conheço ela desde... SEMPRE! Eu acho! Ela é minha melhor amiga, esteve comigo em uns momentos bem chatos da minha vida. Sei lá, ela sabe fazer os papéis mais importantes da minha vida, ela consegue ser minha mãe, minha irmã... e consegue ser melhor do que minha irmãs mesmo...

-Você não se da bem com as suas irmãs não é? – ele me interrompeu.

-Não. Nenhum pouco – continuei – E ela também é minha melhor amiga. Ela me da bronca como minha mãe, me enche como minhas irmãs e me da força como minha melhor amiga. Não sei o que faria sem ela. De verdade.

Harry apenas concordou com a cabeça. Só então eu percebi o quão afobada estava minha voz.

-Desculpa se fiquei meio nervosa – falei com os olhos no meu chá.

-O que?! – ele riu – Não! Isso foi lindo! Ainda bem que você tem alguém que cuide de você – ele sorriu.

-AI MEU DEUS! VOCÊ TEM COVINHAS! – berrei.

-Valle menos, por favor! – Harry falou se afundando da cadeira.

-Desculpa, é que eu amo covinhas! E as suas são TÃO lindas! Que da vontade de morder e apertar o dia todo!

-Então não passe vontade! – ele se inclinou em cima da mesa. Me inclinei pra frente e apertei de leve as bochechas dele – Ué! Pensei ter ouvido você dizer que queria morder também! – ele fez bico.

-Digamos que isso fica pra uma próxima! – tomei um gole do meu chá... E queimei a língua – ÁGUA! ÁGUA! – gritei com a língua pra fora.

Harry foi muito prestativo ao sair gritando ‘ÁGUA! ÁGUA! ÁGUA!’ pra mim.

Louis POV

Andamos até um parque atrás do café. O sol estava alto ainda e muitas pessoas aproveitavam o resto do dia. Crianças correndo de um lado para o outro, alguns casais fazendo Cooper, cachorros brincando com bolas. Tudo tão lindo... Pena que eu quase não tinha fôlego pra admirar...

-Você... Pode andar... mais devagar? – perguntei me curvando para a frente em busca de ar.

-Mas não andamos nem três, quatro... vinte quadras! Nem foi muito – riu.

-Meu peito ta doendo! – gemi segurando o braço de Sam em busca de apoio – Nunca te disseram que é feio rir dos amiguinhos?!

-Ora por favor! Que exagero! Pra alguém tão magrinho você cansa muito rápido – ela riu – Você cansa assim pra tudo ou só pra andar mesmo? – ela disse em tom maldoso.

-O que?! NÃO! – berrei – Você passou dos limites garota! – gritei jogando ela no chão.

Comecei a fazer cócegas nela na grama. Ela esperneava e ria alto, ela provavelmente xingou até minha primeira geração.

-PARA! PARA! NÃO CONCIGO RESPIRAR! – ela berrou.

-Certo! Acho que já aprendeu sua lição mocinha! – disse fazendo minha melhor imitação de policial comedor de rosquinhas.

-Ui! Que meda! – Sam disse rindo ainda deitada na grama.

Ficamos deitados lado a lado em silêncio, só olhando as nuvens.

-Olha aquela – falou Sam apontando para um amontoado de nuvens – Parece um elefante.

-Elefante? Não! Se você virar a cabeça assim – disse virando a cabeça para a direita – parece um cachorrinho – Sam virou a cabeça para a direita também e ficou observando.

-É, tem razão. Um cachorrinho. E aquela? Eu vejo uma pena.

-Eu vejo uma cenoura – continuei admirando a nuvem em forma de cenoura até me dar conta de que Sam estava me olhando com uma cara estranha – Que foi?!

-Uma cenoura? – perguntou. Concordei com a cabeça – Nas nuvens? – concordei novamente – Das duas uma. Ou você é doidinho. Ou você simplesmente ama cenouras.

-Na verdade eu gosto de garotas que gostam de cenouras – falei. Ela levantou um das sobrancelhas dizendo “Sério mesmo?!” – Não pergunte!

-Isso foi definitivamente a maior...

-Melhor parar por ai! – a interrompi – Não tenho culpa se meu gosto refinado te encom...

Eu não tenho idéia do que me atingiu. Estava tudo escuro, Samantha estava rindo ao fundo, eu me sentia molhado, quentinho e fofinho. A única coisa que consegui fazer foi soltar um ‘Socorro’ baixinho e abafado. O que foi o suficiente para Sam vir me ajudar.

-Lou você ta bem?! – nunca pensei que ficaria tão feliz de ver Sam. Ela tinha tirado seja lá o que for de cima de mim.

-Você anotou a placa?! – perguntei totalmente atordoado. Ela me ajudou a me sentar – O que foi isso?!

-Ãhn Lou... – ela fez um sinal com as mãos sobre o cabelo. Aparentemente eu deveria arrumá-lo. Passei a mão sobre meus cabelos e senti que um dos lados estava totalmente em pé e gosmento – Você foi atacado por um essa garotona aqui – só então eu notei a grande massa de pelos ofegando do meu lado, era uma São Bernardo enorme com um lassinho vermelho preso no pelo de uma das orelhas, a coleira era branca com um pingente de identificação em forma de uma coroa amarela.

-GAROTONA?! Você ta vendo o tamanho dela?! – falei.

-Não fale isso! – Sam disse em tom indignado tapando as orelhas da cachorrona com as mãos — Ela pode se ofender! – ela se abaixou para olhar melhor a grandona. Todos os comandos que Sam dava ela obedecia (sentar, deitar, dar a pata) – Acho que ela deve ter fugido de alguém aqui no parque. Qual seu nome garota? – Sam se abaixou e pegou o pingente na coleira – Princesa Betsy?! – Betsy latiu alto o que quase me deixou surdo.

-É acho que esse é o nome dela. Tem algum endereço? Algum telefone? – Sam balançou a cabeça negativamente – Então... O que vamos fazer com ela?

-Não é obvio?! – Samantha levantou e pegou a guia – Vamos achar o dono ou a dona dela! Vem, levanta! – ela ajudou a me levantar... Mas não durou muito já que a Princesa Betsy preferia me ver no chão.

Ela me derrubou quando passou atrás de mim e saiu correndo atrás de um esquilo me dando uma rasteira com a coleira. Sam caiu de cara no chão, me levantei rápido e ergui Sam.

-Você ta legal?!

-To, to sim – ela disse colocando a mão na testa – Nossa, você anotou a placa?!

-Agora sabe como me senti – ri.

Sam se sentou de modo mais rígido. Acho que a mesma coisa que se passou pela cabeça dela se passou pela minha.

-PRINCESA BETSY!!!! – gritamos em coro.

~

-PRINCESA! AQUI! PRINCESAAAA! – gritei.

-PRINCESA CADE VOCÊ? – Sam berrou do meu lado.

Estávamos atrás dela há uma meia hora, o sol já estava se pondo e tanto eu quanto Sam estávamos acabados. Tínhamos nos embrenhado no meio de dezenas de arbustos atrás da tal ‘Princesa’. Eu tentei desistir umas duas vezes, mas das duas vezes Sam tinha falado que Princesa Betsy poderia não conseguir viver na rua sozinha, já que era uma cadela treinada. Ou que ela poderia ser o cachorro de alguma ‘criança especial’. É claro que isso tinha me convencido muito, tipo... muito mesmo!

-Acho que não vamos encontrar ela – Sam parou melancólica.

-O que?! Você vai desistir assim?

-Lou! O sol já esta se pondo! Esse parque é gigantesco e ela pelo jeito é bem espertinha! – ela se sentou em uma pedra, colocou os cotovelos sobre os joelhos e apoiou as mãos sob o queixo. As mãos faziam as bochechas dela parecerem maiores. Sam parecia um esquilo guardando nozes para o inverno. Um esquilo melancólico guardando nozes para o inverno.

-Sam... – me ajoelhei em a sua frente – Olha eu... – e BUM! fui atingido novamente.

-PRINCESA BETSY! – Sam dava pulinhos e batia palmas.

-Como é bom vela de novo! – falei sufocado em baixo da montanha de pelos.

Sam e eu conduzimos Betsy até mais ou menos onde a encontramos. Nós dois segurávamos a guia para evitar outra ‘fuga’, às vezes ela dava um tranco ou outro quando via um esquilo ou um gato (quase perdi meus braços quando a Princesa Betsy viu um gato do outro lado do campo).

-Como vamos achar os donos dela? – perguntei.

Sam olhou em volta provavelmente pensando no que fazer. Então eu ouvi um barulho fino e baixo como um suspiro. Olhei em volta mas a única coisa que vi foi um banco de concreto de costas para nós. Ouvi o barulho de novo.

-Ouviu isso? – perguntou Sam. Concordei com a cabeça – Ta vindo dali – ela andou na direção do banco me deixando segurar Betsy sozinho.

Nos aproximamos do banco e esticamos nossas cabeças por cima do encosto. Encolhida no acento, choramingando. Havia uma garotinha de cabelos ruivos completamente enrolados com uma coroa de plástico dourada. Ela enxugou os olhinhos com a barra do vestido lilás de princesa e levantou a cabeça todo pra trás para nos olhar.

-O que foi pequena? – perguntei.

A garotinha fungou e fungou até responder.

-Eu... eu perdi meu cachorrinho.

Cachorrinho?! Sam e eu trocamos esse pensamento quando nos entreolhamos.

-Por acaso ela é uma princesa?! – Sam falou sorrindo. A garotinha concordou com a cabeça e esfregou os olhinhos com as mãos – Então acho que isso é seu!

Dei a volta no banco e entreguei a guia pra garotinha.

-PRINCESA BETSY! – a menina deu um pulo e agarrou o pescoço da cachorra – Porque correu de mim? Toma – ela falou tirando alguma coisa da bolsinha em seu ombro -, você deixou sua coroa cair quando correu! – ela colocou delicadamente a coroa em Betsy, que agradeceu Sam e a mim com um grande olhar de satisfação e um grande rabo abanando.

-Melhor vocês irem, já esta tarde! – o sol já estava quase que completamente atrás das árvores.

Olha só pra essa garotinha, ela com certeza não consegue levar essa cachorrona sozinha pra cas... Bom, deixa pra lá, pelo menos achamos a dona dela. Pensei. Depois imaginei Princesa Betsy saindo correndo arrastando a menina.

-Eu sei o que você esta pensando e isso é maldade! – Sam falou rindo -... Mas é engraçado!

Notas finais
Gostaram? Mandem reviews para me dizer o que acharam! (: