Shot me out of the sky!
17 Pare, escute e sinta
Notas iniciais
Subimos as escadas muito devagar, estávamos cansadas, muito cansadas!!! Abri a porta (eu sempre levo as chaves já que Vallentina tem o dom de sempre perder), joguei longe os sapatos e Valle fez o mesmo. Nos jogamos no sofá escoradas uma na outra.
–Me prometa que não vamos mais prometer não ter mais “Hangovers”! – Valle falou cansada.
–Hangovers fazem parte, uma hora a gente se acostuma... é só não deixar virar habito – minha voz estava BEM rouca. Devo ter gritado bastante ontem. Eu já não falo baixo normalmente, bêbada ou em uma festa então... conseguem imaginar a gralha que eu fico!
Batidas fortes na porta me assustaram. Valle me olhou nervosa.
–Quem bateria na nossa porta em m domingo à tarde?!
–Não sei – respondi. Mais batidas. Fortes e desesperadas. Corri para a porta, quando abri, vi Natalie, a neta punk da proprietária do apartamento – Nat! O que fo...
–Minha avó!!! Ela não ta bem!!! Ela... ela... – ela gaguejava e lagrimas escorriam pelo seu rosto.
Puxei Natalie pra dentro do meu apartamento diretamente para os braços de Valle. Ela tentou consolar a menina.
–Chame uma ambulância – falei antes de descer as escadas pulando dois degraus de cada vez. Quando entrei no apartamento do primeiro andar, o que vejo me assusta.
Madame Corine estava deitada no sofá praticamente roxa e gelada. Pierro, o cachorro, andava de um lado para o outro, desesperado. Me aproximei e vi se ela ainda tinha pulso, por sorte tinha. Respirava com dificuldade.
–Madame Corine! Pode me ouvir?! – não sei se ela podia, mas ela olhou pra mim com olhos vidrados e meio sem vida – Vai ficar tudo bem, Valle esta com a Nat e a ambulância já esta vindo!
Não sei quanto tempo realmente passou. Mas quando percebi os paramédicos já estavam entrando pela porta e colocando Madame C. na maca. Os segui até a ambulância, assisti enquanto colocavam a velha senhora pra dentro.
Natalie apareceu correndo de dentro do prédio com Valle logo atrás. Eu a segurei para evitar que ela entrasse na ambulância. Valle a tirou de meus braços e a deixou chorar em seu ombro.
–Precisamos de um acompanhante maior de idade – um dos paramédicos falou em nossa direção.
–Eu vou! – falei vazia. Ele me olhou. Sabia que eu não era maior de idade. Sabia que eu não tinha nenhum grau de parentesco com a senhora francesa na parte de trás da ambulância. Mas ele assentiu e me conduziu para o carro. Pouco antes da segunda porta ser fechada, Natalie se desvencilhou de Valle e correu em minha direção.
–Prometa que ela vai ficar bem!!! PROMETA!!! – ela gritava.
Não prometi. Estava em choque. Nunca prometi nada que não pudesse cumprir. Senti um frio na espinha repentino.
É estranho como o tempo passa, às vezes, rápido demais, às vezes, devagar demais. Não lembro quanto tempo fiquei na sala de espera, sem noticias, sem informações, só aquele cheiro de antisséptico que me enjoava. Uma parada cardíaca. Pensei. O que meu avô me ensinou sobre isso? Meu avô era cardiologista. Não é o tipo de coisa que se ensine para uma criança, mas com sete anos eu já sabia a maioria dos sinais que uma pessoa dava quando estava enfartando. Ainda lembro do que meu avô me disse uma tarde no escritório de sua casa enquanto me fazia estudar as válvulas do coração:“Um dia você vai poder ajudar alguém com isso. É importante que você saiba!” .
Uma mulher branca com cabelos castanhos entrou na sala de espera e pousou seus olhos sobre mim. Eu a conhecia. Vanessa era uma das filhas mais novas da senhora Corine, e também uma das que mais ai fazer vizitas a ela no apartamento, e na minha opinião a única que se importa com a mãe. Ela é a mãe da Natalie, ela é uma mulher bonita, de sorriso fácil, assim como a mãe.
–Samantha — ela veio até mim e me abraçou – Obrigado por ter ajudado minha mãe...
Não respondi, ela chorou no meu ombro. Vi mais pessoas entrarem na sala, que antes estava vazia, notei que eram os irmão de Vanessa, os outros filhos da Madame C., três homens e uma mulher. Jean (N.a*: vulgo pedaço de mal caminho), o mais novo, que não era muito mais velho que eu, tirou Vanessa de mim e a colocou sentada para que se acalmasse. Sempre o achei lindo, saímos algumas vezes, ficamos por um tempo, mas não daria certo, éramos mais amigos que qualquer outra coisa. Naquela tarde no hospital, o cabelo castanhos estava desarrumado, olhos praticamente cinza estavam um pouco vermelhos de chorar e um dos sorrisos mais lindos que eu já vi estava apagado.
Enterrei minha cabeça em seu pescoço, ele passou seus braços em volta do meu corpo. Não si porque esperei tanto tempo para chorar. Dês do momento que Nat bateu na porta eu estava angustiada, louca para soltar tudo que eu estava sentindo.
–Ela vai ficar bem – Jean sussurrava em meu ouvido – Vai ficar tudo bem.
–Como pode me dizer isso – falei ainda com o rosto encostado em seu peito – Você deve estar pior que eu! Não! Você ESTÁ pior que eu! Então porque não esta, chorando ou sei lá!
Ele suspirou. Levantou meu queixo me olhando fundo nos olhos.
–Minha mãe me ensinou a ser sempre forte quando mais ninguém tem força – ele disse colocando uma mecha do meu cabelo pra trás da minha orelha – Na verdade, ela sempre ensinou isso para todos nós. Mas meus irmão não aprenderam isso, nunca aprendem! – ele tirou rapidamente os olhos de mim e olhou pra porta. Nat entrou correndo e se atirou em cima dele, ela não parava de chorar, sua maquiagem estava borrada e o rosto vermelho. Valle veio até mim e me abraçou, ela me entregou um moletom, foi ai que estava descalça e com o vestido de sábado.
–Obrigado – falei pra Valle, que apenas assentiu com a cabeça. Me virei pra Natalie que já não estava mais nos braços do tio — Nat, eu... – tentei falar.
–Não! Você não! – ela falou furiosa – Onde estavam quando minha avó estava precisando de ajuda?! Acha que chamar a ambulância e me tirar de perto da minha avó foi o bastante?! Você não fez nada! Nada que eu não teria feito! Não venha falar que sente muito! É inútil! Você é inútil! Nem mesmo prometer que minha avó vai ficar boa você conseguiu! – Natalie me olhava com tanto ódio, tanta magoa que eu não a interrompi. Mas suas ultimas palavras me surpreenderam – Eu odeio você!
Valle Pov
Natalie não estava bem, estava em choque. O caminho todo até o hospital ela chorou incontrolavelmente. Falou varias vezes o quanto a avó era uma das poucas pessoas que a entendiam na família e como ela era um verdadeiro parâmetro de família para ela. Mas aquela garota que me assustava por conta da aparência, tinha sumido. Era como qualquer outra garota, frágil, indefesa e triste.
Vanessa nos levou até o hospital. Chegando lá, Nat disse que não queria entrar ainda.
–... pode entrar, eu quero ficar no carro – ela disse pra mim.
–Se incomoda se eu ficar? Também não sei se quero entrar agora, hospitais me assustam – tentei sorrir.
Ela apenas me olhou, depois fixou seus olhos na janela. Se passaram uns dez minutos quando ela disse que não aguentava mais ficar no carro. Nós entramos. Fomos em direção à sala de espera, lá, Samantha estava abraçando Jean, o filho gato da senhora C., Natalie correu para os braços dele. Entreguei o moletom pra Sam, ela nem tinha percebido que ainda estava com o vestido da outra noite. Sam tentou falar com Nat, mas... Bom, a menina estava furiosa.
–...Eu odeio você! – ela disse com os olhos fixos nos de Samantha.
Ela se virou e saiu da sala. Sam ficou para estática, sem reação.
–Eu vou falar com ela – Jean falou se dirigindo para a porta.
–Não – Sam segurou seu ombro – Deixa ela um pouco. Ela precisa... Precisa colocar a cabeça no lugar – ela falou da maneira mais calma que pode. Eu conheço minha amiga, culpa é uma coisa que ela odeia sentir, mesmo quando ela não tem culpa de nada – Eu vou... pegar um café... uma água... alguma coisa.
Sam se afastou e saiu da sala. Olhei preocupada para Jean, ele também não sabia o que fazer. Fui até o corredor. Ao lado da porta, Nat estava sentada no chão abraçando as pernas e com a cabeça apoiada nos joelhos. No fim do corredor, Sam estava parada ao lado do bebedouro com um copo cheio de água nas mãos. Jean andou até ela e tentou falar alguma coisa, Sam apenas levantou a mão para que ele parasse de falar. Ele suspirou pegou um copo, encheu até a metade e se afastou. Senti meu celular vibrando. Era o Niall.
Ligação On.
–Niall...
–Ei Valle! Liguei para saber se esta tudo bem! Como vocês estão? Estavam dormindo? – ele riu.
–Niall...
–O que? O que foi? Você esta com uma voz estranha! Aconteceu alguma coisa?
Dei uma breve explicação do que estava acontecendo. Niall ficou mudo no telefone.
–... não sei o que fazer. Sam esta péssima. Eu não... eu não...
–Em que hospital vocês estão? Eu to indo ficar com vocês!
–Não! Não... Não precisa Niall. Melhor não! É melhor você ficar ai e... Bom, te mantenho informado.
–Me deixa falar com a Sam! – ele pediu.
Olhei Sam ainda no final do corredor.
–Niall, ela não esta em condições, ela tem que relaxar, esfriar um pouco a cabeça.
Mais silêncio.
–Me ligue quando... quando tiver algo pra falar. Mas me mantenha informado.
–Pode deixar.
Ligação Off.
Jean estava tentando fazer Nat beber um pouco de água.
–Vai te fazer um pouco melhor – ele disse.
–Não quero isso! – ela bateu no copo jogando ele longe.
Vi Sam passar por mim e ficar parada em frente a garota.
–Posso falar com ela? – Sam perguntou para Jean sem tirar os olhos de Nat.
–Claro! – ele se levantou.
Sam se sentou ao lado dela e ficou em silêncio.
–Sai daqui! – Nat rosnou – Não quero falar ou olhar pra você.
Nat tentou de levantar, mas Sam segurou seu pulso fazendo uma cara severa e a colocou sentada novamente ao seu lado.
–Você VAI me ouvir! – Samantha falou dura – Você não é uma criança e também não gosta de ser tratada feito uma, então senta ai e ouve o que eu vou falar! – Sam suspirou e suavizou as feições – Eu sei que nada do que eu fale vai te ajudar agora...
–Então porque ta aqui perdendo seu tempo? – Nat disparou.
–Cala boca! Eu já falei que é pra ouvir! – Sam mandou – Bom, nada do que eu diga vai te ajudar muito agora, mas você tem que saber Natalie.Isso não é culpa de ninguém! Não é culpa da sua família, não é culpa minha e muito menos culpa sua.
–Eu sei que não é culpa minha – Natalie falou bem séria, mas ela tinha lagrimas nos olhos.
–Natalei... – Sam falou como se estivesse claramente dizendo “Você não me engana”.
A garota desabou de chorar, Sam a abraçou.
–Eu queria ter feito alguma coisa! Me desculpe! Você não é inútil! Eu sou! Eu deveria ter feito alguma coisa! – ela chorou.
–Não Nat, você não é! Você só não tinha o que fazer! Exatamente por isso não é culpa sua! Nat, eu sei como é difícil parecer que vai perder alguém, mas, como Jean me lembrou, sua avó já tinha a solução para isso. Ela ensinou para todos nós: nós devemos ser fortes quando mais ninguém tem força!
–Ela sempre me falava isso – Nat levantou a cabeça e enxugou os olhos.
–Eu sei! – Sam sorriu – Então porque para com isso e levanta essa cabeça! Mesmo que alguma coisa aconteça, você tem que estar preparada! Ninguém quer que o pior aconteça mas...
Samantha parou de falar quando viu o médico entrando na sala de espera. As duas se levantaram rápido e todos fomos para dentro da sala. O medico estava tenso, ele olhou para a prancheta que carregava, observou alguns papeis até desatar a falar.
Sam Pov
Na segunda feira, não se via nada que não estivesse a menos de dois metro de seus olhos, a chuva era implacável, o vento, cortante. Nunca gostei de funerais. Esse, em especial, me incomodou ainda mais. Por mais que a Madame Corine fosse apenas a proprietária do prédio, para mim, ela era como a minha avó. Certa vez Valle quase pôs fogo na casa quando tentava cozinhar (sim, ela estava tentando fazer macarrão), e justo naquela semana não tínhamos dinheiro, não tínhamos ido ao mercado, enfim, não tínhamos nada pra comer. Automaticamente fomos bater no apartamento do primeiro andar. Na verdade, iríamos só pedir alguma coisa que pudéssemos preparar para poder comer, mas a Madame Corine achou um absurdo! Nos mandou entrar, e comer tudo que ela preparasse!
Lembrar disso me deixou mais triste ainda. E lá estávamos nós, de luto, na chuva e no meio de uma família que acabara de perder sua matriarca. Odeio funerais, odeio cemitérios. Valle me contou que os meninos ligavam de uma em uma hora para saber como estávamos, principalmente para saber como eu estava... Não sei como estou... mas sei que estou.
Quando finalmente acabou, Valle e eu já estávamos quase chamando um taxi quando Vanessa nos chamou para conversar em um canto.
–Meninas, obrigado por terem vindo. Era muito importante pra ela que vocês estivessem aqui. Ela gostava muito de vocês! – Vanessa falou com os olhos marejados – Obrigado por ter acalmado Nat no hospital, mesmo com essa noticia terrível ela passou uma noite muito mais fácil do que passaria com toda aquela raiva que ela estava sentindo.
–Obrigado Nessa... Sam sempre sabe o que falar – Valle disse. Acho que eu ainda não estava muito confortável para falar – Ficamos felizes por saber que ajudamos Nat. Mas ainda estamos triste por sua mãe, ela era como uma avó para nós.
–Sim, sim... Meninas, sei que não é a hora, ou até o lugar... mas tenho que lhes dar outra terrível noticia – Vanessa falou sem olhar em nossos olhos. Valle e eu nos entreolhamos – Acho que vocês sabem que minha mãe tinha varias propriedade alem do apartamento que ela vivia, ao todo, são seis imóveis, entre casa e apartamentos, todos alugados, incluindo o que vocês estão. Em seu testamento, minha mãe especifica claramente que cada um de seus filhos devera receber um de seus imóveis.
–Nada mais que justo! – falei.
–Sim, o único problema é... o apartamento que vocês estão...
–Como assim?! – Valle perguntou.
–Vejam bem. Cada um de nós ficou com uma propriedade, mas, o apartamento que vocês estão, era dela! Não esta no testamento, consequentemente, é uma partilha igualitária!
–Partilha igualitária?! – Valle me olhou confusa.
–É uma partilha feita entre as pessoas especificadas no testamento, nesse caso os filhos. Para que eles decidam o que deve ser feito todos tem que chegar a um... consenso geral – então eu percebi o que estava acontecendo – Nessa... isso é sério?!
–O que?! O que foi?! – Valle perguntou ainda mais confusa.
–Infelizmente sim Sam, Jean e eu bem que tentamos, votamos para que continuassem como nossas inquilinas, mas foram dois votos contra quatro... Eu realmente sinto muito – Vanessa não tinha cara para nos olhar, ela apenas se afastou chorando. Jean nos olhava de longe, mas também desviou o olhar depois de um tempo.
Não falamos uma palavra no taxi. Valle estava impaciente, bufava o tempo todo. Quando chegamos em casa, Valle soltou sua fúria.
–Como podem fazer isso com a gente?! Não é justo!!! – ela berrou – Isso é falta de consideração! Pra onde a gente vai?!
–Valle, também não estou feliz... Mas não temos o que fazer! Não é uma decisão nossa!
–Foda-se Samntha! E agora? Vamos ficar aqui sentadas? Voltar pra casa da sua mãe? Ou pior, pra casa da minha mãe? Virar streepers? Como você mesma disse, não é um opção!
–Ta, mas o que a gente tem pra fazer?! O máximo que da pra fazer é procurar um novo lugar, minha mãe vai nos ajudar.
O celular da Valle tocou. Ela pegou e viu quem era.
–Atende você! Não to com cabeça agora!
Ligação On.
–Alô.
–SAM!!! – cinco vozes gritaram no telefone.
– Oi meninos! – tentei ficar feliz – Como estão?!
–Nós estamos bem, Valle disse que você estava meio ‘depre’ – Niall falou.
–Ficamos preocupados com vocês, os meninos me contaram que vocês passaram uma barra esses dias ein – Liam comentou.
–Nem me fale! O pior é que eu acho que ainda não acabou... – falei – Pelo visto vamos ser despejadas...
–Como?! – Louis perguntou.
–Longa historia! Valle esta uma pilha de nervos. Precisamos achar um novo apartamento em menos de uma semana... se não acho que vamos ter que voltar pra casa da minha mãe.
Os cinco ficaram em total silencio... O que eu acho impossível pra eles!
–Meninos?! Estão ai?!
–Estamos sim – Harry respondeu.
–Olha, venham aqui amanha, nós ajudamos vocês! – Zayn falou.
–Tudo bem, até amanha então – disse desconfiada.
Ligação Off.
–Que foi? – Valle perguntou.
–Acho que temos voluntários para nos ajudar a achar um lugar pra morar – sorri.
Notas finais
EU MEREÇO UM OSCAR!!! Pra quem curte um drama essa capitulo esta do seu agrado Haha Brincadeira. O que acharam? Conte pra tia aqui ;)
Fale com o autor