Shot me out of the sky!
11 Nem toda mãe pode ser como a minha
Notas iniciais
–Quantos pedaços você já comeu?! – Zayn perguntou a Valle com muito espanto.
–Não sei – ela disse com a boca meio cheia – Acho que uns dez. Mas meu recorde é de ... Qual meu recorde amiga? – ele perguntou pra mim.
–Vinte e três! – eu disse limpando os pedaços de pizza que voaram na minha cara – Você pode fechar a boca e voltar a comer, por favor!
–Valle não come tanto assim! – Niall falou com a boca mais cheia ainda.
–Niall, eu não quero ver sua pizza de calabresa meio mastigada rolando de um lado para o outro na sua boca! – Harry disse com cara de nojo – Isso é nojento cara!
Acabamos indo pra pizzaria mesmo (deu pra perceber né). Fomos de van com os meninos, foi divertido já que Niall parecia ter tomado dois litros de café com muito açúcar, eles ficaram surpresos quando contei que tinha tirado fotos ótimas... Como se eles não tivessem me visto com a maquina antes no camarim! Pegamos uma mesa grande no canto com sofás, Valle se sentou na parede, depois eu e Lou. Do outro lado Harry (que fez questão de ficar na frente da Valle... coitado), Niall (que comia como se toda a comida do mundo fosse acabar) e Zayn, na ponta da mesa Liam puxou uma cadeira.
–Gostei dessa foto – Harry disse olhando as fotos que eu tinha tirado – Você pegou muito bem meu lado dramático! – era a foto que eu tinha tirado enquanto ele cantava... Qual era o nome mesmo? Gotta Be You? Acho que é isso.
–A luz estava boa, e a sua cara passa bem o “Eu estou sofrendo por amor” – disse.
–Deixe-me ver – Lou disse tirando a maquina das mãos do Harry – Nossa Harold! Como você é lindo! – Harry ficou todo todo com o comentário — Tem alguma minha assim?! – ele perguntou.
–Acho que eu tirei alguma – comecei a procurar – Aqui, tem essa de quando você estava cantando Valerie! – modéstia a parte, a foto estava maravilhosa. Luz perfeita, Lou tinha uma expressão linda no rosto, como se ele amasse fazer aquilo (o que eu não duvido nada) – Ficou até bonitinho!
Juro que vi os olhos dele brilhando! Cara! Era uma boa foto! O que eu poderia dizer?
–Que fotos são essas? – só então eu percebi que minha maquina estava nas mãos do Harry.
–O que?! Não! Devolve! – eu disse me esticando sobre a mesa.
–Porque tem coisas aqui que eu não posso ver? – ele disse se esquivando de mim e colocando a câmera em um lugar alto.
–Deixa o menino ver Samantha! Para de ser chata! – Valle disse com um pedaço de pizza pendendo da boca.
–Minha querida, tem foto sua ali também, ta lembrada?! – disse ainda me esticando – São as fotos do ultimo verão!
–ME DA ESSA CÂMERA HAROLD! – ela disse se levantando.
–Vocês ficam lindas de biquíni! – Harry disse rindo praticamente em baixo da mesa.
–Eu quero ver! – Lou disse se jogando na mesa como eu e Valle.
–Eu também!- Zayn disse se esticando por cima do Niall que ainda comia quietinho.
Ficamos em uma briga louca pela câmera por vários minutos, todo mundo das outras mesas olhava e fazia comentários. “Que gente louca!”. “Esses jovens de hoje!” (esse foi cortesia de um casal de velhinhos... velhinhos comem pizza?). Teve até uma mulher que perguntou: “Quando eles saíram do hospício?!”
–Tire suas mãos cheias de dedos gordurosos da minha maquina Vallentina! – gritei – Já não basta esse garoto de cachinhos ter pegado?!
–A culpa não é minha se você não descarrega as fotos depois que tira!
–Harry! Passa pra mim! – Zayn falou.
–Não! Eu quero ver primeiro! – Lou disse se esticando mais ainda.
–Mas não vai mesmo!!! – Valle e eu falamos em coro e o empurramos para fora da mesa.
–Assim não vale! – ele disse do chão – São duas contra um!
–LIAM SOCORRO!!! — Niall disse por debaixo de Zayn.
–VOCÊS QUEREM PARA COM ISSO?! – Liam disse irritado. Todos nós paramos como estatuas, até Lou que estava voltando pra mesa – Sentem-se todos! – continuamos olhando pra ele com uma cara de ‘Não mesmo!’ – AGORA! – é... Dessa vez nós obedecemos – Quantos anos vocês tem? Quatro? Olhem pro pobre do Niall! Ele esta com molho até na testa!
–Não, ele já estava assim antes. Se empolgou demais no primeiro pedaço! – Zayn disse com a cabeça baixa.
–Já é seguro sair? – Harry disse colocando a cabeça pra fora de debaixo da mesa.
–Sim Hazza, agora, devolva a câmera pra Samantha.
–Eu vou devolver, só quero saber que lugar é esse, das fotos? – ele perguntou se sentando novamente a mesa.
–É Mallorca*. Minha mãe mora lá – disse.
–Maoque? – Lou disse se sentando de novo ao meu lado.
–Mallorca! É uma ilha no arquipélago das Baleares na Espanha. Minha mãe mora lá dês de que se casou com meu padrasto. Fica perto de Ibiza, e ... é como Ibiza, só que sem toda aquela frescura.
–Mas o clima e as praias são quase as mesmas coisas – Valle completou – Tem sol e gente bonita praticamente o ano inteiro. Como estão as coisas por lá? – Valle perguntou pra mim.
–É até irônico você me perguntar isso depois de duas semanas depois que eu voltei! – disse irônica – Tudo ótimo como sempre. Minha mãe disse que a sua esta preocupada porque não mandamos mais noticias desde que viemos pra Londres, ela preferia muito mais quando morávamos na ilha.
Os meninos nos olhavam com um interesse estranho. Certo, tínhamos deixado eles de fora da conversa.
–E quem é essa menininha sorridente? – Harry perguntou me entregando a câmera.
–Essa? – eu disse sorrindo enquanto olhava pra foto – É a minha pequena. Minha irmã.
–Legal! Não sabia que você tinha uma irmã! – Lou disse interessado. Ele se esticou para olhar para a foto – Ela é a sua cara! Qual o nome dela?
–É, o nome dela é Diana. Me divirto muito com ela.
–Você fala isso porque tanto você quanto ela são legais! Tente viver sendo a mais nova! – Valle disse em um tom rancoroso.
–Você tem irmãos também? – perguntou Liam.
–Infelizmente. As gêmeas! Agatha e Stefani. Elas são mais velhas, então eu sofria um pouco nas mãos delas.
–Que coisa triste! – Harry pegou a mão dela. Se estou com ciúmes? Talvez... Com certeza!
Eu já tinha ouvido umas mil historias da Valle de quando ela era pequena. Conheço ela praticamente do tempo que ainda chapávamos chupeta e sei o quanto ela detesta esse assunto, família. Por esse motivo ela foi morar conosco quando me mudei pra Espanha quando tinha treze anos. É triste, eu sei, mas era o melhor pra ela. As gêmeas eram cruéis, a mãe dela era rígida, e o pai vive viajando. Eles eram muito ricos, então acabavam suprindo a falta que a família fazia por coisas materiais, brinquedos e roupas. Ela nunca escondeu que preferia ficar na minha casa do que na dela, não tínhamos o luxo que ela tinha, mas ela ficava bem lá.
Os meninos insistiram em pagar a conta. A van nos deixou na porta do apartamento. Mais uma vez eles foram fofos e carinhoso se despedindo. Quando Harry me abraçou não pode deixar de conferir meus bolsos, o que fez com que ele risse muito. Depois ele deu um beijo na testa da Valle, que corou quase que imediatamente. Subimos as escadas em silencio, entramos no apartamento e nos jogamos no sofá quase que ao mesmo tempo.
Valle tinha uma cara péssima, não a culpo, sei o quanto é ruim falar de um assunto que você detesta. Alguém bateu na porta. Quem será a essa hora? Pensei.
–Oi Nat! Com vai? – Natalie é a neta da Madame C.. Ela é uma garota punk de uns quinze anos, com cabelo rosa e piercings no lábio, nariz e sobrancelha. Não fica bem pra mim, mas eu gosto desse estilo, é chocante quando você olha pela primeira vez.
–Vou bem obrigado – ela disse em um tom melancólico – Vim devolver o livro que você me emprestou – Edgar Allan Poe, ou só Poe pra quem gosta. O rei do melancolismo, perfeito pra ela – Eu gostei muito! É bem....
–Dramático?
–É, quase – ela disse – Obrigado.
–Não tem de que! – disse fechando a porta.
Fui ate a estante e coloquei o livro lá. Na boa, eu tenho muitos livros, meu deus. Nem acredito que já li tudo isso. Tenho praticamente uma biblioteca de clássicos, “Orgulho e Preconceito”, ”Guerra e paz”, Poe, é claro, e de filósofos famoso. Sem falar nos mais atuais, Harry Potter (obvio), Senhor dos Anéis entre VÁRIO outro.
–Acho que tenho que fazer uma limpa nesses livros, o que acha Val... Valle? – ela não estava mais na sala, tinha sumido! – Pra onde ela foi Babão? – ele lambeu o nariz molhado e foi para o corredor. Eu o segui, ele parou na porta do quarto dela – Amiga? – disse entrando no quarto.
Valle não é o tipo de pessoa que fica triste facilidade, é mais comum ver ela louca de raiva do que triste. Ela estava sentada no meio da cama olhando alguns papeis... Não eram papeis, eram fotos, e eu conhecia aquelas fotos...
–Nossa formatura do colegial – disse me sentando na beirada da cama.
–E minha mãe achou que eu não fosse conseguir, meu pai ficou radiante, nunca tinha visto ele tão feliz – ela sorriu para a foto – Na mesma semana Agatha passou em medicina – sorriso desapareceu – Mais uma vez minha mãe fez todo aquele discurso pra família. “Minha gêmeas sempre me surpreendem, estudiosas, inteligentes...
–...são o orgulho da minha vida.” – falamos juntas.
–Me lembro desse dia, foi terrível. Até elas acharam demais o discurso da sua mãe – peguei a foto da mão. Nós duas de vestido longo e aquele chapéu ridículo de formatura – Lembra de quando falamos pela primeira vez sobre morar em Londres? Tínhamos o que? Nove, dez anos?
–E minha mãe falou que antes disso teríamos que ser alguém e ter dinheiro pra isso porque ela não ia bancar nada desse tipo, sendo que as gêmeas estavam fazendo intercambio no Canadá?
–E você ganhou um quarto novo e um cavalo porque seu pai achou o seu quarto pequeno demais e porque você queria fazer equitação. É, essa época mesmo – ela sorriu – E agora estamos aqui, chegamos onde queríamos! – disse apontando para a janela –Realizamos nosso sonho e você mostrou pra sua mãe que ela estava errada, até na parte de que ser atriz não era grande coisa.
–Sinceramente, não é, e você sabe disso.
–A para! É grande coisa sim porque você torna isso grande! Lembra quando fizeram ‘Romeu e Julieta’ na escola? Você foi a melhor Julieta que eu já vi! E quando fizeram ‘Mamma Mia!’ Então! Você arrasou naquele palco, pegou um papel que era pra ser meu! – ela começou a rir – Ninguém poderia ter feito aquele papel melhor que você. Ninguém naquela escola cantava como você! Você é ótima no que faz!
–Você também cantava bem até. Não como agora, mas... Bom. Tem dias que eu penso que minha mãe estava certa, sabe? Fico me perguntando por que não fiz uma coisa como as gêmeas. Ser medica ou juíza.
–Você seria uma chata se fosse medica ou juíza. Pra que? Só para agradar a sua mãe? Ela tem que gostar de você assim! – me sentei do lado dela – Olha, o dia que você estiver na Brodway, e em um dos cartazes das peças estiver “Estrelando: Vallentina Basso”, eu tenho certeza de que você vai deixar todo mundo orgulhoso! – me levantei e fui até a porta – Ah! E mais uma coisa – ela me olhou com atenção – Eu me orgulho de ser sua amiga! Boa noite! – e fechei a porta.
Me encostei na parede do corredor e bufei. Cada dia mais difícil! Meu deus! Pensei. Fui para o meu quarto, seguida de perto pelo Babão. Me deitei na cama e dormi com a mesma roupa que estava.
~
–Bom dia coração! – Valle disse escancarando minhas cortinas.
–Não! – resmunguei e coloquei o travesseiro sobre a cabeça – Me deixa dormir! Hoje é domingo!
–Dormir pra que? O dia hoje ta tão bonito, estamos no fim do inverno, você adora dias de sol no inverno! – ela disse levantando um pouco o travesseiro e olhando pra mim – Eu fiz até seu café, do jeito que você gosta! Bem doce com chantili e caramelo, porção extra de diabetes!
Valle puxou as cobertas me fazendo cair no chão, Babão veio me empurrar porque eu tinha caído em cima de Nora, a cenoura.
–Vocês dois são impossíveis! – me humor nunca foi muito bom de manhã, ainda mais nos domingos. Esse sim é um dia que se foi feito para se dormir até tarde! – Ah! Café! – Nada me anima mais do que tomar um café doce e quentinho – Vem cá, porque me acordou tão cedo?
–Acordei feliz e queria compartilhar isso com você! – ela falou dando um sorriso que até me assustou. Uma mistura de assassino maníaco e psicopata – O Harry acabou de ligar, queria saber se ficamos bem depois que chegamos.
–Quanto amor! – falei irônica, ela riu – Você fica bem quando estamos com eles não fica? – ela concordou com a cabeça – E quer passar mais tempo com eles, não é? – ela concordou de novo – Foi o que imaginei!
–Você é um amor! – ela se levantou e me abrasou tão forte, mais tão forte! Que eu comecei a ficar roxa – O que? O que foi? – ela perguntou enquanto eu dava tapinhas no braço dela — Ata! Você quer respirar! – ela disse me soltando.
–Respirar é bom, e eu gosto. Agradeceria se você avisasse da próxima vez que quiser fazer isso de novo.
Tomamos um café longo e demorado. Passamos o dia todo em casa sem fazer nada, o que era a melhor coisa que poderíamos ter feito em um domingo frio e com sol. Ver filmes e comer pipoca. Excelente!
*(n.a*: se lê Maiorca ok? Só pra você entenderem melhor :D ).
Fale com o autor