Notas iniciais
Último capítulo õ/ Essa é a primeira fic que eu consigo concluir, dá até uma pontada de orgulho. :') Eu não sei o que vocês estavam esperando para esse capítulo, mas tenho certeza de que não estavam preparadas. Espero que gostem ^^

O rapaz atravessou o longo corredor e encontrou seu quarto em sua segunda casa, lembrava-se de quando era pequeno e sempre dormia ali quando passava a noite, ao decorrer dos anos passou a deixar algumas mudas de roupa e também objetos de higiene.

Quando estava quase se deitando depois de um longo banho relaxante seu Smartphone começou a gritar estridente, ignoraria a chamada se não fosse toque que raramente soava.

— Sim? — Atendeu brusco. Antes que o outro lado falasse alguma coisa ouviu o som de disparos à distância.

Signor, desculpe incomodar a essa hora, mas estamos com problemas. — O italiano do outro lado dizia tudo muito rápido e os sons de disparo atrapalhavam o entendimento. Até para ele, estava difícil de entender o que o outro dizia. — Invadiram nossa área e tentaram roubar nossa mercadoria, a polícia foi chamada e em uma hora chegam.

— Onde vocês estão? — O loiro já estava no meio de sua nova troca de roupa, a camisa social azul meio aberta e procurando um cinto para a parte de baixo de seu terno exclusivo.

— Nas docas londrinas. Estávamos esvaziando o barco quando invadiram a polícia ia vir do centro. — De onde ele estava para as docas seria uma viagem de pelo menos uma hora e meia. E ainda teria que achar uma maneira de passar pelos convidados que ainda restavam e os anfitriões... Estava perdido.

— Pelo menos tem alguma idéia de quem está invadindo? — Já estava calçando os sapatos.

— O senhor não vai gostar da resposta... — Anthony sentiu uma grande parte de si querendo fingir que nada aconteceu e encerrar o dia, mas continuou mesmo assim. Esperando o pior.

*****

Acelerava por entre as árvores sem pensar no amanhã. Conhecia cada curva há vários anos e nunca sentiu medo de dobrar uma a mais de 100 Km/h. Sua companhia não pensava o mesmo.

— Jully, desacelera! Por tudo o que é mais sagrado, tira o pé do acelerador! — A loira chorava no banco do carona.

— Não pedi pra você vir junto Marilyn. Agora fique quieta antes que te expulse com o carro em movimento. — A mais velha retrucou impaciente, se não chegasse ao seu destino em menos de dez minutos teria uma explosão de raiva sem precedentes. Da última vez que cometeu tal ato três pessoas quase não sobreviveram. Ninguém queria que isso ocorresse novamente.

Jullien torcia para que tivesse recebido a ligação primeiro e não encontrasse com ele. Se resolvesse o problema antes as coisas acabariam mais rápido; infelizmente sentia em seu interior que não seria assim tão fácil.

Ignorou o sentimento e pressionou ainda mais o pé no acelerador, a mais nova entrou em um desespero maior com o ato.

Do mesmo jeito que seus pais a treinaram para assumir o poder da família, Jully tomou a liberdade de ensinar a irmã a cuidar de determinados assuntos em relação aos negócios. O de agora não era um deles. Depois da ligação, a morena se apressou a trocar suas vestes e usar o atalho em seu quarto para chegar à garagem o mais rápido possível, aparentemente a irmã ouviu e a seguiu não deixando espaço para que a mais velha negasse.

Os olhos azuis-bebês estavam divididos quando alcançaram as docas. Um par animado e apreensivo em antecipação para o que viria a seguir. O outro começava a perder expressão, tornando-se gelado e atento, qualquer ruga de preocupação presente na dama sumiu dando lugar a uma face fria e perigosa.

Pararam com os pneus cantando e se armaram antes de deixar o veículo. Enquanto se aproximavam dos subordinados ninguém ousou emitir um som sequer, todos extremamente atentos a cada passo que ecoava através dos saltos contra o concreto.

O homem com mais cicatrizes nos braços dentre os demais foi o único a se aproximar e falar diretamente com ambas.

— Que surpresa recebê-la aqui Senhorita Marilyn. — Cumprimentou educadamente a mais nova, que somente acenou com a cabeça. — Ninguém mais trocou um tiro, parece que o Cabeça deles também ordenou um cessar-fogo.

— Prudente da parte dele. Eu vou entrar, coloque um colete a prova de balas na minha irmã e depois a deixe entrar. Bryan chame Edward e peça para ele se preparar e peça para alguns dos seus rapazes fecharem nossa metade do perímetro, não deixe ninguém se aproximar, invente um acidente se preciso. Caso a polícia chegue avise-a que estou aqui e se alguém insistir, faça o que for necessário. — A dama não se incomodou de olhar para o homem enquanto falava; suas ordens eram absolutas. Teve a impressão de que sua irmã fosse protestar, mas nada chegou aos seus ouvidos.

— Edward já está lá dentro te esperando Milady. — Bryan disse a distância enquanto se afastava com a mais nova.

A morena se permitiu um sorriso de satisfação até completar os últimos três passos antes de adentrar o grande galpão. Algumas luzes estavam faltando nas duas entradas, muitas caixas espalhadas de qualquer maneira pelo local buracos de balas em vários pontos das paredes, claramente um sinal de conflito de ambas as partes.

Um rapaz ruivo com olhos de cognac e quase dois metros de altura e grande massa muscular se aproximou apressado diminuindo o passo somente para se postar pouco atrás da morena. O rapaz de 23 anos trabalhava de guarda-costas e assistente pessoal da morena. Ele foi especialmente treinado para adaptar suas ações as dela e mesmo que sua vida corresse perigo e todos seus instintos gritassem “Corra!” ele ficaria se ela assim quisesse.

Ele observou enquanto ela sacava sua arma alerta e parou próxima ao limite de seus homens, sendo seguida pelo ruivo. Ao movimento dos dois todos do outro lado se calaram e viraram para encará-la.

— Quem é o seu representante hoje? Tragam-no aqui. — Ela pediu pouco mais alto que seu tom de fala normal, mas não menos autoritária, na língua que tinha certeza que entenderiam; Italiano.

— Esse seria eu. — Um homem alto e loiro respondeu em inglês. Como ele chegou aqui tão rápido? Jullien se perguntava. — Como sempre adiantada, Lady Summer.

— Deveria aprender comigo, ou pelo menos com os outros britânicos, Anthony.

Scusami, teria chegado mais cedo se não fosse o trânsito. — O loiro respondeu divertido, mas logo fechou sua expressão ao perceber que a noiva havia entrado em seu típico estado inabalável que sempre usava quando assumia seu papel de Chefe da Máfia. Vendo que não teria opção, a imitou. — Como vai querer resolver esse impasse?

— Por enquanto, pacificamente. —As palavras da morena fizeram a tensão se dissolver um pouco, muitos começaram a abaixar as pistolas e relaxar.

Receosos os líderes deram um passo a frente com seus guarda-costas ao seu encalço, ambos abaixaram as armas ao mesmo tempo e param no centro do local. Com um aceno de mão um dos capangas de Anthony levou um grande caixote de madeira e o posicionou entre os dois, saindo logo em seguida.

Jullien começou a se desarmar, sendo seguida pelo loiro. Ambos jogaram as pistolas em cima do caixote e inverteram as posições para ficarem de costas para os capangas do outro.

— O que seus homens fazem aqui? — A morena exigiu sem delongas.

— Eu que deveria lhe fazer essa pergunta. Concordamos em dividir o galpão, mas nunca nos mesmos horários.

— Eu ainda estou no meu, quem invadiu foi você. Não me importa se seu carregamento chegou mais cedo. Esperasse!

— Eu recebi seu consentimento essa tarde. — O loiro rebateu sacando o celular e exibindo a mensagem codificada que parecia combinar o encontro de dois amantes.

Essa noite vou sair mais cedo, estarei te esperando no local de sempre ;*

Sem dúvidas havia saído do celular da morena, mas ela não havia enviado nenhuma mensagem a ninguém o dia todo, havia se mantido incomunicável, preferiu a companhia de um livro. Sacou o próprio aparelho e encontrou a mesma mensagem, não havia como provar que o contrário.

Estava em um impasse, se concordasse as libras investidas nas mercadorias restantes seriam perdidas e entregadas de bandeja para o loiro. Se discordasse a situação tomaria um rumo nada agradável para ambos.

No silêncio absoluto que se encontravam foi possível ouvir sirenes de polícia, longe demais para que pudessem se preocupar. Antes que pudesse proferir sua decisão dois tiros foram ouvidos e dois homens caíram ao mesmo tempo.

O jovem casal ignorou um ao outro e sacaram suas armas correndo, cada um, para seus aliados.

Esperaram, logo outro som surgiu, mais dois de cada lado caíram, mas dessa vez conseguiram desenhar a direção de onde os tiros vieram. Automaticamente todos miraram naquela posição, não importando mais o incidente anterior no momento. Não se pode interromper um cessar-fogo sem a autorização do líder. Era a regra número um nessas situações.

Deixando Edward assumir, Jully procurou a irmão em meio ao caos. Supôs que ela já estaria na segurança do blindado aguardando as coisas se resolver, já que não via sinal da loira. Buscou novas balas dentro de seu casaco e recarregou seus revólveres e se aproximou do ouvido do ruivo.

— Se alguma coisa me acontecer, corra para o carro e leve a Mary de volta pra casa. — Tentei me fazer audível por cima dos sons abruptos ao nosso redor e pude sentir um olhar fulminante e mim.

— Mas...

— “Mas”, nada. A não ser que eu ainda tenha esperança, não olhe para trás. — O rapaz somente assentiu em resposta.

Ambos voltaram suas atenção para o tiroteio a sua frente e continuaram seus afazeres. Um pedaço da vidraça caiu próximo a onde eles estavam e somente a dama deu atenção ao fato.

Um pouco mais a cima deles, em um galpão próximo um sniper estava posicionado, sempre que percebia um dos lados desistindo, se dirigia a um dos extremos e atirava. Gritou um comando a todos que puderam ouvi-la e imediatamente os tiros cessaram, instantes depois, um de seus homens caiu.

Sem pensar em prudência ou segurança, a morena afastou-se o suficiente para poder mirar pelos restos do que antes foi uma janela, disfarçou um tiro para o oponente, acertando na parede oposta e com a outra mão preparou o outro tiro, não teve tempo de ver se havia acertado, sentiu sangue escorrer por seu braço antes que a dor chegasse, um tiro lhe arrancou um pedaço de seu braço antes que pudesse recolhê-lo.

De relance viu o noivo com um olhar culpado, não se importando se foi de propósito ou não, lhe mirou o ombro e atirou. Dessa vez ela não iria ficar simplesmente sofrendo sozinha, não era mais a criança tola que foi acertada e o perdoou ao receber o felino que perseguia de presente. Agora era olho por olho, dente por dente.

Deu outro tiro pela janela e tentou voltar para o lado de seu guarda-costas, sendo atingida na perna pouco antes. Acatando as ordens anteriores o vassalo ajudou sua mestra a se manter firme e a guiou até a saída, trocando tiros com quem a feriu.

*****

A ruiva assistia a cena em deleite, a dama não esperava que seu plano obtivesse resultados tão esplendorosos.

Assistia tudo a uma distância segura e a cada queda comemorava com mais intensidade. Não se preocupava com os atiradores que caíram, eram facilmente substituíveis. Tudo correu muito mais fácil do que havia imaginado e a catástrofe parecia um sonho.

Assistiu ao par de pombinhos saindo apoiados em seus cães de guarda com dificuldade, o caos dentro do galpão começava a se acalmar sem seus líderes os incentivando e ditando ordens; para sua tristeza. Ainda assim os olhos âmbares brilhavam em contentamento com tudo o que vira.

Anos de planejamento somete para apreciar os filhos de quem tanto desprezava tentarem se eliminar. Vagamente lhe veio a lembrança de como a cena lhe lembrava de a da morte do marido. Os gritos, a sinfonia de tiros, a forma como ela planejou tudo para ser somente um acidente de trabalho.

— Você realmente é forte Jurrien. — A francesa sorriu ao ver a morena acertar o último atirador restante antes de entrar no carro. — Aguardo ansiosamente nosso próximo encontro. Quem sabe não brincamos mais um pouquinho. — Riu em deleite terminando mais uma taça de champagne.

Notas finais
Então... o que acharam? Odiaram, gostaram, querem me matar? EU QUERO SABER O QUE VOCÊS PENSAM!!! D: Ficamos por aqui e espero ver alguém nas minhas outras fics >.<
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!