Short Fic - Ironic
11 Capítulo 11 - Ironias
Notas iniciais
Depois do dia do meu inesperado encontro com Renesmee, não tive mais noticias, e para dizer a verdade, no fundo não queria ter. Tudo havia acontecido de maneira tão rápida, tão voraz e tão intensa. Era como se eu estivesse à beira mar e o bote de salva vidas tivesse virado sobre o mar e eu, me encontrava a deriva. Não só em meus pensamentos, mas eu boiava, tentando achar algo, me segurar em algo que pudesse me erguer; me submergir. Porém, quanto mais eu procurava mais eu me sentia a afundar.
O telefone sempre tocava. Não só o fixo de meu apartamento, mas meu celular também. E eu nunca atendia. Já sabia quem estaria ao outro lado da linha a me procurar mesmo sempre aparecendo no visor “Numero Restrito”. Jasper. E quem seria mais? Ninguém perguntava como eu me sentia. Como eu estava e acho que não precisavam perguntar. Olhando para as olheiras quase roxas que se encontravam em meus olhos, para os meus cabelos sempre desgrenhados todos viam nitidamente como eu me sentia. Os moletons viraram um uniforme quando eu me encontrava em casa e passar os sábados sozinha já havia virado mais do que rotina.
E o tão inesperado dia chegava... Chegava a finco e cravava as unhas em meu peito, o comprimindo; o apertando. Contagem regressiva! Eu gritei ironicamente deixando o meu total desequilíbrio se esvair, dominar meu ser. Menos de uma semana para o homem que de fato nunca pertenceu a mim tornar-se apenas uma lembrança. Uma lembrança agridoce demais para meus lábios. E com aquele gosto amargo eu passava meus dias. Tomando o veneno que eu havia produzido, sentindo o S de silencio e da saudade. Vivenciando devaneios intermináveis. Sentindo raiva. O telefone novamente tocou e desta vez não era um senhor anônimo que me ligava; era meu chefe; Michael Newton. Pensei algumas vezes antes de atender a ligação, mas no fim, decidi atende-la para cessar o barulho insuportável do celular a tocar.
– Rosálie; liguei só para lembrá-la da reunião que teremos amanhã as 09 h. – Ele disse apressadamente.
– Que reunião? – Perguntei.
– Sabia que era preciso ligar. Meu sexto sentido disse que você havia se esquecido. – Ele zombou. – Só esteja amanhã as 9:00hs na empresa. E, por favor, se vista adequadamente. – Quase o mandei ir para a merda, mas ele desligou.
Não me lembrava de nenhuma reunião marcada para aquele dia e sem empolgação não perdi meu tempo averiguando o lembrete na agenda. Foda-se a hora que eu iria chegar e foda-se mais ainda com que roupa iria ir. Não tinha mais vontade de nada mesmo.
Naquela noite eu adormeci no sofá, após umas doses de vodka. Quando acordei, levantei em um pulo ao olhar para o relógio. De fato eu não queria me atrasar, mas também não estava a fim de ser a empregada exemplar. Não havia sido proposital, mas eu estava atrasada. O relógio marcava 08: 18 da manhã. Eu saberia que não iria conseguir chegar no horário previsto para a reunião, então para não causar mais alarmes com o meu chefe, decidi me produzir de acordo e finalmente pentear meu cabelo e fazer uma maquiagem decente. Já passava das 09h00min e o relógio já beirava quase as 10h00min quando, por fim eu sai de casa.
Chegando a empresa vi ainda ao longe meu chefe andando de um lado para o outro em histeria. Mesmo ele sendo um puta de cara chato, eu sabia lidar com aquilo. A me ver, uma expressão de alivio e raiva dominou seus olhos.
– Qual parte da conversa de: “A reunião será as 9” você não entendeu? – Ele esperneou quase como uma criança.
– Pelo menos vim vestida adequadamente. – Zombei, mostrando a roupa que havia vestido.
– Vermelho para uma reunião? – Ele quase riu do meu sarcasmo.
– Não serei eu que irei aparecer nos Outdoor. – Falei seca. – Ainda estão nos esperando? – Perguntei.
– Sim! Ele disse que esperaria você chegar, independente do quanto esperasse. – Ele exclamou.
– E para qual cliente é a reunião?
– Para as empresas de automóveis, Black. – Meu rosto empalideceu.
Parte de mim queria dar meia volta e sair correndo da empresa ao ouvir o pronunciar daquele nome com tanta convicção e a outra parte também queria, mas minhas pernas não se mexiam e eu as xingava em pensamento por isso. Embora o medo exalasse dentro de mim e a raiva vinda de algum lugar em meu interior sobressaltasse os meus olhos, eu saberia que teria que engolir. Eu o veria. O veria mesmo depois de tantas semanas sem a sua imagem clara a minha frente. Eu o veria e não o tocaria. E sentia mais raiva ainda por querer vê-lo mais do que tudo. E sentia ódio porque meu coração batia tão exaltado que doía ainda mais naquele momento do que em todos os dias em sua ausência. Eu me odiava. E o amava.
Tentei em vão controlar a respiração. Fechei minhas mãos em punho para tentar livrar-me da trepidação quase doentia que elas provocavam e tudo em vão. Antes de entrar a sala de reuniões onde eu sabia que ele me aguardava, pensei novamente em correr para longe. Mais até onde eu poderia ir? Sair de Forks talvez, já que aquela mesma cidade de certa forma pertencia a nós dois. Entrar! Correr! Entrar! Correr... Fugir! Minha mente gritava aquelas palavras sem sentido algum.
– Rosálie. – Fui arrancada de minhas indecisões puxada para a realidade dolorosa, clara e morena a minha frente. Ele estava ali, de pé. Ao pé da porta. Meu nome soava de sua boca e sua voz quase murmurava em meus ouvidos.
O ódio sumiu, mas não por completo ao ponto de não poder odiá-lo. Eu ainda o odiava embora metade da raiva que eu por tanto tempo alimentei tivesse morrido. Meu coração parou. Sangrou. E a fibra latente que o fazia pulsar, agora rompida, inundou-me de dentro para fora.
O olhei com indiferença mesmo com tantos hormônios aflorados dentro de mim. Fui seca e mais profissional do que poderia realmente ser. Assenti suas palavras e mesmo sem pronunciar nenhuma palavra, dei a entender que queria entrar. Na sala de reuniões tudo tornou-se ainda mais insuportável. Ele respirava o ar e eu aspirava o mesmo ar que havia sido proporcionado para ele. O seu perfume entorpecia-me e o brilho tristonho de seus olhos me colocava para baixo. Olhei para as suas mãos à procura da jóia dourada e lá estava ela em sua mão direita. A confirmação dos meus dias tristes. Meus olhos se encheram. Ele olhava-me e eu o olhava mesmo que no fundo não quisesse estar tendo aquela troca de olhares tão intensa.
A reunião parecia não ter fim. Mike e Paul conversavam sobre as propagandas da empresa, os dois empenhados no assunto. Enquanto eu e Jacob continuávamos nos martirizando um, com o olhar do outro; nos torturando. Não pronunciei muitas palavras durante toda a reunião, não palavras necessárias para que um cliente aceitasse os meus projetos, mas ele ao menos ponderou e assinou o contrato ainda calado.
Havia deixado Mike feliz, embora eu estivesse triste.
Quando por fim a reunião terminou, sai mais afoita do que imaginava. Corri para o banheiro e antes mesmo que pudesse chegar; as lágrimas vieram febris. Dor. Tudo em mim doía e ao mesmo tempo anestesiava. Como se chorar aliviasse, como se chorar expulsasse tudo dele que ainda havia em mim. Só que aquilo eram somente sensações, perdas e nenhum ganho. Havia mais nele em mim do que eu em mim mesma.
Não sai muito tarde do trabalho naquele dia. Ainda estava claro e aquela confirmação deveria ser comemorada com televisão, chocolate e vodka. O que mais poderia ser? Virei a esquina à caminho do estacionamento procurando o meu carrinho vermelho e quando o avistei, minhas pernas frearam. Fincaram no chão de maneira que meus pés ficaram pesados demais para poder caminhar. Meu coração acelerou e se contorceu ao ver a sua imagem diante o meu carro. Eu mentiria se dissesse que ele não estava perfeito parado junto ao carro. Um deus grego. E mentiria se dissesse que o olhando ainda o odiava. Não naquele momento. Por um momento a estrada da Califórnia dominou meus pensamentos e uma corrente elétrica percorreu meu corpo ao lembrar-me de seus beijos, no entanto a imagem que veio logo após acelerou o mecanismo de minhas pernas. “Chiclete no cabelo” foi o que pensei e a raiva me dominou.
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