Quando entrou na classe, parecia meio deslocado. Devo admitir que era meuito estranho — mesmo que essa budega que chamam de colégio seja centro das estranhices da face da terra. Tinha cabelo castanho claro, olhos bem azuis, usava o pulôver feminino, e a fita vermelho rosada em vez da gravata, mas o mais estranho é que tinha orelhas e rabo de gato preto — parecia personagem de mangá shoujo. Ele se sentou no canto do fundo onde geralmente eu sento, mas não me pareceu certo tirá-lo dali, aliás, eu ainda estava estudando o jeito delicado com a qual arrumava suas coisas, e pegava um caderno com uma caneta metida na molinha.

-Aí, Ryan, quer atormentar o novato? — Lian riu e apontou o moreno — Ele tá sentado no seu lugar...

-Ahn...? ah... tá. — respondi meio sem prestar atenção ao que eu estava dizendo. — Vai você.

-Okay! — ele riu, sadista, como sempre foi e será. Andou até a classe. Pegou na gola dele e o arrastou pra fora da cadeira, fazendo com que o outro caísse. — Esse lugar tem dono, boiola. — Levantou-o pelo cabelo, fazendo com que este deixasse cair uma lágima de dor, e deu-lhe um tapa no rosto, o que foi prejudicial, pois Lian tem as unhas um tanto compridas, e cortou a face do menor.
Por mais que eu adorasse ver a desgraça alheia, não consegui olhar sem fazer nada. as lágrimas se misturavam ao sangue do mesmo, que realmente parecia estar mal.

Involuntariamente me levantei e cheguei ao lado de Lian.

-Já chega, loiro. foi meio loge dessa vez. — e fiz sinal para que os outros dispersassem. — Você tá bem? — Perguntei, e ele passou os dedos pelo rosto, para limpá-lo.

-A-acho que s-sim... — ele respondeu, frágil. Sentou-se na cadeira e olhou pra baixo — o... brigado.

-Como se chama?

-Nell K-krame. — ele olhou para mim — e você?

-Ryan Snowell — me surpreendi um pouco com a pergunta, geralmente os novatos o aprendem da pior forma.

Involuntariamente-pra variar-eu passei a mão pelos cabelos dele, e ele... RONRONOU?! ok, esse garoto é mais estranho que eu pensava... Mas eu gostei, devo admitir... Nell me intriga, mais que qualquer outra pessoa, e sinto uma necessidade estranha de protegê-lo, pois ao que me parece é delicado demais para tanto. Simplesmente sinto. Não sei explicar.

Notas finais
ps.: diz que tá uma bosta!