Shogatsu no Itazura

1 Shogatsu no Itazura


Foi um dia comum, diga-se de passagem. Para quem nunca bebeu nem tanto. E para quem nunca se apaixonara bom eu conto. Um breve texto e uma longa história de amor.

Foi a mais de seis anos quando se conheceram. War em seu primeiro ano e Tamer no segundo e desde pequena naquela escola.

Em sua total ignorância e ingenuidade War nunca havia olhado para Tamer, nem nunca a notara ali. Muito provavelmente por ser muito abobada e não ligar para nada. Já Tamer, essa sim já tinha notado a jovem extremamente estranha e as avessas com tudo o que se dizia normal. Por alguma razão que nem mesmo eu ou vocês vamos entender. Mas Tamer a muito se interessou por ela. Beleza que não foi o atrativo. Tão pouco as roupas que sinceramente eram muito largas para seu corpo por mais largos que seus ombros fossem. Ao exato oposto dela Tamer era muito bela. Por onde passava era inevitável que qualquer homem ou rapaz não parasse um minuto a admirando. Não haveria motivos, mas pelos estranhos caminhos nas estrelas elas foram apresentadas, ambas eram conhecidas por serem desenhistas, mesmo que de estilos diferentes. Mais um tempo depois Tamer foi atrás dela em um passeio escolar. Depois disso eram todos os dias juntas no intervalo.

Não é por nada, mas era difícil de imaginar como duas garotas diferentes a esse ponto, se deram bem, ao passo que Tamer era bem adiantada no quesito vivencia, um modo educado de dizer que ela não era inocente, era muito romântica, realmente esperava seu príncipe encantado numa BMW se é que me entendem, enxergava a vida de um modo próprio mandando qualquer comentário negativo para aquele lugar sim, enquanto que War era bem infantil, abobada e alegre mais do que a maioria das pessoas, ingênua e muito, era feliz de um jeito próprio e era isso o que as pessoas não entendiam. Por sua vez e pelas consequências de sua personalidade incomum nunca teve muitos amigos. Por essa e outras ela prezava a ao máximo a amizade com Tamer. Pessoa que pela primeira vez considerou bela, formosa linda de todos os aspetos possíveis. Uma grande e forte amizade cresceu entre as duas. Isso teria sido a mais ou menos quatro a cinco anos que War se negava a deixar Tamer. E foi a mais de um ano que a garota ingênua e boba se descobriu apaixonada. Por quem? Preciso mesmo perguntar? Vocês com certeza devem saber.

Coragem para se confessar para sua amada. Bom isso ela nunca teve, prezava tanto o sorriso da bela moça que se recusava a perdê-lo. Então para si guardou esse sentimento e prometeu nunca contar para não perder quem amava.

E foi na noite da virada do ano. Quando tudo foi posto na mesa cada uma das cartas de War. Mas realmente vocês devem notar e presumir que a garota apaixonada não estava nenhum pouco perto de seu juízo perfeito, muito pelo contrario afinal se dispôs a beber. Tudo foi parte de um metódico plano. Decidida de que apenas beberia trancada em sua casa na companhia de sua amada na noite do dia 31/12/15. Apenas algumas condições que se propôs na virada do ano passado, para que um dia experimentasse a diversão que tanto Tamer a convidava e para que não caísse em vicio. Realmente era inocente e o que ia acontecer naquela noite não era nem de longe uma expectativa ou sonho como vocês podem pensar dela.

Tamer havia contado ansiosamente os dias para enfim virar uma noite fora de casa, com alguém que segundo ela era a única pessoa que não conseguia odiar e enfim seria como ser independente. Pois seriam apenas as duas bebendo por conta própria sem ninguém para dizer que estava tarde. Naquela noite elas ficaram muito felizes. Comeram pizza que elas mesmas fizeram. Jogaram vídeo game que era a diversão de War. Tudo isso mais filmes. Certo que Tamer dormia enquanto War adorava as cenas de muito sangue. Enquanto a mesma nem dava bola para filmes com pouco sangue. Os românticos então. Enquanto Tamer se derretia e empolgava quando o rapaz beijava a moça, ou quando o herói se tornava uma lenda em suas aventuras. De fato as diferenças entre elas eram absurdas. Mesmo nos signos uma era o inferno astral da outra, complicado.

War nunca havia bebido então após meia garrafa de vinho ela estava mais que bêbada. No entanto a bela moça de cabelos castanhos era deveras mais resistente o bastante para ainda encher mais as taças vazias. Foi quando depois de um gole rápido.

- Eu te amo – disse War corada. Claro que Tamer respondeu também te amo. Pois sempre diziam isso entre elas. Como uma forma de carinho. Pois para a bela garota sua amiga era mais que uma amiga, uma irmã. Tal declaração fazia War querer se enforcar. Ainda mais quando a conversa ia para o reino de seus personagens as histórias que escrevia que volta e meia havia se tornado seu ganha pão. Um personagem fizera Tamer se apaixonar por ele e War só aumentava isso ao adequá-lo a amada, o fazendo com todas as qualidades por ela esperada. Ele nada mais era que uma cópia muito mal patenteada da própria escritora. Mas era o que ela podia fazer naquela época para distraí-la de um namorado babaca da qual a desiludiu. Com isso War se aplicou ainda mais no aperfeiçoamento do personagem. Claro que isso não era um problema. Mas quando enfim se deu conta de estar apaixonada pela então amiga triste foi quando aquele reflexo dela mesma se tornou seu tormento. Falar de tal personagem de certa forma passou a lhe embrulhar o estomago. Ouvir Tamer dizendo o quanto o amava a apunhalava de frente. Tal personagem e ela eram a mesma pessoa. Será que Tamer não enxergava a estapafúrdia verdade? E foi com tudo isso e a ação do álcool que War naquela hora deu um passo a frente.

-Não. Eu te amo mesmo! Eu quero segurar sua mão quando andarmos por ai. Quero te abraçar sem motivo nenhum e não te soltar. Eu quero você para ser meu primeiro beijo – declarou-se.

Tamer deu risada talvez fosse o álcool. E ela deu um beijo na bochecha da amiga que segundo ela era um pão de batata. Aquilo fez o sangue de War bater no teto de seu crânio. Ela estava prestes a ter um ataque. Como fazer com que a bela jovem entendesse? A resposta parecia ainda mais complicada tendo em vista que com certeza tentar o beijo que almejava poderia lhe custar a amizade. Tamer já a muito tempo afirmava gostar do sexo oposto. E isto vocês podem ter certeza de que fora um dos muitos motivos pelos quais War se calava e guardava seu sentimento única e exclusivamente para si.

Cinco para a meia noite.

Tamer disse para desligarem tudo e desligou a tv. War apagou as luzes e ambas foram para a varanda do apartamento esperando a queima de fogos assentaram-se no sofá do lado de fora olhando para o céu.

Do lado uma da outra, War parecia distante, um tanto chateada e cabisbaixa. As palavras de sua declaração não paravam de se repetir em sua mente. E a resposta de Tamer não parava rasgar seu coração, nem toda a bebida do mundo faria parar de doer.

Dois minutos para acabar o ano.

-O que foi? Se anime vai começar – disse a bela. Sorrateiramente War esgueirou sua mão sobre a mão da amada sem olhar em seus olhos. Tamer riu um pouco – Ah já entendi quer abraço e kisu, esta bem te dou outro – ela disse puxando a amiga.

Um minuto.

Quando percebeu algumas lagrimas no rosto de War, lhe perguntou o que havia se passado. E a resposta foi vazia e sem nexo. Julgando ser o álcool na novata em bebidas.

-Ai. Vem cá te dou outro kisu – ela disse pausadamente.

Tamer puxou o rosto da amiga mirando no pão de batata. Rapidamente e com toda a coragem que a bebida podia conferir-lhe War também e pela primeira vez se dispôs a dar um beijo. Mas agora pergunte se ela mirava como Tamer na bochecha. Imaginando que vocês devem estar se acabando de rir com tamanha cena pastelonica. Os fogos começaram a brilhar no céu escuro e limpo.

Tamer pela primeira vez sentiu um rebuliço muito grande. Claro que o álcool desviara um pouco seus reflexos a incapacitando de qualquer chance de se esquivar. Sorte de War que tinha o medo de ser repelida.

Um extremamente tardio beijo prendia uma a outra enquanto os fogos brilhavam na noite e agora totalmente em segundo plano. Pois o beijo as distraiu por exatos 57 segundos até War o desvincular dos lábios da amada. Antes de todo o juízo de seu cérebro retornar a sua cabeça ela encarou o olhar extremamente confuso e para o nada de Tamer que se afogava em tanta incerteza que não dizia ou fazia alguma coisa. Quando War se deu conta do que havia feito ela nunca se odiou tanto, estava prestes a perder quem mais amava. Sem poder suportar qualquer fala ela se levantou para deixar Tamer a sós. Foi quando a mesma a puxou com força pelo braço a obrigando a ficar ali sentada.

-War – sibilou Tamer.

Com tanto medo das palavras que provavelmente seguiriam depois de seu nome. War fechou os olhos, pronta para os palavrões e até mesmo qualquer tapa ou soco. Qualquer coisa, ela estava pronta para apanhar moralmente, fisicamente e emocionalmente.

Quando sentiu as mãos de Tamer em seus ombros e a respiração forte da mesma bem ofegante.

"É agora. Fudeu muito. Que merda fui fazer!"

Ela gritava em sua mente.

Sentiu algo realmente estranho em sua boca. Foi quando tomou coragem de abrir os olhos e viu os olhos de sua amada fechados quase colados aos dela. E sentiu uma coisa quente se mexer em sua boca aparentemente grudada aos lábios de Tamer que esgueirava a língua dentro da boca da "amiga". Um som de estalo se fez presente quando as duas se separaram.

Tamer olhou com lagrimas nos olhos para War sem reação.

-Tamer eu... – War foi silenciada pelas pontas dos dedos de Tamer sobre sua boca.

A bela jovem chorou e abraçou a "amiga". Nenhuma outra palavra foi dita naquela noite. O único som que realmente era audível mesmo com os fogos eram os sons abafados dos beijos e respiração forte e nada mais.

O dia de ano novo parecia como sempre preguiço e com todo mundo acordando depois das onze.

Mas com o corpo acostumado as levantar as seis todos os dias War despertou no chão da sala deitada sobre o tapete e vários lençóis junto a outros dois cobertores. Então se deu conta de que tinha dormido no sofá mais caíra durante a noite. Vendo o relógio marcando seis horas se espreguiçou e ficou deitada mesmo, calma e... Então se lembrou de Tamer que não fazia ideia se ela estaria bem. O ocorrido da noite passada não deixara tempo para quaisquer explicações e esclarecimentos devidos ao infortúnio da bebida. Tomando coragem ela decide ir atrás da amada. Olhando em volta esta mais que claro que ela foi embora, pois sua mochila não estava lá. Então sem saber por onde procurar ela liga para o celular de Tamer ainda deitada mesmo. E um ruído quase a faz engolir o telefone. O som abafado vinha de debaixo da coberta eis que ao se descobrir encontra Tamer agarrada a ela.

Tamer repousava a cabeça sobre a barriga descoberta da "amiga", ao abrir os olhos a primeira cena que avistou foi War com o celular em uma mão e a outra na coberta e com o olhar mais confuso e assustado possível.

-Tamer... – as palavras tremulas e amedrontadas de War. Fizeram Tamer se arrastar por sobre o corpo na qual deitara – Ontem... – o ontem de War fora enterrado por um preguiçoso beijo de Tamer que dava risada da expressão da "amiga" que não fazia a mais remota ideia do que deveria fazer.

- Como você vai me namorar se só tem coragem de me beijar quando bebe?- disse Tamer agora a sua namorada. Realmente sem ter como fugir com Tamer sobre ela. O coração querendo sair pela boca o cérebro sendo inútil até mesmo aos mais simples pensamentos. Tentando se levantar e colocar um pouco de juízo em si mesma e em tudo aquilo que ela realmente acreditava ser um dos piores de seus pesadelos. Pois acreditar e mergulhar naquela felicidade e depois acordar e descobrir de que não passava de sonho.

Tamer sentava sobre War que afundava a cara no peito da bela moça que a abraçava com força.

Lembrando-se da noite passada. Do surpreendente beijo que a pegara de surpresa. Tamer também se sentiu muito confusa, mas ao chorar naquela noite. Sentindo beijo depois de beijo ficou claro o sentimento que estava a bater com força em seu coração. Os fogos que explodiram dentro dela, a aflição de nunca ter sentido isso com ninguém como já dissera a "amiga" que agora via diferente.

- Acho que antes de qualquer coisa as pessoas devem ser amigas para depois se apaixonarem. Pois não existe sentimento mais forte que a amizade. O amor da amizade é mais forte que os outros. Mais que tudo. Eu acho assim – Tamer se recordara do pensamento de War. E se recordara de que a mesma a muito se mostrava diferente. Apaixonada por ela.

Com a garota besta ali em seus braços ela sentia que nunca poderia se zangar ou odiar aquela pessoa abobada e alegre. Mas que por aquele amor estava a sofrer. Isso a fez inclinar o corpo sobre a amada e com carinho acariciava sua cabeça passando os dedos por entre o cabelo escuro e enrolado.

Seria certamente a cena mais romântica delas se War não estivesse ficando sem ar com a cara enfiada no marshmalow da amada sobre ela. Rapidamente atendendo as suplicas dela Tamer soltou-lhe. E mesmo com os pulmões gritando por ar. Eles não gritavam mais que seu coração. Ou mais que seus lábios e mãos que ladravam por mais. Mais dela que estava ali olhando ternamente para os olhos negros da garota sem ação. E sem nenhuma palavra um longo e terno beijo entre elas. Tamer escorregava sua mão para de baixo da camisa de War que mantinha seus braços colados a cintura da garota sobre ela. Não demoraram as duas para despencarem sobre o ninho de cobertores, lá ficaram um bom tempo abraçadas. Até adormecerem juntas, com a certeza de que teriam uma à outra quando despertassem.

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