Shiroyama
1 One-shot
Notas iniciais
Monique estava na cozinha, terminando de arrumar as coisas pra mesa do almoço quando Yuu entrou no cômodo, as mãos metidas nos bolsos, a expressão preocupada, com o olhar distante e pensativo.
— Yuuri foi levar Yukari? – a mulher perguntou, despertando o marido de seus devaneios.
— Foi... – ele respondeu, sem mudar a expressão de seu rosto, fazendo-a rir.
Ela caminhou até a sala e colocou os pratos na mesa. Sentou-se em uma das cadeiras ali dispostas quando viu que ele, inconscientemente, a tinha seguido até ali e feito isso. Olhando-o com um sorriso, segurou o rosto na mão e esperou que ele percebesse sua presença.
— O que você quer extrair de mim, Shiroyama Nick? – ele gargalhou, erguendo os orbes negros para fixá-los na esposa, com diversão.
— Eu? – ela sacudiu os cabelos de um lado para o outro, teatralmente, com uma risadinha em seus lábios rosados. – Por que acha que eu quero extrair alguma coisa de você, Shiroyama Yuu?
— Porque é o que costuma ser quando seus olhos me fixam assim tão intensamente! Parece que até queimam de tanto desejo que você sente de invadir a minha mente! – o guitarrista brincou, apoiando o rosto na mão para imitá-la e também olhá-la fixamente.
— Você fala como se fosse a coisa mais difícil desse mundo extrair alguma coisa de você, baka! – Monique deu de ombros, desviando seu olhar e se levantando da cadeira para voltar para a cozinha. – Você não se aguenta! Logo, logo, você corre pra me contar!
Ela sentiu sua cintura ser envolta pelos braços do marido, impedindo-a de deixar o cômodo. Os orbes azuis se fecharam no mesmo instante em que a boca feminina ficou seca ao sentir na pele de seu pescoço os lábios grossos do marido deslizando em beijos cheios de carinho.
— Tem alguma coisa incomodando você... – ela disse, colocando a mão atrás da nuca dele e arranhando-lhe a pele com as unhas ligeiramente compridas.
— Isso não foi uma pergunta – Yuu deu risada, arranhando-lhe a pele sedosa com os dentes e puxando-a para os dois se sentarem em sua poltrona na sala de visitas, colocando-a em seu colo e voltando a beijar-lhe o pescoço.
— Eu não preciso mais perguntar, né, Yuu? Não depois de duas décadas! – ela gargalhou e ele gemeu, descontente.
— Duas décadas? Tudo isso já? Tem certeza?
— Ah, eu tenho certeza! – ela gargalhou.
— Mas eu ainda me lembro tão bem do primeiro dia em que a vi!
— Eu também me lembro, koi! – Monique se ajeitou no colo dele, deitando a cabeça em seu ombro.
— Eu estava pensando nisso, sabe, koi? Estava pensando que, quando o seu filho começa a namorar sério, você está realmente velho! – Monique gargalhou gostosamente. – Acho que está na hora de você me dar aquela filha que está me devendo, Nick! – ela revirou os olhos e lhe deu um tapa no ombro. – Ah, mas eu estou falando sério!
— Você vai satisfazer seu desejo de ter uma filha com Yukari! – a mulher gargalhou. – Quando seu filho arranja uma namorada, você ganha uma filha!
— Mas que coisa! Nem uma filha eu ganho... Não quero saber dessa coisa de ficar velho!
— É bom que isso não seja verdade! Porque Yuuri vai precisar de você e não pode ser um senhor idoso e entregue se quiser enfrentar Akira!
— Eu estava tentando não pensar nisso... Eu estou até com medo de ir ensaiar! Porque Yuuri é só um garoto! É comigo que Akira está furioso! Porque é culpa minha deixar o meu filho se apaixonar pela filha dele!
— Nós temos sorte que Ana consiga controlar o mau gênio do Aki-chan tão bem! Ele encontrou Yuuri no quarto da menina, Yuu! O que ele não teria feito com nosso filho? – ela escondeu o rosto no ombro dele, como se temesse a imagem que se formara em sua mente.
— Eu espero que o garoto saiba a sorte que tem... – o guitarrista disse, pensativo e a esposa concordou. – Por que justo a filha do Akira, né? O garoto poderia se meter com qualquer garota da escola... Da faculdade... Mas, não...
— Não era uma coisa que poderíamos prever... Mas também não posso dizer que eu fui pega completamente de surpresa, Yuu...
— Não foi?! Como assim?
— É claro que não! Eles cresceram juntos! O que esperávamos? Que fossem irmãozinhos pra sempre? Eles estão crescendo, Yuu... Essas coisas acontecem com a convivência... Não cabe a nenhum de nós decidir a vida dele, por mais que queiramos...
— Ah, que bom que estão discutindo a vida alheia de novo! – Yuuri entrou em casa, encontrando os pais na sala, conversando.
— Ela chegou bem em casa, querido? – Monique perguntou, ignorando a declaração dele.
— Hai... – ele respondeu, tirando o seu casaco. – Certo! Eu tenho uma coisa a dizer! Isso vale pros dois: eu sabia no que estava me metendo quando comecei a sair com Yukari! – o garoto disse sério, ficando de frente para os pais. – Não quero que meu relacionamento com ela interfira na amizade de vocês com tio Aki e tia Ana, muito menos no the GazettE!
— Own! – Monique se levantou do colo do marido e apertou o filho nos braços. – Que menininho mais lindo! – e o encheu de beijos.
— Okaa-sama! – Yuuri tentou se desvencilhar dos braços da mãe, constrangido e seu pai gargalhou. – Eu estou falando sério!
— Eu sei que você já tem idade pra assumir as consequências pelos seus atos, Yuuri! – Yuu se levantou e colocou a mão no ombro do filho, que ainda estava preso ao abraço apertado da mãe. – E amadurecer é ter responsabilidades mesmo... Mas eu ainda vou te puxar, pra você não ir tão longe, tão depressa...
Fale com o autor