Shiori Kojima

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Há diálogo em japonês, mas isso não será um problema, não se preocupem. Espero que não tenha nada errado hehehe

Eu havia acabado de fazer o almoço e minha avó entrou com algumas verduras e meu primo atrás com 3 caixotes cheios empilhados um em cima do outro. Ele não era muito mais alto que eu e apesar dos traços orientais, era americano e bem musculoso. Vê-lo ajudar a vovó me
deixava tão feliz, ele era um dos poucos rapazes sensíveis e carinhosos com a família que existem. Sempre fez de tudo para me alegrar depois que meus pais se foram. Pensando bem, imagino o que ele deve ter sofrido sem os pais antes de mim também. Seus pais morreram num acidente horrível nessa mesma estrada em frente a nossa casa... Por outro lado, ainda temos a vovó. Uma mulher que apesar da idade, ainda é muito trabalhadora. Sem falar que é muito doce e gentil. Nós (eu e Kevin, meu primo) temos muita coisa em comum, sofremos muito, mas somos muito felizes hoje.

Nós almoçamos e depois lavamos todos os legumes e verduras que eles
tinham trago. Embalamos e deixamos na geladeira, pois no dia seguinte (que seria segunda) teríamos que ir para a feira cedinho. Mais tarde, umas 14:40 fomos juntos para a plantação plantar mais sementes nos solos já ariados e fertilizados e anotar dados das outras plantas que também cresciam ali.

Ficamos até o entardecer, quando estávamos voltando para a casa, na beira da estrada escura, vimos uma garota sentada no chão com seu rosto entre os joelhos. Ela tinha cabelos
longos e louros e usava vestido branco assim como a menina do mercado
que eu havia visto mais cedo. Estava anoitecendo e fazia muito frio, meu primo parou a caminhonete na estrada deserta e eu corri até ela.

– Oi, aconteceu alguma coisa? Está perdida? – Eu mal acabei de falar e ela logo se agarrou a minha cintura num abraço forte. – Você consegue
me entender? – Eu insisti e ela balançou a cabeça pressionada um pouco abaixo dos meus seios dizendo que sim. Ela me parecia em choque, então a levei até a caminhonete e nós fomos para casa. No caminho eu ainda tentei “Qual é o seu nome?”, mas ela continuou agarrada a minha cintura, e não respondeu.

Chegando em casa, nós a demos comida e ela foi tomar um banho...
Pergunto-me o que havia acontecido com essa pobre menina. Ela parecia ter uns 13 anos e estar muito assustada. O banho tá demorando, será que ela está bem? Peguei um antigo vestido que eu costumava usar
quando tinha uns 15 anos e fui bater na porta do banheiro, mas ela se abriu e a menina saiu de lá enrolada na toalha que era minha.

– Toma, pode usar o meu vestido. Eu gostava muito dele, vai combinar
com você. – Olhando-a bem, eu não me lembrava de tê-la visto antes.
– Obrigada. – Pelo menos ela fala inglês. Mesmo tendo olhos grandes, seus traços orientais eram bem notáveis.
– Tudo bem, não precisa agradecer. – Ela voltou para o banheiro, pôs meu vestido e assim que abriu a porta, voltou a agarrar em minha
cintura.

Fomos para a sala onde estavam meu primo e minha avó.
– onamae wa nan desu ka? – Minha avó perguntou “qual seu nome?” a ela.
– Sh-Shiori Kojima desu. – Ela respondeu bem baixinho e gaguejando
“Sou Shiori Kojima”.
– Doko kara kimashita ka? – Minha avó perguntou “de onde você veio?”.
– Okazaki kara kimashita. – Ela disse ter vindo de Okazaki, uma
cidadezinha do Japão.
– Eigo ga hanasemasu ka? – Minha avó perguntou se ela falava inglês
– Sukoshi. – Ela respondeu que “pouco”. Minha avó falava japonês quando éramos mais novos (eu e meu primo), queria que soubéssemos a língua dos nossos ancestrais. Ela ainda fala, mas é raro.
– Quantos anos você? – Tentei também me comunicar com Shiori em inglês.
– Ter eu 17. – Ela invertia a ordem das palavras, mas dava pra compreender. Espantei-me com a idade, achei que teria muito menos pelo seu físico esmirrado.
– O que veio fazer aqui? – Kevin também perguntou.
– Ver a minha avó eu vim, mas morreu e casa leiloar. – Acho que sua avó morreu e a casa foi leiloada. Pobrezinha.
– Onde estão seus pais? – Perguntei.
– Pais não vêm. – Ela disse com uma carinha tão triste... Ela parecia
estar exausta também, não sei se veio andando lá do centro até aqui.
– Vem, Shiori, vamos dormir? Você deve estar cansada. – Ela bocejou e
pressionou a cabeça abaixo dos meus seios novamente.
– Konbanwa, Shiori-san – Minha avó desejou uma boa noite a ela e Kevin
a afagou na cabeça.
– Konbanwa, Obaachan – Ela disse “Boa noite, vovó”. E nós fomos para o
meu quarto. Arrumei a cama e ela se deitou. Fui ao banheiro pôr meu
pijama e voltei para ajeitar um colchonete no chão para mim.
– Dorme comigo. – Ela disse. Meu deus, que voz meiguinha.
– Shiro, eu esqueci de me apresentar, mas meu nome é Elin. Meu primo se
chama Kevin e minha avó Hana. O dia hoje foi meio cansativo, não é?
– Erin-chan, estamos cansadas, eu quero sono. Muito bom conhecer
Kevin, Hana e você.
– Tudo bem, vamos dormir. Amanhã vamos melhorar esse seu inglês. – Eu
apaguei a luz, me deitei ao lado dela e ela me abraçou como um ursinho e logo dormiu. Ela era uma gracinha, impossível ter 17 anos.

Notas finais
Bem, espero que o texto não tenha saído da estrutura, já que estou postando pelo celular ;-; espero também que tenham gostado. Até o próximo capítulo (^-^)/