O som metálico ecoou por todo o cômodo quando Asai bloqueou a shuriken lançada pelo inimigo em sua direção. O corpo treinado durante mais de dez anos agia por instinto, havia se adaptado completamente a combates, assim como os outros dois de sua equipe, e orgulhava-se de dizer que não deixava a desejar em uma comparação direta, apesar de nunca ter conseguido vencer Maki em um duelo direto. Os olhos treinados, e abençoados por uma das mais poderosas kekkei genkais da história, acompanharam com facilidade enquanto o ser a sua frente abria os braços, abrindo o manto como uma capa em suas costas.

Preparou os músculos para investir contra aquele adversário desconhecido. Tinha de ter cautela, não conhecia nenhuma habilidade do seu oponente e nem sequer sabia o motivo de estar ali para tentar matar o Senhor Feudal, ou pelo menos era o óbvio a se assumir como objetivo daquele homem. A mente trabalhava em uma velocidade impressionante, buscando formas de combater enquanto protegia o homem às suas costas, no pior dos casos precisaria apenas ganhar tempo o suficiente para que os outros notassem os vestígios da batalha.

Em um movimento repentino e totalmente inesperado, o ser a sua frente desapareceu. Com os olhos arregalados o Uchiha virou o rosto por puro reflexo, conseguindo ver apenas o punho que lhe atingia em cheio no maxilar direito, fazendo com que seu corpo fosse lançado contra a parede do cômodo completamente incapaz de reagir a tempo. Pôs-se de pé o mais rápido que conseguia apenas para ver o joelho de seu inimigo entrar em seu estômago em uma velocidade que era incapaz de compreender.

Sentiu o gosto metálico do sangue que escorreu pelos lábios enquanto os tijolos da parede que até então o segurava eram lançados para trás junto de seu corpo. Caía no telhado de algum cômodo do andar inferior com um misto de perplexidade e impotência. Cravou a espada, por um milagre ainda presa em sua mão, contra uma das telhas, forçando-se a ficar de pé diante do inimigo enigmático. As pernas tremiam pelo alto dano recebido em tão pouco tempo.

— Fraco… Muito Fraco — O tom divertido na voz abafada que saía da máscara o irritava. Observou o homem avançar lentamente em sua direção e, mais por desespero do que qualquer outra coisa, golpeou verticalmente com a katana.

Um novo som metálico indicava que havia algum tipo de placa de aço nas luvas do inimigo, mais exatamente nas costas de sua mão, que ele usava agora para interromper o golpe da lâmina. Cambaleou, desviando de um soco que o atingiria no rosto, mas sentiu as pernas falharem fazendo com que seu corpo caísse novamente para trás. Um chute lhe atingiu o meio das costas antes de ser capaz de completar sua queda, deixando que a katana caísse e sentindo seu sharingan se desfazer.

Próximo a perder a consciência, sentiu o corpo escorregar por entre as telhas molhadas em direção ao solo, cairia cerca de cinco andares sem ser capaz de se proteger. Já com o corpo praticamente todo para fora do telhado, teve os cabelos agarrados pelo inimigo, que parecia se divertir em vê-lo pendurado ali, sendo engolido pela escuridão e desmaiando antes de descobrir seu destino final.

Mika e Shuu voltavam a toda velocidade das florestas que cercavam o castelo. Haviam se deparado com os portões do castelo totalmente destruídos e duas figuras de mantos brancos e com máscaras totalmente brancas, sem qualquer desenho ou expressão. Tentaram entrar em combate, mas foram forçados a perseguir os seres pela floresta, até perder seus rastros. Não tardaram a dar meia volta e rumar para o castelo, precisavam se reunir com Asai e organizar as defesas da propriedade enquanto um deles pediria reforços e avisaria do ocorrido.

O alerta de que algo estava errado veio quando uma grande cortina de fumaça negra manchou as nuvens brancas do céu. Correndo a toda velocidade que suas habilidades permitiam após quase oito horas sem descanso algum, depararam-se com um amontoado de corpos sendo queimados, todos os guardas da propriedade provavelmente estavam ali, mortos. Não demorou para que o cheiro de carne humana derretendo enchesse o ar e se tornasse extremamente desagradável, mas não tinham tempo para lidar com aquilo no momento.

Ao abrirem as portas do quarto do Senhor Feudal a cena era como se tirada de um filme de terror. O corpo desmaiado de Asai havia sido pregado na parede por sua própria katana, enterrada até o cabo em seu ombro, mantendo-o a cerca de três metros do chão. Na cama, o corpo do Senhor Feudal parecia ter sido dividido em cerca de quinze pedaços diferentes, organizados de uma forma bizarra e desforme. Na enorme parede branca atrás da cama, com o sangue de Satou-sama, a palavra “Revolução” havia sido escrita de ponta a ponta. Por todo o teto podia se ver a palavra “Marionete” também escrita em sangue, repetida até ocupar toda a extensão do cômodo. Podiam sentir na pele que algo muito grande estava para acontecer, e não tinham ideia do que era.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.