Shinobi: Uprising
2 Marionete
Havia pouquíssimo tempo desde o fim do verão, o que significava que as estradas da região ainda estavam em boas condições de viagem, para a sorte do grupo. Era de conhecimento geral que dentro de no máximo um mês tudo aquilo por onde agora passavam se tornaria neve, impedindo cavalos e carruagens e o único modo de viagem seria o trem, disponibilizado por Yukigakure para transporte entre as vilas anexadas pelo país. Naquele mundo hostil, os capazes de produzir se aliavam rapidamente aos capazes de defender e treinar os seus aptos, em um acordo mútuo em prol da sobrevivência.
Não encontraram muitos problemas pelo caminho, como já esperado. Sabia-se que poucos eram ousados o suficiente para tentar saquear o grupo do Senhor Feudal, sempre guardado e escoltado por shinobis do mais alto calibre de Yukigakure, e claro, quase ninguém era corajoso o suficiente para armar uma tocaia em um ambiente tão gélido. Aguardar horas ali fora seria suicídio, se algo acontecesse, seria premeditado e claro, a mando de alguém.
Perto do meio do caminho, sinais de um acampamento foram avistados ao longe e Shuu pareceu fazer questão de investigar. Poucos se preocuparam, uma vez que bandidos de baixo nível não tentariam nada, mas ninguém questionou quando o shinobi de cabelos verdes se lançou por entre os pinheiros e voltou poucos minutos depois, o mesmo olhar sereno de sempre, o que indicava que o inimigo era frágil e nem perto do suficiente para empolgar o rapaz.
Junto deles apenas um grupo de dois guardas pessoais do Senhor Feudal, um grupo bem mais velho já que nenhum três ninjas passava dos vinte e três anos, e os homens já demonstravam estar além dos quarenta. Estes, bem mais sossegados que os garotos, sentavam-se na frente da carruagem, guiando os quatro cavalos e conversando em um tom baixo sobre frivolidades. O clima calmo da viagem refletiu o caminho, e não tardou para que alcançassem os portões do castelo dentro do tempo previsto.
Entraram nas propriedades do Senhor Feudal sem problema algum, seguindo em direção a construção a pedido de Satou-sama. De acordo com ele e toda sua excentricidade, os três belos jovens que fizeram sua viagem ser tão tranquila mereciam alguma bonificação que igualasse sua altura, insistindo portanto que o acompanhassem até seus aposentos, onde receberiam alguma lembrança qualquer do castelo, como já era de costume com todos que faziam a escolta.
Enquanto subiam as escadarias finais que davam para as grandes portas duplas de madeira altamente ornadas que indicavam os aposentos pessoais do que era o mais importante homem de todo o país, uma vez que era ele o responsável pela escolha do Kage que os guiava, que não teriam tempo para aquela pequena cerimônia fútil. Assim que os olhos dos shinobis vislumbraram a imensidão de um quarto que mais parecia um verdadeiro templo de adoração a alguma divindade, com cerca de dez metros de pé direito, espaço interno anormalmente amplo, com uma cama que caberia pelo menos vinte pessoas lado a lado e ornamentos e tapetes espalhados por todos os cantos, apesar de se notar a falta de móveis decorativos, principalmente considerando a amplitude do lugar, ouviu-se ao longe um estrondo, seguido de um tremor preocupante.
Se estavam de alguma forma impressionados e boquiabertos pela luxúria dos aposentos do Senhor Feudal, aqueles sentimentos foram suprimidos instantaneamente. Os longos anos de treino se mostravam afiados como sempre, e com rápidos acenos de cabeça, pareciam capazes de se comunicar mentalmente, traçando um plano de ação rápido para averiguar a situação. Asai se adiantou a entrar no cômodo junto do Senhor Feudal, colocando-o em sua cama e pedindo que ficasse ali enquanto Maki e Shuu saíram em direção à explosão.
Diante de um silêncio perturbador e da falta de informações do que estava acontecendo fora das paredes que o cercavam, o Uchiha permanecia imóvel diante do leito de Satou-sama, a mão presa no cabo da katana presa na cintura, espada que algum tempo atrás estava atravessada em seu próprio corpo, e que decidiu guardar de recordação para que não repetisse aqueles erros. O som da respiração do Senhor Feudal parecia tomar o ambiente enquanto os segundos pareciam se arrastar. Uma estranha sensação de tensão começou a tomar o ambiente, tornando o ar pesado e estranho. Asai podia sentir uma gota de suor se formar na raiz dos longos cabelos negros, presos em um rabo de cavalo, apesar do frio inerente da região.
O clima se quebrou por três batidas ritmadas nas portas duplas. Tomando posição, o Uchiha se preparou para desembainhar sua espada a qualquer instante, os olhos já avermelhados fixos contra o pequeno vão entre as duas enormes estruturas de madeira que protegiam a entrada daquele cômodo aguardando qualquer movimento, por menor que fosse. Não sabia dizer exatamente quanto tempo passou enquanto analisava a fenda da porta, mas nenhuma resposta veio, pelo menos não de onde esperava.
Um riso abafado pode ser ouvido na lateral do cômodo, junto a uma janela enorme que pegava do chão ao teto. De trás das cortinas vermelhas uma figura estranha se movia lentamente, como se lutasse para se equilibrar com os dois braços esticados. Vestia um manto branco que lhe cobria o corpo todo, aberto apenas devido aos movimentos que fazia, revelando vestimentas negras por baixo do tecido. O rosto era uma máscara vermelho sangue sem qualquer desenho ou expressão esculpida, quase escondida por um grande capuz. Ele parou assim que chegou ao meio do quarto, deixando que as mãos caíssem junto do corpo, fechando o manto que o cobria.
— Muito bom, muito bom! — A voz era abafada pela máscara, mas demonstrava um tom animado, como se estivesse feliz pelo que via. As palmas que batia por baixo do sobretudo branco pareciam reforçar essa ideia — A marionete está a postos para servir! —
Outro riso abafado veio por trás da proteção vermelha que lhe cobria o rosto. Deixou que a cabeça caísse sutilmente para um dos lados, como se observasse de maneira curiosa o Uchiha pronto para entrar em combate diante do seu Senhor Feudal, encolhido em sua cama como se os lençóis caros fossem o proteger. Asai desembainhou sua katana, apontando-a para a estranha figura a sua frente. A gota de suor escorria por seu rosto, desenhando o contorno de seu maxilar enquanto a tensão parecia aumentar. Quem era aquele ser? Como ele havia entrado sem abrir uma janela ou porta sequer? E o principal, como seu sharingan falhou em notar sua presença?
— Seja lá quem for, sugiro que se ajoelhe e retire o capuz e a máscara e se considere um homem preso. Entregue-se e garanto que sairá vivo daqui.
Diante das palavras do Uchiha o ser riu, muito mais alto e satisfeito do que em qualquer outro momento durante aquele breve encontro. Sua cabeça voltou a posição normal e ele deu de ombros, soltando um suspiro audível. Tornou a abrir os braços como se buscasse se equilibrar, colocando um pé a frente do outro, em passos milimétricos na direção de Asai.
— E as cordas estão bem apertadas nas mãos do seu senhor… Que bom, que bom! — O ser parou, fazendo uma reverência para o seu inimigo — Pois que comece o show!
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